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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Homem de Ferro 3: Resquícios

 por Guilherme Kroll

Spoilerômetro: • (?)


Após os eventos de Os Vingadores, Tony Stark (Robert Downey Jr., de Sherlock Holmes 2) tenta voltar à sua vida normal ao lado de Pepper Potts (Gwyneth Paltrow, de Contágio), mas o medo de deixar algo ruim acontecer com sua amada somado a uma sucessão de erros no passado o colocam mais uma vez numa batalha contra terroristas.

No presente momento, o subgênero dos super-heróis tem produzido filmes bons e divertidos todos os anos, representando uma receita forte para estúdios e gerando um público fiel e empolgado. Há alguns anos a Marvel vem se sedimentando nesse contexto especialmente com os filmes interligados dos Vingadores, que ao mesmo tempo dividem um universo, mas geram produções completamente auto-contidos.

Homem de Ferro 3 (Iron Man 3) é o primeiro filme pós Os Vingadores e que, em tese, abre caminho para Os Vingadores 2 (2015). No longa, Tony Stark agora está às voltas com a ameaça do Mandarim (Ben Kingsley, de O Ditador) e da IMA, ao mesmo tempo que tem que lidar com ataques de pânico, decorrente o trauma dos eventos mostrados na reunião dos super-heróis.


Mesmo com as referências, não é necessário ter visto nenhum filme anterior pra apreciar este. É uma história simples e despretensiosa, muito mais voltada para o público infantil que as anteriores.

Dessa vez Tony não lida mais com os excessos da bebida e dos seus poderes, mas com os tais ataques de pânico. Há humor meio pastelão, com as armaduras tropeçando e o vilão soltando puns. Tem até mesmo um parceiro-mirim para Tony, que o ajuda quando ele está com fugindo da IMA.

No espaço reservado ao antagonismo, saem os vilões sérios e o militarismo dos filmes anteriores, e entra um afetado Guy Pearce (Prometheus), que faz um inimigo cujas motivações de cientista louco beiram o absurdo. Seus planos envolvem de algum jeito matar o presidente e se colocar no controle da nação. Já Ben Kingsley faz um ótimo Mandarim, aqui apenas um testa-de-ferro, um papel muito menor do que o arqui-vilão que é nos quadrinhos.


O ponto alto do filme são as participações da linda Rebecca Hall (O Dobro ou Nada), uma cientista também envolvida com o passado e o presente de Tony Stark. Dessa vez a Shield não dá as caras e não vemos outros dos Vingadores, mas há uma cena depois dos créditos que reserva uma participação especial.

A direção, no geral, é competente, assinada por Shane Black (Beijos e Tiros), mas não é especialmente marcante. O trabalho de Jon Favreau (Cowboys e Aliens) era melhor, mas aqui ele ficou apenas com a produção e uma ponta no começo do filme.

Resumindo, Homem de Ferro 3 é um filme divertido, mas não é, nem de longe o melhor da franquia. Vale como uma boa “Sessão da Tarde”.


Homem de Ferro 3
Direção: Shane Black
Roteiro: Shane Black, Drew Pearce
Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Rebecca Hall, Don Cheadle, Guy Pearce, Ben
Kingsley e Jon Favreau
Duração: 130 minutos
País: EUA, China

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Estreias da Semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Uma Família em Apuros

“As crianças de hoje em dia...”, reclamam muitos. Essa comédia despretensiosa mostra que na maioria dos casos a culpa está na conivência dos pais, na ditadura do politicamente correto. Atualmente há uma síndrome para justificar qualquer comportamento inapropriado dos pequenos, mas é raro assumir que a criança é simplesmente mal-educada.

No filme, um casal na casa dos 60 é convocado para cuidar dos netos por uma semana. O choque entre o modo mais intuitivo de criação e educação com a forma melindrosa que impera na geração atual de pais incompetentes é o motivo das piadas.

Uma Família em Apuros (Parental Guidance)
Direção: Andy Fickman
Roteiro: Lisa Addario, Joe Syracuse
Elenco: Billy Crystal, Bette Midler, Marisa Tomei, Tom Everett Scott, Bailee Madison, Joshua Rush, Kyle Harrison Breitkopf
Duração: 104 minutos
País: EUA

Nota: 6

Jack Reacher – O Último Tiro

Tom Cruise não se cansa de colecionar heróis de filmes de ação. Nessa nova produção, o personagem demonstra uma inteligência tão treinada quanto seus reflexos para investigar um massacre causado por um atirador de elite. Frases de efeito são o confeito final para esse apetitoso prato para os marmanjos.

LEIA MAIS:
Crítica comparativa com O Último Desafio


O Sacrifício

Tudo começa com uma conspiração para a tomada do poder na China. Há uma empolgante sequência com cenas de luta e muito sangue derramado. No final, o médico Cheng Ying (You Ge, de Inimigos do Império) tem seu filho morto por engado, no lugar do último herdeiro do clã Zhao.

A partir daí, cessam-se os combate e o que segura a atenção é a história de vingança. Ela “nunca é plena, mata a alma e a envenena”, já dizia Seu Maruga. Esses efeitos colaterais da vingança é o tema do filme, uma vez que o desejo de matar Tu Angu (Xueqi Wang, de Guerreiros do Céu e da Terra) consome as energias do protagonista.

O Sacrifício (Zhao shi gu er)
Direção: Kaige Chen
Roteiro: Ningyu Zhao
Elenco: You Ge, Xueqi Wang, Fengyi Zhang, Xiaoming Huang, Bingbing Fan
Duração: 122 minutos
País: China

Nota: 5

A Viagem

Os irmãos Wachowski (Matrix) voltam com uma trama confusa e existencialista. Com seis histórias paralelas e quase três horas de duração, é preciso atenção e paciência para curtir o filme. Algumas sequências são boas, mas a verborragia com vários narradores não combina com o potencial da linguagem cinematográfica.

LEIA MAIS:
Causos de Cinema: E no começo havia o verbo...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Estreias da Semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


As Aventuras de Pi

Depois de passado o frenesi pelo 3D causado pelo sucesso de Avatar, podemos finalmente ver filmes que usam essa tecnologia para ajudar na narrativa. O mais novo cineasta de renome a tentar a sorte na estereoscopia é Ang Lee (Aconteceu em Woodstock). O resultado é muito positivo com um show de belas imagens.

O filme narra a incrível jornada de um jovem indiano (Suraj Sharma) que sobreviveu a um naufrágio. Ele fica preso em um bote salva-vidas com um tigre de Bengala.

As Aventuras de Pi (Life of Pi)
Direção: Ang Lee
Roteiro: David Magee
Elenco: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Tabu, Rafe Spall
Duração: 127 minutos
País: EUA, China

Nota: 8

A Filha do Pai

Uma garota engravida do herdeiro de uma família rica. O pai dela acha a situação vergonhosa. Os pais dele não querem aceitar o relacionamento de seu filho com uma moça de origem pobe.

LEIA MAIS:
Mini-crítica do filme, durante o Festival Varilux de Cinema Francês
Visão Estrangeira: Atriz fala sobre seu filme brasileiro favorito (BRCine)

O Impossível

A história real de uma família inglesa que sobreviveu ao tsunami de 2004 é contada de forma pujante. A mãe ferida e o filho mais velho se alojam em um hospital, enquanto o pai e os dois filhos menores ficam nos escombros do hotel em que eles estavam. Cada grupo não sabe da situação do outro e a família teme que não conseguirá mais se juntar.

LEIA MAIS:
Crítica comparativa com A Negociação

A Negociação

Um executivo de respeito quer vender seus negócios para um banco. Para isso, frauda balanços para esconder a real situação financeira das empresas. Suas mentiras não ficam apenas no campo profissional, já que ele mantém uma amante e está envolvido em uma investigação criminal.

LEIA MAIS:
Crítica comparativa com O Impossível


Viúvas

O marido de Elena (Graciela Borges, de Dois Irmãos) morre enquanto estava na companhia de Adela (Valeria Bertuccelli, de Um Namorado para Minha Esposa). Em seu leito de morte, ele pede que a esposa cuide da jovem amante.

Com essa premissa inusitada, o filme argentino ganha ares de cinema francês. Infelizmente o potencial dramático da situação não é explorado com a força que se espera. Há bons momentos, obtidos pelo talento da dupla de atrizes.

Viúvas (Viudas)
Direção: Marcos Carnevale
Roteiro: Marcos Carnevale, Bernarda Pagés
Elenco: Graciela Borges, Valeria Bertuccelli, Rita Cortese, Martín Bossi
Duração: 100 minutos
País: Argentina

Nota: 5

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Beaufort X Memórias de Xangai: Cicatrizes

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Dois filmes demoraram anos para cruzar o mundo e estrear no Brasil simultaneamente. Além da demora no lançamento, eles partilham outra semelhança, ambos falam de consequências pessoais de panoramas políticos.

Beaufort se passa dentro de um forte israelense na divisa com o Líbano. O local será desativado, mas Israel não quer que a retirada seja percebida como uma derrota judaica. Por isso, os militares permanecem lá dentro, sendo ameaçado por bombardeiros, mas sem revidar os ataques.

Em uma das cenas, um desarmador de bombas caminha pelos túneis do forte e acha um guarda em vigília. Quando se aproxima, percebe que é um manequim que “vigia” o posto. Na verdade, todos os soldados lá dentro não passam de bonecos, fingindo defender a posição que estrategicamente é inútil para Israel.


Beaufort trata de consequências mais imediatas, as sequelas que os combatentes carregarão para toda a vida. Por outro lado, Memórias de Xangai (Hai shang chuan qi) olha mais longe. O documentário traz relatos de chineses que contam como suas vidas foram afetadas pelo regime totalitário instituído no país por Mao.

Entre as histórias narradas, o filme mostra muita consciência cinematográfica na montagem. Há cenas cotidianas entre os depoimentos e o uso de imagens de filmes chineses de ficção. Dessa forma, Memórias de Xangai aborda o presente, mas contempla o passado.

Beaufort
Direção: Joseph Cedar
Roteiro: Joseph Cedar, Ron Leshem
Elenco: Alon Aboutboul, Adi Adouan, Yaakov Ahimeir, Guy Apriat, Avi Ayoun, Itamar Barzani, Daniel Bednar, Alon Ben David, Moshe Ben Shushan, Daniel Bruck
Duração: 131 minutos
País: Israel

Nota: 6



Memórias de Xangai (Hai shang chuan qi)
Roteiro e Direção: Zhang Ke Jia
Elenco: Hsin-i Chang, Dan-qing Chen, Mei-Ru Du, Ming-yi Fei, Hsiao-hsien Hou, Baomei Huang, Chia-Tung Lee
Duração: 125 minutos
País: China

Nota: 7

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Flor da Neve: Armadilha emotiva

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Há filmes cujos temas são tão atraentes que o público se esquece de analisar mais a fundo outros aspectos da obra. Flor da Neve e o Leque Secreto (Snow Flower and the Secret Fan) é um exemplo de como disfarçar um produto simples em algo maior.

O filme conta duas histórias paralelas, ambas sobre o papel da mulher na sociedade e sobre a força da amizade. Tais assuntos parecem ideais para comover, mas também são facilmente extrapolados para a pieguice.


Nos dias atuais, Nina (Bingbing Li, de O Reino Proibido) é uma mulher bem-sucedida profissionalmente com uma oportunidade de se mudar para os Estados Unidos para assumir um cargo importante na empresa onde trabalha. Um dia ela recebe a notícia de que sua melhor amiga está em coma. Nina e Sophia (Gianna Jun, de Blood: O Último Vampiro) haviam se afastado nos últimos tempos por causa de um desentendimento.

Nina descobre entre os pertences da amiga que ela escrevia um livro sobre Flor da Neve e Lily, suas antepassadas. As mulheres contemporâneas e as chinesas do século XIX são interpretadas pela mesma dupla de atrizes. Essa opção quer mostrar que Nina e Sophia se enxergam com o mesmo laço de amizade das antepassadas. No entanto, a repetição das atrizes enfatiza os paralelismos primários de Flor da Neve e o Leque Secreto.

Depois da sessão, a plateia ficará dividida em dois grupos distintos. De um lado, aqueles que aceitam a história e abraçam a mensagem positiva do filme. Do outro, os espectadores que se incomodam com a simplicidade das metáforas. O problema é se o membro de um grupo tentar conversar com alguém do outro bando.


Flor da Neve e o Leque Secreto (Snow Flower and the Secret Fan)
Direção: Wayne Wang
Roteiro: Angela Workman, Ronald Bass, Michael Ray
Elenco: Bingbing Li, Archie Kao, Gianna Jun, Coco Chiang, Hu Qing Yun, Shi Ping Cao, Ruijia Zhang, Vivian Wu, Hugh Jackman
Duração: 104 minutos
País: China, EUA

Nota: 4

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Karate Kid



Sinopse: Dre e sua mãe se mudam para China e lá o garoto é perseguido por alguns colegas de escola. Ele começa a treinar kung fu com o zelador do prédio onde mora para participar de um torneio de artes marciais.


Ficha Técnica
Karate Kid (The Karate Kid)
Direção: Harald Zwart
Roteiro: Christopher Murphey
Elenco: Jaden Smith, Jackie Chan, Taraji P. Henson, Wenwen Han
Duração: 140 minutos
País: EUA, China



Mais homenagem do que remake
 por Edu Fernandes
(Spoilerômetro: •)

Sempre que se mexe com um clássico os fãs ficam de vigília para que não deturpem a obra do passado. Sabendo disso, o novo filme Karate Kid (The Karate Kid) resolve ir por um caminho bem diferente de seu antecessor. Passado na China e com um protagonista bem mais jovem do que no passado, a história é outra – nem o nome dos personagens foi mantido.

Mesmo assim, há pequenas referências ao longa da década de 80 que trazia os memoráveis Daniel San e o Mestre Miyagi. O novo treinador passa o tempo cuidando de um velho automóvel e há piadas com fatos do filme anterior. O que une as duas produções é o mote de usar os conhecimentos de uma arte marcial para superar problemas que estão fora do tatame.

O personagem principal é vivido por Jaden Smith e o garoto tem a mesma marra de seu pai. Portanto, a relação de amor e ódio com o público é muito individual, mas serve como aviso para quem não gosta da super-autoconfiança de Will Smith. O lado bom é que a química do garoto com Jackie Chan funciona muito bem.

As novas plateias aprovarão a aventura do novo Karate Kid, enquanto os mais velhos precisam deixar de lado o preconceito e encarar o longa como uma nova experiência. Não importa o que façam agora, o clássico de 1984 continuará lá, intocável. No entanto, o que ninguém conseguirá responder é por que o filme chama Karate Kid se o personagem luta kung fu.


Dudeshop:
• Blu-Ray Karate Kid – A Hora da Verdade (Sony Pictures)
• Pôster do filme Karate Kid (1984)