A seção Fogo na Bomba é destinada a discutir os finais de filmes. Portanto, só prossiga se não tiver problemas em sabê-lo...
Spoilerômetro: • (?)
Em muitos filmes os espectadores têm a clara noção do que ocorrerá no desfecho. Nesses casos, o interesse se dá em saber como tais acontecimentos se desenrolarão. É exatamente isso que se passa em O Último Elvis (El último Elvis).
Carlos (John McInerny) ganha a vida como operário, mas seu amor é a música de Elvis Presley. Apesar de não ser parecido fisicamente com o Rei do Rock, ele faz shows em que imita o ídolo, uma vez que sua voz é bem potente. As cenas de apresentações são um dos presentes que o filme dá aos fãs do cantor.
O roteiro tem pistas de que a dedicação de Carlos a Elvis é extrema, tanto que ele gosta que as pessoas o chamem pelo nome do cantor. Conforme a gradação do enredo se desenvolve, quem conhece um pouco da vida de Elvis logo perceberá o que Carlos planeja. Ele irá cometer suicídio para se igualar a seu ídolo.
Tudo começa quando Carlos afirma à sua ex-mulher (Griselda Siciliani) que está deliberadamente ganhando peso, apesar de já ser um homem gordo. Ele quer ter o mesmo tipo de físico do ídolo na ocasião de sua morte. A partir daí sua fantasia é cada vez mais intensa, ao ponto de começar a chamar a mãe de sua filha de Priscila.
A única ressalva que se faz nesse jogo é a redundância sobre a idade em que Elvis morreu. Quando chega aos Estados Unidos, Carlos celebra seus 42 anos sozinho em um restaurante. Poucas cenas depois, quando está a caminho de Graceland, um vídeo no ônibus anuncia que Elvis faleceu também aos 42 anos. Tal informação poderia ser omitida e deixada para que o público a conferisse após a sessão, se assim desejasse.
Apesar desse exagero pontual, O Último Elvis é uma bela e triste história de devoção, com um teor psicológico interessante.
O Último Elvis (El último Elvis)
Direção: Armando Bo
Roteiro: Armando Bo, Nicolás Giacobone
Elenco: John McInerny, Griselda Siciliani, Margarita Lopez
Duração: 91 minutos
País: Argentina
Nota: 8
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sexta-feira, 29 de março de 2013
segunda-feira, 19 de março de 2012
Fogo na Bomba: Guerra É Guerra X Amizade Colorida: Moralismo de gênero
A seção Fogo na Bomba é destinada a discutir os finais de filmes. Portanto, só prossiga se não tiver problemas em sabê-lo...
Spoilerômetro: • (?)
Nos últimos anos a comédia romântica, um dos gêneros mais tradicionais do cinema estadunidense, tenta se reformular para ficar mais alinhada com o comportamento contemporâneo. Guerra É Guerra (This Means War) está nessa frente, mas falha no último momento.
Lauren (Reese Witherspoon, de Água para Elefantes) está dividida entre dois amores, FDR (Chris Pine, de Incontrolável) e Tuck (Tom Hardy, de O Espião que Sabia Demais). O que ela não sabe é que os dois são grandes amigos e trabalham juntos como agentes da CIA. Em sua indecisão, Lauren mantém encontros românticos com ambos.
Como em outros filmes atuais, o primeiro beijo não é a grande cena. Lauren troca carícias com os dois pretendentes e o que interessa é por qual deles ela irá se apaixonar. Toda essa modernidade aparente cai por terra quando, no final, a mocinha termina com o único com o qual teve uma relação sexual.
Em outras comédias recentes, a protagonista não perde tempo em ir para a cama. Em Sexo sem Compromisso e O Amor e Outras Drogas é isso o que acontece, mas o exemplo que mais se opõe ao puritanismo de Guerra É Guerra está em Amizade Colorida (Friends with Benefits).
Nele, a personagem vivida por Mila Kunis (Cisne Negro) mantém um relacionamento puramente sexual com o personagem de Justin Timberlake (A Rede Social). Em dado momento, a moça decide engrenar em um namoro mais tradicional com outro sujeito. Ela vai para a cama com ele e depois sofre uma desilusão.
Amizade Colorida não teve medo de mostrar uma mulher segura o suficiente para ter relações sexuais com mais de um homem. Por outro lado, o roteiro de Guerra É Guerra foi bem mais medroso e deu um jeito bobo de deixar claro que a pseudo-modernete Lauren foi às vias de fato com apenas um de seus candidatos a namorado.
Spoilerômetro: • (?)
Nos últimos anos a comédia romântica, um dos gêneros mais tradicionais do cinema estadunidense, tenta se reformular para ficar mais alinhada com o comportamento contemporâneo. Guerra É Guerra (This Means War) está nessa frente, mas falha no último momento.
Lauren (Reese Witherspoon, de Água para Elefantes) está dividida entre dois amores, FDR (Chris Pine, de Incontrolável) e Tuck (Tom Hardy, de O Espião que Sabia Demais). O que ela não sabe é que os dois são grandes amigos e trabalham juntos como agentes da CIA. Em sua indecisão, Lauren mantém encontros românticos com ambos.
Como em outros filmes atuais, o primeiro beijo não é a grande cena. Lauren troca carícias com os dois pretendentes e o que interessa é por qual deles ela irá se apaixonar. Toda essa modernidade aparente cai por terra quando, no final, a mocinha termina com o único com o qual teve uma relação sexual.
Em outras comédias recentes, a protagonista não perde tempo em ir para a cama. Em Sexo sem Compromisso e O Amor e Outras Drogas é isso o que acontece, mas o exemplo que mais se opõe ao puritanismo de Guerra É Guerra está em Amizade Colorida (Friends with Benefits).
Nele, a personagem vivida por Mila Kunis (Cisne Negro) mantém um relacionamento puramente sexual com o personagem de Justin Timberlake (A Rede Social). Em dado momento, a moça decide engrenar em um namoro mais tradicional com outro sujeito. Ela vai para a cama com ele e depois sofre uma desilusão.
Amizade Colorida não teve medo de mostrar uma mulher segura o suficiente para ter relações sexuais com mais de um homem. Por outro lado, o roteiro de Guerra É Guerra foi bem mais medroso e deu um jeito bobo de deixar claro que a pseudo-modernete Lauren foi às vias de fato com apenas um de seus candidatos a namorado.
domingo, 3 de julho de 2011
Fogo na Bomba: Estamos Juntos
A seção Fogo na Bomba é destina a discutir os finais de filmes. Portanto, só prossiga se não tiver problemas em sabê-lo...
Um amigo misterioso
Spoilerômetro:
Estamos Juntos •
Instinto Secreto •
O roteiro do filme Estamos Juntos destaca-se por conseguir contar muitas tramas paralelas. Uma dessas histórias é sobre o estranho relacionamento entre Carmen, a protagonista vivida por Leandra Leal, e o misterioso personagem interpretado por Lee Taylor.
Ele certamente não é humano, como se pode perceber por seus os sumiços sobrenaturais (evidenciados por movimentos de câmera). No entanto, o filme não deixa claro do que se trata. O que se sabe é que ele acompanha Carmen enquanto ela passa pelas dificuldades que enfrenta quando ela descobre que tem uma grave doença.
Nos créditos finais, o nome do personagem é revelado: Ângelo. Isso pode apontar uma das possibilidades. O tal amigo pode ser o anjo da guarda (espírito guia, ou algo parecido) de Carmen. Como não há qualquer outro elemento fantástico ou religioso no enredo, tendo a descartar essa resposta.
Mesmo que seja visto apenas pelo viés científico, ainda há muitas possibilidades. O caminho para a solução do mistério está na mente de Carmen.
Ângelo pode ser um amigo imaginário, tão comum na infância, que permanece ao lado de Carmen na vida adulta. Isso se evidencia pela relação de dependência e amor entre os dois.
Outro “diagnóstico” (sou leigo, por isso as aspas) é esquizofrenia. Nesse caso, Ângelo seria apenas um delírio. A própria doença de Carmen (aparentemente um tumor no cérebro) poderia causar a manifestação de Ângelo.
Outro filme traz o mesmo tipo de mistério. Trata-se de Instinto Secreto, em que Kevin Costner interpreta um serial killer. Ele é sempre acompanhado por outro homem, interpretado por William Hurt. Também não fica claro exatamente o que é o sujeito.
Filmes que fazem essa narrativa incompleta (em que nem todas as questões são respondidas) têm um sabor a mais. Eles duram mais do que os minutos de projeção e invadem conversas depois da sessão. Um exercício mental muito interessante.
Um amigo misterioso
Spoilerômetro:
Estamos Juntos •
Instinto Secreto •
O roteiro do filme Estamos Juntos destaca-se por conseguir contar muitas tramas paralelas. Uma dessas histórias é sobre o estranho relacionamento entre Carmen, a protagonista vivida por Leandra Leal, e o misterioso personagem interpretado por Lee Taylor.
Ele certamente não é humano, como se pode perceber por seus os sumiços sobrenaturais (evidenciados por movimentos de câmera). No entanto, o filme não deixa claro do que se trata. O que se sabe é que ele acompanha Carmen enquanto ela passa pelas dificuldades que enfrenta quando ela descobre que tem uma grave doença.
Nos créditos finais, o nome do personagem é revelado: Ângelo. Isso pode apontar uma das possibilidades. O tal amigo pode ser o anjo da guarda (espírito guia, ou algo parecido) de Carmen. Como não há qualquer outro elemento fantástico ou religioso no enredo, tendo a descartar essa resposta.
Mesmo que seja visto apenas pelo viés científico, ainda há muitas possibilidades. O caminho para a solução do mistério está na mente de Carmen.
Ângelo pode ser um amigo imaginário, tão comum na infância, que permanece ao lado de Carmen na vida adulta. Isso se evidencia pela relação de dependência e amor entre os dois.
Outro “diagnóstico” (sou leigo, por isso as aspas) é esquizofrenia. Nesse caso, Ângelo seria apenas um delírio. A própria doença de Carmen (aparentemente um tumor no cérebro) poderia causar a manifestação de Ângelo.
Outro filme traz o mesmo tipo de mistério. Trata-se de Instinto Secreto, em que Kevin Costner interpreta um serial killer. Ele é sempre acompanhado por outro homem, interpretado por William Hurt. Também não fica claro exatamente o que é o sujeito.
Filmes que fazem essa narrativa incompleta (em que nem todas as questões são respondidas) têm um sabor a mais. Eles duram mais do que os minutos de projeção e invadem conversas depois da sessão. Um exercício mental muito interessante.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Fogo na Bomba: VIPs: Dentro da mente de um criminoso
Spoilerômetro
VIPs •Uma Mente Brilhante •
A seção Fogo na Bomba é destinada a discutir o final de um filme. Como contar o desfecho de uma história pode ser considerado uma baita sacanagem, nada melhor do que começar com um filme cujo protagonista é uma grande sacana.
VIPs, longa-metragem que recentemente alcançou a marca de 500 mil espectadores, dá uma explicação para o comportamento golpista de Marcelo Nascimento. Tal façanha foi tentada por muitas reportagens sobre o falso dono da Gol no Recifolia tantaram fazer, sem sucesso.
Cabe aqui um parênteses: não sou estudioso de psicologia. Por isso, minhas explicações serão bem superficiais. Pessoas mais entendidas no assunto são convidadas a deixar um comentário (bem educado, é lógico).
Pois bem, alguns artigos defenderam que Marcelo seria um psicopata, uma pessoa incapaz de sentir amor por outra pessoa que não seja ela mesma. Os psicopatas também não conseguem decernir muito bem o certo do errado.
Outras reportagens especulavam que Marcelo seria um mitomaníaco, uma pessoa que tem a necessidade de contar mentiras e criar histórias falsas sobre si mesmo.
O filme estrelado por Wagner Moura segue uma linha diferente das duas citadas acima. A tese de VIPs não se baseia em indícios reais, mas cria uma solução dramática interessante.
No longa, Marcelo teria uma espécie de esquizofrenia, um tanto parecida com a do protagonista de Uma Mente Brilhante. No filme nacional, o anti-herói criou para si uma figura paterna (que lhe é ausente), que seria um piloto. Esse pai é a projeção de seu sonho de voar e escapar da realidade triste em que vive.
Com essa mudança, cria-se simpatia pelo falsário, já que ele não tem culpa. Trata-se de uma pessoa doente, que precisa de ajuda psicológica. Já o mistério em torno da razão que leva o Marcelo Nascimento real a aplicar seus golpes continua sem solução.
Para saber mais sobre o personagem real, aconselho a leitura do livro VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso e aguardar a estreia do documentário homônimo.
O livro é escrito por Mariana Caltabiano e o documentário, que deve estrear em breve, também tem direção dela. Essas duas obras são muito engraçadas e merecem a atenção do público.
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