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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)

2 mais 2

Um casal descobre que amigos praticam swing e a curiosidade é despertada. A novidade na vida sexual traz suas consequências.

MAIS:
Crítica: Na trave


O Massacre da Serra Elétrica

Leatherface (Dan Yeager) volta a atacar anos depois da chacina de Newt por causa da volta de Heather (Alexandra Daddario, de Passe Livre) à cidade.

Para aproveitar o filme, o espectador precisará fazer algumas concessões ao roteiro. A fórmula de filme de serial killer é seguida à risca, mas os efeitos 3D são totalmente desnecessários.

MAIS:
Coluna: Maio assustador (SaraivaConteúdo)

O Massacre da Serra Elétrica 3D - A Lenda Continua (Texas Chainsaw 3D)
Direção: John Luessenhop
Roteiro: Adam Marcus, Debra Sullivan, Kirsten Elms
Elenco: Alexandra Daddario, Dan Yeager, Tremaine 'Trey Songz' Neverson, Scott Eastwood, Tania Raymonde, Shaun Sipos, Keram Malicki-Sánchez, Thom Barry, Paul Era
Duração: 92 minutos
País: EUA

Nota: 6


Reino Escondido

A adolescente MC entra em contato com criaturas minúsculas que mantêm o equilíbrio da natureza. A escolha da nova Rainha da floresta é a oportunidade perfeita para o vilão Bufo atacar.

Quem for mais versado no tem se lembrará de diversas outras produções ao conferir essa animação, como Arthur e os Minimoys (2006). As referências são numerosas e o resultado é satisfatório, sem sair muito do feijão com arroz.

Reino Escondido (Epic)
Direção: Chris Wedge
Roteiro: Tom J. Astle, Matt Ember, James V. Hart, William Joyce, Daniel Shere
Elenco: Jason Sudeikis, Steven Tyler, Amanda Seyfried, Pitbull, Beyoncé Knowles, Josh Hutcherson, Judah Friedlander, Colin Farrell, Aziz Ansari, Blake Anderson, Christoph Waltz, Chris O'Dowd
Duração: 102 minutos
País: EUA

Nota: 7

Terapia de Risco

Dr. Banks trata Emily por causa de suas tendências suicidas. Ela comete um crime e se inicia um debate sobre a porção de responsabilidade cabida a cada um dos envolvidos.

MAIS:
Texto comparativo com Em Transe: Os segredos da mente

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Cirque du Soleil

Mia (Erica Linz) se apaixona por um trapezista (Igor Zaripov), mas os dois vão parar em um mundo onírico. Lá eles passam por vários números circenses para encontrar um ao outro.

Essa história é apenas um pretexto para incluir números de diferentes espetáculos da trupe canadense. Para quem já viu ao vivo, talvez não valha a pena. Para quem quer um ingresso mais barato do que dos espetáculos ao vivo, é uma opção.

Cirque du Soleil: Outros Mundos (Cirque du Soleil: Worlds Away)
Roteiro e Direção: Andrew Adamson
Elenco: Erica Linz, Igor Zaripov, Lutz Halbhubner, John Clarke, Dallas Barnett
Duração: 91 minutos
País: EUA

Nota: 6

Cirque du Soleil: Outros Mundos foi avaliado por Thaíse Costa.


O Dobro ou Nada

Beth (Rebecca Hall, de O Despertar) abandona a vida de stripper para tentar a sorte em Las Vegas. Na cidade, ela conhece o apostador Dink (Bruce Willis, de Looper) e sua vida toma nova direção.

O compromisso com a história real faz mal ao roteiro, que parece mais adequado para uma minissérie do que para um filme. A atuação da protagonista é o maior ponto positivo da produção, que no geral é bem simplória.

LEIA MAIS:
Perfil: Rebecca Hall (SaraivaConteúdo) – em breve

O Dobro ou Nada (Lay the Favorite)
Direção: Stephen Frears
Roteiro: D.V. DeVincentis
Elenco: Rebecca Hall, Bruce Willis, Catherine Zeta-Jones, Vince Vaughn, Joshua Jackson, Laura Prepon
Duração: 94 minutos
País: EUA, Reino Unido

Nota: 5


Duro de Matar 5

Dessa vez a ação se passa na Rússia, onde John McClane (Bruce Willis, de RED) vai ao resgate de seu filho (Jai Courtney, de Jack Reacher). Ele descobre que Jack é um espião da CIA e o ajuda a cumprir sua missão.

Há referência sutis ao passado cinematográfico da franquia, mas temos a impressão de que esse episódio é um alienígena. Muitas características dos primeiros longas (ação em um só dia, um só cenário, em clima natalino) se perderam pelo caminha. Parece que basta batizar o protagonista de Jonh McClane que qualquer filme de ação pode fazer parte da série.

LEIA MAIS:
Matéria: Curiosidades da franquia Duro de Matar

Duro de Matar: Um Bom Dia para Morrer (A Good Day to Die Hard)
Direção: John Moore
Roteiro: Skip Woods
Elenco: Bruce Willis, Jai Courtney, Sebastian Koch, Mary Elizabeth Winstead, Yuliya Snigir, Radivoje Bukvic
Duração: 97 minutos
País: EUA

Nota: 5


O Reino Gelado

A garota Gerda parte para salvar seu irmão Kai das mãos da Rainha da Neve. Em sua companhia estão um furão e um troll.

A animação quer apresentar várias lendas russas, mas o roteiro é preguiçoso. Os personagens se deparam em sua jornada com a história de algumas desses contos, mas sem qualquer razão relacionada ao objetivo final. Os encontros se dão apenas porque estão pelo caminho dos protagonistas.

O Reino Gelado (Snezhnaya koroleva)
Direção: Vlad Barbe, Maksim Sveshnikov
Roteiro: Vlad Barbe, Vadim Sveshnikov
Elenco: Jessica Straus, Marianne Miller, Cindy Robinson, Erin Fitzgerald
Duração: 76 minutos
País: Rússia

Nota: 3

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)

A Caverna dos Sonhos Perdidos

As primeiras pinturas não foram feitas em telas planas, mas na parede das cavernas. O documentário em 3D exibe as gravuras mais antigas já descobertas.

LEIA MAIS:
Crítica do filme


Lincoln

Durante a Guerra de Secessão, o presidente Lincoln (Daniel Day-Lewis, de Nine) percebeu a chance de instaurar o fim da escravidão nos Estados Unidos. Para isso, realizou uma série de negociações com membros do Congresso.

Há 10 anos, Steven Spielberg contou a história de outro libertador em A Lista de Schindler. A diferença é que o roteiro de seu filme mais antigo passou por uma “limpeza de diálogos” para deixar as falas mais enxutas. Seu trabalho mais recente não seguiu o mesmo caminho e ficou verborrágico e sonolento – sem contar a patriotada.

LEIA MAIS:
Texto comparativo com A Lista de Schindler (Saraiva Conteúdo)

Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Tony Kushner
Elenco: Daniel Day-Lewis, Sally Field, David Strathairn, Joseph Gordon-Levitt, James Spader, Hal Holbrook, Tommy Lee Jones, John Hawkes, Jackie Earle Haley, Bruce McGill, Tim Blake Nelson
Duração: 150 minutos
País: EUA

Nota: 4

O Mestre

Um homem volta da guerra traumatizado e encontra certo conforto no culto com um líder misterioso. Paul Thomas Anderson trata com cinismo a fé e tem um ótimo elenco para isso.

LEIA MAIS:
Crítica do filme


País do Desejo

A pianista Roberta (Maria Padilha, de Fim da Linha) sofre de uma doença grave. Sua vida muda completamente quando conhece Padre José (Fábio Assunção, de Totalmente Inocentes).

O roteiro desse filme deveria ter passado por uma intensa revisão antes que permitissem o começo das gravações. De tempos em tempos, a história traz elementos gratuitos e bizarros, como se a única intenção fosse chocar ou surpreender a qualquer custo.

Direção: Paulo Caldas
Roteiro: Paulo Caldas, Pedro Severien, Amin Stepple
Elenco: Fábio Assunção, Gabriel Braga Nunes, Nicolau Breyner, Germano Haiut, Maria Padilha
Duração: 78 minutos
País: Brasil, Portugal

Nota: 3

País do Desejo foi visto na Mostra CineBH 2011


O Resgate

Depois de cumprir sua pena, Will (Nicolas Cage, de Reféns) sai da cadeia determinado a deixar a criminalidade no passado. Um ex-parceiro de crime (Josh Lucas, de J. Edgar) vai atrapalhar sua decisão ao sequestrar a filha dele (Sami Gayle, de O Substituto). O vilão exige uma grande quantia em dinheiro que obriga Will a fazer coisas que tinha deixado para trás.

O filme não tem qualquer traço personalidade e parece já ter sido visto anteriormente em alguma sessão televisiva. Se não fosse pelo apelo que o ator principal ainda tem, com certeza o título seria lançado diretamente em DVD.

O Resgate (Stolen)
Direção: Simon West
Roteiro: David Guggenheim
Elenco: Nicolas Cage, Josh Lucas ,Danny Huston, Malin Åkerman, Sami Gayle, Edrick Browne, Mark Valley, Barry Shabaka Henley, M.C. Gainey
Duração: 96 minutos
País: EUA

Nota: 5

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Resident Evil 5: Particularidades

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


A adaptação de videogames para o cinema sempre foi um desafio para roteiristas. Como transformar histórias que só servem de suporte para jogabilidade em uma narrativa decente? Se Resident Evil 5 – Retribuição (Resident Evil: Retribution) não tem o roteiro mais original do mundo, merece elogios por conseguir encaixar elementos dos games na história do longa.

Dessa vez, Alice (Milla Jovovich, de Os Três Mosqueteiros) acorda dentro de um grande complexo da Umbrella Corporation. Ela terá a ajuda de aliados do passado para escapar do local – aparentemente tudo o que ela viveu nos filmes anteriores não passa de sonho.

Até chegar a saída, ela terá de passar por cidades cenográficas onde acontecem testes com o T-Vírus. Cada um desses locais (Nova York e Moscou, por exemplo) funciona como uma fase do jogo.


Como nos filmes anteriores, há clones por toda parte. Assim, a franquia consegue “ressuscitar” alguns personagens e presentear os fãs da série. Essa receita de grande reunião já provou ter bons resultados em Velozes e Furiosos 5.

Já no paralelo com o mundo dos games, a presença de clones funciona como aquelas fases em jogos de tiro (especialmente os FPS) em que há infinitos inimigos. Ordas e mais ordas de zumbis e outros combatentes podem ser colocados em cena com uma justificativa minimamente plausível. Aliás, é aconselhável ater-se apenas ao minimamente plausível no enredo.

Como na aventura anterior, os efeitos 3D estão afinados e bem posicionados. As cenas de ação são eletrizantes e parece estar diante de um videogame. Só se espera que a repetição não seja sinal de cansaço da franquia.


Resident Evil 5 – Retribuição (Resident Evil: Retribution)
Roteiro e Direção: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Sienna Guillory, Michelle Rodriguez, Aryana Engineer, Bingbing Li, Boris Kodjoe . Johann Urb, Oded Fehr
Duração: 95 minutos
País: Alemanha, Canadá

Nota: 6

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Rânia X Irmão: Além do talento

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Existem pessoas que são contra projetos assistencialistas por eles não criarem “condições plenas de igualdade”. Há várias manifestações nas redes sociais que comparam o salário ganho honestamente com as “ajudas para vagabundos” concedidas pelo governo. Para esse público, o II Festival Lume ofereceu ao menos duas oportunidades de ver o outro lado da questão.

A personagem título de Rânia é uma jovem dançarina de Fortaleza interpretada por Graziela Felix. De origem pobre, ela tem de usar muito jogo de cintura para conseguir levar adiante o sonho de participar de uma companhia de dança profissional. Um dos obstáculos mais próximos da menina é a falta de apoio da família. Logo no começo do filme, a mãe pede a Rânia que ela se atrase para o ensaio para poder ajudá-la.

O longa acredita na força da protagonista e conta a história por fragmentos, em uma economia narrativa acima da média. Também há fé no talento da dançarina, tanto que as cenas de dança não trazem grandes movimentos de câmera.


A mesma tática pode ser vista em Irmão (Hermano), mas nos campos de futebol. Como em Rânia, usa-se atores estreantes e eles dão conta do recado.

Gato (Fernando Moreno) é um garoto pobre com grande potencial para se tornar um jogador de futebol. Ele é tão apaixonado pelo esporte que toda noite usa uma bola como travesseiro. De manhã, ele faz abdominais na frente da televisão, que exibe gols da seleção venezuelana.

O rapaz tem o apoio familiar, mas os vários problemas ao seu redor dificultam seu caminho até um time profissional. Gato convive com violência na favela onde mora, testemunha garotas que engravidam e são abandonadas, e outras mazelas.

As semelhanças com a realidade e o amor futebolístico no Brasil são notáveis. No final, Irmão torna-se uma mistura de Linha de Passe com Bróder.

Rânia
Direção: Roberta Marques
Roteiro: Luisa Marques, Roberta Marques
Elenco: Graziela Felix, Mariana Lima, Nataly Rocha
Duração: 85 minutos
País: Brasil

Nota: 6

Irmão (Hermano)
Direção: Marcel Rasquin
Roteiro: Rohan Jones, Marcel Rasquin
Elenco: Fernando Moreno, Eliú Armas, Beto Benites, Gonzalo Cubero, Marcela Girón
Duração: 97 minutos
País: Venezuela

Nota: 6

quinta-feira, 22 de março de 2012

Raul: Muito meio antes do fim

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Quando se vai assistir a um documentário cujo tema já se tem alguma intimidade, a expectativa é relembrar o que é conhecido e entrar em contato com novos detalhes e curiosidades. Nessa tarefa pode se dizer que Raul – O Início, o Fim e o Meio passa com louvor.

O ponto fraco do filme está exatamente no exagero de detalhes, falta economia na edição. As cenas e depoimentos esmiúçam cada aspecto da vida e da carreira do músico baiano. Com isso, a experiência de assistir ao documentário tornar-se algo enfadonho.

Como o roteiro segue a ordem cronológica dos fatos, percebi esse defeito a partir do momento em que o longa anuncia que Raul foi diagnosticado com cirrose. Na minha cabeça, isso significava que faltava pouco para o filme acabar. Ledo engano.


O mais triste é a falta de critério sobre quais questões dedicar mais tempo e quais pontos devem ser apenas mencionados. O desperdício de energia fica evidente quando se dá espaço demais para depoentes pouco relevantes. Um deles exibe o revólver que sempre carrega consigo, algo que não tem qualquer relação com o roqueiro que deveria ser o tema do documentário.

Os últimos meses de vida de Raul já seriam suficientes para construir um filme. Até hoje há muito polêmica em torno do interesse por trás da presença de Marcelo Nova nesse momento. Uns defendem que se trata de um fã que quis ajudar seu ídolo a ter mais momentos felizes no palco, enquanto outros acusam Nova de usar a fama de Raul para atrair atenção para si. Raul – O Início, o Fim e o Meio covardemente trata o assunto com superficialidade. O filme não defende nem acusa. Se houve opção pela neutralidade, ao menos poderia fomentar a discussão.

O lado bom é que, como parece ser uma obra enorme, o filme satisfará a sede e apaziguará a saudade dos fãs e sócias de Raulzito.


Raul – O Início, o Fim e o Meio
Direção: Walter Carvalho, Leonardo Gudel
Roteiro: Leonardo Gudel
Elenco: Paulo Coelho, Caetano Veloso, Tom Zé, Roberto Menescal, Marcelo Nova
Duração: 130 minutos
País: Brasil

Nota: 5

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Reis e Ratos: Limites de proposta

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Seja uma recepção positiva ou negativa, é preciso dizer que Reis e Ratos é um filme ousado. O roteiro faz piada com a ditadura militar e praticamente todo o elenco entrega atuações propositalmente caricatas.

Na história, representantes estadunidenses planejam vários atentatos para causar medo na população e legitimar a tomada do poder pelos militares. O objetivo é afastar a ameaça comunista do Brasil. Um estranho obstáculo impede que os planos se concretizem: um radialista (Cauã Reymond, de Meu País) possuído por um espírito relata todos os atentados em seu programa antes que eles aconteçam.

Como em Estamos Juntos, Cauã Reymond mais uma vez interpreta um homossexual, mas consegue um registro bem diferente. O foco está na voz de radialista e menos na afetação. Para compor a atmosfera de atuações que soem exageradas, dubladores foram escalados em papéis secundários. Dessa forma, o espectador fica com uma pulga atrás da orelha por causa da familiaridade com as vozes.


Outro ator que fez um trabalho de voz é Selton Mello (O Palhaço), como um agente da CIA infiltrado no Brasil. Além da voz, Selton sempre fica com os olhos semi-cerrados e oferece um bom medidor para a recepção do resultado do filme. A proposta ousada de Reis e Ratos, na minha visão, passa do ponto em diversos momentos. Mesmo assim, é possível que algumas pessoas gostem da produção.

Se a atuação de Selton não ofender que espectador, abre-se a possibilidade de uma recepção positiva. Entretanto, se isso já incomodar, não há salvação. O roteiro é tão gradativamente tresloucado quanto às atuações e fica difícil assimilar todos suas maluquices.


Reis e Ratos
Roteiro e Direção: Mauro Lima
Elenco: Selton Mello, Cauã Reymond, Paula Burlamaqui, Orã Figueiredo, Seu Jorge, Otávio Muller, Hélio Ribeiro, Élcio Romar, Rodrigo Santoro
Duração: 111 minutos
País: Brasil

Nota: 3

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Rio



Sinopse: Blu é uma arara azul que vive nos Estados Unidos. Ele é achado por um ornitólogo que convence a dona dele a ir ao Brasil. A ideia é que Blu acasale com uma fêmea e salve sua espécie da extinção.


Ficha Técnica
Rio
Direção: Carlos Salanha
Roteiro: Don Rhymer
Elenco: Jesse Eisenberg, Leslie Mann, Rodrigo Santoro, Anne Hathaway, Jamie Foxx, Will.i.Am
Duração: 96 minutos
País: EUA


Paixão nacional
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

À frente da franquia A Era do Gelo, o diretor Carlos Saldanha conseguiu renome em Hollywood. Os resultados positivos de suas animações nas bilheterias concederam a Saldanha a possibilidade de fazer projetos mais próximos de sua experiência pessoal. E foi assim que nasceu Rio, filme dirigido pelo animador brasileiro cuja história se passa na Cidade Maravilhosa.

Como outros filmes que usam nossas terras como cenário, Rio faz questão de mostrar a cultura brasileira e os pontos turísticos do Rio de Janeiro. O bom para as plateias daqui é que a presença de Saldanha no comando não deixou que absurdos vistos em outros filmes fossem cometidos.

Desta maneira, o roteiro conta sua história e ainda retrata muitas paixões nacionais, principalmente o Carnaval. Há espaço para outros amores brasileiros, como o futebol e o churrasco.

Quando o assunto é Carnaval, o sentimento romântico em relação ao feriado (o mesmo que se pode perceber nas letras de Chico Buarque e Los Hermano) pode ser percebido nas falas do tucano Rafael. Apesar de artistas estrangeiros participarem da trilha, ela foi supervisionada por Sérgio Mendes, para não deixar o samba desandar.

As cenas musicais são um dos pontos altos de Rio. A primeira cena, que lembra aberturas de animações alegres da Disney, já aponta o nível de qualidade e animação desses momentos.

Quem for conferir as cópias dubladas não precisa se preocupar em perder as vozes dos astros da versão original. Dubladores profissionais dão conta do recado e piadas bem adaptadas mantêm o bom humor.


quinta-feira, 24 de março de 2011

O Retrato de Dorian Gray



Sinopse: Dorian Gray é um belo jovem que não envelhece graças a uma pintura. Ele torna-se um rapaz corrupto e as marcas de suas maldades são registradas no retrato.


Ficha Técnica
O Retrato de Dorian Gray (Dorian Gray)
Direção: Oliver Parker
Roteiro: Toby Finlay
Elenco: Ben Barnes, Colin Firth, Rebecca Hall
Duração: 112 minutos
País: Reino Unido


Mexer em vespeiro
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

O última vez que o personagem Dorian Gray fez alguma aparição significativa no cinema foi no filme A Liga Extraordinária (2003), que os fãs criticaram muito por causa da falta de fidelidade com quadrinhos que originaram o roteiro. Pois bem, pode-se dizer que O Retrato de Dorian Gray (Dorian Gray) consegue ser ainda menos autêntico.

Isso acontece porque a aventura com personagens da era vitoriana já parte com uma quota considerável de concessão por parte do público. Trata-se de uma história totalmente diferente dos livros onde tais personagens debutaram.

O problema da nova produção é que se espera uma similaridade maior quando se adapta o romance original diretamente para um filme. A cobrança pela sintonia é ainda maior quando frases célebres do autor Oscar Wilde que não estão nas páginas do livro são incluídas nos diálogos.

No lado positivo, merece elogio a escolha de Ben Barnes (o Príncipe Caspian de As Crônicas de Nárnia) para o papel de Dorian Gray. O ator tem o tipo de beleza que se imagina para o personagem. Ele também consegue fazer bem a transição entre o Dorian inocente do começo do enredo para a versão quase diabólica mais próxima do desfecho.

Aliás, o final do filme merece um pouco de reflexão – sem que se estrague a surpresa para quem não conhece a história. Quando se altera tanto os fatos (e principalmente o final), o roteiro do estreante Toby Finlay coloca-se em uma posição muito complicada. Ele precisa ser tão talentoso quanto Oscar Wilde para convencer que seu desfecho é tão bom quanto o imaginado pelo autor.

A mudança do final foi uma tentativa de modernizar o enredo e agradar as plateias contemporâneas, mas não deu certo.


terça-feira, 30 de novembro de 2010

A Rede Social



Sinopse: Mark é um estudante de Harvard que desenvolve um site em que as pessoas com dificuldade em ser popular consiguem arrumar novos amigos. O problema é que ele se vê no meio de dois processos judiciais milionários sobre a autoria das ideias que levaram a criação do Facebook.


Ficha Técnica
A Rede Social (The Social Network)
Direção: David Fincher
Roteiro: Aaron Sorkin
Elenco: Jesse Eisenberg, Rooney Mara, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Hammer
Duração: 120 minutos
País: EUA


Conexão de banda larga
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

A primeira cena de A Rede Social (The Social Network) oferece um bom exemplo de como apresentar o protagonista. Com poucos minutos de duração, a tal cena necessitou de quase cem tomadas para ser filmada.


Tudo isso por causa da fala ligeira que Mark Zuckerberg fala. Por ter um raciocínio muito mais rápido do que a maioria das pessoas, ele dispara um número absurdo de palavras por minuto. Sua inteligência é inversamente profissional a suas perícias sociais. Todas essas características, e o talento do ator Jesse Eisenberg (O Solteirão), estão presentes nessa pequena cena.

O desenvolver do filme está alinhado ao raciocínio de seu protagonista. Por isso, a história vai rapidamente para frente e para trás, tentando acompanhar os depoimentos nos dois processos em que Mark participa sobre a real paternidade do Facebook. O conselho para o leitor é que se foque no núcleo da trama e não tente entender todos os detalhes técnicos de cada acontecimento para não se perder nessa tempestade cerebral.

Como fez em Zodíaco, David Fincher prova que é capaz de colocar emoção ao narrar uma história real em seus filmes. Sabe-se o tamanho e a importância das redes sociais no mundo de hoje, mas o diretor foca-se no humano, principalmente nas obsessões de seu personagem principal.

A Rede Social não tem mocinhos e bandidos claros – todos têm motivações compreensíveis para suas ações. O único efeito colateral será controlar a vontade de ficar offline por tempo indeterminado depois de terminada a sessão do filme.


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

RED – Aposentados e Perigosos



Sinpose: Frank é um agente da CIA aposentado. Ele se vê obrigado a voltar à ativa quando percebe que alguém quer lhe matar.


Ficha Técnica
RED – Aposentados e Perigosos (RED)
Direção: Robert Schwentke
Roteiro: Jon Hoeber, Erich Hoeber
Elenco: Bruce Willis, Mary-Louise Parker, John Malkovich, Helen Mirren, Karl Urban, Morgan Freeman
Duração: 111 minutos
País: EUA


A ação não tem idade
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: • trailer)

Hoje em dia, a imagem do aposentado é muito diferente da que se tinha em outras gerações. Com os avanços na área da saúde, as pessoas conseguem parar de trabalhar quando ainda têm muita energia para gastar.

RED – Aposentados e Perigosos (RED) traz personagens que passam por essa situação. Só que eles eram espiões e a rotina da aposentadoria não traz o mesmo entusiasmo que suas carreiras.

A vontade por dias mais agitados é usada para algumas piadas dessa comédia de ação. Outra fonte de humor está em personagens memoráveis, especialmente o paranoico Marvin, interpretado por John Malkovich (Queime Depois de Ler).

RED é a adaptação cinematográfica de uma HQ e o filme traz uma proposta visual que não nega as origens do roteiro. Os enquadramentos um pouco ousados formam imagens que parecem tiradas das páginas de uma graphic novel. Nesse aspecto muitas vezes a edição colabora para a criação de fusões com imagens semelhantes.

Há ainda vinhetas para ilustrar quando os personagens mudam de cidade. Uma espécie de cartão postal animado aparece na tela para introduzir a nova locação. Na maioria das vezes, tais inserções são engraçadas.

As brincadeiras com imagens, o bom-humor das piadas e a violência bem diluída permite que o filme seja apresentado para plateias mais jovens. Com um elenco de primeira linha, RED é uma ótima opção de divertimento.


domingo, 26 de setembro de 2010

The Runaways – Garotas do Rock



Sinopse: Na década de 70, o sonho da jovem Joan Jett é ter uma banda de rock. Ela conhece o produtor Kim Fowley e o convence a criar uma banda apenas com integrantes femininas.


Ficha Técnica
The Runaways – Garotas do Rock (The Runaways)
Roteiro e Direção: Floria Sigismondi
Elenco: Kristen Stewart, Dakota Fanning, Michael Shannon, Stella Maeve, Scout Taylor-Compton, Alia Shawkat, Riley Keough
Duração: 106 minutos
País: EUA


Sexo, drogas e rock'n'roll... e indústria musical
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro:•)

Com certeza, o que mais chama a atenção em The Runaways – Garotas do Rock (The Runaways) é o elenco. Kristen Stewart e Dakota Fanning trabalham juntas nos filmes da Saga Crepúsculo e seus nomes são associados a produções mais inocentes para o público juvenil. Nessa cinebiografia roqueira, as duas se envolvem em tudo o que se espera de músicas dos anos 70, com direito a abuso de drogas e promiscuidade.

É um desafio para  o espectador tirar a imagem de Dakota atuando em filmes como A Menina e o Porquinho enquanto imagens bem mais fortes são exibidas na tela. Vale mencionar que a escolha das atrizes foi aprovada pelas roqueiras na vida real. Cherie Currie chorou de emoção ao saber quem a interpretaria no filme e Joan Jett chegou a confundir a voz de Kristen com a sua própria em uma gravação musical.

O filme é focado na dupla, mas elas e as outras atrizes que fazem parte da banda ensaiaram muito para conseguir gravar as músicas executadas durante o filme. No elenco, também é preciso destacar a atuação de Michael Shannon (Vicío Frenético) como o produtor Kim Fowley. Michael abraça a loucura de Kim e não cai na caticatura.

O roteiro tem algumas deficiências, mas no geral cumpre seu papel. A cena em que a banda magicamente compõe uma canção em instantes é muito forçada e alguns dados reais são alterados. Mesmo assim, por gerar interesse em quem não conhece a banda, o filme é um ganho.


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Resident Evil 4: Recomeço



Sinopse: Conforme visto no final do terceiro filme, Alice e seu exército de clones vão atacar a sede da corporação Umbrella em Tóquio. Só que uma armadilha está pronta para ela nesse lugar.


Ficha Técnica
Resident Evil 4: Recomeço (Resident Evil: Afterlife)
Roteiro e Direção: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Ali Larter, Kim Coates, Shawn Roberts, Sergio Peris-Mencheta, Boris Kodjoe, Wentworth Miller
Duração: 97 minutos
País: Reino Unido, Alemanha, EUA


 por Guilerme Kroll

(Spoilerômetro: • trailer)

Resident Evil 4 – Recomeço (Resident Evil: Afterlife) parte do pressuposto que se você chegou até aqui, sabe do que se trata a franquia. Supõe-se também que o espectador está completamente interado no que aconteceu em todos os filmes anteriores, sobretudo no terceiro, com referências aos borbotões.

Então, se você não viu os filmes anteriores, não tem ideia do que se trata a série e resolveu arriscar... bem, o problema é seu, aparentemente. Mas também, não é preciso de PHD em História Zumbi para entender a lógica do filme.

É bem simples na verdade: tem Alice (Milla Jovovich) e mais uns poucos humanos lutando para sobreviver em um mundo infestado de zumbis. E tome tiro, lutas corpo a corpo, zumbis especiais, planos maquiavélicos da corporação Umbrella e muita mulher bonita (Ali Larter, Sienna Guillory, Spencer Locke e, apresentando, a maravilhosa Kacey Barnfield).

Essa é um detalhe que merece menção especial: mulheres bonitas parecem ter uma capacidade especial para lutar contra mortos-vivos, pois sempre sobrevivem em um número maior que os outros tipos de pessoa.

Se visto sob essa óptica, ao se juntar todos os fatores da equação que é esse filme, temos uma boa diversão, para gamers e fãs de filmes de ação, sobretudo em 3D. As atuações não são nenhum primor, mas também não é preciso. O roteiro também não tem nada de muito elaborado.

Mas desconsiderando esses detalhes (atuação e roteiro em um filme que claramente não precisa disso), o principal defeito de Resident Evil 4: Recomeço é o excesso de bullet time, aquele efeitinho da bala em câmera lenta de Matrix. Chega a ser irritante a quantidade de vezes que a ação é paralizada em câmera lenta e o quanto as pessoas jogam armas uma para as outras, só para que o efeito seja utilizado.

Tirante isso, Resident Evil 4: Recomeço cumpre bem o seu papel, e só.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A Ressaca



Sinopse: Depois de um acidente, três amigos decidem retornar a um lugar marcante de sua adolescência para retomar a amizade. Mas, nada é como antes. Eles decidem, então, fazer uma atividade típica da época: entrar na jacuzzi e beber todas. No meio da bebedeira, a banheira revela ser algo mais: uma máquina do tempo. Eles vão parar de volta ao meio da década de 80.


Ficha Técnica
A Ressaca (Hot Tub Machine)
Direção: Steve Pink
Elenco: John Cusack, Clark Duke, Craig Robinson, Rob Corddry, Chevy Chase
Roteiro: Josh Heald e Sean Anders 
Duração: 99 minutos
País: EUA


 por Flávia Yacubian

(Spoilerômetro: • trailer)

John Cusack nunca se superou depois de Gatinhas e Gatões, o auge de sua carreira e seu segundo filme, nos idos 1984. Depois disso, os únicos personagens que realmente combinaram com ele foram o de Alta Fidelidade e de Digam o que Quiserem, o resto foram papéis em que ele não conseguia encontrar sua identidade como ator: não era galã, não fazia dramalhão, nem comédias...

Mas, em pleno 2010, depois de fracassos terríveis como 1408 ou 2012 ele volta como produtor e ator A Ressaca (Hot Tub Time Machine). E fica claro que ele deve ter revisto todos seus bons papéis dos anos 1980. A Ressaca é um filme que ao mesmo detona e enaltece os anos 80. E, coincidentemente, mostra pessoas que fizeram escolhas erradas durante essa década e depois, nos anos 2000, colhiam os péssimos frutos.

Além de ser a redenção de Cusack, A Ressaca é uma comédia bem escrachada. Seus melhores momentos são quando ressaltam as características dos anos 80. Algumas cenas ficaram um pouco over, algumas piadas muito infantis, mas, no geral, ela consegue arrancar boas risadas. Ao mesmo tempo que fala sobre os anos 80, consegue reproduzir a atmosfera de filmes feitos na época. A trilha sonora, obviamente ótima, também ajuda a criar o clima. Parabéns aos diretores e roteiristas, nomes desconhecidos, quase principiantes.

Além de ser uma comédia divertida, A Ressaca é um filme de viagem no tempo. Mas, não pretende ser um filme sci-fi, então não queira teorizar em cima dele. Quem curte ficção científica vai se divertir com as inúmeras referências a outros filmes de viagem no tempo.

Portanto, se você gosta de comédias, assistiu muita Sessão da Tarde (tem até Chevy Chase em um dos melhores papéis) e é nerd o suficiente para entender piadas sobre viagem no tempo, achou seu filme!

Dica: Sim, se você é  fã de Hangover, ou melhor, Se Beber... não Case!, você vai gostar de A Ressaca, ou melhor, Hot Tub Machine.


sexta-feira, 2 de julho de 2010

[REC] 2

Filme exibido no II SPTerror.


Sinopse: Uma equipe de policiais entra no prédio em que os ataques originais aconteceram para investigar o que aconteceu e resgatar eventuais sobreviventes. Eles logo descobrem que a missão será mais complicada do que imaginam.


Ficha Técnica
[REC] 2
Direção: Jaume Balagueró, Paco Plaza
Roteiro: Jaume Balagueró, Paco Plaza, Manu Díez
Elenco: Jonathan Mellor, Óscar Zafra, Ariel Casas, Alejandro Casaseca, Pablo Rosso
Duração: 85 minutos
País: Espanha


Definição de sequência
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: • último parágrafo)

Em 2007, os fãs de bons filmes de terror ficaram empolgados com uma boa surpresa vinda da Espanha. [REC] é um verdadeiro teste de nervos, trazendo frescor para as temática de zumbis. Os produtores são pessoas espertas e aproveitaram o barulho feito pelo filme e resolveram realizar uma sequência e, como de costume no mundo do cinema, a nova produção não tem o mesmo impacto do que seu antecessor.

[REC] 2 cumpre seu papel, mas deixa passar algumas chances. Um dos principais méritos do primeiro filme era o caráter científico por trás da forma de manifestação e infecção dos zumbis. A religião estava no roteiro, mas era apenas mostrada como uma segunda forma de abordar a questão. Dessa vez, logo no começo, fica bem claro que o fator religioso tem uma influência inquestionável no conflito. Dessa forma, o que poderia ser um grande diferencial da franquia escapa pelos dedos dos diretores.

Por outro lado, um bom hábito de sequências cinematográficas está presente: agigantar as proporções da atmosfera ficcional em que o enredo se desenrola. Com a entrada dos policiais, ganha-se em armamento pesado e se pode criar cenas de ação que trazem uma gama maior de emoções. Além disso, cada um dos militares tem uma microcâmera do capacete, possibilitando que a ação não fique restrita ao campo de visão de apenas um cinegrafista.

No final, chega-se a conclusão de que pode-se criar um terceiro filme da série, já que não se sabe como as fitas que gravaram os acontecimentos chegaram do lado de fora do prédio. Espera-se que não se piore a qualidade se houver uma nova fita.


Dudeshop:
• DVD [REC] (Califórnia Filmes)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Rush: Beyond the Lighted Stage






Sinopse: Documentário sobre a banda canadense Rush. A vida antes da fama e os altos e baixos dos roqueiros pelas décadas de carreira acumulando uma legião de fãs.



Ficha Técnica
Rush: Beyond the Lighted Stage
Roteiro e Direção: Sam Dunn, Scot McFadyen
Elenco: Geddy Lee, Alex Lifeson, Neil Peart
Duração: 106 minutos
País: Canadá


“Prepare to be Rushfied!”*

 por Flávia Yacubian

(Spoilerômetro: •)
Rush sempre foi para mim uma banda de extremos: ou eles faziam a melhor música do mundo ou a pior. Sempre considerei "Spirit of Radio" a melhor música pop já composta (não a minha preferida, mas a melhor) e, por outro lado, nunca consegui ouvir "YYZ" por inteiro de tanto que ela me irrita. Nunca consegui explicar essa dicotomia de sentimentos em relação a essa banda. E, assim, fui ver o documentário Rush: Beyond the Lighted Stage com um pé atrás: qual dos dois sentimentos ele iria evocar? Amor ou ódio?

O documentário tinha boas referências – feito pelos mesmos criadores de Metal – A Headbanger’s Journey (Sam Dunn e Scott McFadyen), um dos melhores e mais divertidos documentários sobre música que tem por aí. E o começo de Rush: Beyond the Lighted Stage lembra muito o estilo da fita anterior. Participação de diversos caras da música contando o que eles acham de Rush, de Gene Simmons a Billy Corgan, passando por Zakk Wylde e Jack Black. Ou melhor “mostrando” o que eles gostam em Rush, fazendo vários air drums, bass e guitars. Depois dessas divertidas primeiras aparições, o documentário é dividido em partes temáticas, que abordam a infância dos integrantes, o começo da banda, o sucesso, o fracasso e por aí em diante.

É notável a quase-ausência de assuntos pessoais, não que eles não fossem acontecimentos de interesse público em suas vidas profissionais, mas fica clara a intenção dos diretores em se concentrar na carreira musical. Mesmo o assunto pessoal tratado mais abertamente, a morte da filha e da mulher do baterista Neil Peart, não é mostrado tão a fundo como a mídia (e ele mesmo em livros) já fez. Então, a temática principal do documentário acaba sendo as qualidades do trio como artistas: integridade, profissionalismo e humildade.

O filme é repleto de cenas de arquivo e bastidores inéditas, além de entrevistas atuais com os membros da banda, fãs (famosos e anônimos), pessoas que trabalharam com eles, jornalistas, seu pais. Mesmo temas mais densos são tratados com o humor característico dos integrantes da banda canadense. As participações de Gene Simmons e Sebastian Bach são duas pérolas. As histórias que os dois contam ressaltam a “nerdice” do Rush, e são hilárias.

É emocionante o trecho final, com grande importância dada ao show que eles fizeram no Brasil, para 60 mil pessoas, o maior da carreira da banda.

Um documentário muito bem roteirizado e dirigido, que entretém até os mais reticentes e que agradará todos os apreciadores do mundo da música em geral. Fãs, não fãs e pessoas em cima do muro, como eu, sairão satisfeitos do cinema. Fãs se deliciarão em ver tantas imagens inéditas e a apreciação ao talento do Rush, não fãs vão gostar das muitas entrevistas com outros músicos, dando opiniões honestas (e talvez até se surpreender que pessoas como Trent Reznor sejam fãs de Rush!) e os de cima do muro começarão a se decidir, provavelmente pelo lado simpático à banda.

* Fala de Paul Rudd em Eu te amo, cara. Confira a dica abaixo.

Dude-dica: Quer ver os fãs de Rush que aparecem no documentário encarnados em um filme de comédia? Não deixe de ver, então, Eu Te Amo, Cara (que inclusive conta com a participação da banda).

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Robin Hood




Sinopse: Robin Longstride é um simples arqueiro que, para conseguir retornar para a Inglaterra, se faz passar por sir Robert Loxley. Mas ao assumir essa identidade acaba se envolvendo com questões políticas que podem colocar a Inglaterra numa guerra civil.


Ficha Técnica
Robin Hood
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Brian Helgeland
Elenco: Russell Crowe, Cate Blanchett, Max von Sydow, William Hurt, Mark Strong, Oscar Isaac
Duração: 140 minutos
País: EUA, Reino Unido



 por Guilherme Kroll

(Spoilerômetro: •)

Ridley Scott aparenta ser um estudioso de história. A fidelidade aos fatos históricos, bem como à suas batalhas épicas, formam uma marca de grande parte da sua filmografia. Por isso, quem for encarar seu Robin Hood pode esperar ver algo muito diferente do que já foi feito.

Entretanto, não há qualquer referência histórica que comprove a existência de um Robin Hood. Dessa maneira, Scott se fiou numa base histórica sólida nos acontecimentos da Inglaterra, sob o domínio déspota de João Sem Terra, que leva os barões ingleses a propor a Magna Carta, evento que seria o embrião da Monarquia Constitucional inglesa.

Scott coloca Robin Hood nos centros desses acontecimentos, e, a partir daí, torce a história com H maiúsculo em favor da sua história com h minúsculo.

O resultado é um filme bastante interessante, repleto de cenas de batalhas e com uma longa duração. A produção é impecável no que se refere ao figurino e ao retrato da Idade Média. Já o roteiro deixa um pouco a desejar. São muitos personagens e subtramas, deixando algumas um pouco jogadas na história, como os órfãos de Sherwood ou a do xerife de Nottingham.

O xerife Nottingham merece um comentário a parte. Quando o filme foi anunciado pela primeira vez, a história seria focada nele e Robin Hood seria retratado como um vilão. O filme inclusive se chamaria Nottingham. Ao longo da produção, o roteiro foi mudado tantas vezes que no final o resultado foi uma produção convencional, mostrando Robin Hood como o tradicional herói que rouba dos ricos para dar aos pobres.

Russel Crowe se dá bem no papel, fazendo o que sabe de melhor: brigando com tudo e todos. Entretanto, nem de longe é o Robin Hood mais interessante do cinema, papel que ficou melhor no clássico Errol Flyn ou mesmo em Sean Connery. Mas o prêmio de consolação é que Crowe é um príncipe dos ladrões muito melhor que Kevin Costner.

Cate Blanchet também não convence muito como Marion. Inclusive, o grande destaque feminino do filme fica para Léa Syldoux, como Isabelle de Angouleme. A beleza da atriz, na verdade, chama mais atenção do que sua interpretação, com não mais do que cinco falas ao longo do filme.

Somando tudo, Robin Hood de Ridley Scott, é um filme até que competente e bem-executado, mas não chega a ser uma obrigação para os amantes da sétima arte.


quinta-feira, 5 de março de 2009

Rio Congelado





Sinopse: Depois que seu marido foge, Ray tem dificuldades em criar seus dois filhos com o baixo salário que ela ganha em uma loja. Para assegurar o sustento dos garotos, acaba concordando em trazer clandestinamente imigrantes pela fronteira com o Canadá.


Ficha Técnica
Rio Congelado (Frozen River)
Roteiro e Direção: Courtney Hunt
Elenco: Melissa Leo, Misty Upham, Charlie McDermott
Duração: 97 minutos


Queda que as mulheres têm para os tolos
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

O titulo dessa crítica é tirado de uma peça escrita por Machado de Assis e resume o sentimento que se experimentará no começo de Rio Congelado (Frozen River) quando percebemos que a protagonista está em situação difícil por ter casado com um idiota. Para o filme funcionar, o espectador precisa simpatizar com sua heroina e essa aproximação é possível em grande parte graças à atuação de Melissa Leo (As Duas Faces da Lei).

A atriz relativamente desconhecida conquista nossos corações ao deixar transparecer o amor materno e a força de uma mulher batalhadora. A história de uma mãe solteira enfrentado o desafio de manter uma casa pode lembrar a produção nacional Linha de Passe, com a diferença de que na fita estrangeira a mulher acaba caindo na ilegalidade.

O roteiro é competente e desenrola os acontecimentos em uma gradação envolvente. Quando menos se espera, o público ficará sentado na ponta da poltrona com o coração acelerado, torcendo por Ray. Outro fator é que o texto denuncia que a pobreza está presente em todas as sociedades e o desafio da honestidade é uma questão universal.

A melhor notícia em tudo isso é que a direção e o roteiro ficaram a cargo da estreante Courtney Hunt – é ótimo testemunhar o nascimento de um grande talento. Ela utiliza uma câmera documental e nervosa, combinando com a tensão das relações entre os personagens desse pequeno grande filme.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Romance



Sinopse: Pedro é um autor, produtor e intérprete de teatro montando a peça Tristão e Isolda. Durante os testes, ele conhece Ana e ao lado dela dividirá o palco e uma tórrida relação amorosa. Quando ela é convidada para estrelar em telenovelas, o ciúme atrapalha o namoro.

 
Ficha Técnica
Romance
Direção: Guel Arraes
Roteiro: Guel Arraes, Jorge Furtado
Elenco: Wagner Moura, Letícia Sabatella, Vladimir Brichta, Andréa Beltrão, José Wilker
Duração: 105 minutos
 
 
Receita de bom gosto
 por Edu Fernandes
 
(Spoilerômetro: •)
 
Quando Guel Arraes resolve apresentar alguma obra cinematográfica é quase certo que o resultado será um blockbuster – não importa que seja um repeteco reeditado do que já foi transmitido pela TV, como O Auto da Compadecida (2000). Em Romance, o cineasta mostra mais uma vez ser conhecedor do que atrai o grande público. Seu maior mérito está em agradar às massas sem ferir os sentimentos dos cinéfilos mais exigentes.

Guel acerta em chamar novamente para ajudá-lo no roteiro o agradável Jorge Furtado (Saneamento Básico). A agilidade do humor de Furtado poderá ser percebida em quase todas as cenas do filme, com destaque para o timing cômico de Andréa Beltrão (A Grande Família). As piadas não são chulas e conseguem captar a essência dos sentimentos em questão. Quem tiver qualquer tipo de vivência com o meio artístico terá o fator da identificação de situações para tornar a experiência ainda mais engraçada.

Com um título desse, o lado romântico do filme tem de ser discutido. As cenas de sexo são muito bem dirigidas e retratam com autenticidade o desejo daqueles dois personagens. Com ares shakespearianos permeando o enredo, a força do sentimento precisa ter tal magnitude para convencer e comover.

Em Romance fica provado que a parceria Arraes-Furtado é capaz de reascender a esperança de um cinema brasileiro que alie qualidade técnica e dramática e que agrade as mais diversas parcelas sociais. Os dois ensinam uma lição que merece ser apreciada: entretenimento e qualidade podem sim andar de mãos dadas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

[REC]




Sinopse: Uma jornalista e seu cameraman estão fazendo uma matéria sobre o Corpo de Bombeiros. Ao acompanhar os soldados em uma chamada que parece rotineira, eles deparam-se com uma situação terrível.


Ficha Técnica
[REC]
Direção: Jaume Balagueró, Paco Plaza
Roteiro: Jaume Balagueró, Luis Berdejo, Paco Plaza
Elenco: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Jorge Serrano, Pablo Rosso
Duração: 85 minutos


De dar medo
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

Os espectadores brasileiros estão acostumados a ver filmes de terror das mais diversas procedências. Além das produções hollywoodianas, o cinema oriental está ganhando cada vez mais terreno nesse gênero. Fugindo do lugar-comun, [REC] é um longa espanhol que merece destaque. Exceto por poucas tentativas, como O Orfanato, é raro que terrores latinos ganhem expressividade internacional. Prova do sucesso alcançado é a produção de uma remake nos EUA tão pouco tempo depois de finalizado o filme espanhol.

[REC] é montado como se fosse a fita com o material bruto de uma reportagem televisiva. Portanto, pode ser classificado como um terror em primeira pessoa – seguindo os passos de A Bruxa de Blair (1999) e Cloverfield. O começo, como é de se esperar, é calmo e mostra a jornalista entrevistando os bombeiros no quartel. A tática para conseguir intimidade entre a protagonista e a platéia é inteligente: conforme Ángela conversa com o cameraman, fazendo acertos de como deve ficar a reportagem final, vê-se os bastidores da reportagem. É como se, com os segredos das gravações revelados, o público tivesse a obrigação de estabelecer uma proximidade com a repórter.

O roteiro é muito bem construído. Depois da calmaria para a apresentação dos personagens, a situação torna-se cada vez mais tensa, em uma gradação calculada com exatidão. O suspense é tão grande no desfecho que é necessário deixar um conselho ao leitor: depois de acabada a sessão do filme, é uma boa ideia permanecer na poltrona durante os créditos finais. Se você levantar-se imediatamente após a última cena, corre o risco de sentir as pernas trêmulas e terá dificuldades para descer as escadas da sala de cinema.