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terça-feira, 14 de maio de 2013

2 mais 2: Na trave

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Uma das principais críticas que se faz às comédias nacionais contemporâneas (também chamadas de globochanchada) é o fato de muitas delas usarem o sexo apenas como fonte cômica rasa, e não como tema a ser debatido. O cinema argentino traz uma produção que pode ser considerada um passo adiante nesse tópico. 2 mais 2 (Dos más dos) fala de swing sem se esquecer de incluir cenas de sexo.

Diego (Adrián Suar, de Um Namorado para Minha Esposa) e Emilia (Julieta Díaz, de O Sinal) vivem um casamento típico, que é abalado pela descoberta que os amigos Betina (Carla Peterson, de Medianeiras) e Richard (Juan Minujín, de O Abraço Partido) são praticantes de swing. Emilia fica interessada na aventura, mas Diego é mais temerário.

A escalação do elenco é algo a ser elogiado. Todos os atores dão conta de seus momentos engraçados, como pede uma comédia; e todos são figuras atraentes, como pedem as cenas de sexo.


Outro ponto positivo são os paralelismos nas profissões do casal de protagonistas. Diego demonstra uma personalidade dominadora perante sua empresa, da mesma forma como não admite a ideia de compartilhar a esposa. Emilia é a moça do tempo em um canal de notícias. Suas previsões são encaixadas no filme como uma ferramenta divertida para mostrar a temperatura de seu casamento.

Infelizmente, 2 mais 2 não mantém o fôlego de seu começo. As cenas sensuais estão lá, mas há um constrangimento mal disfarçado. No entanto, o pior de tudo é o moralismo que o roteiro adota em seu terço final. Uma questão delicada merece um debate mais aberto do que o oferecido por nossos hermanos nesse caso.


2 mais 2 (Dos más dos)
Direção: Diego Kaplan
Roteiro: Daniel Cúparo, Juan Vera
Elenco: Adrián Suar, Carla Peterson, Julieta Díaz, Juan Minujín, Alfredo Casero, Tomás Wicz
Duração: 103 minutos
País: Argentina

Nota: 6

sexta-feira, 29 de março de 2013

Fogo na Bomba: O Último Elvis: Pistas demais

A seção Fogo na Bomba é destinada a discutir os finais de filmes. Portanto, só prossiga se não tiver problemas em sabê-lo...

Spoilerômetro: • (?)


Em muitos filmes os espectadores têm a clara noção do que ocorrerá no desfecho. Nesses casos, o interesse se dá em saber como tais acontecimentos se desenrolarão. É exatamente isso que se passa em O Último Elvis (El último Elvis).

Carlos (John McInerny) ganha a vida como operário, mas seu amor é a música de Elvis Presley. Apesar de não ser parecido fisicamente com o Rei do Rock, ele faz shows em que imita o ídolo, uma vez que sua voz é bem potente. As cenas de apresentações são um dos presentes que o filme dá aos fãs do cantor.

O roteiro tem pistas de que a dedicação de Carlos a Elvis é extrema, tanto que ele gosta que as pessoas o chamem pelo nome do cantor. Conforme a gradação do enredo se desenvolve, quem conhece um pouco da vida de Elvis logo perceberá o que Carlos planeja. Ele irá cometer suicídio para se igualar a seu ídolo.


Tudo começa quando Carlos afirma à sua ex-mulher (Griselda Siciliani) que está deliberadamente ganhando peso, apesar de já ser um homem gordo. Ele quer ter o mesmo tipo de físico do ídolo na ocasião de sua morte. A partir daí sua fantasia é cada vez mais intensa, ao ponto de começar a chamar a mãe de sua filha de Priscila.

A única ressalva que se faz nesse jogo é a redundância sobre a idade em que Elvis morreu. Quando chega aos Estados Unidos, Carlos celebra seus 42 anos sozinho em um restaurante. Poucas cenas depois, quando está a caminho de Graceland, um vídeo no ônibus anuncia que Elvis faleceu também aos 42 anos. Tal informação poderia ser omitida e deixada para que o público a conferisse após a sessão, se assim desejasse.

Apesar desse exagero pontual, O Último Elvis é uma bela e triste história de devoção, com um teor psicológico interessante.

O Último Elvis (El último Elvis)
Direção: Armando Bo
Roteiro: Armando Bo, Nicolás Giacobone
Elenco: John McInerny, Griselda Siciliani, Margarita Lopez
Duração: 91 minutos
País: Argentina

Nota: 8

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


De Coração Aberto

Um casal de médicos planeja morar na América do Sul, mas complicações se apresentam. Ele (Édgar Ramírez, de Fúria de Titãs 2) é afastado do trabalho por causa do alcoolismo e ela (Juliette Binoche, de Cosmópolis) é proibida de realizar viagens por causa da gravidez. A estadia forçada na França não faz bem.

O filme reúne atuações inspiradas, mas o roteiro não colabora. Na busca por uma autenticidade maior, os personagens são tão falhos que se perde o carisma. Alguns espectadores não serão capazes de torcer por eles.

LEIA MAIS:
Coluna: Édgar Ramírez e outros atores poliglotas (SaraivaConteúdo) - em breve

De Coração Aberto (À coeur ouvert)
Roteiro e Direção: Marion Laine
Elenco: Juliette Binoche , Édgar Ramírez, Hippolyte Girardot, Amandine Dewasmes, Aurélia Petit, Bernard Verley
Duração: 87 minutos
País: França. Argentina

Nota: 4


A Hora mais Escura

Maya (Jessica Chastain, de Os Infratores) é uma agente da CIA que trabalha no Oriente Médio. Sua missão é coordenar as investigações para descobrir o paradeiro de Osama Bin Laden.

Muitas qualidades que a dupla formada pela diretora Kathryn Bigelow e pelo roteirista Mark Boal apresentou em Guerra ao Terror estão de volta no novo título. Infelizmente a crítica social foi substituída por um sentimento patriótico de vingança que esvazia a questão.

LEIA MAIS:
Texto comparativo com Guerra ao Terror (SaraivaConteúdo)

A Hora mais Escura (Zero Dark Thirty)
Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro: Mark Boal
Elenco: Jessica Chastain, Jason Clarke, Kyle Chandler, Jennifer Ehle, Harold Perrineau, Jeremy Strong
Duração: 157 minutos
País: EUA

Nota: 5


As Sessões

Mark (John Hawkes, de Lincoln) é um deficiente físico preocupado com o fato de ser um virgem de 38 anos. Para resolver a situação, resolve consultar uma terapeuta especial (Helen Hunt, de Quando Me Apaixono), que fará exercícios sexuais com ele.

Pela razão do conteúdo da história, o filme traz cenas de nudez, mas sem apelação, apenas em nome da sinceridade dramática. Eis um exemplo que o cinema brasileiro poderia usar de inspiração nessa época em que muito se fala e nada se mostra ou discute quando o assunto é sexo.

LEIA MAIS:
Perfil: Helen Hunt da TV para o cinema

As Sessões (The Sessions)
Roteiro e Direção: Ben Lewin
Elenco: John Hawkes, Helen Hunt, William H. Macy, Moon Bloodgood, Annika Marks, Adam Arkin
Duração: 95 minutos
País: EUA

Nota: 8

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Estreias da Semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


As Aventuras de Pi

Depois de passado o frenesi pelo 3D causado pelo sucesso de Avatar, podemos finalmente ver filmes que usam essa tecnologia para ajudar na narrativa. O mais novo cineasta de renome a tentar a sorte na estereoscopia é Ang Lee (Aconteceu em Woodstock). O resultado é muito positivo com um show de belas imagens.

O filme narra a incrível jornada de um jovem indiano (Suraj Sharma) que sobreviveu a um naufrágio. Ele fica preso em um bote salva-vidas com um tigre de Bengala.

As Aventuras de Pi (Life of Pi)
Direção: Ang Lee
Roteiro: David Magee
Elenco: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Tabu, Rafe Spall
Duração: 127 minutos
País: EUA, China

Nota: 8

A Filha do Pai

Uma garota engravida do herdeiro de uma família rica. O pai dela acha a situação vergonhosa. Os pais dele não querem aceitar o relacionamento de seu filho com uma moça de origem pobe.

LEIA MAIS:
Mini-crítica do filme, durante o Festival Varilux de Cinema Francês
Visão Estrangeira: Atriz fala sobre seu filme brasileiro favorito (BRCine)

O Impossível

A história real de uma família inglesa que sobreviveu ao tsunami de 2004 é contada de forma pujante. A mãe ferida e o filho mais velho se alojam em um hospital, enquanto o pai e os dois filhos menores ficam nos escombros do hotel em que eles estavam. Cada grupo não sabe da situação do outro e a família teme que não conseguirá mais se juntar.

LEIA MAIS:
Crítica comparativa com A Negociação

A Negociação

Um executivo de respeito quer vender seus negócios para um banco. Para isso, frauda balanços para esconder a real situação financeira das empresas. Suas mentiras não ficam apenas no campo profissional, já que ele mantém uma amante e está envolvido em uma investigação criminal.

LEIA MAIS:
Crítica comparativa com O Impossível


Viúvas

O marido de Elena (Graciela Borges, de Dois Irmãos) morre enquanto estava na companhia de Adela (Valeria Bertuccelli, de Um Namorado para Minha Esposa). Em seu leito de morte, ele pede que a esposa cuide da jovem amante.

Com essa premissa inusitada, o filme argentino ganha ares de cinema francês. Infelizmente o potencial dramático da situação não é explorado com a força que se espera. Há bons momentos, obtidos pelo talento da dupla de atrizes.

Viúvas (Viudas)
Direção: Marcos Carnevale
Roteiro: Marcos Carnevale, Bernarda Pagés
Elenco: Graciela Borges, Valeria Bertuccelli, Rita Cortese, Martín Bossi
Duração: 100 minutos
País: Argentina

Nota: 5

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Estreias da Semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Bullying

Documentário sobre crianças e adolescentes que são torturados psicologicamente na escola nos Estados Unidos. O filme mostra diversos personagens que são incomodados por seus colegas por motivos variados (diferenças físicas ou orientação sexual, por exemplo). O que motiva a produção são casos de jovens que se suicidaram por causa da pressão.

A fita mostra a apatia das autoridades escolares e a mentalidade estadunidense que oprime as pessoas consideradas diferentes. Prova disso é o desempenho pífio que os atletas paraolímpicos dos Estados Unidos têm em comparação com os competidores tradicionais. Infelizmente não há na fita qualquer menção aos massacres realizados por garotos oprimidos, como em Colombine.

Bullying (Bully)
Direção: Lee Hirsch
Roteiro: Lee Hirsch, Cynthia Lowen
Elenco: -documentário-
Duração: 98 minutos
País: EUA

Nota: 7

A Escolha Perfeita

Beca (Anna Kendrick, de O Que Esperar quando Você Está Esperando) chega à universidade a contragosto. O sonho dela é ser produtora musical e a faculdade é vista apenas como um obstáculo. Por causa de um pacto com seu pai, ela entra em um grupo de cantoras à capela. É por causa da competição musical que começa o envolvimento romântico de Beca com Jesse (Skylar Astin, de Aconteceu em Woodstock), cantor de um grupo rival.

O musical tem momentos cômicos engraçadinhos, mas o começo do enredo traz valores questionáveis. A protagonista quer abandonar os estudos e reprova canções antigas. Felizmente essas falhas de caráter fazem parte da transformação no desenvolver do roteiro.

A Escolha Perfeita (Pitch Perfect)
Direção: Jason Moore
Roteiro: Kay Cannon
Elenco: Anna Kendrick, Skylar Astin, Ben Platt, Brittany Snow, Anna Camp, Rebel Wilson, Alexis Knapp, Ester Dean, Hana Mae Lee
Duração: 112 minutos
País: EUA

Nota: 5

Infância Clandestina

Um garoto volta à Argentina de forma ilegal durante a ditadura. Seus pais continuam na luta contra o regime totalitário.

O filme consegue explorar o ponto de vista do garoto sobre o tema, como O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. O problema está no desfecho, que não combina tanto com o restante da fita. Há no roteiro um grande compromisso com a história real, o que complica do lado dramático.

LEIA MAIS:
Entrevista com Benjamín Ávila e Marcelo Müller (SaraivaConteúdo)
Visão Estrangeira: Benjamín Ávila: Dona Flor e Seus Dois Maridos (BRCine)

Infância Clandestina (Infancia Clandestina)
Direção: Benjamín Ávila
Roteiro: Benjamín Ávila, Marcelo Müller
Elenco: Natalia Oreiro, Ernesto Alterio, César Troncoso, Cristina Banegas, Teo Gutiérrez Romero
Duração: 112 minutos
País: Argentina, Espanha, Brasil

Nota: 8

Infância Clandestina foi visto no Festival do Rio 2011.

Na Terra do Amor e do Ódio

Angelina Jolie estreia na direção de longa de ficção com a história de amor entre um militar sérvio e uma artista bósnia quando estoura a Guerra da Ioguslávia. O resultado dessa relação – e do filme – é desastroso.

LEIA MAIS:
Crítica do filme

A Sombra do Inimigo

Um detetive terá o maior desafio de sua carreira: a caçada a um sádico assassino em série. A história de perseguição é boa, mas as falas do filme são forçadas.

LEIA MAIS:
Crítica comparativa com A Última Casa da Rua


Sudoeste

O filme se passa em uma vila isolada onde o tempo parece ter parado, exceto para Clarissa. Em apenas um dia, ela passa de uma garota (Raquel Bonfante, de Chico Xavier), para uma mulher formada (Simone Spoladore, de Luz nas Trevas) e termina como uma idosa (Regina Bastos, de Cafundó).

Aparentemente a fotografia em preto e branco, a história fantástica e a janela de enquadramento ampliada (3.66 : 1) não são suficientes para a produção conseguir ser cult. Para ganhar o status sonhado, todos os diálogos contêm pausas desnecessárias entre as falas. Essa manobra conquista alguns corações, mas para mim parece só prepotência.

Direção: Eduardo Nunes
Roteiro: Guilherme Sarmiento, Eduardo Nunes
Elenco: Simone Spoladore, Raquel Bonfante, Julio Adrião, Dira Paes, Mariana Lima, Everaldo Pontes, Victor Navega Motta, Regina Bastos
Duração: 128 minutos
País: Brasil

Nota: 5

Sudoeste foi visto no Festival do Rio 2011.

A Última Casa da Rua

Elissa se muda para um novo lar e seu vizinho é o único sobrevivente de um massacre ocorrido na casa ao lado. Se algum dos dois fosse um pouco mais inteligente, o filme não existiria.

LEIA MAIS:
Crítica comparativa com A Sombra no Inimigo

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Ermo: Terror com discurso

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Antes da sessão de O Ermo (El páramo) no Festival de Cinema Latino-Americano, o diretor Jaime Osorio Marquez subiu ao palco do Memorial da América Latina para apresentar seu trabalho aos presentes. “Os filmes de terror são feitos para gerar uma sensação: o medo”, disse. “Quis fazer nesse filme que o público tivesse uma sensação visceral”.

O objetivo do cineasta foi alcançado com louvor. A fita acompanha um grupo de militares que retoma uma base abandonada. No local, há apenas cadáveres e sangue. Não se sabe ao certo o que causou a morte dos antigos ocupantes do local. Eles podem ter matado uns aos outros, serem vítimas de guerrilheiros rebeldes ou forças sobrenaturais.

O Ermo faz muito bem em não responder totalmente esse mistério. Dessa forma, mantém-se uma atmosfera de tensão e consegue passar um discurso antibelicista. “A guerra não causa emoções, apenas sensações negativas”, disse Marquez.


Muitos temem fantasmas e demônios, mas a guerra é o monstro real responsável pela morte de muitos seres humanos e a dissolução de famílias. O filme trabalha muito bem o desfoque da câmera para causar medo, mas tal opção estética pode ser encarada como parte da mensagem do roteiro. O espectador não consegue enxergar direito as cenas desfocadas da mesma forma como aqueles personagens, cansados de tanto batalhar e testemunhar atrocidades, não conseguem discernir realidade de paranoia.

Sai da sessão de O Ermo feliz de ter visto um bom filme de terror, um gênero marcado por muitos títulos de baixo nível. Todavia, devo confessar que fiquei trêmulo de tensão um bom tempo depois de terminada a projeção.


O Ermo (El páramo)
Direção: Jaime Osorio Marquez
Roteiro: Jaime Osorio Marquez, Diego Vivanco
Elenco: Juan David Restrepo, Andrés Castañeda, Daniela Catz, Mateo Stevel, Alejandro Aguilar, Mauricio Navas, Juan Pablo Barragan, Nelson Camayo, Julio César Valencia, Andres Torres
Duração: 100 minutos
País: Colômbia, Argentina, Espanha

Nota: 8

terça-feira, 17 de julho de 2012

As Más Intenções: Psicologia infantil

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Em muitos aspectos, As Más Intenções (Las malas intenciones) se parece com O Labirinto do Fauno (2006). Em ambos há como protagonista uma menina imaginativa cuja mãe está grávida do padastro. O ambiente social hostil faz as garotas usarem a imaginação como válvula de escape.

As Más Intenções se passa no Peru de 1982, em meio a uma revolta socialista e clima de terrorismo. Cayetana (Fatima Buntinx) não reage muito bem à notícia de que sua mãe (Katerina D'Onofrio) está grávida e se convence de que morrerá quando seu irmão nascer. Movida pelo ciúmes, ela toma atitudes reprováveis, mas consegue garantir a simpatia do público por causa do talento da jovem atriz que a interpreta.


É correto afirmar que Cayetana é uma personagem mais complexa do que Ofelia, apesar de O Labirinto do Fauno ser um filme superior. A mistura de maturidade e inocência de Cayetana gera as melhores cenas e diálogos de As Más Intenções.

Enquanto Ofelia coleciona livros de contos de fada, Cayetana é mais interessada pela história da Améria do Sul. Por essa razão, seus delírios são com personagens históricos no lugar de criaturas mágicas. Por ser mais racional, suas fantasias são mais psicológica e questionadoras.

O filme abraça esse viés psicológico de sua protagonista com inteligência. Assim, muitas vezes a passagem entre cenas é abrupta e tem-se a impressão de que o foco narrativo se perdeu. No entanto, tal qual a fluidez do raciocínio humano, logo são construídas pontes entre elementos aparentemente desconexos e o filme avança em um ritmo único.


As Más Intenções (Las malas intenciones)
Roteiro e Direção: Rosario Garcia-Montero
Elenco: Fatima Buntinx, Katerina D'Onofrio, Melchor Gorrochátegui, Kani Hart, Jean-Paul Strauss, Paul Vega
Duração: 110 minutos
País: Peru, Argentina, Alemanha

Nota: 7

As Más Intenções foi visto no Festival Latino 2012.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Festival Latino: Escolas de cinema

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)

Acompanhe a cobertura completa do Festival de Cinema Latino-Americano aqui.

Que Viva a Água

O curta consegue lidar bem com a questão existencial que está em seu cerne. Uma professora descobre ter uma doença terminal, mas vai ao trabalho normalmente. Lá, uma colega está deprimida porque uma celebridade está no hospital. Com andamento na medida certa, o filme não força nas comparações.

Que Viva a Água (Que viva el agua)
Direção: Cecilia Kang
Roteiro: Virginia Roffo
Elenco: ?
Duração: 15 minutos
País: Argentina

Nota: 6


A Ponte

A impressão que fica é que foco da animação está em mostrar sua técnica antes de contar a história sobre um casal de vizinhos. Eles se comunicam pelas janelas de seu apartamento até que algo proíbe a conversa. Cada plano é pensado para dar chance para que o talento dos animadores seja apresentado.

A Ponte (El Puente)
Roteiro e Direção: Agostina Ravazzola
Elenco: -animação-
Duração: 8 minutos
País: Argentina

Nota: 4


Do Lado de Fora

O garoto Plínio ganha um boneco que se transforma em um menino. O teor fantástico não é suficiente para que o público acredite que o protagonista mora com sua avó. A atriz que aparentemente a interpreta é jovem demais para o papel. Se ela for a empregada e avó está fora de cena, o roteiro foi falho ao não deixar isso claro.

Roteiro e Direção: Matheus Peçanha, Paulo Vinícius Luciano
Elenco: Paulo Henrique de Oliveira, Emmanuel Corrêa e Castro, Andréa do Valle
Duração: 19 minutos
País: Brasil

Nota: 5

O Menino e o Mar

A história de uma garoto que foge de casa para conhecer o mar mistura ternura com assuntos sérios. Por outro lado, nada justifica um ritmo tão arrastado para o filme. As animações nos créditos e a trilha musical são pontos elogiáveis.

O Menino e o Mar (El Niño y el Mar)
Direção: Patricia Soledad Asses
Roteiro: ?
Elenco: ?
Duração: 18 minutos
País: Argentina

Nota: 4


Não Peça a Deus

O thriller de ação tem seus méritos na direção de câmera. Infelizmente o trabalho de edição de som traz falhas primárias. O enredo é sobre um homem misterioso que exerce poder sobre outras pessoas, por meio da violência. Os atores têm momentos irregulares, mas há um toque de mistério na história que mantém o espectador interessado.

Roteiro e Direção: Fernando Dalberto
Elenco: Esio Magalhães, Alexandre Caetano, Verônica Fabrini, Eduardo Osorio, Gustavo Valezi
Duração: 12 minutos
País: Brasil

Nota: 5


Da Origem

Mais uma vez o experimentalismo fica a frente da narrativa, mas infelizmente não há competência técnica suficiente para validar a empreitada. O curta sobre o cotidiano de homens pré-históricos não convence no aspecto visual, principalmente no figurino e na maquiagem que parecem saídos dos palcos do teatro.

Roteiro e Direção: Fábio Baldo
Elenco: Fernando Galdino, Will Santana, Clayton Marques, Daniel Torres, Cícero Torres, Renato Izepp
Duração: 19 minutos
País: Brasil

Nota: 3

Da Origem foi visto no Festival Lume 2012.


Quando o Céu Desce ao Chão

A produção prima em mostrar a rotina urbana de Sofia, uma cozinheira aspirante a atriz. Ela está prestes a ir morar com o namorado, mas surge confusão em sua cabeça. A direção tem grande potencial, mas há sinais de prepotência – o curta é em preto e branco sem qualquer justificativa que não seja afetação, por exemplo. Nas mãos de um produtor de pulso firme, o futuro promete.

Direção: Marcos Yoshi
Roteiro: Marcos Yoshi, Tom Butcher
Elenco: Sofia Botelho, Gabriel Bodstein, Rafael Losso, Adão Filho
Duração: 17 minutos
País: Brasil

Nota: 7

O Baile de Três Cochonilhas

O filme mexicano mantém o equilíbrio entre uma proposta estética que dá espaço para o talento sem se esquecer de apresentar uma premissa interessantes. É necessário algum tempo para entender o enredo e a narrativa não é entregue de forma didática. O público é convidado a usar sua inteligência.

O Baile de Três Cochonilhas (El Baile de Tres Cochinillas)
Roteiro e Direção: Esteban Arrangoiz
Elenco: ?
Duração: 11 minutos
País: México

Nota: 8

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Moacir X Oma: A ética e o objeto

por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Quando um documentário tem como objeto de estudo um ser humano, é preciso um cuidado especial na forma como tratar seu protagonista. Antes de se cogitar a imparcialidade, faz-se necessário refletir sobre a ética.

O cineasta argentino Tomás Lipgot conheceu o brasileiro Moacir durante o processo de realização do documentário Fortalezas (2010). Na ocasião, o imigrante estava internado em um hospital para doentes mentais. Tomás percebeu que a história de Moacir merecia m filme próprio.

O longa Moacir conta a vida e o sonho desse excêntrico cantor e compositor. Depois de terminado o tratamento mostrado no documentário anterior, o brasileiro vive sozinho em um minúsculo apartamento em Buenos Aires. Ele começa a se reunir com o produtor musical Sergio Pangaro para gravar seu primeiro CD, com canções clássicas e composições próprias.

 
Durante o processo, o espectador vê a personalidade do artista, com quem nem sempre é fácil de se conviver. Moacir faz questão de manter algum controle sobre o CD e até sobre o documentário.

O questionamento ético ocorre porque Moacir é mais um personagem curioso, a começar pelo figurino que inclui uma coleção de percas, do que um talento não-revelado. Ele se entrega ao filme, mas claramente não terá o sucesso e a fama plenos. Por outro lado, talvez esse gostinho do sonho que o documentário lhe proporciona seja mais benéfico do que prejudicial para o psicológico dele.


O curta-metragem Oma escancara a intimidade família de seu realizador, além de trazer a questão da fragilidade mental de sua protagonista. O diretor Michael Wahrmann (Avós) leva sua câmera toda vez que vai visitar sua avó no Uruguai. Ele registra os desencontros lingüísticos que trava com a idosa, uma vez que ela teima em falar alemão.

O filme é calcado na montagem e tem suas qualidades técnicas, mas abre-se a discussão de definir até que ponto a protagonista foi apenas explorada. No caso de Oma, tendo a ficar em cima do muro. Já com Moacir, acho mais fácil fazer a defesa ética do filme.

Moacir
Direção: Tomás Lipgot
Roteiro: Javier Zevallos
Elenco: Moacir Dos Santos, Sergio Pangaro
Duração: 75 minutos
País: Argentina

Nota: 8

Moacir foi visto no II Festival Internacional Lume de Cinema (São Luís, MA)
 
Oma
Roteiro e Direção: Michael Wahrmann
Elenco: Michael Wahrmann, Gerda Gruenwald Wahrmann, Tomas Wahrmann, Daniel Wahrmann
Duração: 22 minutos
País: Brasil

Nota: 7

Oma foi visto no Olhar de Cinema (Curitiba, PR)