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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Thor 2: O mundo insosso

 por Guilherme Kroll

Spoilerômetro: • (?)


Hollywood sempre recorreu a conteúdos já prontos e embalados para garantir seus maiores sucessos, fossem livros, seriados televisivos ou mesmo fatos históricos. Desde a década de 1930 as histórias em quadrinhos serviram como inspiração para produções cinematográficas. A princípio, filmes seriados que passavam antes de sessões mais longas e, a partir do Superman, de Richard Donner, de 1978, com blockbusters milionários.

Já anos 2000, as produções de super-heróis passaram a ser os filmes mais aguardados do verão norte-americano, fazendo com que todos os personagens tivessem sua chance de aparecer na telona. Não demorou para a Marvel, uma das maiores editoras de super-heróis, abrir o seu Marvel Studios, com o objetivo de controlar as suas principais franquias no cinema. De olho nesse importante filão, a Disney comprou a Marvel em 2009.

Toda essa introdução serve para dizer que Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World), terceiro filme estrelado pelo deus nórdico tal qual foi imaginado por Stan Lee e Jack Kirby, é um longa que se insere em nesse contexto como um exemplo perfeito de filme de super-herói do verão, com um pé na Marvel e uma mão pesada da Disney.


Na trama, o elfo Malekith (o 9º Doctor Who Christopher Eccleston) cria uma arma para destruir Asgard, mas é derrotado e a arma é banida, até ser encontrada por Jane Foster (Natalie Portman, de Sua Alteza?), o que dispara uma nova guerra em Asgard. Para triunfar sobre as forças do mal, Thor (o favorito das garotas Chris Hemsworth, de Rush) precisa se aliar ao seu irmão maligno Loki (Tom Hiddleston, de Cavalo de Guerra).

O filme é divertido, com passagens engraçadas, outras mais emocionantes. Tem uma boa direção de atores, um roteiro ok, e elementos técnicos beirando a perfeição. A história conta com mortes, risos e beijos, não necessariamente nessa ordem. Há ainda as tradicionais cenas depois dos créditos (duas, na verdade), que fazem pontes para continuações, o próximo filme dos Vingadores e o vindouro Os Guardiões das Galáxias.

Tudo o que se espera de um filme do gênero. Mas, e sempre tem o mas, falta algo a mais para colocá-lo no posto de uma grande obra. Tudo no longa é um pouco macrobiótico, não há sangue, não há sexo, não há nada além de insinuações. Não há um roteiro especialmente elaborado, a sensação que se tem é que saímos do cinema exatamente igual a como entramos, sem ter visto nada de minimamente novo.

Colocando na balança, o filme é competente, divertido, que nos instiga a querer continuar no universo cinematográfico da Marvel, mas não é bom o suficiente para que tenhamos vontade de recomendar para todos os nossos amigos.


Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World)
Direção: Alan Taylor
Roteiro: Christopher L. Yost, Christopher Markus, Stephen McFeely
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins, Christopher Eccleston, Jaimie Alexander, Zachary Levi, Ray Stevenson, Tadanobu Asano, Idris Elba, Rene Russo, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Kat Dennings, Stellan Skarsgård
Duração: 120 minutos
País: EUA

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Os Amantes Passageiros

Um avião passa por problemas técnicos em pleno voo. Os comissários precisam controlar os ânimos dos passageiros enquanto se pensa em uma solução.

Depois de muito tempo, Pedro Almodóvar (A Pele que Habito) volta às comédias e consegue arrancar boas risadas. Há, de quebra, um subtexto inteligente, com crítica à crise econômica europeia e às hipocrisias da sociedade.

Os Amantes Passageiros (Los amantes pasajeros)
Roteiro e Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Javier Cámara, Carlos Areces, Raúl Arévalo, Antonio de la Torre, Hugo Silva
Duração: 90 minutos
País: Espanha

Nota: 7


Guerra Mundial Z

Uma pandemia zumbi obriga um ex-funcionário da ONU (Brad Pitt, de O Homem da Máfia) a voltar ao trabalho. Ele então parte para uma viagem em busca da chave para derrotar os mortos-vivos.

O espectador não pode ir ao cinema na esperança de ver a tensão ou o banho de sangue de outros filmes de zumbi. Apesar de alguns tropeços do roteiro, a produção termina com saldo positivo.

MAIS:
Perfil: Um diretor entre o drama e a ação (SaraivaConteúdo)

Guerra Mundial Z (World War Z)
Direção: Marc Forster
Roteiro: Matthew Michael Carnahan, Drew Goddard, Damon Lindelof
Elenco: Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz, James Badge Dale, Ludi Boeken
Duração: 116 minutos
País: EUA, Malta

Nota: 6


Todo Mundo em Pânico 5

Um casal começa a entrar em contato com eventos paranormais depois que adotam três crianças. Eles instalam câmeras de segurança para registrar os estranhos acontecimentos.

A graça da franquia de paródias cinematográficas ficou no passado. É difícil rir das piadas do filme e não há qualquer rigor de linguagem.

Todo Mundo em Pânico 5 (Scary MoVie)
Direção: Malcolm D. Lee
Roteiro: David Zucker, Pat Proft
Elenco: Ashley Tisdale, Simon Rex, Erica Ash, Katt Williams, Terry Crews
Duração: 86 minutos
País: EUA

Nota: 3

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Em Transe X Terapia de Risco: Os segredos da mente

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Apesar de todo avanço científico já conquistado, sabe-se relativamente pouco sobre o funcionamento do cérebro. Por essa razão, os limites da mente é um tema fascinante, explorado por dois filmes recentes.

A hipnose é uma forma de manipulação do cérebro e é o assunto tratado no longa Em Transe (Trance). Simon (James McAvoy, de X-Men: Primeira Classe) trabalha com leilões de obras de arte e participa do plano de roubar um quadro. No meio do roubo, sofre uma pancada na cabeça e não se lembra onde escondeu a pintura.


Seus comparsas o levam a uma psicóloga (Rosario Dawson, de O Zelador Animal), que usará a hipnose para resgatar essa lembrança. A especialista tem dificuldade porque há traumas na mente de Simon. Portanto, são necessárias várias sessões.

É nesse ponto em que o filme ganha novos ares. Em algumas ocasiões, o espectador se sente tão perdido quanto o protagonista, sem saber se determinada cena é real ou apenas delírio hipnótico. Essa gradação é constante e limítrofe.


Terapia de Risco (Side Effects) explora o mercado farmacêutico e a banalização do uso de drogas para transtornos mentais. Enquanto passa por tratamento com Dr. Banks (Jude Law, de Anna Karenina), Emily (Rooney Mara, de Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres) assassina seu marido (Channing Tatum, de G.I. Joe: Retaliação) no meio de um surto de sonambulismo causado pelos remédios prescritos.

O jogo de culpa é intrigante, mas o mais interessante é o cenário social em que o enredo se desenvolve. O roteiro resvala em diversas situações críticas: o lobby de laboratórios, o sensacionalismo midiático,... Por essa razão, o título original ("Efeitos Colaterais") parece mais apropriado.

Enquanto Em Transe leva ao limite fantástico seu tema, Terapia de Risco mantém-se mais apegado à realidade. Há reviravoltas dramáticas emocionantes, que deixam o thriller mais robusto.

Em Transe (Trance)
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Joe Ahearne, John Hodge
Elenco: James McAvoy, Vincent Cassel, Rosario Dawson, Danny Sapani, Matt Cross, Wahab Sheikh, Mark Poltimore
Duração: 101 minutos
País: Reino Unido

Nota: 7

Terapia de Risco (Side Effects)
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Scott Z. Burns
Elenco: Rooney Mara, Channing Tatum, Jude Law, Vladimi Versailles, Michelle Vergara Moore, Catherine Zeta-Jones
Duração: 106 minutos
País: EUA

Nota: 8

sexta-feira, 29 de março de 2013

Estreias da semana


 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Adeus Berthe

O desastrado farmacêutico Armand precisa organizar o funeral de sua avó. Sua vida está bagunçada, pois ele está dividido entre o amor de duas mulheres: sua esposa e sua amante.

LEIA MAIS:
Mini-crítica no Guia Varilux

Dentro da Casa

O jovem Claude se intromete na rotina da família de Rapha, seu colega de escola. Ele escreve redações sobre a experiência e as entrega ao professor Germain, que reencontra o entusiasmo por sua profissão por causa do talento do aluno.

LEIA MAIS:
Crítica: O voyer do voyer

Uma Garrafa no Mar de Gaza*

Tai e Naim começam a se corresponder pela internet. A amizade entre os dois jovens é dificultada porque ela é israelense e ele é palestino.

LEIA MAIS:
Mini-crítica no Guia Varilux

* O filme estreia apenas no Rio de Janeiro


G.I. Joe 2

A equipe de elite é acusada injustamente de crimes e a unidade é desativada pelo presidente (Jonathan Pryce, de Histeria). Agora Roadblock (Dwayne Johnson, de Viagem 2) e companhia precisam acabar com uma ameaça nuclear e derrotar o Comandante Cobra (Luke Bracey, de Monte Carlo).

Cenas de ação são abundantes na sequência, mas o roteiro é uma peneira. Por isso, a produção não é aconselhável para espectadores com uma idade mental acima de 14 anos. Por trazer algumas atrizes em trajes mínimos, também não é indicado para menores de 12 anos.

LEIA MAIS:
Matéria: Do plástico para as telas: brinquedos que viraram filmes (SaraivaConteúdo)

G.I. Joe: Retaliação (G.I. Joe: Retaliation)
Direção: Jon M. Chu
Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick
Elenco: Dwayne Johnson, Jonathan Pryce, Byung-hun Lee, Elodie Yung, Ray Stevenson, D.J. Cotrona, Adrianne Palicki, Channing Tatum, Ray Park, Luke Bracey, Arnold Vosloo, Bruce Willis
Duração: 110 minutos
País: EUA

Nota: 4


A Hospedeira

No futuro a maioria dos seres humanos terá seus corpos invadidos por alienígenas. Melanie (Saoirse Ronan, de Hanna) é uma das rebeldes humanas na distopia. Quando tem um extraterrestre implantado em seu corpo, sua mente luta com a invasora para manter o controle.

Há alguns elementos de Crepúsculo nessa nova adaptação da obra de Stephenie Meyer, mas o saldo é mais positivo. O roteiro tem suas incongruências, porém o perdão é possível se considerarmos que o objetivo é passar a mensagem de que o amor é a maior das forças conhecidas.

A Hospedeira (The Host)
Roteiro e Direção: Andrew Niccol
Elenco: Saoirse Ronan, Max Irons, Jake Abel, Diane Kruger, Chandler Canterbury, William Hurt
Duração: 125 minutos
País: EUA

Nota: 5


Titeuf

A vida do garoto Titeuf está mal. Ele é ignorado por sua amada e o casamento de seus pais passa por uma crise. Em sua inocência, ele tenta entender os problemas.

O filme é claramente inspirado por mais de um volume dos quadrinhos, mas a adaptação consegue amarrar a narrativa com coesão. A viagem dentro da mente de um pré-adolescente é a graça da animação.

Titeuf (Titeuf, le film)
Roteiro e Direção: Zep
Elenco: Donald Reignoux, Mélanie Bernier, Danielle Hazan, Sam Karmann, Maria Pacôme
Duração: 87 minutos
País: França

Nota: 7

O Último Elvis

Carlos é tão fã de Elvis que gosta de ser chamado com o nome do cantor. Sua vida pessoal está um caos e sua devoção atinge um nível preocupante.

LEIA MAIS:
Fogo na Bomba: Dicas demais

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Tokiori: Turista em seu lar

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Há mais de cem anos grandes grupos de imigrantes japoneses desembarcavam no litoral brasileiro para tentar uma nova vida do outro lado do globo. Em um movimento cíclico, descendentes desses pioneiros voltam ao Japão em busca de oportunidades décadas depois. Tais deslocamentos são o tema de Tokiori – Dobras no Tempo.

Depois de instalados no Brasil, boa parte dos japoneses se refugiou em guetos, sejam colônias agrícolas na zona rural, ou em bairros temáticos nas cidades. A sensação de eternos visitantes é o que impulsiona o documentário. Os relatos colhidos e as cartas lidas enquanto imagens de arquivos são projetadas comparam as impressões de ontem e de hoje, dos japoneses no Brasil e dos dekassekis no Japão.

Infelizmente Tokiori opta por mostrar muitos personagens. Essa opção traz uma desvantagem dupla: ao mesmo tempo em que as várias histórias e famílias se misturam na cabeça do espectador, o filme não consegue se aprofundar nas complexidades de seu tema.

As diversas contradições são mostradas, mas nunca discutidas a fundo. O idoso chegou ao Brasil quando tinha nove anos de idade, mas diz não ter gostado do país, só voltou à sua pátria como turista. O nissei segue as tradições orientais e estranha a modernidade da juventude da Tóquio contemporânea. O dekasseki confessa que sente mais facilidade em falar japonês do que português. Outro ancião relata as divergências entre imigrantes no final da Segunda Guerra Mundial.

Cada um desses temas poderia sozinho render um documentário. Assim, Tokiori torna-se um aglomerado de potencialidades.


Tokiori – Dobras no Tempo
Direção: Paulo Pastorelo
Roteiro: Noriko Oda, Paulo Pastorelo
Elenco: -documentário-
Duração: 106 minutos
País: Brasil

Nota: 4


Tokiori – Dobras no Tempo foi assistido no É Tudo Verdade 2012.

terça-feira, 27 de março de 2012

Tropicália: Especialidade da casa

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)



Desde a publicação do Manifesto Atropofágico de Oswald de Andrade, ficou claro para as artes brasileiras a importância de aceitar a influência estrangeira como algo positivo para a nossa própria cultura. O documentário Tropicália é mais uma voz que engrossa o coro que entoa que a especialidade do Brasil é assimilar influências distintas.

O filme aborda a produção cultural do final dos anos 1960, especialmente no campo da música. As obras desse movimento são marcadas pelo uso de temas tipicamente nacionais sem negar a colaboração de ingredientes estrangeiros. Esse é o segredo da genialidade do tropicalismo.

Se considerarmos apenas o período da História do Brasil após a chegada dos negros, quando as três principais fontes da nossa cultura (africana, europeia e indígena) conviviam em nosso território, temos poucos séculos de história cultural. Para competir com as tradições milenares da Ásia e da Europa, o Brasil precisou de um diferencial.


Os brasileiros não tem tanto purismo na hora de integrar ingredientes de origens diferentes. Um exemplo cotidiano está nos restaurantes self-service, onde não se vê qualquer pudor de sashimis japoneses estarem no mesmo prato de uma macarronada italiana.

De maneira semelhante, pode-se apreciar a canção “Dois Mil e Um” da banda Os Mutantes. Os primeiros versos ganham sotaque caipira, mas a música tem arranjos do maestro Rogério Duprat e integra a guitarra elétrica do rock'n'roll.

Essa salada cria obras únicas que transbordam personalidade. Infelizmente isso é bem diferente do cenário musical atual, em que os gêneros “universitários” se confundem entre si e com o pop-rock mais insípido.

Tropicália
Direção: Marcelo Machado
Roteiro: Vaughn Glover, Marcelo Machado, Di Moretti
Elenco: Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Rita Lee, Arnaldo Baptista, Sérgio Baptista
Duração: 87 minutos
País: EUA, Brasil, Reino Unido

Nota: 8

Tropicália foi visto no É Tudo Verdade 2012.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Hugo Cabret X Tão Forte: Figura paterna

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Muito antes de Harry Potter tornar-se um fenômeno mundial e Batman habitar o imaginário de jovens por diversas gerações, órfão heroicos são figuras recorrentes no meio cultural. Em 2012 a Academia de Hollywood indicou ao Oscar filmes protagonizados por dois garotos valorosos.

A Invenção de Hugo Cabret (Hugo) se passa na França do período entre-guerras. Hugo (Asa Butterfield, de Nanny McPhee e as Lições Mágicas) mora entre as paredes de uma estação de trem em Paris. Ele aprendeu com seu finado pai (Jude Law, de Sherlock Holmes 2) o ofício de relojoeiro e faz a manutenção dos aparelhos sem o conhecimento do inspetor (Sacha Baron Cohen, de Bruno). O representante da autoridade está sempre à caça de garotos órfãos para encaminhá-los a instituições competentes.

A fuga constante de Hugo se explica porque ele tem uma missão nobre: consertar um autômato deixado por seu pai. A esperânça do garoto é colocar o robô-escrivão para funcionar e receber algum tipo de mensagem do pai, mas precisa de uma chave em forma de coração para fazer a máquina funcionar.


Para ajudá-lo nessa aventura, Hugo conta com a amiga Isabelle (Cloë Moretz, de Deixe-me Entrar). A garota também é orfã, mas teve a sorte de ser adotada por George (Ben Kingsley, de O Príncipe da Pérsia), o dono da loja de brinquedos da estação.

Dirigido por Martin Scorsese (Ilha do Medo), A Invenção de Hugo Cabret traz o melhor uso do 3D para contar uma boa história que já se viu no cinema recente. A neve que cai sobre a plateia e as cenas bem arquitetadas colocam o espectador dentro do filme.

O outro bravo órfão do cinema é Oskar (o estreante Thomas Horn) do drama Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud & Incredibly Close). Ao contrário de Hugo, ele ainda tem sua mãe (Sandra Bullock, de Um Sonho Possível), mas a comunicação entre eles é complicada.


O pai dele (Tom Hanks, de Larry Crowne) morreu durante os ataques de 11 de setembro. A relação com o filho era muito positiva, mesmo com as dificuldades de socialização do garoto – que provavelmente sofre de Síndrome de Asperger. O hobby partilhado entre pai e filho é o de desvendar mistérios. Na verdade, os enigmas e desafios são exercícios criados pelo pai para forçar de forma lúdica o menino a interagir com outras pessoas.

Depois da morte do pai, Oskar continua com as buscas que estavam em andamento antes da tragédia. O garoto descobre uma chave entre os pertences do pai e parte em busca de sua fechadura. Essa jornada serve para que Oskar entre em contato com pessoas dos tipos mais variados com histórias de vida das mais variadas.

Os dois filmes têm atores-mirins de alto nível, que conseguem conduzir seus personagens, sob o tema em comum da superação da perda do pai-companheiro. Os dois precisam usar uma chave, como que para descobrir os mistérios da vida. A aceitação do grau de fantasia, maior em Hugo Cabret e menor em Tão Forte, é essencial para que se conecte emocionalmente com os enredos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Tomboy: Infância expressiva

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Normalmente quando se assiste a um filme com elenco infantil, recomenda-se vistas grossas para a pouca experiência dramática dos jovens atores. Recentemente o cinema francês tem apresentado produções nas quais as crianças dão um show de atuação.

Um dos exemplos recentes dessa safra positiva é Tomboy, que ainda traz em si o fator complicador da temática homossexual. O filme conta a história da garota Laure (Zoé Héran), que se muda de casa com a família e se passa por um garoto para as outras crianças do condomínio onde foi morar.

Como usa cabelos curtos e ainda não entrou na puberdade, a farsa convence a todos. Mesmo assim, Laure enfrenta algumas dificuldades para sustentar sua mentira, como quando tem de usar trajes de banho. A motivação para tudo isso é uma menina chamada Lisa (Jeanne Disson), por quem Laure se sente atraída.


A narrativa de Tomboy não é forçadamente didática e uma parte considerável de sua história precisa ser deduzida por pistas dadas pelas imagens e pelas atuações. Por essa razão um elenco infantil afinado de suma importância, como para o realismo de Entre os Muros da Escola e para a sensibilidade de Stella.

No cinema brasileiro já tivemos bons resultados com elenco adolescente em As Melhores Coisas do Mundo e Antes que o Mundo Acabe, mas quando crianças estão em cena a coisa muda. O pior de todo esse cenário é perceber que muito poderia ser melhorado se os produtores não fossem coniventes. No caso recente de Uma Professora Muito Maluquinha, por exemplo, é inaceitável crianças com forte sotaque carioca interpretem personagens mineiros.




Tomboy
Roteiro e Direção: Céline Sciamma
Elenco: Zoé Héran, Malonn Lévana, Jeanne Disson, Sophie Cattani, Mathieu Demy, Yohan Vero, Noah Vero, Cheyenne Lainé, Rayan Boubekri
Duração: 82 minutos
País: França

Nota: 8

Dica: Apesar de ser uma coprodução entre Bélgica, França e Itália; O Garoto de Bicicleta também pode ser considerado um bom exemplo do uso de atores-mirins talentosos.

domingo, 23 de outubro de 2011

Os 3 x Triângulo Amoroso: Amores triplos

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Como fazem questão de ressaltar alguns políticos conservadores, um casal é tradicionalmente formado por um homem em uma mulher. À margem da produção cultural GLBT, alguns filmes testam tal limite com casais formados por dois homens e uma mulher.

Nesse final de 2011, estão programados para estrear dois filmes com esse conjunto de personagens: o nacional Os 3 e o alemão Triângulo Amoroso (3).


Os Três conta a história de universitários que moram em um mesmo apartamento. O filme mostra uma parcela da juventude contemporânea, que não consegue se encaixar plenamente nas orientações sexuais estabelecidas. Logo no começo, os dois personagens masculinos falam sobre experiências homossexuais de seus passados, sem que isso influencie os interesses heterossexuais atuais.

Os personagens começam um jogo de sedução que é potencializado pela oportunidade de participarem de uma espécie de um reality show. Os sentimentos conflituosos começam a aflorar enquanto os jovens vivem uma farsa diante das câmeras.


Nesse caso, o que se percebe é que a harmonia do casal só é plena quando o amor é vivido a três. O mesmo tipo de dinâmica pode ser vista na produção espanhola Dieta Mediterrânea. Esse filme faz a já consagrada mistura entre prazer gastronômico com o sexual.


A outra produção que deve entrar em cartaz no Brasil em 2011 com essa temática é Triângulo Amoroso. Nesse caso, tudo começa por conta do adultério do casal de personagens principais. Ambos começam a se envolver secretamente com Adam. Hanna é sua colega de trabalho e o marido dela encontra com Adam em uma piscina pública.

O que deveria ser apenas uma aventura para os três começa a tomar contornos mais complexos quando os sentimentos entram em jogo. Tudo isso com a questão do segredo para complicar. Adam mostra que a situação escapa do campo da aventura sexual quando percebe estar apaixonado pelos dois, sem saber que na verdade são um casal.

Em Triângulo Amoroso há o lance da homossexualidade, como em Três Formas de Amar (1994). Na produção americana, os envolvimentos são mais públicos e o jogo de atração parece não agradar plenamente a qualquer um dos envolvidos. A moça é apaixonada pelo gay, que é apaixonado pelo hetero, que é apaixonado pela moça.

Todos esses exemplos de uma relativa harmonia entre dois homens com uma mulher leva a pensar por que é menos comum ver essa dinâmica com duas mulheres e dois homens. Para essa discussão, convido os leitores para deixar comentários.

sábado, 8 de outubro de 2011

Os Três Mosqueteiros: Vamos fazer uma franquia?

 por Edu Fernandes 

Spoilerômetro: • (?)


Longe da simplicidade de uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, fazer uma franquia cinematográfica requer um maior planejamento. Uma aula de como fazer isso está em Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers).

Como um primeiro passo, seleciona-se uma história com a qual o público médio está um pouco familiarizada. O romance de Alexandres Dumas, sobre guerreiros que devem impedir a concretização de uma conspiração que ameaça o trono francês, serve como pretexto para se produzir um filme que claramente quer fisgar os fãs de Jack Sparrow, da série Piratas do Caribe.

A seguir, é necessário escalar atores conhecidos para ilustrar os pôsteres e atrair mais espectadores. Em Os Três Mosqueteiros, as maiores estrelas estão em papeis secundários, como Milla Jojovich (Dois Homens em Fúria), Orlando Bloom (Nova York, Eu Te Amo) e Christoph Waltz (Besouro Verde).



Para potencializar o lucro, é decidido que o filme será lançado em 3D. Com as recepções negativas de títulos convertidos para a estereoscopia em pós-produção (Fúria de Titãs e As Viagens de Gulliver), investe-se na captação de imagens em 3D. O diretor Paul W.S. Anderson já se mostrou capaz de de entregar bons efeitos tridimensionais em Residente Evil 4.

Com esse objetivo de transformar a aventura de Athos, Porthos, Aramis e D'Artagnan em uma franquia, o desfecho de Os Três Mosqueteiros deixa claros ganchos para uma continuação. Com personagens carismáticos e bem diferentes entre si, é possível acreditar que em um par de anos veremos a concretização desse plano.






Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers)
Direção: Paul W.S. Anderson
Roteiro: Alex Litvak, Andrew Davies
Elenco: Milla Jovovich, Logan Lerman, Ray Stevenson, Orlando Bloom, Matthew Macfadyen, Luke Evans, Christoph Waltz, Mads Mikkelsen
Duração: 110 minutos
País: Alemanha, França, Reino Unido, EUA

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Transformers X Capitão América: Diferentes medidas de patriotismo

ou “Por que patriota pode rimar com idiota”
 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: •

O sentimento antiamericano e Hollywood entram em choque de tempos em tempos. Transformers: O Lado Oculto da Lua e Capitão América: O Primeiro Vingador, lançamentos recentes do cinema, mostram dois lados dessa questão.

Desde o primeiro filme da franquia dos robôs, o diretor Michael Bay fez questão de colocar frases patriotas de efeito nos roteiros, algo recorrente em sua filmografia – que inclui a mentira cinematográfica chamada Pearl Harbor. Falas como “Eles são soldados americanos, não estão acostumados a perder” não colaboram para o andamento do enredo e podem irritar as plateias fora dos Estados Unidos.


 Anos atrás, Hollywood não teria razões para se importar com a opinião do espectador fora da terra do tio Sam. Atualmente, a situação é outra: plateias estrangeiras respondem cada vez mais por um porcentual maior das bilheterias dos blockbusters. A participação de Rússia, China e Brasil é especialmente significativa em lançamentos em 3D, como o último Transformers.

Portanto, com essa postura white trash, o digníssimo sr. Michal Bay dá um tiro no próprio pé.

 
Enquanto isso, os produtores de Capitão América: O Primeiro Vingador tinha um grande desafio pela frente. Patriotismo é parte inerente do personagem e as plateias fora dos Estados Unidos precisam gostar dele, já que até o vindouro filme OsVingadores seria prejudicado se a recepção de Capitão América fosse negativa.

A forma encontrada para equilibrar a equação foi transformar a proposta de guerra parte da história do filme. Depois de passar pela aplicação do soro do Supersoldado, Steve Rogers é usado como garoto-propaganda pelo governo estadunidense. O ponto de virada está exatamente quando ele percebe que terá de ir contra seu próprio governo para fazer o que é certo.



Essa situação não significa a completa proibição do patriotismo em um blockbuster lucrativo. O bom exemplo nesse sentido é a franquia A Lenda do Tesouro Perdido, especialmente seu segundo episódio.

O discurso dos filmes é claramente patriótico, mas sem colocar os Estados Unidos acima de outras nações. A Lenda do Tesouro Perdido quer mostrar os heróis e os momentos bonitos da história estadunidense sem ofender os estrangeiros.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Turista



Sinopse: Elise está há dois anos em Paris, à espera de uma mensagem de Alexander – seu namorado procurado pela polícia. Quando ela recebe a carta dele, precisa tomar um trem e escolher alguém para se passar por Alexander. Aí é que entra o pobre Frank.


Ficha Técnica
O Turista (The Tourist)
Direção: Florian Henckel von Donnersmarck
Roteiro: Florian Henckel von Donnersmarck, Christopher McQuarrie, Julian Fellowes
Elenco: Johnny Depp, Angelina Jolie, Paul Bettany, Timothy Dalton, Steven Berkoff, Rufus Sewell
Duração: 103 minutos
País: EUA, França


Bons ingredientes com resultado fraco
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

O Turista (The Tourist) é uma comédia de ação estrelada por Johnny “Capitão Jack Sparrow” Depp e Angelina “Salt” Jolie, com direção de Florian Henckel von Donnersmarck (o nome do diretor de A Vida dos Outros é grande demais para um apelido). A história do filme se passa em Veneza e, além da beleza do cenário, há até cenas de perseguição pelos canais. Com essa receita, é difícil conceber o quanto o filme é fraco.

Um exemplo disso está em uma das cenas de perseguição a barco. Em certo momento, Frank (Depp) cai na água com um inimigo e percebe-se claramente que a briga aquática foi filmada em estúdio, em um tanque d’água.

As falhas de O Turista estão nos detalhes e no âmbito geral também. O que se espera de qualquer comédia de ação são bons momentos cômicos e cenas empolgantes. Todas as passagens engraçadas do filme estão no trailer e a emoção das perseguições e fugas deixam a desejar.

O que resta é o elenco, e mesmo assim é preciso fazer ressalvas. Os dois competentes atores só falham em algo que está além do controle deles: não há química entre os personagens. Assim a torcida por um final feliz e o entusiasmo do público ficam comprometidos.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Tron – O Legado



Sinopse: Kevin Flynn, principal executivo de uma empresa de software, desaparece misteriosamente por 20 anos. Seu filho Sam, em vez de assumir os negócios,  faz intervenções marginais e espetaculares, tentando resgatar a imagem do pai diante de uma diretoria ganaciosa. Tudo muda quando um amigo de Kevin recebe um bip num aparelho desativado desde o desaparecimento do executivo.


Ficha Técnica
Tron – O Legado (TRON: Legacy)
Direção: Joseph Kosinski
Roteiro: Adam Horowitz, Edward Kitsis
Elenco: Jeff Bridges, Garrett Hedlund, Bruce Boxleitner, Olivia Wilde, Michael Sheen, James Frain
Duração: 127 minutos
País: EUA


Antes da Matrix havia a Grade

 por Alvaro Domingues

(Spoilerômetro: •)

Os roteiristas e  o de diretor de Tron – O Legado (TRON: Legacy) tinham a responsabilidade de criar algo à altura do primeiro filme. TRON (1982), apesar do roteiro simples, foi revolucionário na ideia, ao criar um mundo virtual, e na técnica, com efeitos visuais e o uso massivo de computação gráfica na construção dos cenários, veículos e roupas dos personagens.

Esperar algo revolucionário de novo numa sequência seria demais, mas o risco de produzir algo sofrível era muito grande. A direção se preocupou em manter a forma original do cenário, das roupas e veículos, incrementando-os com mais detalhes e mobilidade, sem que o fãs do filme original e os que o desconheciam se decepcionassem. Foi mantido também o humor em cima do jargão técnico na medida certa, de forma a não aborrecer os que os leigos.

A trilha sonora do Daft Punk está primorosa, bem como os efeitos sonoros. O roteiro, um pouquinho mais denso que o primeiro filme, mas sem ser filosófico demais, garante um a boa diversão. Há também referencias a outros filmes, como Matrix (que é posterior ao TRON original), Guerra nas Estrelas (com uma piada estragada pelo trailer) e O Mágico de Oz. Alusões ao fime original também existem, colocando alguns detalhes, como Bit, como um objeto de decoração (como se nos dissessem: “nós não esquecemos, viu?”).

O que decepciona um pouco, sem comprometer a qualidade geral, é o uso da tecnologia 3D. Com tantos objetos virtuais, poderiam ter ousado um pouco mais.

• No enredo merecem destaque o uso de conceitos de IA (Inteligência Artificial) para explicar determinados comportamentos das entidades virtuais em oposição os seres humano, sobretudo no final e o desenvolvimento de “vida” virtual paralela a partir de código espúrio (os ISO).

Curiosidades:

No filme, TRON é o nome de um personagem que representa uma rotina de ajuda ao usuário. O termo é uma abreviatura de TRACE ON, uma instrução do BASIC (linguagem de computação popular nos anos 80) e permite ao programador acompanhar o que está acontecendo a cada instrução que executada, mostrando seu resultado em tela, em forma de texto.

As referencias a O Mágico de Oz são várias, porém os roteiristas tentaram deixar mais marcado colocando o mundo real em 2D e o virtual em 3D (como no filme com Jud Garland: preto e branco versus colorido).

Há referencia também ao jogo de Go, originário da China, que é jogado sobre uma grade, colocando-se as pedras nos pontos de junção entre duas linhas. Kevin luta contra o vilão como se estivesse jogando Go (há um tabuleiro em sua sala), usando a estratégia de esperar o movimento do adversário, colocando-se indefinidamente em defesa. Isso normalmente irrita o adversário e o faz se precipitar.