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sábado, 13 de julho de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)

O Cavaleiro Solitário

John Reid é um advogado que passa por uma experiência de quase-morte. Depois disso, decide dedicar sua vida à levar justiça ao Velho Oeste na companhia do índio Tonto.

MAIS:
Matéria: 80 anos de aventuras (SaraivaConteúdo)
Vídeo: O que esperar de O Cavaleiro Solitário? (Quadro a Quadro)


A Cidade É uma só?

Moradores da Ceilândia vivem as consequências da segregação social que criou a cidade-satélite. Nancy é uma cantora com músicas de cunho social e Dildu é candidato a deputado distrital por um partido pequeno.

A mistura de documentário e ficção funciona, trazendo verdade e carisma para o assunto. Contudo, as cenas são irregulares, com momentos brilhantes lado a lado com outros infelizes.

A Cidade É uma só?
Roteiro e Direção: Adirley Queirós
Elenco: Dilmar Durães, Wellington Abreu, Nancy Araújo, Rosa Maria, Yuri Pierri
Duração: 73 minutos
País: Brasil

Nota: 6

O Homem de Aço

Na adolescência, Clark Kent descobre ser alienígena criado por humanos e passa a vida para investigar suas origens. Ele descobre uma pista importante, bem quando um vilão poderoso chega à Terra.

MAIS:
Matéria: 80 anos de aventuras (SaraivaConteúdo)
Vídeo: Dos quadrinhos para o cinema (Quadro a Quadro)


A Voz Adormecida

No governo franquista na Espanha, Pepita (María León) é uma empregada doméstica alheia à política. Por outro lado, sua irmã Tensi (Inma Cuesta, de Branca de Neve) está presa por envolvimentos com movimentos contrários ao ditador fascista.

As injustiças e a falta de liberdade de um regime totalitário são o combustível para a emotividade do drama. A gradação no roteiro garante lágrimas no final da sessão.

A Voz Adormecida (La voz dormida)
Direção: Benito Zambrano
Roteiro: Ignacio del Moral, Benito Zambrano
Elenco: Inma Cuesta, María León, Marc Clotet, Daniel Holguín, Ana Wagener
Duração: 128 minutos
País: Espanha

Nota: 7

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Vocês Ainda não Viram Nada: A magia do palco

por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


A relação entre o teatro e o cinema data dos primórdios da sétima arte. Há uma dinâmica entre esses dois meios que ganha novo fôlego com filmes como Vocês Ainda não Viram Nada (Vous n'avez encore rien vu).

Logo no começo, uma série de atores são convocados pelo telefone por causa da morte de um dramaturgo (Denis Podalydès, de Adeus Berthe). Todos os atores são chamados por seu nome real, o que já coloca o filme sobre a margem entre realidade e ficção.

Quando chegam à casa do falecido, eles são presenteados com um vídeo que mostra uma montagem recente de uma peça de autoria de Antoine. Todos os atores ali presentes já subiram ao palco para desempenhar aqueles papéis, então é impossível não relembrar os diálogos.


Aos poucos, eles começam a reencenar a peça, acompanhando o vídeo. Gradativamente o filme se permite entrar no jogo cênico e cenários são incluídos em chroma-key*.

É com essa proposta que o diretor Alain Resnais (Ervas Daninhas) traz uma nova aproximação entre teatro e cinema. Vislumbra-se a fantasia vivenciada pelos atores, mas mantêm-se os recursos cinematográficos. De uma maneira geral, trata-se de uma aula em celuloide.

* Chroma-key: quando um fundo de cor única é substituído digitalmente por outra imagem, recurso muito usado no seriado Chapolin.


Vocês Ainda não Viram Nada (Vous n'avez encore rien vu)
Direção: Alain Resnais
Roteiro: Alex Reval, Laurent Herbiet
Elenco: Mathieu Amalric, Pierre Arditi, Sabine Azéma, Jean-Noël Brouté, Anne Consigny, Anny Duperey, Hippolyte Girardot, Gérard Lartigau, Michel Piccoli, Denis Podalydès, Michel Robin, Andrzej Seweryn, Jean-Chrétien Sibertin-Blanc, Michel Vuillermoz, Lambert Wilson
Duração: 115 minutos
País: França, Alemanha

Nota: 7

sexta-feira, 22 de março de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)

Os Croods

A primeira família pré-histórica precisa abandonar sua caverna, pois o lugar foi destruído por terremotos. Eles partem para um novo local onde encontram criaturas estranhas e experimentam mudanças em suas vidas.

LEIA MAIS:
Guia: Fauna criativa


Parker

Um ladrão (Jason Statham, de Os Mercenários 2) é traído por seus comparsas e dado como morto. Ele se recupera e parte em busca de vingança. Seu plano é tomar os ganhos do próximo roubo do grupo e, para isso, se associa a uma corretora (Jennifer Lopez, de O que Esperar quando Você Está Esperando).

O filme tem todas as chances de ser um título de ação genérico, mas há algumas surpresas. As figuras femininas não funcionam apenas como enfeite e o protagonista é um ladrão com princípios. Suas falas nesse aspecto são escassas, mas podem ser melhor exploradas em uma sequência.

Parker
Direção: Taylor Hackford
Roteiro: John J. McLaughlin
Elenco: Jason Statham, Jennifer Lopez, Michael Chiklis, Wendell Pierce, Clifton Collins Jr., Carlos Carrasco, Emma Booth, Nick Nolte
Duração: 118 minutos
País: EUA

Nota: 6

Rânia

Dança é a paixão da jovem protagonista. Ela consegue algum dinheiro em uma casa noturna onde bebida e prostituição são os focos. Rânia tem a chance de construir uma carreira nos palcos profissionais quando conhece uma renomada coreógrafa.

LEIA MAIS:
Texto comparativo: Rânia X Irmão: Além do talento


Vai que Dá Certo

Um grupo de amigos de escola se reencontra quando eles se aproximam dos 30 anos de idade. Eles percebem que suas vidas vão mal e aceitam participar do roubo forjado a uma transportadora de valores.

Há bons momentos cômicos e diálogos ágeis no roteiro. Acima disso, o mais interessante está nos pequenos questionamentos sociais; sobre polícia corrupta, política suja e outros assuntos que infelizmente conhecemos bem.

LEIA MAIS:
Entrevista: “O filme discute uma questão ética”, diz diretor (SaraviaConteúdo)

Vai que Dá Certo
Direção: Maurício Farias
Roteiro: Maurício Farias, Alexandre Morcilo, Fábio   Porchat
Elenco: Gregório Duvivier, Fábio Porchat, Bruno Mazzeo, Natália Lage, Danton Mello, Lúcio Mauro, Lúcio Mauro Filho, Felipe Abib
Duração: 100 minutos
País: Brasil

Nota: 7

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


As Aventuras de Tadeu

Tadeu sempre sonhou em ser um arqueólogo, mas acabou se tornando um pedreiro. Por causa de uma confusão com um pesquisador amigo seu, Tadeu tem a chance de participar de uma aventura no Peru e realizar seu desejo.

A animação segue direitinho a fórmula de filme infantil. Não há surpresas, para o bem ou para o mal. No começo parece que a história depende de deslizes dos personagens para se desenvolver, o que poderia atrapalhar a simpatia com os protagonistas. Felizmente o roteiro consegue redimi-los no final.

As Aventuras de Tadeu (Las aventuras de Tadeo Jones)
Direção: Enrique Gato
Roteiro: Verónica Fernández, Jordi Gasull, Neil Landau, Ignacio del Moral
Elenco: Óscar Barberán, Carles Canut, Fiona Glascott, Adam James
Duração: 90 minutos
País: Espanha

Nota: 6


Meu Namorado É um Zumbi

R. (Nicholas Hoult, de X-Men: Primeira Classe) é um morto-vivo que se apaixona por Julie (Teresa Palmer, de Eu Sou o Número Quatro). Ele sequestra a humana e a aprisiona no avião abandonado que chama de casa. O medo inicial dela começa a se transformar em um sentimento positivo.

O filme parte de referências clássicas, como Romeu e Julieta (pelo nome dos personagens) e contos de fada. Por essa razão, sabemos exatamente para onde a história se encaminha. A mistura de gêneros é que dá personalidade para o longa.

LEIA MAIS:
Matéria: Filmes de zumbis em outros gêneros (SaraivaConteúdo)

Meu Namorado É um Zumbi (Warm Bodies)
Roteiro e Direção: Jonathan Levine
Elenco: Nicholas Hoult, Teresa Palmer, Analeigh Tipton, Rob Corddry, Dave Franco, John Malkovich
Duração: 98 minutos
País: EUA

Nota: 6


O Voo

Whip Whitaker (Denzel Washington, de Protegendo o Inimigo) é um piloto de avião viciado em drogas. Durante uma viagem sua aeronave apresenta problemas graves, mas ele consegue realizar o pouso. Como estava sob efeito de álcool, Whip terá de passar por uma investigação.

Denzel faz mais um personagem típico de sua carreira, mas é preciso reconhecer que dessa vez demonstra alguma vulnerabilidade. A polêmica contida na história prende a atenção do espectador, enquanto a trilha bem selecionada ajuda a manter o andamento.

LEIA MAIS:
Perfil: Denzel Washington (SaraivaConteúdo)

O Voo (Flight)
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: John Gatins
Elenco: Denzel Washington, Nadine Velazquez, Tamara Tunie, Kelly Reilly, Bruce Greenwood, John Goodman, Don Cheadle
Duração: 138 minutos
País: EUA

Nota: 7

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Causos de Cinema: A Viagem: E no começo, havia o verbo

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)
para Matrix


A seção Causos de Cinema relata acontecimentos que vão além do filme na experiência de ir ao cinema.


A imprensa assiste aos filmes antes da estreia em sessões especiais, as chamadas cabines. Por não serem como as sessões de circuito, os erros na projeção são mais comuns.

Dito isso, vamos à cabine de imprensa de A Viagem (Cloud Atlas). Quando o filme foi iniciado, as luzes da sala se apagaram, mas os presentes só conseguiam ouvir a trilha e as primeiras falas. Não havia qualquer imagem na tela. Depois de pouco tempo, os problemas foram corrigidos e a sessão foi reiniciada.

Depois de visto o filme, penso que o ocorrido foi um presságio do que estava por vir. O roteiro acompanha seis histórias em paralelo, cada uma em um tempo histórico diferente. A mensagem é de que tudo está conectado e de que a humanidade se repete em seus erros e suas motivações.


O presságio se dá por causa da falação que é o filme, apesar de não ter desgostado dele como um todo. Na maioria das tramas paralelas há um narrador, muitas vezes redundante com a imagem. Essa falha parece ser um vício de alguns cineastas e pode ser encontrada até no passado dos próprios irmãos Wachowski.

Um exemplo da verborragia está na cena do Arquiteto na trilogia Matrix. Quando a assisti, percebi que precisaria rever tal cena para entender plenamente tudo o que foi dito ali. Em A Viagem há vários momentos assim, apesar de não ser complicado entender o geral do enredo.

Quando o texto é muito denso e complexo em um livro, basta reler as páginas. Quando se está em uma sala de cinema, tal artimanha é impraticável. Por isso que filmes contam com tempos mortos e respiros. Sem contar que não confiar no visual para contar a história é um contrassenso com a sétima arte.


A Viagem (Cloud Atlas)
Roteiro e Direção: Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski
Elenco: Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Doona Bae, Ben Whishaw, Keith David, James D'Arcy, Xun Zhou, David Gyasi, Susan Sarandon, Hugh Grant
Duração: 172 minutos
País: Alemanha, EUA, Hong Kong, Singapura

Nota: 6

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Estreias da Semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


As Aventuras de Pi

Depois de passado o frenesi pelo 3D causado pelo sucesso de Avatar, podemos finalmente ver filmes que usam essa tecnologia para ajudar na narrativa. O mais novo cineasta de renome a tentar a sorte na estereoscopia é Ang Lee (Aconteceu em Woodstock). O resultado é muito positivo com um show de belas imagens.

O filme narra a incrível jornada de um jovem indiano (Suraj Sharma) que sobreviveu a um naufrágio. Ele fica preso em um bote salva-vidas com um tigre de Bengala.

As Aventuras de Pi (Life of Pi)
Direção: Ang Lee
Roteiro: David Magee
Elenco: Suraj Sharma, Irrfan Khan, Tabu, Rafe Spall
Duração: 127 minutos
País: EUA, China

Nota: 8

A Filha do Pai

Uma garota engravida do herdeiro de uma família rica. O pai dela acha a situação vergonhosa. Os pais dele não querem aceitar o relacionamento de seu filho com uma moça de origem pobe.

LEIA MAIS:
Mini-crítica do filme, durante o Festival Varilux de Cinema Francês
Visão Estrangeira: Atriz fala sobre seu filme brasileiro favorito (BRCine)

O Impossível

A história real de uma família inglesa que sobreviveu ao tsunami de 2004 é contada de forma pujante. A mãe ferida e o filho mais velho se alojam em um hospital, enquanto o pai e os dois filhos menores ficam nos escombros do hotel em que eles estavam. Cada grupo não sabe da situação do outro e a família teme que não conseguirá mais se juntar.

LEIA MAIS:
Crítica comparativa com A Negociação

A Negociação

Um executivo de respeito quer vender seus negócios para um banco. Para isso, frauda balanços para esconder a real situação financeira das empresas. Suas mentiras não ficam apenas no campo profissional, já que ele mantém uma amante e está envolvido em uma investigação criminal.

LEIA MAIS:
Crítica comparativa com O Impossível


Viúvas

O marido de Elena (Graciela Borges, de Dois Irmãos) morre enquanto estava na companhia de Adela (Valeria Bertuccelli, de Um Namorado para Minha Esposa). Em seu leito de morte, ele pede que a esposa cuide da jovem amante.

Com essa premissa inusitada, o filme argentino ganha ares de cinema francês. Infelizmente o potencial dramático da situação não é explorado com a força que se espera. Há bons momentos, obtidos pelo talento da dupla de atrizes.

Viúvas (Viudas)
Direção: Marcos Carnevale
Roteiro: Marcos Carnevale, Bernarda Pagés
Elenco: Graciela Borges, Valeria Bertuccelli, Rita Cortese, Martín Bossi
Duração: 100 minutos
País: Argentina

Nota: 5

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

As Vantagens de Ser Invisível: Potencial triplo

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Além das qualidades de roteiro e trilha de As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower), destaca-se o trio de atores principais. Todos são jovens talentos e espera-se que estejam no time A de Hollywood nos próximos anos.

Logan Lerman

O rapaz interpreta o protagonista, um jovem que acaba de chegar a uma nova escola. Charlie está no primeiro ano do ensino médio e todo o ambiente lhe é estranho.

:Logan ficou famoso como o personagem-título de Percy Jackson e o Ladrão de Raios, depois de pequenos papéis em grandes filmes e grandes papéis em pequenos filmes. Para não ficar marcado eternamente pelo semideus, o rapaz segui os passos de Harrison Ford depois de Han Solo: entrou em outro projeto de grande porte. Com Percy e D'Artagnan de Os Três Mosqueteiros no currículo, ele garante que não será ator de um papel só.

No entanto, nenhum dos dois títulos emplacou para valer. Aí Logan toma a decisão de assumir o protagonista deste filme independente. Charlie passa por problemas mentais, o que o torna um desafio de atuação.

Emma Watson

A franco-britânica muda de sotaque para viver Sam, uma veterana que decide proteger Charlie das ameaças que um colégio pode apresentar a um rapaz tímido. Foi com sua interpretação em Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005), em que Hermione sofre uma desilusão amorosa, que a atriz chamou a atenção do escritor-roteirista-diretor Stephen Chbosky (Rent).

Depois do turbilhão Harry Potter, Emma segue o mesmo caminho que agora é traçado por Logan: papéis em filmes menores, para provar o talento. Depois de uma coadjuvante em Sete Dias com Marilyn, ela encara a mocinha por quem o herói se apaixona. É claro que ela prefere o carinho de um mal-caráter.

Ezra Miller

O rapaz surpreendeu o mundo como o sinistro adolescente violento de Precisamos Falar sobre o Kevin, um papel que poderia marcar um ator mal agenciado. Para afastar o fantasma do passado, Ezra escolhe um personagem que é o oposto do anterior.

Patrick é simpático, falador e carismático. Ele é “meio-irmão” de Sam – na verdade do pai dele se casou com a mãe dela e todos vivem na mesma casa. Na escola, todos sabem de sua homossexualidade, mas ele precisa esconder sua vida amorosa, já que seu namorado teme sair do armário.

É com essa trinca de bons personagens que As Vantagens de Ser Invisível consegue criar uma numerosa série de cenas sensíveis. Tudo isso sem ficar piegas.


As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower)
Roteiro e Direção: Stephen Chbosky
Elenco: Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller, Johnny Simmons, Paul Rudd, Melanie Lynskey, Dylan McDermott, Kate Walsh
Duração: 103 minutos
País: EUA

Nota: 8

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Vingador do Futuro: Vilões mesmo

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


A nova adaptação do conto “Lembramos para você a preço de atacado” de Philip K. Dick chega aos cinemas com vários elementos calculados para agradar os leitores de ficção científica. O título O Vingador do Futuro (Total Recall) vem da versão antiga, quando os distribuidores brasileiros queriam atrair os fãs de O Exterminador do Futuro (1984). Com esse nome que induz ao erro e a presença de Arnold Schwarzenegger na tela, a ganância ficou à frente da autenticidade. Com isso, herda-se um título infeliz.

No papel que foi de Schwarzenegger está Colin Farrell (A Hora do Espanto), como o operário Doug Quaid. Ele está cansado de sua vida e resolve ir à Rekall, empresa especializada em criar lembranças para seus clientes. Doug sonha em ter a memória de ser um agente secreto, mas algo dá errado no procedimento. Agora ele é um homem perseguido pela força policial.


O cenário futurista opressor lembra literatura e quadrinhos distópicos, como 1984 e V de Vingança. Isso somado a referências à obra de K. Dick e à adaptação anterior transformam O Vingador do Futuro em um prato cheio para os admiradores de ficção científica. Até seu terço final.

Conforme o filme caminha para seu clímax os vilões ficam cada vez mais tresloucados. Em nome de criar boas cenas de ação, os personagens vividos por Kate Beckinsale (Anjos da Noite) e Bryan Cranston (John Carter) começam a tomar atitudes estúpidas e soam como vilões-Disney. Eles não têm mais objetivos claros e são malvados apenas para atrapalhar a vida do protagonista.

É muito triste ver uma produção com tamanho potencial ser vitimada por um erro tão juvenil. Isso é subestimar a inteligência do espectador.


O Vingador do Futuro (Total Recall)
Direção: Len Wiseman
Roteiro: Kurt Wimmer, Mark Bomback
Elenco: Colin Farrell, Kate Beckinsale, Jessica Biel , Bryan Cranston, Bokeem Woodbine, Bill Nighy, John Cho
Duração: 118 minutos
País: EUA, Canadá

Nota: 5

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Vida em um Dia: Fotografia mundial

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


A globalização cada vez mais intensa possibilita eventos impensáveis no passado. Fazer um documentário coletivo com vídeos produzidos simultaneamente ao redor do mundo seria uma tarefa hercúlea antes do advento da internet. Por essa razão que A Vida em um Dia (Life in a Day) é um retrato do nosso tempo.

Em um dia de 2010, o YouTube convocou pessoas de todo o mundo para fazerem um vídeo sobre como é seu dia e postá-lo no site. Alguns deles foram selecionados e compões as cenas do filme.

A pluralidade é a força motriz do documentário. Algumas poucas histórias são retomadas no decorrer do filme, mas há inúmeras pequenas inserções que tentam mostrar como é um dia comum para a humanidade. Encontrar o inusitado no corriqueiro é o que enriquece o longa.

Dessa maneira, as emoções experimentadas ao assistir a A Vida em um Dia são tão sortidas como os seres humanos mostrados nas cenas do filme. Há histórias engraçadas, emocionantes, trágicas, tristes, tediosas... Um pedido de casamento convive com óbito, descobertas são vizinhas de confissões.

Portanto, o que não se pode exigir do filme é profundidade. Sua proposta é exatamente oposta a essa demanda. O que o documentário almeja é mostrar que é possível maravilhar-se com as coisas mais ordinárias.



A Vida em um Dia (Life in a Day)
Direção e Roteiro: Kevin Macdonald e outros
Elenco: -documentário-
Duração: 95 minutos
País: EUA, Reino Unido

Nota: 7

A Vida em um Dia foi assistido no É Tudo Verdade 2011.

Os Vingadores: Gênero em profusão

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Daqui algumas décadas, o meio acadêmico irá olhar para o começo do século XXI como o período no qual o filme de super-herói se consolidou como gênero cinematográfico. Nesses estudos, Os Vingadores (The Avengers) será apontado como um marco importante, no qual a linguagem dos quadrinhos dialoga muito bem com a gramática do cinema.

A reunião dos super-heróis que a Marvel prepara desde 2008, com Homem de Ferro, acontece da mesma maneira que nos quadrinhos. Há uma ameaça à humanidade que um herói sozinho não consegue dar conta, assim é preciso juntar forças contra o mal. O encontro dos personagens gera momentos de tensão (que muitas vezes se concretizam em briga) e de cooperação, exatamente como acontece nos crossovers as HQs.


Na apoteótica batalha final há outro exemplo do feliz casamento de linguagens. O que seria desenhado como uma página dupla transforma-se em plano-sequência (sem cortes) que passeia pelo combate e mostra as habilidades de cada membro do grupo. Isso só é possível graças a efeitos visuais que trazem ferramentas da animação para o live action.

Finalmente, todo filme deveria se esforçar para se destacar de seus irmãos de gênero. O caminho escolhido por Os Vingadores é a comédia. A mistura de humor com ação dinamiza a experiência. Mal o espectador acaba de rir de uma piada, já começa uma luta empolgante.

No final das contas, a única preocupação que tenho com Os Vingadores é sobre algo que não se pode ver ou ouvir na sala de cinema. Espero apenas que os estudos futuros sobre filmes de super-herói lembrem-se de que nem todos os críticos atuais estão contra o gênero.



Os Vingadores (The Avengers)
Roteiro e Direção: Joss Whedon
Elenco: Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Cobie Smulders, Jeremy Renner, Robert Downey Jr., Chris Evans, Samuel L. Jackson, Tom Hiddleston, Mark Ruffalo, Gwyneth Paltrow, Stellan Skarsgård, Clark Gregg
Duração: 142 minutos
País: EUA

Nota: 9

terça-feira, 1 de novembro de 2011

As Canções X Vou Rifar Meu Coração: Trilhas de nossas vidas

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Assim como no cinema, a música ajuda a contar a história de nossas vidas. Dois documentários recentes usam esse fato como objetos de estudo: As Canções e Vou Rifar Meu Coração.

O documentarista Eduardo Coutinho aplica mais uma vez seu talento como entrevistador para fazer pessoas comuns partilharem de suas histórias. Em As Canções, elas dizem (e cantam) quais músicas marcaram suas vidas.


O que predominam são histórias de amor, felizes ou infelizes. Nesses casos as canções reafirmam o sentimento, ajudam na superação do rompimento de uma relação, ou unem um casal. Há também espaço para emocionantes histórias de relacionamentos familiares.

Conforme os personagens falam suas vivências e canções, é impossível para o espectador não pensar em sua própria trajetória e nas músicas que marcaram momentos importantes. Dessa combinação, lágrimas podem ser esperadas.

Enquanto isso, Vou Rifar Meu Coração faz um recorte diferente: seu tema é o universo musical brega. Para retratá-lo, a diretora Ana Rieper viaja por várias pequenas cidades do nordeste brasileiro, onde entrevista fãs e intérpretes desse estilo musical.

O desafio do documentário é equilibrar a participação desses dois tipos de personagens. Ao tentar fazer dois filmes em apenas um, acaba com apenas meio. As duas frentes ficam rasas.

Há de se reconhecer o mérito da pesquisa por depoentes, especialmente o achado de um homem que mantém duas famílias publicamente. É uma pena que Vou Rifar Meu Coração não se decide em focar no público da música brega.

Cantores e compositores do gênero também dão seus depoimentos, apesar de não existir créditos para que o público saiba seus nomes enquanto assiste ao documentário. Os artistas falam mais das mensagens das canções do que de sua musicalidade ou escolhas conceituais de suas obras. É uma pena que Vou Rifar Meu Coração não se decide em focar na produção musical brega.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Fogo na Bomba: VIPs: Dentro da mente de um criminoso

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro
VIPs •
Uma Mente Brilhante •

A seção Fogo na Bomba é destinada a discutir o final de um filme. Como contar o desfecho de uma história pode ser considerado uma baita sacanagem, nada melhor do que começar com um filme cujo protagonista é uma grande sacana.

VIPs, longa-metragem que recentemente alcançou a marca de 500 mil espectadores, dá uma explicação para o comportamento golpista de Marcelo Nascimento. Tal façanha foi tentada por muitas reportagens sobre o falso dono da Gol no Recifolia tantaram fazer, sem sucesso.

Cabe aqui um parênteses: não sou estudioso de psicologia. Por isso, minhas explicações serão bem superficiais. Pessoas mais entendidas no assunto são convidadas a deixar um comentário (bem educado, é lógico).

Pois bem, alguns artigos defenderam que Marcelo seria um psicopata, uma pessoa incapaz de sentir amor por outra pessoa que não seja ela mesma. Os psicopatas também não conseguem decernir muito bem o certo do errado.

Outras reportagens especulavam que Marcelo seria um mitomaníaco, uma pessoa que tem a necessidade de contar mentiras e criar histórias falsas sobre si mesmo.

O filme estrelado por Wagner Moura segue uma linha diferente das duas citadas acima. A tese de VIPs não se baseia em indícios reais, mas cria uma solução dramática interessante.


No longa, Marcelo teria uma espécie de esquizofrenia, um tanto parecida com a do protagonista de Uma Mente Brilhante. No filme nacional, o anti-herói criou para si uma figura paterna (que lhe é ausente), que seria um piloto. Esse pai é a projeção de seu sonho de voar e escapar da realidade triste em que vive.

Com essa mudança, cria-se simpatia pelo falsário, já que ele não tem culpa. Trata-se de uma pessoa doente, que precisa de ajuda psicológica. Já o mistério em torno da razão que leva o Marcelo Nascimento real a aplicar seus golpes continua sem solução.

Para saber mais sobre o personagem real, aconselho a leitura do livro VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso e aguardar a estreia do documentário homônimo.

O livro é escrito por Mariana Caltabiano e o documentário, que deve estrear em breve, também tem direção dela. Essas duas obras são muito engraçadas e merecem a atenção do público.