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sexta-feira, 21 de junho de 2013

O Lugar onde Tudo Termina: 3 em 1

 por Moura

Spoilerômetro: • (?)


Já usei o tal spoilerômetro (repita esse nome pros seus amigos!) amarelo porque se você quiser saber mesmo mais sobre O Lugar onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines), vai descobrir que de veras o filme conta três histórias. Elas tão tudo ligada, mas são três paradas.

A gente começa com Luke (Ryan Gosling, de Caça aos Gângsteres), um cara que faz aquele show de globo da morte que eu nunca vi muita graça. Em cada cidade que o circo para, o Luke dá um cutucada numa mina local. Só que nessas ele embuchou a Romina (Eva Mendes, de Holy Motors), aí ele decide ficar por lá mesmo.

O problema é que a garçonete já arrumou outro macho pra cuidar do pimpolho do Luke. O cara relembra os tempos de Drive e arruma um trampo numa oficina. Nas horas vagas, rouba uns bancos e dá o dindin pra Romina.

Numa dessas fitas o Luke é pego pela polícia e leva uns pipocos. Aí ele morre. Isso mesmo, o mano bate com as doze no meio do filme. Aí a gente segue pra segunda história.


O poliça que aplicou o golpe de tiritsu no Luke é o Avery (Bradley Cooper, de Se Beber, não Case III). Ele é o raro caso de enfardado honesto, mas seus colegas não são assim. A segunda parte de O Lugar onde Tudo Termina vai pelo lado podre de quem devia estar do lado da lei.

Quinze anos depois começa a terceira parte do filme. Agora Avery é um promotor em eleição, um trampo que não deve ser estressante, porque o Avery continua bonitão. Nem um cabelinho grisalho Gressin 2000 o pessoal da produção não foi capaz de arrumar.

O personagem principal desse finalzinho é o AJ (Emory Cohen, de Nova York, Eu Te Amo), filhão do Avery. O muleque deve ter passado a infância jogando bolinha de gude no carpete e cresceu todo revolts da vida. Ele troca de escola para ir morar com o paizão e faz amizade com Jason (Dane DeHaan, de Os Infratores), que numa virada de roteiro de novela mexicana, é o filho do Luke lá do começo do nosso conversê.


Logo no primeiro dia, o AJ encomenda com o Jason umas dorguinhas pra diversão do pessû. Claro, teu pai é um homem da lei em campanha e tu vai atrás do primeiro cara que conhece pra ser seu dealer. Prêmio Nobel pro AJ! É ovbio que dá me^%@!

No final, O Lugar onde Tudo Termina passa uma mensagem meio triste, de que tem uns troços na vida que não dá pra fugir. Pra isso, eles podiam ter dado um gás pro filme não ficar com mais de duas horas de duração, mas tudo bem. Dá pra pensar que a gente tem que aproveitar o que dá pra aproveitar e aceitar o que não dá pra mudar.


O Lugar onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines)
Direção: Derek Cianfrance
Roteiro: Derek Cianfrance, Ben Coccio, Darius Marder
Elenco: Ryan Gosling, Eva Mendes, Bradley Cooper, Emory Cohen, Dane DeHaan, Rose Byrne, Ray Liotta
Duração: 140 minutos
País: EUA

Nota: 7

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Amor Profundo

Hester (Rachel Weisz, de Oz: Mágico e Poderoso) se apaixona por Freddie (Tom Hiddleston, de Os Vingadores), na Londres de 1950. Seu marido (Simon Russell Beale, de Sete Dias com Marilyn) descobre o adultério, mas se nega a conceder divórcio. Ela vai morar com o amante e descobre que a aventura amorosa não combina com o dia a dia.

O filme começa com uma tentativa de suicídio da protagonista para ditar o tom, acompanhado pela expressiva trilha musical de Samuel Barber. Esse ar depressivo acompanha todo o desenrolar do enredo, que não fica apelativo por causa da típica contenção sentimental dos britânicos.

MAIS:
Perfil: Paciente e elegante: a ascensão tardia de Tom Hiddleston (SaraivaConteúdo)

Amor Profundo (The Deep Blue Sea)
Direção e Roteiro: Terence Davies
Elenco: Rachel Weisz, Simon Russell Beale, Tom Hiddleston, Harry Hadden-Paton, Ann Mitchell, Jolyon Coy, Karl Johnson
Duração: 98 minutos
País: EUA, Reino Unido

Nota: 7

Cores

Três amigos de classe média não encontram perspectivas para suas vidas vazias. Eles se aproximam dos 30 anos de idade sem objetivos claros para o futuro.

MAIS:
Crítica do filme (BRCine)


Uma Ladra sem Limites

Sandy (Jason Bateman, de Relação Explosiva) tem sua identidade roubada por Diana (Melissa McCarthy, de Missão Madrinha de Casamento), uma mulher que sofre de consumismo compulsivo, temperado com muitas mentiras. Cabe a ele levar a golpista para confessar seus delitos.

O filme segue uma fórmula bem parecida com a de Um Parto de Viagem, mas com um pouco menos de graça. Há um bom investimento em humor físico, que poderia dar mais certo com momentos de improviso.

Uma Ladra sem Limites (Identity Thief)
Direção: Seth Gordon
Roteiro: Craig Mazin
Elenco: Jason Bateman, Melissa McCarthy, Jon Favreau, Amanda Peet, Genesis Rodriguez, Morris Chestnut, John Cho, Robert Patrick
Duração: 111 minutos
País: EUA

Nota: 5


O Último Exorcismo – Parte 2

Depois dos acontecimentos do filme anterior, Nell (Ashley Bell, de E Se o Amor Acontece) sofre de amnésia e vai morar em um abrigo para jovens. No entanto, o demônio que a assombrava está de volta.

Logo no início se vê uma justificativa visual para o abandono do gênero found footage para um suspense mais convencional. A tensão está lá, mas há um comedimento gráfico inexplicável. Não se espera que um filme desse tipo tenha medo de chocar visualmente seu público.

O Último Exorcismo – Parte 2 (The Last Exorcism Part II)
Diretor: Ed Gass-Donnelly
Roteiro: Damien Chazelle, Ed Gass-Donnelly
Elenco: Ashley Bell, Julia Garner, Spencer Treat Clark, David Jensen, Tarra Riggs, Louis Herthum, Muse Watson
Duração: 88 minutos
País: EUA

Nota: 5

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Caça aos Gângsteres

Depois da Segunda Guerra Mundial, um grupo de policiais de Los Angeles se reúne para acabarem com o reinado do mafioso Mickey Cohen (Sean Penn, de Aqui É o Meu Lugar). A namorada do criminoso (Emma Stone, de O Espetacular Homem Aranha) está envolvida com um dos seus inimigos na corporação (Ryan Gosling, de Drive).

O diferencial do filme está em misturar o antigo com o novo. O charme de época convive bem com tomadas longas falseadas pelo uso de efeitos visuais. A estrutura do roteiro parece com a de um videogame, o que pode cativar os espectadores jovens.

LEIA MAIS:
Perfil Ryan Gosling (SaraivaConteúdo)

Caça aos Gângsteres (Gangster Squad)
Direção: Ruben Fleischer
Roteiro: Will Beall
Elenco: Sean Penn, Josh Brolin, Ryan Gosling, Emma Stone, Nick Nolte, Anthony Mackie, Robert Patrick, Michael Peña, Giovanni Ribisi
Duração: 113 minutos
País: EUA

Nota: 6


Inatividade Paranormal

Kisha (Essence Atkins, de A Filha do Pastor) muda-se para a casa do namorado (Marlon Wayans, de G.I. Joe - A Origem de Cobra), mas acontecimentos estranhos se desenrolam na residência. O casal câmeras para registrar e investigar os eventos.

A turma que realizou a franquia Todo Mundo em Pânico (2000-2013) agora mira suas piadas em Atividade Paranormal (2007-2012). Praticamente não há paródias a outros filmes na nova comédia. O problema é que isso limita o roteiro, que não é tão engraçado quanto se espera dos realizadores

Inatividade Paranormal (A Haunted House)
Direção: Michael Tiddes
Roteiro: Rick Alvarez, Marlon Wayans
Elenco: Marlon Wayans , Marlene Forte, Essence Atkins, David Koechner, Dave Sheridan, Nick Swardson, Alanna Ubach, Andrew Daly, Cedric the Entertainer
Duração: 86 minutos
País: EUA

Nota: 3


O Lado Bom da Vida

Depois de sair de um clínica para doentes mentais, o ex-professor Pat (Bradley Cooper, de As Palavras) volta a morar com os pais e tenta reconstruir sua vida. Ele conhece a viúva Tiffany (Jennifer Lawrence, de Jogos Vorazes) e de uma relação conturbada ambos podem encontrar a superação.

As numerosas indicações ao Oscar e Globo de Ouro podem enganar, então é aconselhável não se influenciar por isso. O filme é mediano e foi o lobby que o colocou na temporada de premiações. As atuações são boas, mas o roteiro também merece elogios, apesar de certa previsibilidade. O enredo mostra uma coleção de personagens fragilizados mentalmente e todos precisam de algum grau de ajuda.

LEIA MAIS:
Matéria: Comédias do Oscar (SaraivaConteúdo)

O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook)
Direção e Roteiro: David O. Russell
Elenco: Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Jacki Weaver, Chris Tucker, Anupam Kher, John Ortiz, Shea Whigham, Julia Stiles
Duração: 122 minutos
País: EUA

Nota: 7


Os Miseráveis

Na França pós-Revolução, Jean Valjean (Hugh Jackman, de Gigantes de Aço) tentou esconder seu passado criminoso, mas seu perseguidor (Russell Crowe, de 72 Horas) permanece em seu encalço. O protagonista resolve adotar Cosette (Amanda Seyfried, de O Preço do Amanhã) e manter-se um fugitivo.

Os mais de 150 minutos de cantoria podem ser cansativos até para amantes de musicais. Alguns momentos com falas não cantadas fariam bem à fita. Por outro lado, a impressionante atuação de Hugh Jackman faz valer o ingresso.

LEIA MAIS:
Matéria: A experiência do elenco em musicais (SaraivaConteúdo)

Os Miseráveis (Les Misérables)
Direção: Tom Hooper
Roteiro: William Nicholson
Elenco: Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Sacha Baron Cohen, Helena Bonham Carter, Eddie Redmayne, Aaron Tveit, Samantha Barks, Daniel Huttlestone
Duração: 158 minutos
País: Reino Unido

Nota: 7

Os Miseráveis foi avaliado pela leitora Thaíse Costa

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)

A Caverna dos Sonhos Perdidos

As primeiras pinturas não foram feitas em telas planas, mas na parede das cavernas. O documentário em 3D exibe as gravuras mais antigas já descobertas.

LEIA MAIS:
Crítica do filme


Lincoln

Durante a Guerra de Secessão, o presidente Lincoln (Daniel Day-Lewis, de Nine) percebeu a chance de instaurar o fim da escravidão nos Estados Unidos. Para isso, realizou uma série de negociações com membros do Congresso.

Há 10 anos, Steven Spielberg contou a história de outro libertador em A Lista de Schindler. A diferença é que o roteiro de seu filme mais antigo passou por uma “limpeza de diálogos” para deixar as falas mais enxutas. Seu trabalho mais recente não seguiu o mesmo caminho e ficou verborrágico e sonolento – sem contar a patriotada.

LEIA MAIS:
Texto comparativo com A Lista de Schindler (Saraiva Conteúdo)

Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Tony Kushner
Elenco: Daniel Day-Lewis, Sally Field, David Strathairn, Joseph Gordon-Levitt, James Spader, Hal Holbrook, Tommy Lee Jones, John Hawkes, Jackie Earle Haley, Bruce McGill, Tim Blake Nelson
Duração: 150 minutos
País: EUA

Nota: 4

O Mestre

Um homem volta da guerra traumatizado e encontra certo conforto no culto com um líder misterioso. Paul Thomas Anderson trata com cinismo a fé e tem um ótimo elenco para isso.

LEIA MAIS:
Crítica do filme


País do Desejo

A pianista Roberta (Maria Padilha, de Fim da Linha) sofre de uma doença grave. Sua vida muda completamente quando conhece Padre José (Fábio Assunção, de Totalmente Inocentes).

O roteiro desse filme deveria ter passado por uma intensa revisão antes que permitissem o começo das gravações. De tempos em tempos, a história traz elementos gratuitos e bizarros, como se a única intenção fosse chocar ou surpreender a qualquer custo.

Direção: Paulo Caldas
Roteiro: Paulo Caldas, Pedro Severien, Amin Stepple
Elenco: Fábio Assunção, Gabriel Braga Nunes, Nicolau Breyner, Germano Haiut, Maria Padilha
Duração: 78 minutos
País: Brasil, Portugal

Nota: 3

País do Desejo foi visto na Mostra CineBH 2011


O Resgate

Depois de cumprir sua pena, Will (Nicolas Cage, de Reféns) sai da cadeia determinado a deixar a criminalidade no passado. Um ex-parceiro de crime (Josh Lucas, de J. Edgar) vai atrapalhar sua decisão ao sequestrar a filha dele (Sami Gayle, de O Substituto). O vilão exige uma grande quantia em dinheiro que obriga Will a fazer coisas que tinha deixado para trás.

O filme não tem qualquer traço personalidade e parece já ter sido visto anteriormente em alguma sessão televisiva. Se não fosse pelo apelo que o ator principal ainda tem, com certeza o título seria lançado diretamente em DVD.

O Resgate (Stolen)
Direção: Simon West
Roteiro: David Guggenheim
Elenco: Nicolas Cage, Josh Lucas ,Danny Huston, Malin Åkerman, Sami Gayle, Edrick Browne, Mark Valley, Barry Shabaka Henley, M.C. Gainey
Duração: 96 minutos
País: EUA

Nota: 5

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Magic Mike X O Lutador: Meu palco, minha vida

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


A vida dos performers causa facínio e, por isso, é tema de filmes. Em Magic Mike, o cotidiano de strippers masculinos é usado para contar um drama pessoal ao mesmo tempo em que se garante o interesse do público pelo corpo dos galãs.

A autenticidade é obtida porque o roteiro é inspirado em experiências de Channing Tatum (À Toda Prova). Antes de ser astro de cinema, o ator trabalhou como stripper. O que se transmite é que, apesar do palco ser apenas um ganha-pão para Mike, é ali que as coisas dão mais certo para ele. Sua vida pessoal é mais complicada, com sonhos a serem perseguidos e frustrações amorosas.


A rotina de apresentações de Mike e seus colegas de trabalho é mostrada no filme por numerosas montagens musicais, com uso da linguagem de videoclipe. Essa opção cai no gosto do público-alvo, mas alonga demais o tempo para quem estiver interessado nos dramas pessoais.

Existe esse risco porque o personagem-título é simpático, graças a relação que ele mantém com Adam (Alex Pettyfer, de O Preço do Amanhã), jovem que Mike adota como pupilo. A partir do rapaz, ele conhece Brooke (Cody Horn, de Rescue Me), irmã de Adam. Ela representa uma nova opção de vida, que o deixa balançado.


Sem montagens musicais, em O Lutador (The Wrestler) as batalhas encenadas pelo protagonista são mostradas pelos bastidores. Vemos como Randy (Mickey Rourke, de Os Mercenários) se relaciona com os adversários e como ele trata dos ferimentos. Essa opção aumenta a conexão com o público, que fica mais íntimo do personagem.

O filme também mostra de maneira mais intensa a diferença da vida de Randy nos ringues, onde é um ídolo, e em sua vida pessoal, onde nada dá certo. Assim, o amor por uma profissão pouco prestigiada gera momentos de emotividade.

Magic Mike
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Reid Carolin
Elenco: Matthew McConaughey, Channing Tatum, Olivia Munn, Alex Pettyfer, James Martin Kelly, Cody Horn
Duração: 110 minutos
País: EUA

Nota: 5

Magic Mike foi visto no Festival do Rio 2012.

O Lutador (The Wrestler)
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Robert D. Siegel
Elenco: Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Mark Margolis, Todd Barry
Duração: 109 minutos
País: EUA, França

Nota: 9

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O Legado Bourne: A ética de Tony Gilroy

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Vivemos uma época carente de boas franquias de ação e espionagem. Uma das raras exceções é a série Bourne, que chega aos trancos e barrancos a seu quarto filme.

Em O Legado Bourne (The Bourne Legacy), a figura do agente Jason Bourne é praticamente uma entidade mística. Muito se fala sobre ele, mas só aparece por meio de fotos antigas. O protagonista agora é Aaron Cross (Jeremy Renner, de Os Vingadores), participante de um programa desenvolvido para criar espiões com habilidades acima da média por meio de medicamentos.

A transformação de Bourne em um fantasma foi a saída para encaixar o roteiro na franquia. Claramente o texto foi escrito como material original, mas rende mais público se for atrelado a uma série de sucesso, mesmo que seja de uma maneira torta.


Esses remendos podem ser percebidos por trás das câmeras. Em A Identidade Bourne (2002), o roteirista Tony Gilroy deu o pontapé inicial para a franquia com Doug Liman (Jogo de Poder) na cadeira de diretor. Nos dois filmes seguintes (Supremacia Bourne e Ultimado Bourne) a direção ficou com Paul Greengrass, que fez o interesse ultrapassar o roteiro de conspiração e mistério. A câmera quase documental de Greengrass cria cenas de ação tensas e envolventes.

Nesse quarto episódio, Tony Gilroy assume a direção. Ele parece ser mais um dos admiradores do trabalho de Paul Greengrass, já que adota uma movimentação de câmera mais dinâmica no novo filme do que no restante de sua carreira de diretor (Conduta de Risco).

Como aconteceu em todos os filmes anteriores, O Legado Bourne acaba ao som de Extreme Ways, de Moby. A canção foi um dos poucos elementos que Greengrass pegou emprestado dos filmes anteriores ao assumir a franquia.


O Legado Bourne (The Bourne Legacy)
Direção: Tony Gilroy
Roteiro: Tony Gilroy, Dan Gilroy
Elenco: Jeremy Renner, Scott Glenn, Rachel Weisz, Edward Norton
Duração: 135 minutos
País: EUA

Nota: 5


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A Arte da Conquita X Lola: Astros juvenis

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Histórias de atores mirins que não conseguem o mesmo sucesso depois da puberdade são incontáveis. Em breve entram em cartaz no Brasil dois filmes em que jovens atores tentam mostrar que seus talentos sobrevivem ao ataque hormonal da adolescência.

Freddie Highmore já arrancou litros de lágrimas com suas atuações tocantes desde que apareceu ao mundo no filme Em Busca da Terra do Nunca (2004). Em A Arte da Conquista (The Art of Getting By) ele é George, um estudante do ensino médio com problemas para passar de ano. Quando pensamos que a única ocupação do jovem é estudar e tirar notas decentes, podemos condenar o comportamento do personagem. Felizmente não é isso o que acontece.


A qualidade do trabalho de Freddie e um roteiro com diálogos bem escritos faz o espectador ter simpatia por George. Ele tem sentimentos que não compreende por Sally (Emma Roberts, de Pânico 4) e também está tentando descobrir que carreira seguir. As falas que ele dispara (“Eu não tenho medo da morte, tenho medo da vida”) mostram que se trata de um jovem inteligente, que apenas passa por uma fase difícil.

Nesse ponto o título que o filme ganhou no Brasil é deficiente. Originalmente o nome da fita pode ser traduzido como “A Arte de Levar a Vida” e combina muito melhor com a posição do protagonista.


No time feminino de astros juvenis está Miley Cyrus (A Última Música). Ela encara o desafio de protagonizar Lola (LOL), remake do corajoso e honesto francês Rindo à Toa (2008). Com a mesma diretora no comando das duas versões do roteiro, as cenas são praticamente iguais. A única comparação possível seria a beleza do elenco, não fosse um pequeno detalhe.

O filme conta os conflitos entre a adolescente Lola e sua mãe (Demi Moore, de Margin Call). O enredo não se esquiva de temas importantes da faixa estária da personagem principal: sexo e drogas. Quando foi anunciado o nome de Cyrus para estrelar o remake, muitos temiam que esses assuntos seriam varridos para debaixo do tapete, já que a atriz/cantora tinha sua imagem atrelada à pudica Disney.

Para o bem dos espectadores de Lola, as inseguranças sexuais e as experimentações com drogas (lícitas ou não) continuam ali. O problema é que as cenas mascaram o contato de Miley com tais substâncias. Enquanto no filme original a protagonista dá belas baforadas em um baseado, em Lola as coisas ficam mais implícitas. Provavelmente porque a coragem dramática de Miley Cyrus seja bem menor do que a de Freddie Highmore.

A Arte da Conquista (The Art of Getting By)
Roteiro e Direção: Gavin Wiesen
Elenco: Freddie Highmore, Emma Roberts, Sasha Spielberg, Marcus Carl Franklin, Blair Underwood, Michael Angarano
Duração: 83 minutos
País: EUA

Nota: 7



Lola (LOL)
Direção: Lisa Azuelos
Roteiro: Lisa Azuelos, Kamir Aïnouz
Elenco: Miley Cyrus, Douglas Booth, Ashley Greene, Adam G. Sevani, Demi Moore, Jean-Luc Bilodeau
Duração: 97 minutos
País: EUA

Nota: 5

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Barbeiros X Limbo: Rotinas antigas

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)



O cinema, assim como o jornalismo, normalmente ocupa-se de apresentar situações inusitadas. Então, como é possível fazer filmes cujos temas são rotinas? Dois documentários em curta-metragem brasileiros empenham-se nessa tarefa, que faz sentido porque tratam de rotinas antiquadas.

Barbeiros mostra o cotidiano de um profissão em vias de extinção. Antigamente qualquer homem de direito tinha compromissos frequentes com seu barbeiro. Dizia-se até que um homem é mais fiel a seu barbeiro do que a sua esposa. Atualmente tal hábito se perdeu e esse trabalhador está mais escasso.


O documentário colhe depoimentos no local mais apropriado possível: no salão, enquanto os personagens desempenham seu ofício, representando o hábito dos clientes de conversar com o barbeiro enquanto ele corta o cabelo.

A câmera de Barbeiros explora os objetos dos salões em planos que retratam a decadência elegante e antiquada que se relaciona com a profissão. Já o curta Limbo, como o título sugere, us imagens de não-espaços.


O intuito do curta é mostrar o fim da rotina social do interior do Rio Grande do Sul. Isso é obtido com planos de paisagens, como de playgrounds nos quais os brinquedos balançam ao sabor do vento, mas estão vazios. Para aumentar a sensação fatalista, não há personagens no filme.

Assim, Limbo leva o fim dessas tradições gaúchas para dentro da mente do espectador, que vislumbra os espaços vazios ou com pouca dinâmica. Dessa maneira, o curta força seu público a abandonar o ritmo acelerado da vida urbana e impõe a lentidão rural. O incômodo causado é a prova de que se vive em um tempo diferente daquele que se vê na tela.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Lórax: Mensagem para a garotada

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


A obra do escritor Dr. Seuss é caracterizada pela poesia nas palavras e mensagem educativa na história.O Lórax: Em Busca da Trúfula Perdida (Dr. Seuss' The Lorax) é a mais nova adaptação das criações de Seuss para o cinema.

O tal Lórax do títlo é uma criatura mágica que defende a natureza, como o Curupira no folclore brasileiro. Quando Umavezildo corta uma árvore (trúfula) para usar suas folhagens como fibra têxtil, Lórax decide intervir e impedir que o inventor acabe com a natureza.

Ao contrário de Horton e o Mundo dos Quem, dessa vez as rimas de Seuss são deixadas de fora do filme. No lugar da poesia, Lórax tem animados números musicais que serão repetidos à exaustão quando o DVD fizer parte da coleção da criançada.


Outra mudança é que no livro Umavezildo é um monstro, mas na animação ele é um ser humano. O produtor Christopher Meledandri (Hop – Rebeldes sem Páscoa) explica a decisão: “No momento em que você deixa Umavezildo ser um monstro, você permite que a plateia interpreta que o problema é causado por alguém diferente da gente, e isso não deixa que a história seja sobre todos nós”.

Pela declaração fica claro que a mensagem educativa ecológica do livro é a prioridade do filme. A importância da preservação da natureza é passada para os pequenos espectadores de forma tranqüila, sem panfletar ou ser eco-chato.

Com isso, Lórax transforma-se em uma opção de entretenimento infantil com um objetivo nobre.

O Lórax: Em Busca da Trúfula Perdida (Dr. Seuss' The Lorax)
Direção: Chris Renaud, Kyle Balda
Roteiro: Ken Daurio, Cinco Paul
Elenco: Danny DeVito, Ed Helms, Zac Efron, Taylor Swift, Betty White, Rob Riggle
Duração: 86 minutos
País: EUA

Nota: 7

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

L'Apollonide x Bruna Surfistinha: Prostituição sem romantismo

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Prostitutas são heroínas em histórias contadas por livros, músicas e outros meios. No cinema recente, L'Apollonide - Os Amores da Casa de Tolerância (L'Apollonide (Souvenirs de la maison close)) e Bruna Surfistinha seguem essa tradição de maneiras distintas.

No entanto, há um elemento que une essas duas produções. Ambas fogem do romantismo que pode ser encontrado em outros filmes, como Uma Linda Mulher (1990) e Moulin Rouge (2001), por exemplo.

A produção brasileira foca-se nos comportamentos sexuais diferentes aos quais as meretrizes precisam se submeter em sua rotina. Baseado no relato autobiográfico de Raquel Pacheco no livro Bruna Surfistinha: O Doce Veneno do Escorpião, o filme torna-se irregular quando tenta retratar a fase drogada de sua protagonista.

Já L'Apollonide tem seus méritos exatamente nos percalsos que as prostitutas enfrentam que muitas vezes não estão diretamente relacionados ao gosto sexual de seus clientes. As doenças venéreas e a solidão são como fantasmas que não se cansam em assombrar a consciência  das profissionais do sexo.


O filme se passa na virada para o século XX, nos últimos anos da chamada belle époque. Da mesma maneira que o cenário social definhava na direção da Primeira Guerra Mundial, o roteiro narra os últimos dias de funcionamento de um prostíbulo francês.

O período no qual a história é contada favorece o engrandecimento dos tais fantasmas. Com cuidados sanitários pífios e nenhuma menção a preservativos, as doenças venéreas são uma preocupação constante. Atualmente, as meretrizes sabiamente exigem o uso de camisinhas.

Em uma época em que prostitutas eram apenas prostitutas, o solidão parece ser um destino inescapável. Não existia, por exemplo, as universitárias que vendem seu corpo por um curto período de tempo e depois seguem suas vidas sem sofrer as consequências do preconceito da profissão.

L'Apollonide trata de todas essas questões na forma de tramas paralelas. Cada uma das trabalhadoras do bordel onde o filme se passa representa um desses e de outros conflitos. Por essa razão, pode levar um tempo para que o espectador consiga diferencias cada uma das personagens.



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Transformers X Capitão América: Diferentes medidas de patriotismo

ou “Por que patriota pode rimar com idiota”
 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: •

O sentimento antiamericano e Hollywood entram em choque de tempos em tempos. Transformers: O Lado Oculto da Lua e Capitão América: O Primeiro Vingador, lançamentos recentes do cinema, mostram dois lados dessa questão.

Desde o primeiro filme da franquia dos robôs, o diretor Michael Bay fez questão de colocar frases patriotas de efeito nos roteiros, algo recorrente em sua filmografia – que inclui a mentira cinematográfica chamada Pearl Harbor. Falas como “Eles são soldados americanos, não estão acostumados a perder” não colaboram para o andamento do enredo e podem irritar as plateias fora dos Estados Unidos.


 Anos atrás, Hollywood não teria razões para se importar com a opinião do espectador fora da terra do tio Sam. Atualmente, a situação é outra: plateias estrangeiras respondem cada vez mais por um porcentual maior das bilheterias dos blockbusters. A participação de Rússia, China e Brasil é especialmente significativa em lançamentos em 3D, como o último Transformers.

Portanto, com essa postura white trash, o digníssimo sr. Michal Bay dá um tiro no próprio pé.

 
Enquanto isso, os produtores de Capitão América: O Primeiro Vingador tinha um grande desafio pela frente. Patriotismo é parte inerente do personagem e as plateias fora dos Estados Unidos precisam gostar dele, já que até o vindouro filme OsVingadores seria prejudicado se a recepção de Capitão América fosse negativa.

A forma encontrada para equilibrar a equação foi transformar a proposta de guerra parte da história do filme. Depois de passar pela aplicação do soro do Supersoldado, Steve Rogers é usado como garoto-propaganda pelo governo estadunidense. O ponto de virada está exatamente quando ele percebe que terá de ir contra seu próprio governo para fazer o que é certo.



Essa situação não significa a completa proibição do patriotismo em um blockbuster lucrativo. O bom exemplo nesse sentido é a franquia A Lenda do Tesouro Perdido, especialmente seu segundo episódio.

O discurso dos filmes é claramente patriótico, mas sem colocar os Estados Unidos acima de outras nações. A Lenda do Tesouro Perdido quer mostrar os heróis e os momentos bonitos da história estadunidense sem ofender os estrangeiros.