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quarta-feira, 3 de julho de 2013

A Bela que Dorme: Coleção de intragáveis

 por Moura

Spoilerômetro: • (?)


A eutanásia é assunto polêmico, que volta e meia tá de novo na boca do povo. Esse é o tema de A Bela que Dorme (Bella addormentata), que se sua pra mostrar pessoas dos lados opostos da conversa. Essa forma de expor o assunto busca imparcialidade (alô, Veja!), mas acho que muita gente vai sair do filme querendo realizar a morte assistida de vários personagens do filme. Ô bando de gente chata, bróder!

O formato é tipo Babel, com histórias ligadas, mas meio que independente, saca? Bom, tudo rola nos últimos dias de Eluana Englaro, uma mulher que passou 17 anos vegetativa até desligarem os equipamentos que a mantinham viva. Entre chutarem o CPU da moça até ela morrer, deu um monte de discussão e protestos lá pela Itália. A bagaça foi tensa, mas nada comparada à pancadaria comandada pelos alckimistas em Sampa.

Divina Madre (Isabelle Huppert, de Amor), além de ter um nome porreta, é estrela de cinema. Ela largou tudo porque achou que esse sacrifício ia tirar a filha dela do coma. Até ai, sussa, cada um com sua fé. O bicho pega porque a dondoca toca o terror nos empregados – algo que nenhuma PEC previu.

Rossa (Maya Sansa, de Bom Dia, Noite) é uma junkie suicida, mas um médico (Pier Giorgio Bellocchio, de Irmãs Jamais) a impede de dar fim a sua vida. Aí os dois são maletas. Ela não se joga duma vez do alto da Torre de Piza pra morrer direito. E ele fica dando trela pra maluca.

Maria (Alba Rohrwacher, de Que mais Posso Querer) é católica, mas se apaixona por Roberto (Michele Riondino, de Acciaio), um ateu. Pra começar, a paixão foi à primeira vista, um bagulho melado. Depois, eles ficam numa lenga-lenga sem fim antes de tomarem uma atitude de verdade.

Pra completar, tem o irmão do Roberto. Federico (Brenno Placido, de Ligações Criminosas) é o mala-mor de A Bela que Dorme – e já deu pra perceber que a competição é pior que luta de foice no escuro. Ele apurrinha Maria, por não concorda com sua visão do mundo. Depois, empata a f*#@ do irmão. Vai fazer terapia, rapá! E deixa o irmão papar a beata.

Ainda tem o pai da Maria. Uliano (Toni Servillo, de Gomorra) tá no meio das discussões políticas do caso da Eluana. Essas pressões de legisladores, preocupações eleitoreiras e afins é um meio bem chatonildo mesmo. Aí nem é culpa do coitado do Uliano, né?




O lado bom é que A Bela que Dorme faz o pessoal pensar no assunto da eutanásia e tenta mostrar várias visões do tema. Se fosse com uns personagens mais bacanas, seria melhor...


A Bela que Dorme (Bella addormentata)
Direção: Marco Bellocchio
Roteiro: Marco Bellocchio, Veronica Raimo , Stefano Rulli
Elenco: Toni Servillo, Isabelle Huppert, Alba Rohrwacher, Michele Riondino, Maya Sansa, Pier Giorgio Bellocchio, Brenno Placido
Duração: 115 minutos
País: Itália, França

Nota: 4

sexta-feira, 15 de março de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)

Anna Karenina

Uma aristocrata russa casada começa a se envolver amorosamente com um conde. O amante tem fama de mulherengo, mas isso não impede a protagonista de levar adiante o caso.

LEIA MAIS:
Crítica: Como esconder a ousadia


A Busca

Um casal está separado, mas a principal preocupação deles no momento é em encontrar o filho (Brás Antunes), que fugiu de casa para encontrar o avô (Lima Duarte, de Colegas). O pai (Wagner Moura, de O Homem do Futuro) pega a estrada e no caminho percebe seus erros na relação com o garoto.

A motivação do protagonista é suficiente para deixar o público interessado, mas há problemas na direção. Muitos encontros dramáticos que ele tem enquanto procura saber o paradeiro do filho causam risadas na plateia. Como a resposta cômica não foi planejada, ela acontece porque as marcações de cena estão equivocadas.

LEIA MAIS:
Cobertura: Diretor elogia Wagner Moura por atuação “cheia de nuances” (SaraivaConteúdo)

A Busca
Direção: Luciano Moura
Roteiro: Luciano Moura, Elena Soarez
Elenco: Wagner Moura, Lima Duarte, Mariana Lima, Brás Antunes
Duração: 96 minutos
País: Brasil

Nota: 5

A Busca foi visto no Festival do Rio 2012.


Cinzas e Sangue

Depois que o marido morreu, Judith (Ronit Elkabetz, de A Banda) se isolou com os filhos em Marselha. Dez anos depois ela retorna com a família à Romênia para um casamento. Sua chegada reascende conflitos do passado.

A volta de um membro da família por conta de uma celebração faz com que todos relembrem suas pendências. O tema já foi usado em outros títulos: O Casamento de Rachel (2008) e Feliz Natal (2008), para citar alguns. Nessa produção os conflitos são multiplicados porque os visitantes são um grupo inteiro.

Cinzas e Sangue (Cendres et sang)
Roteiro e Direção: Fanny Ardant
Elenco: Ronit Elkabetz, Abraham Belaga, Marc Ruchmann, Claire Bouanich, Olga Tudorache, Ion Besoiu, Tudor Istodor, Madalina Constantin, Razvan Vasilescu, Andrei Aradits, Ion Cosma
Duração: 105 minutos
País: França, Romênia, Portugal

Nota: 5

A Fuga

Um casal de irmãos tem de mudar seus planos de fuga depois de um acidente automobilístico. Ele segue pela floresta gelada, ela vai pela rodovia. Liza consegue carona com Jay, que também tem algo a esconder.

LEIA MAIS:
Texto comparativo: Pietá X A Fuga: Tabu e coragem

Pietá

Gang-Do cobra dívidas de empréstimos e faz uso da violência para que as contas fechem. Uma mulher começa a segui-lo e diz ser sua mãe. A aproximação muda a rotina solitária do protagonista, o que o afeta mais do que gostaria.

LEIA MAIS:
Texto comparativo: Pietá X A Fuga: Tabu e coragem


Qual o Nome do Bebê?

Um jantar em família ganha contornos de um acalorado debate quando o futuro papai Vincent (Patrick Bruel, de Paris-Manhattan) anuncia a intenção de batizar seu filho como Adolphe. As similaridades com o nome do ditador nazista é o estopim das discussões, que geram momentos engraçados.

Há muito texto e praticamente só um cenário, o que não consegue esconder as origens teatrais do roteiro. Os desdobramentos das discussões sobre os significados (não só etimológicos) dos nomes trazem um interesse maior a linguistas pelo filme.

Qual o Nome do Bebê? (Le prénom)
Roteiro e Direção: Alexandre de La Patellière, Matthieu Delaporte
Elenco: Patrick Bruel, Valérie Benguigui, Charles Berling, Guillaume de Tonquedec, Judith El Zein, Françoise Fabian
Duração: 109 minutos
País: França, Bélgica

Nota: 6


Super Nada

Um ator (Marat Descartes, de 2 Coelhos) consegue a chance de participar do programa televisivo de seu ídolo (Jair Rodrigues, de Caminho dos Sonhos). O que parece ser a oportunidade de uma vida transforma-se em mais um tormento na vida de Guto.

Em seu filme anterior, Corpo (2007), o diretor Rubens Rewald incluiu cenas de exercícios teatrais na trama do thriller investigativo. A mistura não deu certo naquela ocasião. Ao criar um roteiro que abraça esses recursos do palco, o saldo é muito mais positivo. A nova produção brinca de enganar o público, que não sabe em que lado está da barreira entre realidade e encenação.

LEIA MAIS:
Cobertura: Jair Rodrigues no papel de comediante decadente (SaraivaConteúdo)

Super Nada
Direção: Rubens Rewald, Rossana Foglia
Roteiro: Rubens Rewald
Elenco: Marat Descartes, Cristiano Karnas, Clarissa Kiste, Jair Rodrigues, Denise Weinberg
Duração: 94 minutos
País: Brasil, México

Nota: 8

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Estreias da Semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Bullying

Documentário sobre crianças e adolescentes que são torturados psicologicamente na escola nos Estados Unidos. O filme mostra diversos personagens que são incomodados por seus colegas por motivos variados (diferenças físicas ou orientação sexual, por exemplo). O que motiva a produção são casos de jovens que se suicidaram por causa da pressão.

A fita mostra a apatia das autoridades escolares e a mentalidade estadunidense que oprime as pessoas consideradas diferentes. Prova disso é o desempenho pífio que os atletas paraolímpicos dos Estados Unidos têm em comparação com os competidores tradicionais. Infelizmente não há na fita qualquer menção aos massacres realizados por garotos oprimidos, como em Colombine.

Bullying (Bully)
Direção: Lee Hirsch
Roteiro: Lee Hirsch, Cynthia Lowen
Elenco: -documentário-
Duração: 98 minutos
País: EUA

Nota: 7

A Escolha Perfeita

Beca (Anna Kendrick, de O Que Esperar quando Você Está Esperando) chega à universidade a contragosto. O sonho dela é ser produtora musical e a faculdade é vista apenas como um obstáculo. Por causa de um pacto com seu pai, ela entra em um grupo de cantoras à capela. É por causa da competição musical que começa o envolvimento romântico de Beca com Jesse (Skylar Astin, de Aconteceu em Woodstock), cantor de um grupo rival.

O musical tem momentos cômicos engraçadinhos, mas o começo do enredo traz valores questionáveis. A protagonista quer abandonar os estudos e reprova canções antigas. Felizmente essas falhas de caráter fazem parte da transformação no desenvolver do roteiro.

A Escolha Perfeita (Pitch Perfect)
Direção: Jason Moore
Roteiro: Kay Cannon
Elenco: Anna Kendrick, Skylar Astin, Ben Platt, Brittany Snow, Anna Camp, Rebel Wilson, Alexis Knapp, Ester Dean, Hana Mae Lee
Duração: 112 minutos
País: EUA

Nota: 5

Infância Clandestina

Um garoto volta à Argentina de forma ilegal durante a ditadura. Seus pais continuam na luta contra o regime totalitário.

O filme consegue explorar o ponto de vista do garoto sobre o tema, como O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. O problema está no desfecho, que não combina tanto com o restante da fita. Há no roteiro um grande compromisso com a história real, o que complica do lado dramático.

LEIA MAIS:
Entrevista com Benjamín Ávila e Marcelo Müller (SaraivaConteúdo)
Visão Estrangeira: Benjamín Ávila: Dona Flor e Seus Dois Maridos (BRCine)

Infância Clandestina (Infancia Clandestina)
Direção: Benjamín Ávila
Roteiro: Benjamín Ávila, Marcelo Müller
Elenco: Natalia Oreiro, Ernesto Alterio, César Troncoso, Cristina Banegas, Teo Gutiérrez Romero
Duração: 112 minutos
País: Argentina, Espanha, Brasil

Nota: 8

Infância Clandestina foi visto no Festival do Rio 2011.

Na Terra do Amor e do Ódio

Angelina Jolie estreia na direção de longa de ficção com a história de amor entre um militar sérvio e uma artista bósnia quando estoura a Guerra da Ioguslávia. O resultado dessa relação – e do filme – é desastroso.

LEIA MAIS:
Crítica do filme

A Sombra do Inimigo

Um detetive terá o maior desafio de sua carreira: a caçada a um sádico assassino em série. A história de perseguição é boa, mas as falas do filme são forçadas.

LEIA MAIS:
Crítica comparativa com A Última Casa da Rua


Sudoeste

O filme se passa em uma vila isolada onde o tempo parece ter parado, exceto para Clarissa. Em apenas um dia, ela passa de uma garota (Raquel Bonfante, de Chico Xavier), para uma mulher formada (Simone Spoladore, de Luz nas Trevas) e termina como uma idosa (Regina Bastos, de Cafundó).

Aparentemente a fotografia em preto e branco, a história fantástica e a janela de enquadramento ampliada (3.66 : 1) não são suficientes para a produção conseguir ser cult. Para ganhar o status sonhado, todos os diálogos contêm pausas desnecessárias entre as falas. Essa manobra conquista alguns corações, mas para mim parece só prepotência.

Direção: Eduardo Nunes
Roteiro: Guilherme Sarmiento, Eduardo Nunes
Elenco: Simone Spoladore, Raquel Bonfante, Julio Adrião, Dira Paes, Mariana Lima, Everaldo Pontes, Victor Navega Motta, Regina Bastos
Duração: 128 minutos
País: Brasil

Nota: 5

Sudoeste foi visto no Festival do Rio 2011.

A Última Casa da Rua

Elissa se muda para um novo lar e seu vizinho é o único sobrevivente de um massacre ocorrido na casa ao lado. Se algum dos dois fosse um pouco mais inteligente, o filme não existiria.

LEIA MAIS:
Crítica comparativa com A Sombra no Inimigo

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Bel Ami: O caminho de Pattinson

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Mesmo com experiência em sets de grandes blockbusters, os atores de A Saga Crepúsculo só conheceram a verdadeira fama depois de participar na série de romances sombrios. Cada membro do trio de protagonistas tenta traçar trilhas profissionais diferentes para descolar sua imagem pessoal dos vampiros e lobisomens.

Robert Pattinson tem o mais estranho dos caminhos. Kristen Stewart (The Runnaways) aposta na pluralidade e mescla grandes produções com filmes independentes. Taylor Lautner (Sem Saída) tenta se firmar como astro de ação. A única coisa que une todos os trabalhos de Pattinson é a predileção por protagonistas odiáveis – até em Crepúsculo, o Team Jacob é maior do que o Team Edward.

Em Bel Ami – O Sedutor (Bel Ami), ele interpreta um jornalista ambicioso do século XIX. Georges Duroy seduz mulheres para avançar na redação do La Vie Françoise e não está preocupado nos efeitos que seus atos renderão na vida dos outros.


A adaptação do romance de Guy de Maupassant mantém-se fiel às características do realismo literário, mas foca-se muito mais na sedução do que na política. Prova disso é que as articulações de tomada de poder na França (aquele país em que todo mundo fala inglês, segundo o filme) ficam bem confusas no roteiro.

Nesse sentido, as cenas de sexo são abundantes. Por outro lado, não se pode esperar muita ousadia nesses momentos em uma produção que quer atrair para as salas de cinema o público juvenil que adora o vampiro pálido. Espero que o filme consiga fazer algum desses fãs se interessar pela literatura que originou o roteiro.

Voltando a carreira de Pattinson. Ele parece que não vai se livrar de personagens odiáveis tão cedo. Em Cosmópolis, seu papel parece transpirar arrogância em um filme com cenas de violência. Falta saber se o galã será capaz de cativar o público no futuro com alguma herói valoroso.


Bel Ami – O Sedutor (Bel Ami)
Direção: Declan Donnellan, Nick Ormerod
Roteiro: Rachel Bennette
Elenco: Robert Pattinson, Uma Thurman, Kristin Scott Thomas, Christina Ricci, Colm Meaney, Philip Glenister, Holliday Grainger
Duração: 102 minutos
País: Reino Unido, França, Itália

Nota: 5

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Batman 3: Nível elevado

 por David Macedo

Spoilerômetro: • (?)


Apesar de ter marcado um dos arcos mais dramáticos nos quadrinhos (ver em Orgiem do vilão, abaixo), Bane foi muito pouco explorado no cinema. Sua única aparição havia sido em Batman e Robin(1997), a execrável segunda investida de Joel Schumacher no universo do Homem Morcego. No filme, Bane é apenas o guarda costas pouco inteligente da Hera Venenosa.

Passados quinze anos de sua aparição desastrosa na telas, Bane volta às telas, dessa vez como principal vilão da terceira e última parte da trilogia dirigida por Christopher Nolan,Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises).

Estamos oito anos depois dos acontecimentos vistos em Batman – O Cavaleiro das Trevas. Harvey Dent (Duas Caras) é um herói e sua morte se tornou um símbolo da justiça e da luta ao crime. Por outro lado, culpado pela morte do promotor, Batman (Christian Bale, de O Vencedor) se tornou um foragido e desde então não foi mais visto.


Comissário Gordon (Gary Oldman, de O Espião que Sabia Demais) é o único que sabe da verdade. Gotham está em paz, mas a mentira o incomoda do mesmo jeito. Tudo isso muda com a chegada de Bane (Tom Hardy, de A Origem) à cidade.

Se o Coringa (Heath Ledger, de O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus) já era uma grande ameaça, Bane se mostra um vilão igualmente perigoso. Inteligente e metódico, ele traz o caos a todos os cantos de Gotham, forçando Bruce Wayne a voltar a ação.

Há dificuldades no retorno. São anos sem atuar, anos sem treino, anos sem vestir o uniforme do Batman e Bane sabe muito bem disso. É nesse momento que vemos um dos maiores desafios enfrentados pelo Homem Morcego até então.


Bem dirigido e bem escrito, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge fecha um dos arcos mais celebrados do cinema. Onde muitos já erraram (vide Homem Aranha 3), Nolan conseguiu acertar em cheio. Fechou todas as pontas soltas (a história iniciada com Ra´s Al Ghul em Batman Begins; as consequências das mortes de Rachel Dawes e Harvey Dent em Batman – O Cavaleiro das Trevas), introduziu novos personagens;e principalmente conseguiu dar um final grandioso, bonito e justo para sua trilogia.

Sobre as novidades no elenco, Joseph Gordon-Levitt (500 Dias com Ela) como Blake e Anne Hathaway (Um Dia) como Selina Kyle estão ótimos. Há ainda Marion Cotillard (Até a Eternidade) como Miranda Tate.


Haverá um quarto filme? Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge deixa um cenário perfeito para uma possível continuação. Porém, com a saída de Nolan da franquia e com a Warner preparando todo campo para um filme da Liga da Justiça, duvido muito. Um reboot é o mais provável nos próximos anos, porém será uma tarefa bastante complicada.

É improvável que Nolan volte ao universo do Batman, mas fica claro ao final da exibição que ele fez um trabalho icônico com o Homem Morcego e que muito dificilmente será superado. Uma história completa, que apesar de seus defeitos, apresenta um início, meio e fim brilhantes.

Origem do vilão

Em meados de 1995, saía no Brasil uma das sagas mais controversas nos quadrinhos do Batman, A Queda do Morcego. Escrita por Doug Moench e Chuck Dixon, ela introduzia o que viria a ser o primeiro vilão a ferir gravemente o Batman: Bane.


Dotado de super força (graças a um sistema de tubos que bombeia uma espécie de droga diretamente para o seu cérebro) e com uma inteligência equivalente a do Morcego, Bane entende que um confronto direto com o Batman não é a melhor escolha. Cansá-lo aos poucos talvez possa ser a melhor estratégia. Bane então resolve destruir as paredes do Asilo Arkham e libertar os mais perigosos criminosos de Gotham.

Batman passa os próximos três meses na recaptura dos fugitivos. Espantalho, Coringa, Ventríloquo, Zsasz, Coringa, Chapeleiro Louco, um a um, todos são recapturados. No entanto, esse esforço acaba por levar o Batman à exaustão. Ao voltar à Batcaverna, Batman encontra Bane o esperando. No confronto Bane termina por deixá-lo paralítico, ao quebrar-lhe a coluna.

Em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Bane foi introduzido de uma forma diferente dos quadrinhos. A força derivada de um composto químico é descartada e boa parte do passado do personagem também foi alterada.


Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises)
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Morgan Freeman, Michael Caine
Duração: 164 minutos
País: EUA, Reino Unido

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Bem Amadas: Lembranças francesas

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Enquanto se assiste a Bem Amadas (Les bien-aimés), experimenta-se uma mistura de novidade com pequenas lembranças do passado. E não porque a história do filme acompanhe uma mãe e uma filha desde meados dos anos 60 até os dias de hoje. Os motivos são outros.

Por ser um filme de Christophe Honoré, o ar blasé melancólico permeia todas as cenas e personagens. Por outro lado, o diretor comanda uma trama mais acessível do que Em Paris (2006), por exemplo. Outra novidade é que Bem Amadas é um musical, com canções blasés e nada animadas, é claro.

O primeiro número musical é cantado por Ludivine Sagnier. A atriz já tinha feito tal façanha em 8 Mulheres (2002), no qual protagoniza a primeira coreografia. No filme mais recente, ela atua em francês e tcheco e soma outro idioma para sua carreira – ela já atuou em inglês em outros filmes, como O Dublê do Diabo.

Em Bem Amadas, Ludivine é Madeleine, uma mulher um tanto impulsiva que não consegue fazer seu coração escapar de Jaromil (Rasha Bukvic, de Coco Chanel e Igor Stravinsky), um médico tcheco. Quando são mais velhos, o casal é vivido por Catherine Deneuve (Um Conto de Natal) e Milos Forman (Tenha Fé).

Coincidentemente, Ludovine e Catherine interpretam mãe e filha em 8 Mulheres. Na vida real, Deneuve é mãe de Chiara Mastroianni (Americano), que também faz o papel de sua filha em Bem Amadas. Ela é Véra, uma professora que se apaixona por Henderson (Água para Elefantes), um músico americano. A homossexualidade dele é um obstáculo para o amor.


Chiara atuou em um filme anterior de Honoré, Não, Minha Filha, Você não Irá Dançar (2009). Outro ator que é figura repitida nas fitas do cineasta é Louis Garrel. Como em A Bela Junie, o galã blasé interpreta novamente um professor.

Entre os déjà vus e as novidades de Bem Amadas, o filme termina sem coesão. Se fosse optado por uma trilogia, com a história contata do ponto de vista de um personagem diferente em cada parte; talvez a sensação de unidade narrativa ficasse mais forte. Um típico caso de dividir para conquistar.

Bem Amadas (Les bien-aimés)
Roteiro e Direção: Christophe Honoré
Elenco: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Ludivine Sagnier, Louis Garrel, Milos Forman , Paul Schneider, Radivoje Bukvic
Duração: 139 minutos
País: França, Reino Unido, República Tcheca

Nota: 6

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Beaufort X Memórias de Xangai: Cicatrizes

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Dois filmes demoraram anos para cruzar o mundo e estrear no Brasil simultaneamente. Além da demora no lançamento, eles partilham outra semelhança, ambos falam de consequências pessoais de panoramas políticos.

Beaufort se passa dentro de um forte israelense na divisa com o Líbano. O local será desativado, mas Israel não quer que a retirada seja percebida como uma derrota judaica. Por isso, os militares permanecem lá dentro, sendo ameaçado por bombardeiros, mas sem revidar os ataques.

Em uma das cenas, um desarmador de bombas caminha pelos túneis do forte e acha um guarda em vigília. Quando se aproxima, percebe que é um manequim que “vigia” o posto. Na verdade, todos os soldados lá dentro não passam de bonecos, fingindo defender a posição que estrategicamente é inútil para Israel.


Beaufort trata de consequências mais imediatas, as sequelas que os combatentes carregarão para toda a vida. Por outro lado, Memórias de Xangai (Hai shang chuan qi) olha mais longe. O documentário traz relatos de chineses que contam como suas vidas foram afetadas pelo regime totalitário instituído no país por Mao.

Entre as histórias narradas, o filme mostra muita consciência cinematográfica na montagem. Há cenas cotidianas entre os depoimentos e o uso de imagens de filmes chineses de ficção. Dessa forma, Memórias de Xangai aborda o presente, mas contempla o passado.

Beaufort
Direção: Joseph Cedar
Roteiro: Joseph Cedar, Ron Leshem
Elenco: Alon Aboutboul, Adi Adouan, Yaakov Ahimeir, Guy Apriat, Avi Ayoun, Itamar Barzani, Daniel Bednar, Alon Ben David, Moshe Ben Shushan, Daniel Bruck
Duração: 131 minutos
País: Israel

Nota: 6



Memórias de Xangai (Hai shang chuan qi)
Roteiro e Direção: Zhang Ke Jia
Elenco: Hsin-i Chang, Dan-qing Chen, Mei-Ru Du, Ming-yi Fei, Hsiao-hsien Hou, Baomei Huang, Chia-Tung Lee
Duração: 125 minutos
País: China

Nota: 7

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Barbeiros X Limbo: Rotinas antigas

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)



O cinema, assim como o jornalismo, normalmente ocupa-se de apresentar situações inusitadas. Então, como é possível fazer filmes cujos temas são rotinas? Dois documentários em curta-metragem brasileiros empenham-se nessa tarefa, que faz sentido porque tratam de rotinas antiquadas.

Barbeiros mostra o cotidiano de um profissão em vias de extinção. Antigamente qualquer homem de direito tinha compromissos frequentes com seu barbeiro. Dizia-se até que um homem é mais fiel a seu barbeiro do que a sua esposa. Atualmente tal hábito se perdeu e esse trabalhador está mais escasso.


O documentário colhe depoimentos no local mais apropriado possível: no salão, enquanto os personagens desempenham seu ofício, representando o hábito dos clientes de conversar com o barbeiro enquanto ele corta o cabelo.

A câmera de Barbeiros explora os objetos dos salões em planos que retratam a decadência elegante e antiquada que se relaciona com a profissão. Já o curta Limbo, como o título sugere, us imagens de não-espaços.


O intuito do curta é mostrar o fim da rotina social do interior do Rio Grande do Sul. Isso é obtido com planos de paisagens, como de playgrounds nos quais os brinquedos balançam ao sabor do vento, mas estão vazios. Para aumentar a sensação fatalista, não há personagens no filme.

Assim, Limbo leva o fim dessas tradições gaúchas para dentro da mente do espectador, que vislumbra os espaços vazios ou com pouca dinâmica. Dessa maneira, o curta força seu público a abandonar o ritmo acelerado da vida urbana e impõe a lentidão rural. O incômodo causado é a prova de que se vive em um tempo diferente daquele que se vê na tela.

terça-feira, 27 de março de 2012

Beleza Adormecida: Strip-tease por atenção

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


O principal atrativo de Beleza Adormecida (Sleeping Beauty) é a combinação de Emily Browning (Sucker Punch) em um filme erótico. Ciente disso, a estreante diretora Julia Leigh organiza as cenas de modo que se veja na tela um verdadeiro strip-tease da atriz australiana. Sua nudez é gradativa e prende os olhos do espectador.

Com a garantida da atenção do público, Julia pode contar a história da garçonete que entra em contato com um tipo diferente de trabalho. Ela terá de atender homens poderosos em trajes mínimos. Mais adiante lhe é oferecida a oportunidade de um serviço mais ousado. Lucy terá de tomar um chá que a fará dormir profundamente. Durante seu sono, o cliente entra no quarto e poderá fazer com ela o que bem entender, exceto sexo.


O enredo de Beleza Adormecida permite que se aborde o uso de drogas, os limites da prostituição, os fetiches e as preferências sexuais pouco convencionais. No entanto, o filme se enche de pretensão e se dispõe a discutir outras questões, que não necessariamente estão ligadas à premissa.

O personagem Birdmann (Ewen Leslie) é o exemplo máximo da ambição exacerbada do longa. Ele é um rapaz depressivo, típico rebelde sem causa que nunca teve uma boa pia de louça suja para cuidar. Cada vez que entra em cena, testa a paciência do espectador com seu ar blasé e conflitos vazios.

Com escolhas assim, Beleza Adormecida perde a chance de ser um filme acima da média, para ser o desperdício de uma boa ideia.


Beleza Adormecida (Sleeping Beauty)
Roteiro e Direção: Julie Leigh
Elenco: Emily Browning, Rachael Blake, Ewen Leslie
Duração: 101 minutos
País: Austrália

Nota: 3

Beleza Americana foi visto no Festival do Rio 2011.