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quarta-feira, 3 de julho de 2013

A Bela que Dorme: Coleção de intragáveis

 por Moura

Spoilerômetro: • (?)


A eutanásia é assunto polêmico, que volta e meia tá de novo na boca do povo. Esse é o tema de A Bela que Dorme (Bella addormentata), que se sua pra mostrar pessoas dos lados opostos da conversa. Essa forma de expor o assunto busca imparcialidade (alô, Veja!), mas acho que muita gente vai sair do filme querendo realizar a morte assistida de vários personagens do filme. Ô bando de gente chata, bróder!

O formato é tipo Babel, com histórias ligadas, mas meio que independente, saca? Bom, tudo rola nos últimos dias de Eluana Englaro, uma mulher que passou 17 anos vegetativa até desligarem os equipamentos que a mantinham viva. Entre chutarem o CPU da moça até ela morrer, deu um monte de discussão e protestos lá pela Itália. A bagaça foi tensa, mas nada comparada à pancadaria comandada pelos alckimistas em Sampa.

Divina Madre (Isabelle Huppert, de Amor), além de ter um nome porreta, é estrela de cinema. Ela largou tudo porque achou que esse sacrifício ia tirar a filha dela do coma. Até ai, sussa, cada um com sua fé. O bicho pega porque a dondoca toca o terror nos empregados – algo que nenhuma PEC previu.

Rossa (Maya Sansa, de Bom Dia, Noite) é uma junkie suicida, mas um médico (Pier Giorgio Bellocchio, de Irmãs Jamais) a impede de dar fim a sua vida. Aí os dois são maletas. Ela não se joga duma vez do alto da Torre de Piza pra morrer direito. E ele fica dando trela pra maluca.

Maria (Alba Rohrwacher, de Que mais Posso Querer) é católica, mas se apaixona por Roberto (Michele Riondino, de Acciaio), um ateu. Pra começar, a paixão foi à primeira vista, um bagulho melado. Depois, eles ficam numa lenga-lenga sem fim antes de tomarem uma atitude de verdade.

Pra completar, tem o irmão do Roberto. Federico (Brenno Placido, de Ligações Criminosas) é o mala-mor de A Bela que Dorme – e já deu pra perceber que a competição é pior que luta de foice no escuro. Ele apurrinha Maria, por não concorda com sua visão do mundo. Depois, empata a f*#@ do irmão. Vai fazer terapia, rapá! E deixa o irmão papar a beata.

Ainda tem o pai da Maria. Uliano (Toni Servillo, de Gomorra) tá no meio das discussões políticas do caso da Eluana. Essas pressões de legisladores, preocupações eleitoreiras e afins é um meio bem chatonildo mesmo. Aí nem é culpa do coitado do Uliano, né?




O lado bom é que A Bela que Dorme faz o pessoal pensar no assunto da eutanásia e tenta mostrar várias visões do tema. Se fosse com uns personagens mais bacanas, seria melhor...


A Bela que Dorme (Bella addormentata)
Direção: Marco Bellocchio
Roteiro: Marco Bellocchio, Veronica Raimo , Stefano Rulli
Elenco: Toni Servillo, Isabelle Huppert, Alba Rohrwacher, Michele Riondino, Maya Sansa, Pier Giorgio Bellocchio, Brenno Placido
Duração: 115 minutos
País: Itália, França

Nota: 4

quinta-feira, 7 de março de 2013

A Parte dos Anjos: Lá e cá

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)



O cinema é uma janela para o mundo. Pelos filmes, o espectador pode vislumbrar culturas, costumes e realidades totalmente diferentes de seu cotidiano. Com A Parte dos Anjos (The Angels’ Share) acontece o oposto. Apesar de se passar na Irlanda, é possível traçar semelhanças com o que acontece em grandes cidades brasileiras.

Robbie (Paul Brannigan) sempre levou a vida com pequenos delitos e muita violência. Agora que ele é pai, quer mudar de postura, mesmo com o passado em seu encalço. Enquanto presta serviços comunitários, conhece Harry (John Henshaw, de À Procura de Eric), que lhe ensina a saborear whiskies. É com esse novo conhecimento que Robbie esperar virar o jogo.

A forma agressiva como o protagonista encara seus problemas é bem parecida com a atitude de jovens da periferia dos centros urbanos brasileiros. Robbie usa a violência (verbal e física) simplesmente porque não conhece outra maneira de expressar suas insatisfações.


Em A Parte dos Anjos, o problema é resolvido por causa de dois agentes. Primeiramente o Estado lhe dá uma pena alternativa ao invés de trancá-lo em um presídio com criminosos realmente perigosos. Depois há a figura de Harry, que mostra paciência e tolerância com Robbie.

No cinema brasileiro há um exemplo de recuperação social semelhante. Em O Contador de Histórias (2009), uma professora (Maria de Medeiros, de Minha Vida sem Mim) consegue salvar um jovem (Paulinho Mendes) da criminalidade. Ela usa justamente as mesmas ferramentas que Harry.

Portanto, A Parte dos Anjos satisfaz duas funções do cinema: é uma janela para o mundo e ainda convida para uma reflexão social.


A Parte dos Anjos (The Angels’ Share)
Direção: Ken Loach
Roteiro: Paul Laverty
Elenco: Paul Brannigan, John Henshaw, Gary Maitland, Jasmine Riggins, William Ruane, Roger Allam, Siobhan Reilly
Duração: 101 minutos
País: Reino Unido, França, Bélgica, Itália

Nota: 8

sexta-feira, 1 de março de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)

Atrás da Porta

Helen Mirren interpreta uma empregada doméstica na Europa dos anos 1960. Ela tem uma relação complexa com sua nova patroa, entre amor e repúdio. A personagem não permite que pessoas entrem em sua casa e possui um passado de mistérios.

LEIA MAIS:
Crítica: Controle emotivo


César Deve Morrer

Os irmão Taviani (Aconteceu na Primavera) souberam da existência de um presídio onde os detentos montam espetáculos teatrais. A dupla decide levar sua câmera ao local para registrar todo o processo da montagem de Júlio César, de William Shakespeare. Eles acompanham a escolha do elenco, os ensaios e a apresentação da peça.

Além da premissa inusitada, o interessante do filme é a fluidez na barreira entre realidade e ficção. As cenas propõem paralelismos entra a conspiração dos senadores para matar o imperador e o modo de agir da máfia. Como os detentos/atores têm seu passado ligado ao crime organizado, as cenas ganham um alto grau de autenticidade.

LEIA MAIS:
Matéria: Filmes que se passam nos bastidores do teatro (SaraivaConteúdo) – em breve

César Deve Morrer (Cesare deve morire)
Roteiro e Direção: Paolo Taviani, Vittorio Taviani
Elenco: Cosimo Rega, Salvatore Striano, Giovanni Arcuri, Antonio Frasca, Juan Dario Bonetti, Vincenzo Gallo, Rosario Majorana, Francesco De mais, Gennaro Solito, Vittorio Parrella
Duração: 76 minutos
País: Itália

Nota: 8

Colegas

Três internos de uma instituição para portadores de Síndrome de Down fogem na calada da noite. Eles partem em uma viagem para realizar seus sonhos.

LEIA MAIS:
Crítica: Boca suja
Nota: Depois de carreira premiada, Colegas abre Amazonas Film Festival (SaraivaConteúdo)


Dezesseis Luas

Ethan (Alden Ehrenreich, de Twixt) se sente um peixe fora d'água na pequena cidade onde vive. Ele se interessa por livros clássicos, que seu conterrâneos consideram uma leitura impura. O rapaz reconhece uma semelhante em Lena (Alice Englert, de Ginger e Rosa), recém-chegada ao local e taxada como satanista pelos colegas de escola. A moça guarda segredos que impedem o amor entre ela e Ethan.

Essa é a nova aposta no campo de produções juvenis. A história tem claras semelhanças com Crepúsculo, mas os efeitos visuais são mais bem realizados e há uma mensagem mais positiva para seus espectadores além da indecisão sobre qual monstro chamar de namorado. O elenco de apoio estelar mantém o nível de qualidade das atuações.

LEIA MAIS:
Matéria: Dezesseis Luas: Adaptação do livro para os cinemas (SaraivaConteúdo)

Dezesseis Luas (Beautiful Creatures)
Roteiro e Direção: Richard LaGravenese
Elenco: Alden Ehrenreich, Alice Englert, Jeremy Irons, Viola Davis, Emmy Rossum, Thomas Mann, Emma Thompson, Eileen Atkins, Margo Martindale, Zoey Deutch
Duração: 124 minutos
País: EUA

Nota: 7


Hitchcock

O diretor Alfred Hitchcock (Anthony Hopkins, de 360) aproveita o sucesso de Intriga Internacional para fazer um filme mais arriscado: Psicose. Ele resolve bancar a produção de seu próprio bolso e conta com a ajuda de sua esposa (Helen Mirren, de RED) para levar o projeto adiante.

Hitchcock é conhecido como o mestre do suspense, mas seus filmes traziam momentos que extrapolavam o gênero. Por essa razão, a cinebiografia faz bem em respeitar tal característica. Há uma bela dose de suspense, mas boa parte é cômica e sobra espaço para drama e até romance.

LEIA MAIS:
Matéria: Os dois lados da moeda: quando atores interpretam diretores (SaraivaConteúdo)

Hitchcock
Direção: Sacha Gervasi
Roteiro: John J. McLaughlin
Elenco: Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Danny Huston, Toni Collette, Michael Stuhlbarg, Michael Wincott, Jessica Biel, James D'Arcy, Richard Portnow, Kurtwood Smith, Ralph Macchio
Duração: 98 minutos
País: EUA

Nota: 8

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Estreias da Semana


 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)



E Agora, Aonde Vamos? 

Como em Caramelo, Nadine Labaki volta a explorar várias personagens femininas para mostrar a força das mulheres. Dessa vez, suas personagens se unem para manter a paz no vilarejo onde moram. As mulheres querem evitar que seus maridos, namorados e familiares do sexo oposto saibam dos conflitos religiosos que eclodiram na cidade grande. Elas temem que a atmosfera tensa da metrópole arruíne a aldeia.

Leia mais:
Entrevista com a roteirista/diretora/atriz Nadine Labaki (SaraivaConteúdo)
Mini-crítica no Guia Festival Varilux

E Agora, Aonde Vamos? (Et maintenant on va où?)
Direção: Nadine Labaki
Roteiro: Rodney Al Haddid, Jihad Hojeily, Nadine Labaki, Sam Mounier
Elenco: Claude Baz Moussawbaa, Leyla Hakim, Nadine Labaki, Yvonne Maalouf, Ali Haidar, Kevin Abboud, Petra Saghbini , Mostafa Al Sakka, Mohammad Aqil, Khalil Bou Khalil
Duração: 110 minutos
País: França, Líbano, Egito, Itália

Nota: 7


Era uma Vez Eu, Verônica

Hermila Guedes e Marcelo Gomes unem-se novamente para entregar um filme marcante. A dupla já trabalhou junto em Cinema, Aspirinas e Urubus (2005). Agora Hermila é uma médica com vários problemas na cabeça: a saúde de pai (W.J. Solha, de O Som ao Redor), as incertezas amorosas, o futuro de sua carreira...

Leia mais:
Entrevista com a atriz Hermila Guedes e o produtor José Vieira Jr. (SaraivaConteúdo)

Era uma Vez Eu, Verônica
Roteiro e Direção: Marcelo Gomes
Elenco: Hermila Guedes, W.J. Solha, João Miguel
Duração: 91 minutos
País: Brasil, França

Nota: 8


A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2

A franquia romântica de vampiros e lobisomens chega ao fim. Os efeitos visuais que eram sofríveis no primeiro episódio agora têm orçamento para brilhar em uma empolgante batalha final contra os Volturi. Como na primeira parte da conclusão, há certa enrolação e muita música para fazer a história caber no longa. Para os fãs, isso pode ser encarado positivamente, como se tivessem mais tempo com seus ídolos antes da despedida.

Leia mais:
Adaptações parceladas - Quando um livro é fracionado em mais de um filme (SaraivaConteúdo)

A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 (The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2)
Direção: Bill Condon
Roteiro: Melissa Rosenberg
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Peter Facinelli, Elizabeth Reaser, Ashley Greene, Jackson Rathbone, Kellan Lutz, Nikki Reed, Billy Burke, Chaske Spencer, Mackenzie Foy, Maggie Grace, Jamie Campbell Bower, Christopher Heyerdahl
Duração: 115 minutos
País: EUA

Nota: 5

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Shun Li X Herança: A opinião dos outros

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Dr. Seuss (O Grinch, Lórax) é um renomado autor de literatura infantil. Apesar de seus livros serem dedicados às crianças, muito do que ele escreve pode ser aplicado à vida adulta, como: “Seja quem você é e diga o que quiser. Porque aqueles que ligam não importam e os que importam não ligam”. Esse pensamento seria interessante para os personagens de dois filmes em cartaz na Mostra de São Paulo.

Shun Li e o Pescador (Io sono Li) aborda a questão da imigração na Europa pelos olhos de uma trabalhadora chinesa (Tao Zhao, de Em Busca de Vida) que está na Itália cuidando de um bar. Por causa de seu trabalho, entra em contato com muitos habitantes locais e faz amizade com Bepi (Rade Serbedzija, de Busca Implacável 2), um velho pescador que gosta de fazer rimas.


A relação entre os dois é vista com maus olhos pelos outros clientes italianos do recinto e pelos conterrâneos de Shun Li. O preconceito bilateral ameaça trazer graves consequências para a vida de ambos.

Com essa história, Shun Li e o Pescador consegue abordar de forma humana um tema em voga na atualidade. No entanto, com altas taxas crescimentos econômicos anuais na China e a crise europeia, faltou ao roteiro uma boa explicação para Shun Li ter saído de sua pátria, deixando seu pai e seu filho para trás.


O tema da opressão alheia é usado em Herança (Inheritance) em uma família inteira. Cada um dos cinco irmãos não consegue viver plenamente por se preocuparem com o que os outros vão pensar. Nesse caso, o cenário cultural do Oriente Médio é que apresenta consequências graves.

Um dos mais preocupados de todos é o irmão mais velho, mas ele mesmo tenta esconder suas dificuldades financeiras. De família católica, Salma (Clara Khoury, de A Noiva Síria) é casada com um dos irmãos e todos culpam as diferenças religiosas pela infertilidade do casal. A caçula Hajar (Hafsia Herzi, de A Fonte das Mulheres) está envolvida com um professor inglês (Tom Payne, de A Vida num Só Dia) e é mais um motivo de vergonha para a família.


Os outros dois irmãos estão ligados com política. A mais velha (Hiam Abbass, de Lemon Tree) é casada com um desocupado que quer opinar sobre tudo. Ele ajuda o outro irmão da família com sua campanha para prefeito, mas o comportamento adúltero e violento do candidato tem o potencial de afundar a eleição.

Enquanto todos perdem tempo com pecuinhas, há sempre a preocupação de bombardeios israelenses. Com esse microcosmo, Herança faz uma bela crítica social. Todos os personagens não têm moral para apontar os defeitos dos demais, já que é cada vez mais difícil esconder tanta sujeira debaixo do tapete. Esse jogo de aparências hipócrita é o ponto forte do filme.

Shun Li e o Pescador (Io sono Li)
Direção: Andrea Segre
Roteiro: Andrea Segre, Marco Pettenello
Elenco: Tao Zhao, Rade Serbedzija, Marco Paolini, Roberto Citran, Giuseppe Battiston
Duração: 100 minutos
País: Itália, França

Nota: 7

Herança (Inheritance)
Direção: Hiam Abbass
Roteiro: Hiam Abbass, Ala Hlehel, Nadine Naous
Elenco: Hafsia Herzi, Hiam Abbass, Yussef Abu Warda, Clara Khoury, Tom Payne
Duração: 88 minutos
País: França, Israel, Turquia, Palestina

Nota: 8

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Cosmópolis: Meu querido banco

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Recentemente, no texto sobre Bel Ami, falei sobre a preferência de Robert Pattinson por personagens que não causam simpatia no público. Em Cosmópolis (Cosmopolis), ele continua essa tendência, mas agora dirigido por um cineasta de renome: David Cronenberg (Um Método Perigoso).

O personagem odiável da vez é um grande investidor financeiro. Ele quer atravessar Nova York em sua limousine para cortar o cabelo. No caminho, tem diversos encontros dentro do veículo. As figuras que entram no carro são a armadilha de Pattinson. Todos são mais interessantes e simpáticos do que o protagonista.

Para completar, esses personagens são vividos por atores mais talentosos do que Pattinson. A maioria deles só participa do filme em uma única sequência e ficamos com saudades deles, ao mesmo tempo em que não damos a mínima para o anti-herói.


Cosmópolis tenta fazer um retrato da ordem do dia do mercado financeiro. Enquanto as ruas são tomadas por protestos contra um sistema injusto, os beneficiados pelas regras do jogo se protegem em seus escritórios (a limousine).

O carro também serve como metáfora para o sistema podre, já que vai gradativamente se deteriorando conforme o filme avança. Se têm mais dinheiro do que conseguem gastar, esses ricaços não parecem conhecer a alegria de um churrasco na laje,já que gastam tanta energia na especulação de mercado e preocupações profissionais.

No final das contas, a presença de Pattinson no elenco só é importante no cartaz do longa. Da mesma maneira que ninguém assiste a A Praça É Nossa por causa de Carlos Alberto de Nóbrega, Cosmópolis vive em função de seus personagens secundários.


Cosmópolis (Cosmopolis)
Roteiro e Direção: David Cronenberg
Elenco: Robert Pattinson, Juliette Binoche, Sarah Gadon, Mathieu Amalric, Jay Baruchel, Kevin Durand, Emily Hampshire, Samantha Morton, Philip Nozuka
Duração: 109 minutos
País: França, Canadá, Portugal, Itália

Nota: 4

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Festival Varilux: Guia

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)

Para acompanhar a cobertura completa do CineDude, clique aqui.


Adeus Berthe

Em uma mistura de drama com comédia, o filme mostra as dúvidas de Armand (Denis Podalydès, de Caos Calmo), um farmacêutico dividido entre seu casamento e um novo relacionamento amoroso. Seus questionamentos acontecem enquanto toma decisões sobre os procedimentos funerários de sua avó.

O enredo sofre do mal francês da verborragia. O protagonista passa o tempo todo em dúvida e o espectador pode ficar impaciente, na ânsia de que Armand tome uma atitude mais efetiva para resolver seus dilemas.

Adeus Berthe ou O Enterro da Vovó (Adieu Berthe - L'enterrement de mémé)
Direção: Bruno Podalydès
Roteiro: Bruno Podalydès, Denis Podalydès
Elenco: Denis Podalydès, Valérie Lemercier , Isabelle Candelier, Catherine Hiegel, Michel Vuillermoz
Duração: 100 minutos
País: França

Nota: 4




E Agora, Aonde Vamos?

Como tinha feito em Caramelo, a diretora Nadine Labaki mais uma vez celebra a força das mulheres. Seu novo filme se passa em uma pequeno vilarejo no Líbano onde cristãos e muçulmanos convivem em harmonia. As mulheres temem que conflitos religiosos na cidade grande acabem com a paz local.

Para evitar o pior, elas se unem e fazem de tudo para evitar que os homens briguem. É nesse “de tudo” que mora a graça e a beleza do filme. Por ter números musicais, mesmo cenário e mesmo tema; é fácil se lembrar de A Fonte das Mulheres.

E Agora, Aonde Vamos? (Et maintenant on va où?)
Direção: Nadine Labaki
Roteiro: Rodney Al Haddid, Jihad Hojeily, Nadine Labaki, Sam Mounier
Elenco: Claude Baz Moussawbaa, Leyla Hakim, Nadine Labaki, Yvonne Maalouf, Ali Haidar, Kevin Abboud, Petra Saghbini , Mostafa Al Sakka, Mohammad Aqil, Khalil Bou Khalil
Duração: 110 minutos
País: França, Líbano, Egito, Itália

Nota: 7




A Filha do Pai

Tem-se a sensação de entrar em uma máquia do tempo enquanto se assiste a essa produção. Trata-se de um filme de época com ar antiquado, no bom sentido. As atuações, a iluminação, os diálogos e o visual como um todo passam uma ingenuidade cinematográfica na medida para o enredo.

A história é sobre Patricia (Astrid Bergès-Frisbey, de Piratas do Caribe 4), filha do poceiro. Ela é seduzida por um jovem rico e engravida. Ele vai à guerra e o pais dela (Daniel Auteuil, de 15 Anos e Meio) sente vergonha do ocorrido.

A Filha do Pai (La fille du puisatier)
Roteiro e Direção: Daniel Auteuil
Elenco: Astrid Bergès-Frisbey, Daniel Auteuil, Kad Merad, Sabine Azéma, Jean-Pierre Darroussin, Nicolas Duvauchelle
Duração: 107 minutos
País: França

Nota: 6




Uma Garrafa no Mar de Gaza

As diferenças religiosas são mais uma vez discutidas, agora sob o olhar da juventude. A judia Tal (Agathe Bonitzer, de A Bela Junie) escreve uma carta e a lança ao mar. Ela chega ao palestino Naim (Mahmud Shalaby) e os dois começam a conversar pela internet.

Em alguns momentos, tem-se a impressão de estar diante de um romance epistolar (composto por cartas), mas não tenho informação se o texto que originou o roteiro foi publicado nesse formato. O relato dos personagens transborda autenticidade e deixa clara a complexidade da questão.

Uma Garrafa no Mar de Gaza (Une bouteille à la mer)
Direção: Thierry Binisti
Roteiro: Thierry Binisti, Valérie Zenatti
Elenco: Agathe Bonitzer, Mahmud Shalaby, Hiam Abbass, Riff Cohen, Abraham Belaga , Jean-Philippe Écoffey, Smadi Wolfman
Duração: 100 minutos
País: França, Israel, Canadá

Nota: 8

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Bel Ami: O caminho de Pattinson

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Mesmo com experiência em sets de grandes blockbusters, os atores de A Saga Crepúsculo só conheceram a verdadeira fama depois de participar na série de romances sombrios. Cada membro do trio de protagonistas tenta traçar trilhas profissionais diferentes para descolar sua imagem pessoal dos vampiros e lobisomens.

Robert Pattinson tem o mais estranho dos caminhos. Kristen Stewart (The Runnaways) aposta na pluralidade e mescla grandes produções com filmes independentes. Taylor Lautner (Sem Saída) tenta se firmar como astro de ação. A única coisa que une todos os trabalhos de Pattinson é a predileção por protagonistas odiáveis – até em Crepúsculo, o Team Jacob é maior do que o Team Edward.

Em Bel Ami – O Sedutor (Bel Ami), ele interpreta um jornalista ambicioso do século XIX. Georges Duroy seduz mulheres para avançar na redação do La Vie Françoise e não está preocupado nos efeitos que seus atos renderão na vida dos outros.


A adaptação do romance de Guy de Maupassant mantém-se fiel às características do realismo literário, mas foca-se muito mais na sedução do que na política. Prova disso é que as articulações de tomada de poder na França (aquele país em que todo mundo fala inglês, segundo o filme) ficam bem confusas no roteiro.

Nesse sentido, as cenas de sexo são abundantes. Por outro lado, não se pode esperar muita ousadia nesses momentos em uma produção que quer atrair para as salas de cinema o público juvenil que adora o vampiro pálido. Espero que o filme consiga fazer algum desses fãs se interessar pela literatura que originou o roteiro.

Voltando a carreira de Pattinson. Ele parece que não vai se livrar de personagens odiáveis tão cedo. Em Cosmópolis, seu papel parece transpirar arrogância em um filme com cenas de violência. Falta saber se o galã será capaz de cativar o público no futuro com alguma herói valoroso.


Bel Ami – O Sedutor (Bel Ami)
Direção: Declan Donnellan, Nick Ormerod
Roteiro: Rachel Bennette
Elenco: Robert Pattinson, Uma Thurman, Kristin Scott Thomas, Christina Ricci, Colm Meaney, Philip Glenister, Holliday Grainger
Duração: 102 minutos
País: Reino Unido, França, Itália

Nota: 5

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Aqui É o Meu Lugar: Por baixo da maquiagem

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Ao caminhar pelas ruas de uma grande cidade, é comum encontrar com pessoas que adotam um visual pouco tradicional. Um exemplar desses tipos inusitados é o protagonista de Aqui É o Meu Lugar (This Must Be the Place).

Cheyenne (Sean Penn, de A Árvore de Vida) foi o líder de uma banda do rock de sucesso nos anos 80. Apesar de estar aposentado há muito tempo, ele ainda usa as mesmas roupas e maquiagem da época em que subia nos palcos. O personagem é uma mistura de Robert Smith (The Cure) com Ozzy Osbourne (Black Sabbath).

Normalmente quando se cruza com uma pessoa com figurino diferente não nos perguntamos quem é essa pessoa, quais seus sonhos ou suas fraquezas. Essa é a viagem que o filme oferece.


Cheyenne está isolado na Irlanda, mas deve voltar aos EUA por causa da morte de seu pai. Enquanto retorna a suas origens, o protagonista reencontra a si mesmo e a seus conflitos pessoais.

É nessa receita de personagem forte em uma trama psicológica que Sean Penn encontra espaço para premiar o público com seu talento dramático. Ele caminha pela corda bamba da caricatura a todo momento, sem vacilar.

Enquanto se aprecia o trabalho do ator e a movimentação elegante da câmera de Paolo Sorrentino (Il Divo), a proposta do filme se apresenta. A produção almeja mostrar o que há por baixo da maquiagem de cada um, até dos personagens secundários. Vislumbrar o que está além do visual é uma das maravilhas proporcionadas pelo cinema.


Aqui É o Meu Lugar (This Must Be the Place)
Direção: Paolo Sorrentino
Roteiro: Paolo Sorrentino, Umberto Contarello
Elenco: Sean Penn, Frances McDormand, Judd Hirsch, Eve Hewson, Kerry Condon
Duração: 118 minutos
País: Itália, França, Irlanda

Nota: 8

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Primeira Coisa Bela: Emoções familiares

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Amor e tolerância são duas virtudes que andam de mãos dadas quando se trata de convívio entre os homens. Por essa razão, para amar A Primeira Coisa Bela (La prima cosa bella) é preciso ser tolerante com as falhas de caráter de seus personagens.

O próprio protagonista é um dependente químico que evita ter contato com sua família. Contudo, a doença avançada da mãe de Bruno (Valerio Mastandrea, de Nine) o obriga a recriar os laços familiares. Nesse processo, o professor relembra sua infância e adolescência quando Anna (Micaela Ramazzotti), sua impulsiva mão era uma mulher belíssima.

O enredo segue num vai e vem cronológico e o espectador percebe a mudança de época antes dos atores aparecerem, pelos objetos de cena e pela direção de fotografia. Nas cenas do passado, o filme ganha ares mais avermelhados. Com essa paleta de cores, ganha-se um visual mais antiquado, como filmes caseiros feitos em 8 mm.


Seja nas lembranças ou no tempo presente, os personagens não fazem cerimônia em mostrar seus defeitos. Quando criança, Valeria (Aurora Frasca) é uma menina mimada que testa a paciência de Bruno (Giacomo Bibbiani), seu irmão mais velho. Depois de adulta (Claudia Pandolfi, de Filhos das Estrelas), ela se casa com Giancarlo (Fabrizio Brandi), um gomem que fala demais e, por isso, torna-se uma presença indesejável. Para completar, o pai (Sergio Albelli, de Milagre em Sta. Anna) de Bruno e Valeria é um homem violento que chega a expulsar a esposa e os filhos de casa.

Quando se percebe que aceitar as características negativas das pessoas faz parte do convívio familiar, A Primeira Coisa Bela torna-se um melodrama de grande carga emotiva. Se o mergulho em seu enredo for completo, lágrimas podem ser esperadas.

Dica do Dude: Se o tema de A Primeira Coisa Bela agradou, assista a “versão” britânica e masculina dessa história. Quando Você Viu Seu Pai pela Última Vez? (2007) é estrelado por Jim Broadbent (A Dama de Ferro) e Colin Firth (O Espião que Sabia Demais) no papel de pai e filho, respectivamente.


A Primeira Coisa Bela (La prima cosa bella)
Direção: Paolo Virzì
Roteiro: Paolo Virzì, Francesco Bruni, Francesco Piccolo
Elenco: Valerio Mastandrea, Micaela Ramazzotti, Stefania Sandrelli, Claudia Pandolfi, Sergio Albelli, Aurora Frasca, Giacomo Bibbiani, Giulia Burgalassi, Francesco Rapalino, Isabella Cecchi
Duração: 122 minutos
País: Itália

Nota: 8