quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Bolt – Supercão



Sinopse: Bolt participa de um programa de televisão onde tem superpoderes concedidos por efeitos especiais, mas ele acha que tudo é verdade. Quando, sua dona é capturada no seriado, ele consegue escapar dos estúdios para efetuar o resgate imaginário.


Ficha Técnica
Bolt – Supercão (Bolt)
Direção: Byron Howard, Chris Williams
Roteiro: Dan Fogelman, Chris Williams
Elenco: John Travolta, Miley Cyrus, Susie Essman, Mark Walton, Malcolm McDowell
Duração: 96 minutos


Super-Disney
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Mesmo sendo sua primeira produção pensada para ser exibida em salas 3D*, Bolt – Supercão (Bolt) não deixa de lado algumas características bem marcantes dos filme da Disney. Um desses elementos que garantem o sucesso das animações são os personagens carismáticos em todos os níveis. Desde os protagonistas até os pombos que só estão em pouquíssimas cenas, os animais que aparecem na tela trazem alguma coisa que faz com que o público se interesse por eles. Seja uma voz engraçada, uma mania ou um visual interessante, nenhum personagem passa despercebido. Entre o grupo principal, quem rouba a cena é Rhino, um ramster nerd que é o fã número 1 de Bolt. Suas falas e seu entusiasmo são a fonte de muitas risadas.

Para quem for a uma sala 3D, será inevitável assistir à versão dublada. O trabalho de adaptação está bem feito, mas infelizmente celebridades foram convidadas para roubar o emprego de dubladores profissionais. O desempenho desses comediantes – nas vozes de Rhino e da gata Mittens – é até aceitável, mas seria melhor se fosse permitido que profissionais especialistas fizessem seu trabalho. Portanto, as vozes que foram usadas no trailer não são as mesmas que serão ouvidas no filme.

Outra característica Disney são as mensagens positivas inseridas no roteiro. Apesar de algumas cenas dramáticas, essas mensagens são passadas organicamente, sem forçar a barra. Quem for avesso a essa mania Disney, só sentirá um pouco de incômodo no tema musical que acompanha a montagem de passagem de tempo do meio do filme.

Depois de muitos anos ladeira abaixo, a Disney parecia que estava voltando ao grau de qualidade que seus fãs sempre esperaram ao criar A Família do Futuro. Bolt – Supercão serve para mostrar que a produtora achou o caminho para o coração de seus apreciadores.

* Chicken Little e A Família do Futuro foram exibidos em salas 3D, mas tiveram de ser modificadas na pós-produção para criar o efeito.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Os Homens que não Amavam as Mulheres



Sinopse: Mikael Blomkvist é um jornalista condenado por uma reportagem difamatória que publicou na Millenium, revista da qual é editor-chefe. Para mudar de ares, aceita uma oferta de Henrik Vanger, um empresário idoso obcecado com o desaparecimento da sobrinha Harriet quase 40 anos antes.


Ficha Técnica
Os Homens que não Amavam as Mulheres (Män som hatar kvinnor)
Autor: Stieg Larsson
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 522


Mistério de quarto, ops, ilha fechada
 por Bia Nunes de Sousa

(Spoilerômetro: )

Os Homens que não Amavam as Mulheres (Män som hatar kvinnor) chegou ao Brasil precedido por diversos artigos de jornal que contavam a história do autor, o sueco Stieg Larsson. Jornalista e fundador de revista – dados biográficos que se refletem no personagem principal Mikael –, Larsson morreu em 2004, aos 50 anos, pouco depois de concluir a trilogia Millenium, da qual este livro é o primeiro volume. Sucesso de vendas e crítica na Europa, Larsson foi saudado como aquele que resgatou o “mistério de quarto fechado” da obscuridade em que o tema repousava desde o final dos anos 1970.

Para aqueles não tão familiarizados com a teoria da literatura policial, cabe esclarecer que o “mistério de quarto fechado” é aquele em que o crime ocorre dentro de um ambiente controlado, a que poucas pessoas têm acesso, e cujos suspeitos são personagens ativos durante todo o desenrolar da trama. O exemplo clássico desse tipo de enredo é Assassinato no Expresso Oriente, de Agatha Christie. A escritora inglesa criou a história de um homem assassinado dentro de uma cabine de trem e, por circunstâncias diversas e muito bem explicadas, somente 13 ou 15 pessoas poderiam ter cometido o crime. É em torno desse grupo de passageiros que a história gira e todos recebem sua cota de atenção e importância dentro do enredo.

Em Os Homens que Não Amavam as Mulheres não é diferente, embora as dimensões sejam maiores, pelo menos geograficamente. O mistério que Mikael é contratado para investigar ocorreu 37 anos antes em uma ilha minúscula, onde a maioria dos habitantes ou é parente da garota desaparecida ou trabalha para as empresas da família dela. O cenário é construído pelo autor de forma que o número de suspeitos é limitado e a identidade e personalidade de todos os envolvidos são conhecidas.

A história, narrada em terceira pessoa, se ocupa principalmente do ponto de vista de Mikael, o jornalista em crise profissional. Em alguns trechos, porém, mostra o que acontece com Lisbeth Salander, pesquisadora excepcional quando o assunto é investigar a vida alheia. Alternando o foco entre um e outro, o livro faz os caminhos dos dois personagens se tangenciarem durante boa parte da leitura. Quando finalmente se cruzam, o livro atinge o auge e mantém um bom ritmo, mantendo a atenção e o interesse do leitor até a página final.

Mikael, Lisbeth e todos os demais personagens são construídos, se não com riqueza de detalhes, com características marcantes o suficiente para o leitor traçar um retrato de cada membro da família Vanger como se o fizesse com os membros de sua própria família. Alguns recursos gráficos, como a árvore genealógica dos Vanger e um mapa da ilha de Hedebyön, onde se passa a maior parte do livro, evitam que o leitor se perca ou se confunda.

O enredo é bastante interessante e vai agradar a leitores assíduos de livros policiais. Há várias referencias à literatura policial. Mikael é leitor de romances de mistério e suspense e autores como Val McDermid são citados como opções de leitura do personagem.

Durante a narrativa, diversos fatos são apresentados durante a investigação de Mikael. O leitor não sabe ainda em quais deve deter a atenção, mas o desenvolvimento do livro tem o grande mérito de recuperá-los todos com coerência e uni-los no final de forma a surpreender o leitor.

O desfecho e o desvendar do mistério, parte importantíssima em um livro que se pretende policial, não são totalmente inesperados – é possível que alguns leitores desconfiem de parte da solução do caso –, mas a forma com que Larsson consegue atar todas as pontas e dar um destino para os personagens é honesta, digna e ainda deixa um gancho que conquista o leitor. Quando chegamos à última linha, fechamos o livro com a esperança de que o segundo volume não tarde a ser publicado.


Dudenet: Leia a resenha do filme inspirado nesse livro clicando aqui.


Dudeshop:
• Livro Os Homens que não Amavam as Mulheres: Coleção Millenium – Volume 1, de Stieg Larsson (Ed. Companhia das Letras)
• Livro A Menina que Brincava com Fogo: Coleção Millenium – Volume 2, de Stieg Larsson (Ed. Companhia das Letras)
• Livro A Rainha do Castelo de Ar: Coleção Millenium – Volume 3, de Stieg Larsson (Ed. Companhia das Letras)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Coração de Tinta



Sinopse: Meggie descobre que seu pai tem o poder de trazer personagens fictícios para o mundo real, ao ler qualquer livro em voz alta. Os dois contarão com a ajuda de um herói para evitar que um vilão que foi libertado domine o mundo.


Ficha Técnica
Coração de Tinta (Inkheart)
Direção: Iain Softley
Roteiro: David Lindsay-Abaire
Elenco: Brendan Fraser, Sienna Guillory, Eliza Bennett, Paul Bettany, Helen Mirren
Duração: 106 minutos


Cortes profundos... apenas na edição
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

O roteiro de Coração de Tinta (Inkheart), adaptado de um romance juvenil, traz uma ideia muito interessante que abre espaço para que referências a muitos clássicos da literatura sejam introduzidas na história. Para os amantes de livros a boa notícia é que tais alusões estão em várias passagens do filme, especialmente a O Mágico de Oz.

Outro elogio a ser feito ao roteiro assinado por David Lindsay-Abaire (Robôs) é em não menosprezar a inteligência do espectador nesse aspecto: quando há uma referência a Camelot ou a Dom Quixote ela não é anunciada aos quatro ventos com uma fala mal encaixada ou didática. Quem conhece os originais vai entender e criar um diálogo com a fita e quem não conhece não se sentirá deslocado.

Seguindo a mesma linha de raciocínio do livro, a produção é voltada ao público juvenil. Portanto, como acontece com a franquia Crônicas de Nárnia, a violência das batalhas é bem diluída. Não há uma gota de sangue derramada.

Um problema sério na parte técnica está na área de edição de imagens. O experiente montador Martin Walsh (V de Vingança) corta algumas cenas a machadadas, mudando abruptamente de uma seqüência para a seguinte e não deixando que a ação acabe para efetuar o corte. O espectador pode ter alguns sobressaltos por causa dessa falha, que deve ter sido cometida para que a duração não fosse excessiva.

Tirando alguns aspectos negativos, Coração de Tinta poderá divertir o público para o qual é dirigido, mas pode ser uma experiência um tanto estafante para os demais. Mesmo assim, é altamente recomendável não assistir ao trailer se o leitor tiver aversão a spoilers.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Gomorra



Sinopse: A máfia napolitana é vista de vários pontos de vistas, contando a história de pessoas envolvidas com ela nos mais variados níveis.


Ficha Técnica
Gomorra
Direção: Matteo Garrone
Roteiro: Maurizio Braucci, Ugo Chiti, Gianni Di Gregorio, Matteo Garrone, Massimo Gaudioso, Roberto Saviano
Elenco: Salvatore Abruzzese, Simone Sacchettino, Salvatore Ruocco, Vincenzo Fabricino
Duração: 137 minutos


A máfia volta para casa
  por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

O primeiro assunto em pauta quando se fala de Gomorra é a represália sofrida pelo autor do livro no qual se baseou o roteiro. Com sua morte prometida pelos mafiosos, o escritor Roberto Saviano vive sob constante proteção policial em localização confidencial. O tamanho da ofensa sentida pelos próprios criminosos pode ser encarado com um selo de autenticidade concedido à obra de Saviano.

O filme mostra os longos braços do crime organizado italiano. Além dos diversos crimes em que estão envolvidos os mafiosos, várias outras questões são mostradas: o recrutamento de novos membros, a atuação social da organização e os rebeldes que tentam remar contra a maré.

Para que todos esses assuntos caibam em um único filme, foram utilizadas tramas paralelas. Infelizmente Gomorra caiu na principal armadilha criada por produções que fazem tal opção. Com algumas histórias mais interessantes do que outras, o espectador pode se ver em diversos momentos desinteressado dos conflitos que estão na tela e frustrado por não saber o que acontece com os personagens que têm um maior apelo.

Quando se pensa em máfia no cinema, a franquia O Poderoso Chefão é sempre usada como referência. A boa notícia para fãs do clássico concebido por Mario Puzo é que a violência gritante e crua que se experimentou no filme da década de 70 pode ser novamente apreciada quando os próprios italianos resolvem contar seu lado criminoso.

Crepúsculo




Sinopse: Bella decide mudar-se para a pequena cidade de Forks, para morar com seu pai. Quando ela chega em sua nova escola, apaixona-se por Edward. Ela descobre que seu novo amor é, na verdade, um vampiro.


Ficha Técnica
Crepúsculo (Twilight)
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: Melissa Rosenberg
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Billy Burke, Ashley Greene
Duração: 122 minutos


O cordeiro se apaixona pelo leão
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

O filme Crepúsculo (Twilight) é totalmente pensado para agradar a dois grupos de pessoas. Além daqueles que leram o livro que originou o roteiro, o filme poderá angariar novas leitoras para a série de livros, já que também cai no gosto das adolescentes que ainda não conhecem a obra literária.

Além do tema de amor impossível que já é conhecido por derreter os corações das moças, há mais elementos para esse público. As canções da trilha musical são executadas por grupos bem populares, como Paramore e Linking Park. O protagonista, escolhido entre milhares de candidatos, é bonitão e ainda por cima canta duas músicas da trilha.

Tecnicamente, o destaque positivo fica para a bela direção de fotografia que soube aproveitar todas as oportunidades que uma história de vampiros cria para essa área. Por outro lado, o maior problema de Crepúsculo são os efeitos visuais mal executados – que podem ser lidos como mais uma forma de não se preocupar em agradar os garotos.

Finalmente, o que agrega mais qualidades para o filme é o acerto na relação entre o casal de apaixonados, o núcleo e a parte mais importante do enredo. A tensão entre os personagens vai além da esfera do sexual; ele sente o desejo pelo sangue, enquanto ela se fascina pelo proibido e misterioso que há em volta de Edward. Tal tensão é muito bem apresentada e causa uma corredeira de emoções na platéia.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Appaloosa – Uma Cidade sem Lei




Sinopse: A cidade de Appaloosa não consegue ter paz enquanto Randall Bragg e seu bando cometem crimes e continuam impunes. Alguns habitantes decidem contratar Virgil Cole e Everett Hitch para garantir que a lei seja cumprida.


Ficha Técnica
Appaloosa – Uma Cidade sem Lei (Appaloosa)
Direção: Ed Harris
Roteiro: Robert Knott, Ed Harris
Elenco: Ed Harris, Viggo Mortensen, Jeremy Irons, Renée Zellweger
Duração: 114 minutos

Faroeste com coração
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

O que mais chama a atenção em Appaloosa – Uma Cidade sem Lei (Appaloosa) é o alto grau de aprofundamento psicológico que o roteiro permite que se obtenha. Esse traço é muito incomum em outros faroestes, mas a força dramática dos personagens garante que haja mais do que pólvora na tela.

Os fãs de um bom bang bang não precisam se preocupar, já que elementos que caem no gosto desse grupo também estão presentes no filme. As cenas de tiroteio são boas e podem parecer rápidas demais, mas aparentemente essa opção torna tais seqüências mais realistas – afinal esses embates deveriam durar realmente pouco tempo.

Outro ingrediente para a deliciosa receita da produção é o bom humor, com piadas que agradarão quem é acostumado ao faroeste e também quem procura por um roteiro com um pouco mais de texto.

A relação entre os dois pistoleiros contratados para apaziguar a cidadela é o núcleo do enredo. Apesar de todos os holofotes estarem direcionados na figura de Virgil Cole, o gênio da dupla é Hitch – da mesma forma como alguns acreditam que Dr. Watson seja mais inteligente do que Sherlock Holmes.

Além de diálogos bem escritos, a interação desses dois homens marcantes só funciona por causa de ótimos intérpretes: Ed Harris (A Lenda do Tesouro Perdido 2) e Viggo Mortensen (Senhores do Crime).

Sabendo administrar fatores típicos ao gênero com uma profundidade mais acentuada para acalmar os nervos de quem não é muito íntimo ao universo do Velho Oeste, Appaloosa atinge um resultado mais universal e muito satisfatório.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Terra Vermelha



Sinopse: Nádio é o cacique de uma tribo localizada em uma reserva que não tem estrutura para sustentar a todos. Os índios decidem mudar de lugar, indo acampar em um solo sagrado. O problema é que este solo sagrado fica ao lado de uma fazenda.


Ficha Técnica
Terra Vermelha (BirdWatchers - La Terra Degli Uomini Rossi)
Direção: Marco Bechis
Roteiro: Marco Bechis, Luiz Bolognesi
Elenco: Claudio Santamaria, Alicélia Batista Cabreira, Chiara Caselli, Abrísio da Silva Pedro, Leonardo Medeiros
Duração: 104 minutos


Quintal desconhecido
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

A missão de Terra Vermelha (BirdWatchers - La Terra Degli Uomini Rossi) é mostrar traços da realidade indígena no Brasil que são desconhecidos até para os próprios brasileiros. O primeiro fato é a alta taxa de suicídio entre os nativos e esse triste acontecimento é apresentado logo no início do filme, para já demonstrar a força que será marcante em toda a sua duração.

Para aliviar um pouco o tom, o andamento é lento e pode desagradar quem precisa de velocidade para apreciar cinema. O desenvolvimento das tramas que seguem paralelamente é bem devagar, com os personagens lentamente se relacionando. Com isso, não há como se confundir com as diversas histórias a serem narradas para mostrar um retrato interessante da questão indígena.

Por ser uma produção ítalo-brasileira, provavelmente foi mais fácil não tomar partido. O preconceito que os índios sofrem e o alcoolismo são mostrados, mas o povo não é idolatrado como heróis, fugindo da tendência inaugurada pelos escritores românticos. Por outro lado, o fazendeiro não é um homem cruel e ganancioso que quer passar sobre os índios para conseguir seus objetivos. Assim, o filme consegue instruir sem doutrinar.

Tecnicamente impecável, vale destacar a música composta por Andrea Guerra (À Porcura da Felicidade) com tempero de cânticos religiosos, remontando à época colonial dos jesuítas, onde toda a problemática teve origem. A cenografia de João Bueno (Carandiru) contribui para a realidade buscada pelo longa.

A mistura de atores não-profissionais com nomes de talento, como Leonardo Medeiros (Nossa Vida não Cabe num Opala) e Matheus Nachtergaele (Baixio das Bestas), é um desafio totalmente superado por Terra Vermelha. Com isso, tem-se um título sólido que merece ser apreciado e discutido.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Romance



Sinopse: Pedro é um autor, produtor e intérprete de teatro montando a peça Tristão e Isolda. Durante os testes, ele conhece Ana e ao lado dela dividirá o palco e uma tórrida relação amorosa. Quando ela é convidada para estrelar em telenovelas, o ciúme atrapalha o namoro.

 
Ficha Técnica
Romance
Direção: Guel Arraes
Roteiro: Guel Arraes, Jorge Furtado
Elenco: Wagner Moura, Letícia Sabatella, Vladimir Brichta, Andréa Beltrão, José Wilker
Duração: 105 minutos
 
 
Receita de bom gosto
 por Edu Fernandes
 
(Spoilerômetro: )
 
Quando Guel Arraes resolve apresentar alguma obra cinematográfica é quase certo que o resultado será um blockbuster – não importa que seja um repeteco reeditado do que já foi transmitido pela TV, como O Auto da Compadecida (2000). Em Romance, o cineasta mostra mais uma vez ser conhecedor do que atrai o grande público. Seu maior mérito está em agradar às massas sem ferir os sentimentos dos cinéfilos mais exigentes.

Guel acerta em chamar novamente para ajudá-lo no roteiro o agradável Jorge Furtado (Saneamento Básico). A agilidade do humor de Furtado poderá ser percebida em quase todas as cenas do filme, com destaque para o timing cômico de Andréa Beltrão (A Grande Família). As piadas não são chulas e conseguem captar a essência dos sentimentos em questão. Quem tiver qualquer tipo de vivência com o meio artístico terá o fator da identificação de situações para tornar a experiência ainda mais engraçada.

Com um título desse, o lado romântico do filme tem de ser discutido. As cenas de sexo são muito bem dirigidas e retratam com autenticidade o desejo daqueles dois personagens. Com ares shakespearianos permeando o enredo, a força do sentimento precisa ter tal magnitude para convencer e comover.

Em Romance fica provado que a parceria Arraes-Furtado é capaz de reascender a esperança de um cinema brasileiro que alie qualidade técnica e dramática e que agrade as mais diversas parcelas sociais. Os dois ensinam uma lição que merece ser apreciada: entretenimento e qualidade podem sim andar de mãos dadas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

[REC]




Sinopse: Uma jornalista e seu cameraman estão fazendo uma matéria sobre o Corpo de Bombeiros. Ao acompanhar os soldados em uma chamada que parece rotineira, eles deparam-se com uma situação terrível.


Ficha Técnica
[REC]
Direção: Jaume Balagueró, Paco Plaza
Roteiro: Jaume Balagueró, Luis Berdejo, Paco Plaza
Elenco: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Jorge Serrano, Pablo Rosso
Duração: 85 minutos


De dar medo
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Os espectadores brasileiros estão acostumados a ver filmes de terror das mais diversas procedências. Além das produções hollywoodianas, o cinema oriental está ganhando cada vez mais terreno nesse gênero. Fugindo do lugar-comun, [REC] é um longa espanhol que merece destaque. Exceto por poucas tentativas, como O Orfanato, é raro que terrores latinos ganhem expressividade internacional. Prova do sucesso alcançado é a produção de uma remake nos EUA tão pouco tempo depois de finalizado o filme espanhol.

[REC] é montado como se fosse a fita com o material bruto de uma reportagem televisiva. Portanto, pode ser classificado como um terror em primeira pessoa – seguindo os passos de A Bruxa de Blair (1999) e Cloverfield. O começo, como é de se esperar, é calmo e mostra a jornalista entrevistando os bombeiros no quartel. A tática para conseguir intimidade entre a protagonista e a platéia é inteligente: conforme Ángela conversa com o cameraman, fazendo acertos de como deve ficar a reportagem final, vê-se os bastidores da reportagem. É como se, com os segredos das gravações revelados, o público tivesse a obrigação de estabelecer uma proximidade com a repórter.

O roteiro é muito bem construído. Depois da calmaria para a apresentação dos personagens, a situação torna-se cada vez mais tensa, em uma gradação calculada com exatidão. O suspense é tão grande no desfecho que é necessário deixar um conselho ao leitor: depois de acabada a sessão do filme, é uma boa ideia permanecer na poltrona durante os créditos finais. Se você levantar-se imediatamente após a última cena, corre o risco de sentir as pernas trêmulas e terá dificuldades para descer as escadas da sala de cinema.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei





Sinopse: Documentário que conta a vida e a carreira do cantor Wilson Simonal. Seu suposto envolvimento com a ditadura militar e o ostracismo injusto que sofreu.


Ficha Técnica
Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei
Roteiro e Direção: Cláudio Manoel, Micael Langer, Calvito Leal
Elenco: -documentário-
Duração: 96 minutos


Lembrança merecida
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Poucas pessoas com menos de 40 anos sabem quem é Wilson Simonal. Como pode um nome que teve tanta importância na música brasileira ser totalmente apagado da lembrança cultural coletiva? Para responder a essa pergunta e prestar uma merecida homenagem é que foi realizado o documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei.

Para dar uma ideia para os leigos, Simonal tinha uma voz extremamente afinada e muita musicalidade no sangue. Sua presença de palco era marcante, conseguindo manipular como poucos a platéia que lotava os estádios na década de 70. Os ouvidos do espectador será premiado com as canções mais populares, do gênero cafajeste (como "Mamãe Passou Açúcar" em mim e "Nem Vem que não Tem"), e até duetos com nomes importantíssimos da música internacional. Cantando em português ou inglês Wilson mostra sua habilidade em imagens de arquivo.

Além das apresentações de Simonal nos mais diversos palcos, há depoimentos de outros artistas, dos filhos famosos, da viúva e de muitas outras pessoas que conviveram com ele. Entremeando as diversas imagens há vinhetas muito bem feitas, com animações das fotos e grafismo colorido.

Um tema delicado não poderia ser deixado de lado pelo filme: o suposto envolvimento do cantor com os militares, durante a época da ditadura. Simonal foi mais uma das vítimas desse vergonhoso período da História do Brasil. Seu único pecado foi ser inocente demais e uma perda irreparável foi sofrida pela MPB (com muita ênfase no Popular).

Se a intenção do documentário, co-dirigido pelo “casseta” Cláudio Manuel, é fomentar a criação de novos fãs para Wilson Simonal, pelo menos da minha parte, a missão está cumprida.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Orquestra dos Meninos







Sinopse: Mozart sempre foi um amante da música lírica. Ele decide criar uma orquestra formada por crianças da cidade onde mora, mas a comoção por ele gerada causará a inveja de políticos locais.


Ficha Técnica
Orquestra dos Meninos
Roteiro e Direção: Paulo Thiago
Elenco: Murilo Rosa, Priscila Fantin, Othon Bastos
Duração: 106 minutos


Famigerado
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Assistindo ao trailer de Orquestra dos Meninos é possível se esperar por um filme com fortes emoções. Baseado em uma história real, a luta de Mozart para dar uma oportunidade para os jovens é uma jornada notável. No final do trailer, quem conseguir associar o nome do diretor Paulo Thiago (O Vestido) a suas obras anteriores começará a ficar temeroso.

Pois bem, Paulo reafirma sua fama de estragar todo e qualquer tipo de história. Com uma direção preguiçosa, ele parece apoiar-se demais na história para tentar emocionar. Some o desempenho do cineasta a um roteiro mal-escrito e já se pode ter idéia do teor do longa.

A dramaturgia falha pela falta de foco. Tentando dar conta de todos os aspectos do enredo, o roteiro fica insípido. A sujeita da política brasileira, as desigualdades sociais, a história de amor entre os protagonistas... nada disso é bem explicado. Não é possível precisar, por exemplo, quando Mozart e Creuza começam seu relacionamento amoroso.

Outro deslize gritante é a falta de preocupação de ambientação cronológica. As cenas se passam no decorrer de três décadas e, entre os anos 80 e 90, não há qualquer mudança nas feições dos personagens. As crianças não crescem e Mozart exibe a mesmíssima barba no passar de dez anos!

Elogios são merecidos para a atuação de Murilo Rosa (Desejo Proibido) que expressa muito bem seu comprometimento com o papel. Por outro lado, Priscila Fantin (Sete Pecados) tem uma interpretação regular, mas sua figura – com cabelos meticulosamente desgrenhados, bronzeamento artificial e vestida com figurino “agreste chique” – destoa totalmente do restante da orquestra, composta por não-atores da região.

Por causa do tema, é imprescindível decorrer sobre a música. Esse é o aspecto mais próximo de tocar o coração da platéia. O objetivo só é alcançado se o espectador não se importar de se emocionar com clichês musicais, como "Jesus Alegria dos Homens" e "Trem Caipira".

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Eclipse

Leia a resenha do filme clicando aqui.

Sinopse: Enquanto a cidade vizinha de Seattle está sendo devastada por uma onda de violentos crimes sem solução, Bella continua na mira de Victoria, uma vampira em busca de vingança. Em meio a esse turbilhão, Bella terá de escolher entre a amizade de Jacob Black e o amor de Edward Cullen.

Ficha Técnica
Eclipse
Autor: Stephenie Meyer
Tradutor: Rita Vynagre
Editora: Intrínseca
Páginas: 464
Ano: 2009


A escolha de cada um
  por Bia Nunes de Sousa

(Spoilerômetro: indicado no texto)

Eclipse, ainda inédito no Brasil*, é o terceiro volume da série escrita por Stephenie Meyer, sequência de Crepúsculo e Lua Nova e infinitamente superior aos dois. O primeiro livro foi algo lento, com descrições excessivamente longas e detalhadas. Meyer acelerou um pouco o ritmo em Lua Nova e definitivamente atingiu o auge em Eclipse.

O tema ainda é o mesmo: o amor de Bella e Edward e todas as dificuldades que eles enfrentam por serem tão diferentes um do outro. Nesse terceiro volume, Bella tenta convencer Edward a torná-la imortal, mas o rapaz não tem a mesma certeza de que seria uma boa idéia e vai impor algumas condições para que o desejo de Bella se realize. O tema do amor imortal, do amor que tudo supera e tudo vence, se repete pelas mais de mil páginas somadas de todos os três volumes, o que testa a paciência do leitor. Mesmo assim, é neste Eclipse que os personagens se mostram menos deslumbrados e mais questionadores, mas ainda meio chorões.

Continuam as comparações entre a história de amor de Bella e Edward e romances literários. O escolhido desta vez é O Morro dos Ventos Uivantes, a história de amor de Cathy e Heathcliff, que transcende vida e morte, que supera obstáculos morais e materiais, que é envolta em amargura e vingança. Não é uma história que particularmente admiro.

Durante o livro, episódios do passado são revelados e o enredo se enriquece com detalhes que ajudam o leitor a formar quadros mentais mais nítidos de cada personagem. Ficamos sabendo, por exemplo, como Jasper e Rosalie se tornaram vampiros e também sobre as origens, lendas e a tradição dos habitantes de La Push, reserva florestal vizinha a Forks. Aliás, é impossível não simpatizar muito mais com a missão desses personagens do que com a existência sem propósito do clã de vampiros.

A narrativa se desenrola com muito mais ação, embora Bella ainda insista em fazer digressões. É compreensível que algumas passagens tenham esse cunho intimista, já que o livro é narrado em primeira pessoa. Bella continua tentando se fazer de mártir, tentando atribuir a si toda a culpa pelo que acontece em Forks, o que me irrita profundamente desde Lua Nova e me fez saltar alguns parágrafos durante a leitura. Na mesma esteira, Edward, que antes era bastante racional quanto ao relacionamento, passa também a se culpar pelos riscos que Bella corre. Em alguns momentos, tive vontade de oferecer um chicotinho para que a autoflagelação fosse completa.

Por outro lado, que grata surpresa é a evolução de Jacob Black. Taí um cara bacana. O personagem foi introduzido em Lua Nova como um amigo de família de Bella. Dois ou três anos mais jovem que a protagonista, o primeiro retrato de Jacob foi o de um adolescente bastante brincalhão e feliz com a atenção que recebia de Bella. Neste Eclipse, passou da condição de ombro amigo tapa-buraco para o motivador de um triângulo amoroso sobrenatural.

Jacob é passional, forte, um entusiasta pela vida, bem-humorado e... humano. O livro mostra como a amizade de Jacob por Bella aos poucos se transforma em um amor intenso, real, possível, uma alternativa para Bella. É a primeira vez que ela percebe que ela tem uma escolha, que ela pode continuar vivendo em vez de morrer nos braços de Edward para começar de novo.

Algumas coisas me parecem pouco verossímeis em toda a saga Crepúsculo como, por exemplo, o amor reciprocamente incondicional de Bella e Edward. Talvez se explique pela pouca idade dos dois – quer dizer, tecnicamente, Edward tem 107 anos, mas ela parou nos 17 –, mas justamente por isso é que acho que o tom é exagerado. A verdade é que tendo a acreditar em algo que minha tia-avó dizia: não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe. Acho que falta a Bella e a Edward senso de realidade, falta pé-no-chão, qualidades que abundam em Jacob Black. O rapaz adapta-se impressionantemente rápido e fácil à sua nova condição de lobisomem e consegue enxergar racionalmente todos os aspectos da situação em que o amor que sente por Bella o colocou.

Outro aspecto é a relutância de Edward em fazer sexo com a namorada. Tudo bem, o rapaz nasceu e foi criado no começo do século 20, época em que sexo deveria ser apenas marital e para fins reprodutivos. No entanto, cem anos depois, é de se esperar que o pensamento dele tenha se ajustado à contemporaneidade. A presença marcante desse tipo de obrigação moral, no entanto, pode tem origem nos valores religiosos da autora, que é mórmon.

A terça parte final, porém, compensa todos os senãos apontados anteriormente. O ritmo da narrativa se intensifica e o embate entre os vampiros da família Cullen, o grupo de lobisomens de que Jacob faz parte e o exército de criminosos que estava apavorando Seattle é o ponto alto do livro e deixa os leitores ansiando pelo desfecho que só virá em Amanhecer, o último livro da série.

*Atualização: a edição brasileira de Eclipse foi lançada no dia 16 de janeiro de 2009.


Dudeshop:
• Livro Eclipse, de Stephenie Meyer (Ed. Intrínseca)
• Coleção de livros Crepúsculo em 4 volumes, de Stephenie Meyer (Ed. Intrínseca)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Horas de Verão





Sinopse: Três irmãos se veem diante da decisão sobre o destino que devem dar aos bens da família, herdados da mãe. Adultos e independentes, cada um encara de forma diversa a situação, que para eles implica principalmente na frágil ligação com as memórias da infância.


Ficha Técnica
Horas de Verão (L' Heure D'Été)
Roteiro e Direção: Olivier Assayas
Elenco: Juliette Binoche, Charles Berling, Jérémie Renier, Edith Scob
Duração: 103 min


 por Thaíse Costa

(Spoilerômetro: )

Ao começar a ver Horas de Verão (L' Heure D'Été), o expectador tem a impressão de que algo interessante está por vir mas, ao longo da filme, ele é apenas levado por várias cenas que compõem um enredo fraco e desinteressante. Pequenos detalhes da narrativa, que poderiam ser desenvolvidos e apresentar um trabalho conciso, são apenas "pincelados". Falando em pinceladas, talvez seja essa a idéia da produção, já que no plano visual a fita é estonteante: é como um quadro que se movimenta, recortes de um acontecimento familiar.

Ainda que a ideia seja "bonita", a falta de foco do filme é muito cansativa – 90 minutos transformam-se em 180 facilmente. A beleza visual não é capaz de salvar a situação, tampouco a trilha musical, que também não deixa a desejar. Um outro detalhe que chama a atenção é a presença da atriz Juliette Binoche (Invasão de Domicílio), mas o caro leitor não deve se enganar: o papel por ela representado é bastante simples e não apresenta nada de tão significativo que justifique sua presença.

Mas, mesmo com tantos tropeços na fita, algumas atuações merecem destaque, como a de Edith Scob (A Questão Humana) como a mãe Hélène e Isabelle Sadoyan como a devota doméstica Éloïse. Há também na fita algumas (poucas) cenas tocantes e que mostram uma pitadinha do que o filme deveria ser no todo, mas que fica só na promessa.

Para aqueles que ainda possam ter alguma dúvida, e que talvez pensem que essa resenha é contra filmes mais "introspectivos", sugiro que se sentem e esperem a vontade passar. Ainda assim, se ela persistir, basta ir a uma das sessões da Mostra e comprovar a total falta de objetividade e subjetividade, no que se refere a enredo, em Horas de Verão. Mas (ainda bem!) o caro leitor tem opções melhores de filmes.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O Silêncio de Lorna





Sinopse: Lorna é uma imigrante albanesa que deseja conquistar a cidadania belga. Para isso, ela casou-se com um drogado e o plano é o fazer ter uma overdose.



Ficha Técnica
O Silêncio de Lorna (Le Silence de Lorna)
Roteiro e Direção: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
Elenco: Arta Dobroshi, Jérémie Renier, Fabrizio Rongione, Alban Ukaj
Duração: 105 minutos


Frio europeu
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

O cinema de arte contemporâneo traz uma tendência a contar histórias vazias, beirando a inutilidade. Aparentemente a moda vale a pena, já que O Silêncio de Lorna (Le Silence de Lorna) foi laureado em Cannes – um dos festivais mais respeitados – por seu roteiro. Com o argumento, o filme poderia discutir a questão dos imigrantes, o complexo de culpa e muitas outras questões densas e emocionantes. Pelo contrário, o enredo não gera discussões depois da projeção.

O andamento é bem lento, com os diretores abusando de tomadas longas. Algumas cenas chegam a ser totalmente desnecessárias e a duração poderia facilmente ser abreviada em, pelo menos, 15 minutos. Se bem que se faz necessária uma reflexão: qual cena pode ser considerada desnecessária em uma produção que não tem propostas de discussões?

A atuação de Arta Dobroshi é de longe o ponto técnico que merece ser destacado positivamente. No papel da protagonista a atriz consegue cumprir o maior desafio que sua profissão pode propor: fazer a bendita “cara de nada”. Ela tem de processar todas as emoções que Lorna está vivendo e só transparecer o mínimo necessário para o entendimento do que está se passando em seu coração.

Para quem está apreciando a nova onda do cinema europeu, O Silêncio de Lorna é um prato cheio. Por outro lado, quem está procurando por fortes emoções achará a fita uma chateação.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Baby Love





Sinopse: Manu é um pediatra que gostaria de adotar uma criança, mas as leis da França impedem que um homossexual seja pai. Ele tentará várias formas de burlar as regras e conseguir realizar seu sonho.



Ficha Técnica
Baby Love (Comme les autres)
Roteiro e Direção: Vincent Garenq
Elenco: Lambert Wilson, Pilar López de Ayala, Pascal Elbé, Anne Brochet
Duração: 90 minutos


Leveza para assuntos sérios
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Com o passar do tempo e o avanço da humanidade, várias produções cinematográficas discutem os direitos que os homossexuais merecem ter em uma sociedade verdadeiramente igualitária. Baby Love (Comme les autres) chega para discutir a paternidade de gays e seu diferencial positivo está na leveza. Através de uma comédia a adoção de crianças é apresentada sem sobressaltos, em vez de apelar com cenas dramáticas fortes ou incitar a indignação do público.

Apesar de ser classificada como uma comédia, a carga de drama do roteiro é grande. Não é para se esperar a mesma experiência de fitas estreladas por ícones cômicos, mas uma emoção sincera. Não é à toa que o filme foi inspirado por experiências de vida reais que aconteceram com um amigo do diretor e roteirista Vincent Garenq. O realismo fará com que identificações com pessoas e situações aproximem a ficção da vida real – quem não conhece uma mulher que praticamente só tem amigos gays?

As partes mais engraçadas são aquelas em que Manu tenta de todas as maneiras possíveis e imagináveis – com ênfase em todas – conseguir ter seu bebê. Com uma edição clássica, montagens sintetizam a determinação do pediatra.

Por razões óbvias, Baby Love é altamente recomendável para pessoas que param de fazer qualquer atividade porque um bebê está gargalhando por perto (presente!). O amor que o protagonista nutre pelas crianças é muito bem expresso pelo ator Lambert Wilson (Missão Babilônia) e fará aflorar emoções bonitas na plateia.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Musicagen






Sinopse: Documentário que investiga a música e suas vertentes, da criação à distribuição, através do confronto de opiniões de músicos, empresários, acadêmicos, artistas eruditos e populares.


Ficha Técnica
Musicagen
Roteiro e Direção: Edu Felistoque, Nereu Cerdeira
Elenco: Fernando Sardo, André Abujamra, Bira Azevedo
Duração: 76 minutos


Viagens musicais
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Os realizadores de Musicagen não se decidiram se o título do documentário é uma oxítona ou uma paroxítona. A indecisão faz sentido depois que se assiste ao filme. Se for uma oxítona, a ênfase recai no “gen” e uma das questões abordadas é a origem da música, fugindo dos instrumentos tradicionais – no melhor estilo Stump. Por outro lado, se o título for uma paroxítona, Musicagen soa muito mais como uma brincadeira musical – uma forma muito apropriada para resumir a essência desse documentário.

A primeira seqüência é uma associação de notas musicais a cores. Eis a primeira de muitas viagens que o espectador verá. Esse papo artístico permeia toda a duração do filme e é um fator decisivo para sua aceitação. Os músicos e demais artistas não terão problemas na imersão musical, mas quem tiver os pés mais fixos ao solo se sentirá perdido e irritado.

Essas viagens dão espaço para digressões, tanto nos depoimentos quanto na linguagem cinematográfica. A falta de foco pode ser outro elemento que torna Musicagen uma produção emética.

Uma das discussões do filme que mereceria um enfoque maior é o papel social que a musica pode desempenhar. Se houvesse uma maior insistência nessa questão – no exemplo de Favela Rising –, o fita teria um apelo muito mais amplo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Casa da Mãe Joana




Sinopse: Quatro malandros que sobrevivem à custa de pequenos golpes conseguem arrancar 100 mil reais das mãos de um joalheiro. Na verdade, a vítima é um traficante violento que tem uma joalheria para lavar o dinheiro. Quando um dos cafajestes trai os colegas e foge com o dinheiro, os outros terão de arrumar formas de reaver o dinheiro.


Ficha Técnica
Casa da Mãe Joana
Direção: Hugo Carvana
Roteiro: Paulo Halm
Elenco: Paulo Betti, José Wilker, Pedro Cardoso, Antonio Pedro
Duração: 95 minutos


Ação entre amigos
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

O título dessa crítica faz referências à trama, mas também serve para classificar a forma de realização do filme. Casa da Mãe Joana é mais um triste exemplo de como algumas produções são tocadas de forma errada no cinema nacional. A “ação entre amigos” funciona assim: um cara que tem nome no meio artístico – nesse caso Hugo Carvana – resolve que vai fazer um filme e nem cogita a ideia de teste de elenco. Para a escolha dos atores, ele chama seus amigos, que também são nomes respeitáveis, para o elenco. Como o primeiro sujeito é uma pessoa bacana, ninguém tem coragem de recusar-se a participar do projeto furado.

Por causa da tal ação entre amigos, em alguns momentos da fita parece que se está vendo o humor de peça de teatro ou de vídeo do Ensino Médio – aqueles projetos de final de ano de Educação Artística ou Redação. O que era para ser engraçado chega a ser triste, principalmente quando se percebe que a intimidade entre os atores tentando consertar a fraqueza das piadas, apenas para deixar transparecer os deslizes do roteiro.

Hugo Carvana já deu provas de seu talento para comédias em Se Segura, Malandro (1978), mas atualmente sua tentativa de reviver os grandes momentos da década de 70 mostra um humor ultrapassado. A ideia original, com o mesmo elenco, poderia render uma ótima comédia se o roteiro sofresse um novo tratamento, aos cuidados de alguns dos inúmeros bons humoristas que temos em nosso país.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mamma Mia! – O Filme


Sinopse: A jovem Sophie está noiva e quer descobrir quem é seu pai. Para isso, convida para a festa de casamento os três homens com quem sua mãe, Donna, pode tê-la concebido. Sam, Harry Bright e Bill Anderson são os homens que Donna jamais conseguiu esquecer e que, inesperadamente, voltam à sua vida. O filme é embalado por canções do grupo Abba.


Ficha Técnica
Mamma Mia! – O Filme (Mamma Mia! – The Movie)
Direção: Phyllida Lloyd
Roteiro: Catherine Johnson
Elenco: Amanda Seyfried, Stellan Skarsgård, Pierce Brosnan, Colin Firth, Meryl Streep, Julie Walters, Christine Baranski
Duração: 108 min

 por Thaíse Costa

(Spoilerômetro: )

Mamma Mia! – O Filme (Mamma Mia!) é baseado em um musical que já foi visto por milhões de pessoas e rodou vários continentes desde seu lançamento em 1999 na cidade de Londres. As músicas do Abba são o combustível da vez: somente músicas do grupo sueco são cantadas pelos atores.

Assim, o caro leitor que for ao cinema já deve ir preparado para ver muita gente pulando e back-vocals a balde. E, acreditem, isso é executado muitíssimo bem na fita: o que não falta é bom-humor. Mamma Mia! é um filme-musical muito divertido justamente por assumir toda a sua breguice da forma mais descarada possível. É claro que há cenas um pouco mais dramáticas, mas tudo sempre se encaminha para a descontração.

Para proporcionar tal resultado, nada melhor que um elenco de peso. Veteranos como Maryl Streep no papel de Donna, Pierce Brosnan e Colin Firth como os possíveis pais de Sophie dão simplesmente um show de atuação e, cantando e dançando como “só-Deus-sabe”, fazem a alegria do expectador. Já imaginou a Maryl Streep de macacão jeans dançando a clássica "Dancing Queen"? Destaque para a atuação de Julie Walters (Harry Potter e a Ordem da Fênix), que vive Rosie, a amiga “dos bons tempos” de Donna.

Visualmente, o filme é de uma beleza incontestável: as tomadas externas foram filmadas em paradisíacas ilhas da Grécia. Mas o mais bacana é que trata-se de um filme muito mais divertido do que se poderia esperar – com boas doses de um certo espírito hippie. Para quem gosta de musicais despretensiosos, é um prato cheio.

Ensaio sobre a Cegueira



Sinopse: Uma epidemia de cegueira assola a humanidade. Um oftalmologista é afetado pela doença e, assim como todos os outros cegos, terá de ser mantido em quarentena em abrigos improvisados. A esposa do doutor resolve se declarar cega para poder acompanhar seu marido no isolamento.


Ficha Técnica
Ensaio sobre a Cegueira (Blindness)

Direção: Fernando Meirelles
Roteiro: Don McKellar
Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Yusuke Iseya
Duração: 120 minutos


Em terra de cego
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

A idéia de um cego que guia outros cegos produz imagens e emoções perturbadoras e é bem recorrente (ver pintura ao lado). A partir dessa premissa, o português José Saramago escreveu o livro Ensaio sobre a Cegueira. No romance, o escritor não nomeia os personagens para que eles fossem autênticos retratos de pessoas igualmente anônimas quanto reconhecíveis. Seguindo o raciocínio, Saramago exigiu que no filme Ensaio sobre a Cegueira (Blindness) não houvesse qualquer referência em relação à cidade em que os acontecimentos narrados acontecem. Para tanto, locações no Canadá, Brasil e Uruguai abrigaram as filmagens.

O lirismo de Saramago está em propor uma cegueira branca, como o que acontece quando todas as luzes de uma sala são acesas repentinamente. Fernando Meirelles (O Jardineiro Fiel) usa diversos truques para amplificar a sensação da brancura total. Com muitos enquadramentos desfocados, aliado a uma direção de fotografia que estoura a luz, o cineasta conseguiu o que parecia impensável: passar a sensação de falta de visão através da expressão visual que é o cinema. O visual da atriz Julianne Moore (Filhos da Esperança) colabora para a branquidão da fita. Ela abdicou de seus cabelos ruivos e os deixou bem descoloridos. Utilizando figurinos claros, a única pessoa que enxerga nessa terra de cegos parece “uma anjo”, nas palavras do próprio diretor.

Explorando situações-limite, o roteiro quer demonstrar o que há de melhor e pior no ser humano. Por isso, algumas sequências são altamente desaconselháveis para os corações mais sensíveis. O estado dos habitantes do manicômio vai gradativamente piorando, chegando a circunstâncias absurdas. Nesse caos total é que as atitudes mais variadas são provocadas.

Fugindo do óbvio, a trilha musical traz um pouco mais do sabor brasileiro. As canções que conduzem as emoções contidas no enredo são executadas pelo grupo Uakti, que utiliza instrumentos musicais diferenciados, confeccionados pelos próprios músicos utilizando os mais diversos materiais.

Com Ensaio sobre a Cegueira, Fernando Meirelles consegue desempenhar mais um feliz passo em sua já tão prestigiada carreira.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Linha de Passe





Sinopse: Cleuza é uma mãe solteira que trabalha como empregada doméstica para sustentar seus quatro filhos. Os jovens têm maneiras diferentes encarar a vida e de alcançar seus sonhos.


Ficha Técnica
Linha de Passe
Direção: Walter Salles, Daniela Thomas
Roteiro: George Moura, Daniela Thomas, Bráulio Mantovani
Elenco: Sandra Corveloni, João Baldasserini, Vinícius de Oliveira, José Geraldo Rodrigues, Kaique Jesus Santos
Duração: 108 minutos


Micro representando o macro
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Através dos quatro filhos de Cleuza, Linha de Passe consegue criar uma família que é um bom resumo da vida na periferia de São Paulo. Dênis trabalha como motoboy e seu parco salário só é suficiente para pagar a prestação de sua motocicleta, sobrando pouco para deixar para que sua ex-namorada consiga sustentar o filho que eles tiveram. Dario segue o sonho da maioria dos garotos: ser um jogador de futebol. Dinho encontrou em um culto evangélico a paz de espírito. E Reginaldo passa os dias andando de ônibus, na esperança de encontrar o pai que nunca conheceu.

O cineasta Walter Salles volta a trabalhar com o jovem Vinícius de Oliveira, que ele descobriu enquanto selecionava garotos para Central do Brasil (1998). Mais uma vez, Salles prova seu bom olho para descobrir jovens talentos, já que todos os irmãos são estreantes e apresentam performances muito convincentes. Destaque merecido para Kaique Jesus dos Santos no papel de Reginaldo, um garoto encantavelmente encrenqueiro.

Seguindo os passos de Tropa de Elite, a classe média não é perdoada pelo roteiro. A esperança é de que o filme sirva como estopim para atitudes, para que algumas pessoas consigam perceber o grande poder que têm em suas mãos. Que tomem consciência de que existem pessoas batalhadoras abaixo da classe consumista e que esses trabalhadores merecem uma chance de se beneficiar de suas virtudes e de seus talentos. Eis o comovente drama de Dario.

O roteiro é inteligente e não subestima o público. Através de sugestões bem-posicionadas todo o passado dos personagens é conhecido sem que flashbacks didáticos sejam necessários. Na mesma medida em que o brilhantismo em dramaturgia deixa claro o que já se passou, no final da sessão, cada um poderá ter a sua versão do que aconteceu depois que o último fotograma é projetado.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Bezerra de Menezes: Diário de um Espírito




Sinopse: A vida de Adolfo Bezerra de Menezes, médico e político nordestino que é mais famoso por seu trabalho em prol dos desfavorecidos. Ele ficou conhecido como Médico dos Pobres e, pelo seu apego ao Espiritismo, Kardec Brasileiro.


Ficha Técnica
Bezerra de Menezes: Diário de um Espírito
Direção: Glauber Filho
Roteiro: Joe Pimentel
Elenco: Carlos Vereza, Magno Carvalho, Mirelle Freitas, Alexandra Marinho
Duração: 75 minutos


Infeliz mudança de planos
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

No cartaz de Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito há o nome de diversos atores, alguns deles bem conhecidos do grande público. Com a exceção de Carlos Vereza no papel-título, todos os outros fazem pequeninas participações, em apenas uma cena cada um.

Já o elenco propriamente dito apresenta performances forçadas, muito claramente a pedido da direção. Como a produção tinha sido pensada para ser um docu-drama, as atuações com caras e bocas exageradas faz sentido se tiver um narrador por cima das imagens. Mas como os planos foram alterados na pós-produção, fica parecendo trechos recortados de documentário do Discovery.

Outro efeito colateral é o enredo ficar sem uma estrutura sólida, formados por pequenos episódios da vida de Bezerra de Menezes. Quando se decidiu por transformar o projeto em uma cinebiografia, a narração acabou sobrando para o protagonista e o texto rebuscado complica o entendimento pleno das idéias.

Durante a passagem dos créditos finais há uma pequena mostra de como seria o documentário, explicitando o bom produto que foi desperdiçado. Outro erro de concepção, por causa do desapego por datas demonstrado pelo roteiro, está no subtítulo: seria mais apropriado “Memórias de um Espírito”.

O grande feito do filme está em não tentar pregar o Espiritismo. Mesmo Bezerra de Menezes sendo uma personalidade desconhecida para quem não compartilha da mesma fé, a cinebiografia não será ofensiva para quem não concorda com os princípios kardecistas.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Encarnação do Demônio



Sinopse: Depois de 40 anos na prisão, Josefel Sanatas é solto. Assim que se sente em liberdade, entra em contato com Bruno. Seu fiel criado irá ajudá-lo a encontrar a mulher perfeita para dar-lhe seu filho imortal.


Ficha Técnica
Encarnação do Demônio
Direção: José Mojica Marins
Roteiro: José Mojica Marins, Dennison Ramalho
Elenco: Milhem Cortaz, Giulio Lopes, José Mojica Marins, José Celso Martinez Corrêa
Duração: 90 minutos


O retorno de Zé do Caixão
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Depois de mais de quatro décadas, José Mojica Marins consegue produzir Encarnação do Demônio. Ele já tinha feito dois filmes que inicia uma trilogia em À Meia-Noite Levarei sua Alma (1964) e continua em Esta Noite Encarnarei no Seu Cadaver (1967), mas por diversos obstáculos ele não conseguiu concluir sua obra. Ditadura militar, crise no meio cinematográfico e puro azar impediram que o destino final de Zé do Caixão fosse conhecido.

Uma prova de que a produção é uma sequência – e não um réquiem – são as referências aos filmes anteriores. Flashbacks dos acontecidos em décadas passadas são apresentados através de repetição de trechos das fitas antecessoras, mescladas à interação dos personagens antigos no mundo atual. Como as outras partes da trilogia são em preto e branco, quando fantasmas do passado voltam para atormentar o coveiro, eles aparecem sem cores. O efeito convence por causa de um bom trabalho interando a maquiagem com a fotografia.

O primeiro temor é que o cineasta tivesse perdido a mão, depois de tanto tempo deixado de lado. Felizmente, para todos os fãs do gênero terror, ele conseguiu entregar uma bela e assustadora obra. Através de várias exibições de freak show, o espectador sentirá uma angústia muito grande. Encarnação do Demônio com certeza não é aconselhável para pessoas de estômago sensível.

Outros elementos comuns ao gênero estão presentes na produção. Em sua busca pela parceira ideal, Zé do Caixão irá encontrar e se relacionar com um grande número de mulheres nuas. Além do erotismo, há algumas piadas para que o humor possa suavizar um pouco a experiência, com ênfase no “um pouco”...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Batman – O Cavaleiro das Trevas



Sinopse: O promotor Harvey Dent inicia a apreensão de uma série de criminosos em Gothan City. Tais criminosos, no entanto, encontram como suposto aliado um homem insano, o ladrão de bancos Coringa, que garante devolver-lhes a segurança perdida. Assim, o vilão de cara pintada inicia uma série de atentados e tem como meta a rendição de Batman.


Ficha Técnica
Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Jonathan Nolan, Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman
Duração: 142 min


 por Thaíse Costa

(Spoilerômetro: )

Finalmente, um dos filmes mais esperados do ano chega à telona: Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight). E ele não deixa a desejar. Para aqueles que assistiram ao filme anterior, Batman Begins, e encontraram uma boa promessa para os próximos filmes do herói, a nova produção é tudo o que se podia esperar e um pouco mais.

Como os fãs de Batman puderam notar, finalmente houve uma percepção de que é importante que as adaptações de heróis dos quadrinhos para a telona sejam fiéis à obra original na medida do possível. E, para Batman, essa percepção foi quase tardia, já que já haviam sido feitos nada menos que quatro filmes do herói antes de Batman Begins (este, funcionou muito mais como uma introdução, como o próprio nome diz). Por isso, pode-se dizer que, desde Begins, os filmes do Batman já não são “família”, mas assumiram a caracterização sombria do herói e tudo que o rodeia. E Batman – O Cavaleiro das Trevas veio para coroar isso, já que tem cenas realmente perturbadoras, das quais as crianças devem passar longe.

Para os possíveis desavisados, que não conhecem muito o universo do herói, o inicio do filme pode parecer confuso: dessa vez, os personagens são vistos em ação, sem muitas explicações. É claro que os fãs percebem todas as minúcias e, desde o começo, já sabem quem é quem e isso só os deixa ainda mais alucinados pela produção – ainda mais porque, como nunca antes, ela mostra um Batman detetive e realmente modernoso (tecnologicamente falando). O interessante no processo é que, depois de alguns minutos, aquele que se diz “não-conhecedor-profundo” de Batman simplesmente é conquistado pela fita e também não consegue desgrudar o olho da tela.

Sim, minha gente, Batman – O Cavaleiro das Trevas é tudo isso e mais. À parte os fantásticos efeitos visuais e especiais, a atuação de Cristian Bale (que, quando encarna o homem-morcego, confere ao herói uma voz arrepiante) e dos outros grandes atores que estão na fita – Morgan Freeman e Michael Cane reprisando os papéis, e Aaron Eckhart, como Harvey Dent – são muito boas. Há um elemento que se destaca exponencialmente no decorrer do filme: o vilão Coringa vivido por Heath Ledger. Se, só pelo trailer, o cidadão fica bastante instigado, ao ver o filme no cinema você simplesmente tem vontade de bater palmas no escuro.

E não é por acaso. O vilão Coringa finalmente aparece com suas características originais: menos caricato e mais humano, menos ridículo e mais demente. Criou-se toda uma “aura” por conta da morte de Ledger, mas qualquer ser nesta terra é capaz de ver o filme e dizer o quão fantástica e arrepiante é sua atuação. Mas isso não aconteceu por acaso: Heath Ledger, antes de começar as gravações, se enclausurou para ler as narrativas de Batman e, em várias cenas do filme, ganhamos memoráveis improvisações dele vivendo o vilão, que rouba a cena e facilmente deixa Batman como um débil coadjuvante.

Batman – O Cavaleiro das Trevas está simplesmente perfeito. Além de deixar os fãs em êxtase, consegue angariar novos adeptos do homem-morcego e, sem dúvida, para um dos melhores vilões conhecidos na história dos quadrinhos: o Coringa.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Pequenas Histórias







Sinopse: Uma costureira conta uma série de histórias da tradição popular brasileira.


Ficha Técnica
Pequenas Histórias
Roteiro e Direção:
Helvécio Ratton
Elenco:
Patrícia Pillar, Paulo José, Gero Camilo
Duração:
80 minutos


Valorizando a cultura nacional
  por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Logo na primeira cena, a narradora vivida por Marieta Severo (A Grande Família) olha diretamente para a câmera e explica a proposta de contar as Pequenas Histórias. Com a quebra da chamada quarta parede – a exemplo do que era feito no programa infantil Rá Tim Bum – a atmosfera teatral é justificada.

Em "E a Água Levou..." é apresentada uma deliciosa mistura de folclore brasileiro com romance. A atuação de Maurício Tizumba lembra os bons tempos de Grande Otelo – com direito à roda de samba – e irá matar as saudades dos fãs das chanchadas da Atlântida.

Logo a seguir, "Procissão das Almas" traz o misticismo católico com efeitos visuais bem realizados. O conto consegue mostrar elementos cômicos para o que poderia ser um suspense angustiante. Assim a leveza do conjunto não é perdida.

A faceta urbana do Brasil é contemplada por "Espírito de Natal". Com espaço para crítica social e mensagem educativa sem ser uma chateação, a magia da festa é muito bem explorada. Prega-se que é possível encontrar a felicidade através de atos simples.

Fechando o ciclo, tem-se a aventura de "Zé Burraldo": um típico conto onde a inocência do protagonista funciona tanto como elemento de carisma, quando como catalisador de situações cômicas. Para levar o segmento, nada menos do que o renomado ator Gero Camilo (5 Frações de uma quase História).

Com episódios curtos, como já anuncia o título, e linguagem simples e direta não há tempo de o público se cansar. O filme agradará um amplo leque de pessoas, de crianças até a terceira idade.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Kung Fu Panda



Sinopse: O panda Po é um aficionado por kung fu mas sua preguiça nunca deixou que ele fosse da teoria à prática e então vive seus dias trabalhando no restaurante de seu pai. E quando o futuro da cidade está ameaçado e um novo mestre do kung fu deve ser escolhido Po acaba sendo o privilegiado, por acidente. Será?


Ficha Técnica
Kung Fu Panda
Direção: Mark Osborne e John Stevenson
Roteiro: Jonathan Aibel e Glenn Berger
Elenco: Jack Black, Dustin Hoffmann, Seth Rogen, Jackie Chan
Duração: 90 minutos


Panda style
 por Flávia Cristina Yakubian

(Spoilerômetro: )

Kung Fu Panda foi um dos filmes mais propagandeados dos últimos tempos. Há quase um ano teasers vêm sendo exibidos nas telas do cinema. O marketing fora das telas inclui lanches, brinquedos, material escolar... Uma aposta tão grande da indústria não poderia ser em um filme ruim. E, realmente, Kung Fu Panda é tão bom quanto esperado. O típico filme para agradar todas as idades, com uma produção sem falhas.

O elenco all-star da versão americana está impecável: Jack Black, em perfeita sintonia com o papel, Dustin Hoffman, que já havia mostrado suas habilidades como lutador, de capoeira, em Entrando numa Fria, Angelina Jolie, Jackie Chan, Lucy Liu, David Cross e Seth Rogen no papel mais absurdo em termos de aparência do ator real versus personagem como Mestre Louva-Deus (e sim, para os fãs, ele dá sua típica risada neste papel também!). Mas as melhores vozes são de dois mais desconhecidos Ian McShane como o vilão e Randall Duk Kim como Mestre Oogway, a “tartaruga ninja”. Na versão brasileira, Lucio Mauro Filho e Juliana Paes são os mais conhecidos, mas as chances de se igualarem aos originais, são, infelizmente, poucas.

A animação, que mistura diferentes técnicas, permite uma agilidade e sincronia às coreografias de lutas que em certos momentos até esquecemos que são bichos desenhados na tela. O roteiro consegue colocar em uma hora e meia todos os clichês de todos os filmes de kung fu possíveis, mas sempre de uma forma bem-humorado e, em certos momentos, até mesmo reverencial. O lado zen, a aparelhagem exótica de treinos, o “Chosen One”, tudo está lá. Mas o mais interessante, em termos de kung fu, é o fato de os mestres serem os animais nos quais as técnicas de kung fu foram baseadas: o macaco, o louva-deus, o tigre, a serpente e a garça, o que confere cenas de luta bem interessantes. Na verdade, o kung fu é tão ressaltado que acredito que para quem não é fã das artes marciais o filme possa até ser um pouco cansativo.

Quanto à trilha sonora, apenas um porém, utilizaram a famosa música dos anos 70, de Carl Douglas “Kung Fu Fighting” mas em nova versão, com outra letra, o que, pessoalmente, achei desnecessário. Sem contar que a letra original era bem melhor. No trailer ainda podemos conferir um trecho da original.

Mas o mais interessante é que Po, o panda, é um típico nerd: fã obcecado, coleciona “action figures” dos seus ídolos, conhece tudo do seu mundo, fica extasiado ao ver de perto as relíquias as quais só conhecia por reproduções. Mas, ele é o nerd mais sortudo que existe pois tem a oportunidade de fazer parte desse mundo. E, infelizmente, toda sua teoria não conta muito e ele precisa mostrar que tem a força de vontade para realmente se tornar um membro desse mundo.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Control




Sinopse: Cinebiografia de Ian Curtis, vocalista da banda Joy Division. A carreira no mundo da música, sua complicada vida amorosa e seus problemas com epilepsia.


Ficha Técnica
Control
Direção: Anton Corbijn
Roteiro: Matt Greenhalgh
Elenco: Samantha Morton, Sam Riley, Alexandra Maria Lara, Joe Anderson, Toby Kebbell, Craig Parkinson, James Anthony Pearson, Harry Treadaway
Duração: 122 minutos


Um poeta romântico moderno
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

A autenticidade é algo que o diretor holandês Anton Corbijn buscou com muito afinco ao realizar Control. Ele já tem uma vasta experiência com música, dirigindo clipes de Red Hot Chilli Peppers, Metallica e outras bandas bem importantes. Sua dedicação ao projeto foi tão intensa, que ele chegou a hipotecar sua casa para financiar o filme. Toda sua fibra não foi em vão, dado o resultado final.

O filme é totalmente em preto-e-branco, mas originalmente ele foi feito em cores. Na pós-produção é que o efeito foi aplicado – assim a imagem fica bem mais nítida. Com esse visual e os atores muito bem caracterizados depois de aprenderem a tocar seus respectivos instrumentos musicais, as cenas parecem fac-símile de gravações históricas da banda. Destaque para a gravação do clipe de "Love will tear us apart again".

Um triângulo amoroso envolvendo adultério; epilepsia; uma banda que tem o nome respeitado, mas ainda não fatura tanto para que seus membros não passem dificuldade financeiras. Todos esses elementos poderiam dar um peso insuportável para Control, mas o roteiro sabiamente não se aprofunda demais nas questões e fornece um panorama geral do que foi a breve (porém marcante) passagem de Ian Curtis pela história do rock. O texto é baseado no livro escrito pela esposa de Ian, Deborah Curtis – ela aparece no filme, na pele da talentosa Samantha Morton (Elizabeth: A Era de Ouro).

Os fãs de Joy Division sentirão que há um retrato fiel do que foi a banda, sua importância e suas fraquezas. Para quem não gosta muito da música, ou sequer a conhece, Control também pode ser apreciado como uma bela história de um poeta romântico.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O Último Bandoneón





Sinopse: Marina ganha a vida como garçonete e tocando o bandoneón, uma espécie de sanfona muito usada para tocar tango. Ela quer entrar em uma nova orquestra que está sendo formada para voltar a tocar nos bailes, mas seu instrumento está muito desgastado.


Ficha Técnica
O Último Bandoneón (El Último Bandoneón)
Direção: Alejandro Saderman
Roteiro: Graciela Maglie
Elenco: -documentário-
Duração: 90 minutos


Tango e mais tango
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

A fronteira entre documentário e ficção é testada por O Último Bandoneón (El Último Bandoneón). A câmera fica na maioria das vezes na mão e pode-se ver microfone e outras câmeras na imagem, mas a estrutura narrativa é ficcional. Apesar de Marina ser mesmo uma tocadora do instrumento, a jornada vivida por ela é claramente inventada para que o espectador vá conhecendo um pouco da história do tango.

O conflito principal é um fato impressionante: os bandeneóns, instrumentos imprescindíveis para que se toque tango, não são mais fabricados. Todos que estão em atividade são verdadeiras relíquias. A conservação dessa cultura tão rica só consegue sobreviver por causa do amor que seus devotos têm pelo tango. A intimidade que os personagens têm com os instrumentos, com a música e a dança está muito bem apresentada pelo documentário.

Os amantes da música e da dança irão se deliciar com várias performances ao vivo de músicos e dançarinos muito competentes. Infelizmente a captação de som não foi zelosa o suficiente e o resultado é cru demais. Um pouco mais de apuro poderia acrescer emoção para as grandes seqüências musicais.

O Último Bandoneón vai a fundo na questão, tratando dos amores que nascem durante uma dança, os turistas que se dirigem à Argentina para ver apresentações, as lojas especializadas em vender calçados para dançar o tango, etc. Nomes como Carlos Gardel recebem sua merecida homenagem e jovens e velhos juntam-se em torno de um amor comum. Um panorama completo de uma bela arte.

terça-feira, 29 de abril de 2008

O Sonho de Cassandra







Sinopse: Ian e Terry estão com sérios problemas financeiros e a única saída é pedir dinheiro para o tio Howard. O parente ricaço irá pedir que seus sobrinhos cometam um assassinato como forma de retribuir o favor.


Ficha Técnica 
O Sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream)
Roteiro e Direção: Woody Allen
Elenco: Ewan McGregor, Colin Farrell, Hayley Atwell, Tom Wilkinson
Duração: 108 minutos


Protagonista deslocado
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Com um título bem diferente, O Sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream) merece uma breve explicação. O nome do filme é o nome do barco que os dois irmãos compram logo no início do enredo. Pelo menos por parte do entendimento desse humilde crítico, não há muita relação do título com a trama em si. Na embarcação passam-se muito poucas cenas.

Comparando a nova fita com as últimas direções de Woody Allen – todas rodadas na Inglaterra –, é fácil de se perceber que O Sonho de Cassandra está muito mais próximo de Match Point do que da mesmice de Scoop. A diferença é que dessa vez o cineasta consegue se afastar ainda mais da comédia, gênero que o consagrou.

Outra diferença que será sentida pelos rapazes é a falta de Scarlett Johansson, mas ela estará de volta no ano que vez para trabalhar com Woody Allen em Vicky Cristina Barcelona. Dessa vez o elenco irá agradar muito mais aos corações femininos, com Ewan McGregor (Miss Potter) e Colin Ferrell (Pergunte ao Pó) defendendo os papéis principais do filme.

O desenvolvimento da angustiante situação vivida pelos personagens é vista através dos olhos de Ian, o irmão mais equilibrado. Com isso, o filme ganha sensualidade, graças ao envolvimento de Ian com a bela Angela. No entanto, o conjunto ganharia muito mais profundidade psicológica se o personagem principal fosse Terry. Acompanhar os sérios conflitos que se passam em sua cabeça poderia render uma experiência muito mais interessante.

O filme prova que Woody Allen ainda pode oferecer algo para os cinéfilos, mas muita empolgação não é justificada. Ele ainda não conseguiu igualar seu desempenho em Match Point.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Rolling Stones – Shine a Light





Sinopse: Show de The Rolling Stones em Nova York durante a turnê A Bigger Band, com direção de Martin Scorsese. Entre as músicas há imagens de arquivo contando um pouco da história do grupo.


Ficha Técnica
Rolling Stones – Shine a Light (Shine a Light)
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: -documentário-
Elenco: Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts, Ron Wood
Duração: 122 minutos


"It's [not] only rock'n'roll"
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Atualmente, a menos que se esteja na política do pão e circo da Praia de Copacabana, as pessoas têm de pagar quantias absurdas para ver um show de rock. No fim das contas a maioria – aqueles que não puderem ficar dias na fila – assiste ao show de longe, pelo telão e com grandes riscos de tomar chuva na cabeça. Tendo isso em mente, nada mais prático do que continuar a ver a apresentação no telão, só que pagando bem menos e sentado em uma poltrona, com direito a pipoca.

Eis a proposta de Rolling Stones – Shine a Light (Shine a Light): o primeiro show musical produzido para ser exibido em salas de cinema. Para atrair o maior número de pessoas para uma ideia nova, e para os produtores não ficarem no vermelho, um time de primeira linha foi reunido. No palco, uma das mais tradicionais bandas de rock; e por trás das câmeras, um respeitado diretor de Hollywood. Assim é formada a parceria entre os sexagenários The Rolling Stones e Martin Scorsese (Os Infiltrados).

Com novas propostas vêm novos questionamentos. Como tudo é novo nesse campo de show para cinema, ainda não se sabe como se portar: pode cantar junto? bater palma? ficar em pé? dançar? Todas são perguntas válidas que ainda serão respondidas, se a empreitada der certo. Será que não era legal exibir o show em casas de show tradicionais?

Deixando as dúvidas de lado, a produção é a reunião do mundo da música com o cinema. A ideia é reviver a experiência de assistir a apresentação ao vivo, por isso é válida a falta de legendas durante as músicas. Só nos breves momentos documentais e no começo do filme, quando alguns detalhes sobre o show estão sendo acertados, é que aparecem as legendas. A câmera em vários momentos fica no meio da platéia, sempre em posições de boa visibilidade.

Já em relação a parte musical em si, a banda experimenta passagens por outros gêneros musicais, com canções pop, blues e até country. O sempre impressionante preparo físico de Mick Jagger mantém a emoção em alta. E, uma surpresa final, para quem acha que Keith Richards não deu muito valor para sua participação em Piratas do Caribe, basta prestar atenção quando ele dá uma de vocalista.

Os fãs da banda farão filas para ver Shine a Light, mas o mais importante é que os acompanhantes que não estão tão familiarizados com as canções dos Stones e os curiosos de plantão também irão se divertir.

quinta-feira, 20 de março de 2008

A Família Savage





Sinopse: Wendy e Jon são dois irmãos que estão há muito tempo afastados do pai. Eles devem retornar para cuidar do homem idoso depois que ele apresentou sintomas de demência.


Ficha Técnica
A Família Savage (The Savages)
Roteiro e Direção: Tamara Jenkins
Elenco: Laura Linney, Philip Seymour Hoffman, Philip Bosco, Peter Friedman
Duração: 113 minutos


Rindo com dó
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

As distribuidoras parecem ter medo de vender comédias dramáticas em solo brasileiro. Sempre que se tem um filme desse gênero tão especial em cartaz, as empresas os vendem como uma comédia comum. Exemplos dessa triste sina são numerosos, mas basta lembrar de Tudo em Família.

A Família Savage (The Savages) é mais um drama cômico que está sendo divulgado como algo que não é – percebe-se pelo sorridente cartaz. O pôster que o leitor pode ver aí ao lado é o internacional, que parece com um desenho infantil. A idéia é expressar o sarcasmo que está presente em todos os elementos do filme: desde o roteiro e os diálogos até as músicas.

Sendo um filme independente de humor ácido, retratando uma família problemática que se une na dor; é bem fácil de se lembrar de Pequena Miss Sunshine. Até cenas bizarras e criativas podem ser vistas – e a boa notícia é que elas estão bem inseridas na história. Só para ter uma ideia, os créditos iniciais parecem tirados de um filme de David Lynch (Império dos Sonhos).

Wendy, a protagonista, é uma mulher enxerida e paranoica. Ela namora um homem casado e está bem claro que a relação entre eles não tem futuro. A personagem tem de tudo para ser odiada, mas a atuação brilhante de Laura Linney (O Diário de uma Babá) não seixa que o pior aconteça. Ao seu lado está Philip Seymou Hoffman (Jogos do Poder) e o entrosamento entre os dois está ótimo.

Apenas para destacar algum elemento técnico, o som é bem planejado. Em vários momentos o som ambiente abafa o que deveria sem o principal na cena, para que o espectador tenha a vivência do que está sentindo o personagem enquadrado.

Para quem gosta de dar risada de situações que deveriam causar emoções negativas, A Família Savage é imperativo.