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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Os Amantes Passageiros

Um avião passa por problemas técnicos em pleno voo. Os comissários precisam controlar os ânimos dos passageiros enquanto se pensa em uma solução.

Depois de muito tempo, Pedro Almodóvar (A Pele que Habito) volta às comédias e consegue arrancar boas risadas. Há, de quebra, um subtexto inteligente, com crítica à crise econômica europeia e às hipocrisias da sociedade.

Os Amantes Passageiros (Los amantes pasajeros)
Roteiro e Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Javier Cámara, Carlos Areces, Raúl Arévalo, Antonio de la Torre, Hugo Silva
Duração: 90 minutos
País: Espanha

Nota: 7


Guerra Mundial Z

Uma pandemia zumbi obriga um ex-funcionário da ONU (Brad Pitt, de O Homem da Máfia) a voltar ao trabalho. Ele então parte para uma viagem em busca da chave para derrotar os mortos-vivos.

O espectador não pode ir ao cinema na esperança de ver a tensão ou o banho de sangue de outros filmes de zumbi. Apesar de alguns tropeços do roteiro, a produção termina com saldo positivo.

MAIS:
Perfil: Um diretor entre o drama e a ação (SaraivaConteúdo)

Guerra Mundial Z (World War Z)
Direção: Marc Forster
Roteiro: Matthew Michael Carnahan, Drew Goddard, Damon Lindelof
Elenco: Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz, James Badge Dale, Ludi Boeken
Duração: 116 minutos
País: EUA, Malta

Nota: 6


Todo Mundo em Pânico 5

Um casal começa a entrar em contato com eventos paranormais depois que adotam três crianças. Eles instalam câmeras de segurança para registrar os estranhos acontecimentos.

A graça da franquia de paródias cinematográficas ficou no passado. É difícil rir das piadas do filme e não há qualquer rigor de linguagem.

Todo Mundo em Pânico 5 (Scary MoVie)
Direção: Malcolm D. Lee
Roteiro: David Zucker, Pat Proft
Elenco: Ashley Tisdale, Simon Rex, Erica Ash, Katt Williams, Terry Crews
Duração: 86 minutos
País: EUA

Nota: 3

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Ginger & Rosa: Mente feminina

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Quando um filme é escrito por uma mulher, dirigido por uma mulher e o título é formado pelo nome de duas mulheres; é de se esperar que o roteiro seja voltado para o público feminino. Pois é exatamente o que oferece Ginger & Rosa.

As duas moças que dão nome à produção se conhecem desde a mais tenra idade. Em 1962, elas passam pelos últimos anos da adolescência e dividem as descobertas dessa fase da vida. O primeiro cigarro, as primeiras aventuras amorosas e os conflitos com os pais.

O enredo é visto pelo olhar de Ginger (Elle Fanning, de Compramos um Zoológico), que passa por um momento complicado. O casamento de seus pais está em dificuldades e ela está engajada nos movimentos civis que culminarão com as revoltas do final dos anos 1960.


Por ainda ser uma psique em formação em um cenário de grande tensão, Ginger mistura seus problemas pessoais com os acontecimentos no mundo. Por isso, ela associa o comportamento egocêntrico de seu pai (Alessandro Nivola, de Coco Antes de Chanel) com a Crise de Mísseis em Cuba. Assim, fica com pensamentos apocalípticos e se sente totalmente impotente.

Nessa situação-limite, entramos na cabeça da jovem, mas com bastante sensibilidade. É nesse ponto em que é necessária uma perspectiva feminina. Se o espectador for másculo demais, ficará frustrado e provavelmente bravo ao prever os erros que os personagens cometerão.

Ginger & Rosa traz personagens verossímeis e atores em sintonia. Assim, o que acontece na tela são as consequências de falhas de caráter e de julgamento que são visíveis apenas para os espectadores. É com essa consciência que precisamos entrar na sala de projeção.


Ginger & Rosa
Roteiro e Direção: Sally Potter
Elenco: Elle Fanning, Alice Englert, Alessandro Nivola, Christina Hendricks, Timothy Spall, Oliver Platt, Annette Bening
Duração: 90 minutos
País: Reino Unido, Dinamarca, Canadá, Croácia

Nota: 8

sexta-feira, 29 de março de 2013

Estreias da semana


 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Adeus Berthe

O desastrado farmacêutico Armand precisa organizar o funeral de sua avó. Sua vida está bagunçada, pois ele está dividido entre o amor de duas mulheres: sua esposa e sua amante.

LEIA MAIS:
Mini-crítica no Guia Varilux

Dentro da Casa

O jovem Claude se intromete na rotina da família de Rapha, seu colega de escola. Ele escreve redações sobre a experiência e as entrega ao professor Germain, que reencontra o entusiasmo por sua profissão por causa do talento do aluno.

LEIA MAIS:
Crítica: O voyer do voyer

Uma Garrafa no Mar de Gaza*

Tai e Naim começam a se corresponder pela internet. A amizade entre os dois jovens é dificultada porque ela é israelense e ele é palestino.

LEIA MAIS:
Mini-crítica no Guia Varilux

* O filme estreia apenas no Rio de Janeiro


G.I. Joe 2

A equipe de elite é acusada injustamente de crimes e a unidade é desativada pelo presidente (Jonathan Pryce, de Histeria). Agora Roadblock (Dwayne Johnson, de Viagem 2) e companhia precisam acabar com uma ameaça nuclear e derrotar o Comandante Cobra (Luke Bracey, de Monte Carlo).

Cenas de ação são abundantes na sequência, mas o roteiro é uma peneira. Por isso, a produção não é aconselhável para espectadores com uma idade mental acima de 14 anos. Por trazer algumas atrizes em trajes mínimos, também não é indicado para menores de 12 anos.

LEIA MAIS:
Matéria: Do plástico para as telas: brinquedos que viraram filmes (SaraivaConteúdo)

G.I. Joe: Retaliação (G.I. Joe: Retaliation)
Direção: Jon M. Chu
Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick
Elenco: Dwayne Johnson, Jonathan Pryce, Byung-hun Lee, Elodie Yung, Ray Stevenson, D.J. Cotrona, Adrianne Palicki, Channing Tatum, Ray Park, Luke Bracey, Arnold Vosloo, Bruce Willis
Duração: 110 minutos
País: EUA

Nota: 4


A Hospedeira

No futuro a maioria dos seres humanos terá seus corpos invadidos por alienígenas. Melanie (Saoirse Ronan, de Hanna) é uma das rebeldes humanas na distopia. Quando tem um extraterrestre implantado em seu corpo, sua mente luta com a invasora para manter o controle.

Há alguns elementos de Crepúsculo nessa nova adaptação da obra de Stephenie Meyer, mas o saldo é mais positivo. O roteiro tem suas incongruências, porém o perdão é possível se considerarmos que o objetivo é passar a mensagem de que o amor é a maior das forças conhecidas.

A Hospedeira (The Host)
Roteiro e Direção: Andrew Niccol
Elenco: Saoirse Ronan, Max Irons, Jake Abel, Diane Kruger, Chandler Canterbury, William Hurt
Duração: 125 minutos
País: EUA

Nota: 5


Titeuf

A vida do garoto Titeuf está mal. Ele é ignorado por sua amada e o casamento de seus pais passa por uma crise. Em sua inocência, ele tenta entender os problemas.

O filme é claramente inspirado por mais de um volume dos quadrinhos, mas a adaptação consegue amarrar a narrativa com coesão. A viagem dentro da mente de um pré-adolescente é a graça da animação.

Titeuf (Titeuf, le film)
Roteiro e Direção: Zep
Elenco: Donald Reignoux, Mélanie Bernier, Danielle Hazan, Sam Karmann, Maria Pacôme
Duração: 87 minutos
País: França

Nota: 7

O Último Elvis

Carlos é tão fã de Elvis que gosta de ser chamado com o nome do cantor. Sua vida pessoal está um caos e sua devoção atinge um nível preocupante.

LEIA MAIS:
Fogo na Bomba: Dicas demais

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Gato do Rabino: Cineducação

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


No meio acadêmico há muitos artigos e cursos sobre o uso do audiovisual na sala de aula. A animação O Gato do Rabino (Le chat du rabbin) é um exemplo de produção que deve ser recebida de braços abertos nas escolas.

O desenho se passa na Argélia, onde o tal gato do rabino ganha a habilidade de falar depois de comer um papagaio. Agora o bichano pede a seu dono que lhe organize um Bar Mitzvah. A reclamação do felino deixa o rabino intrigado, porque ele não sabe se é correto fazer esse tipo de cerimônia para um animal.


Enquanto não se decide se a festividade vai acontecer ou não, outros conflitos surgem. O mais importante é que toda a narrativa serve para mostrar aspectos da cultura e da fé judaica.

A aula que se assiste no cinema com essa animação francesa está longe da chatice que se experimenta na maioria das tentativas de se educar com audiovisual. A estética do desenho é elegante e se permite a algumas ousadias. O texto é ágil e traz diálogos muito interessantes.

Há vários outros títulos que ensinam aspectos de uma religião para as crianças. O que atesta a qualidade de O Gato do Rabino é que, nesse caso, os aprendizes não são tratados como cordeiros. O foco é a educação e não a conversão. Tanto que entre as piadas contidas nas falas do gato estão questionamentos. Mais importante do que transmitir o conhecimento é ensinar a pensar e essa missão é cumprida pelo longa.


O Gato do Rabino (Le chat du rabbin)
Direção: Antoine Delesvaux, Joann Sfar
Roteiro: Joann Sfar
Elenco: Mathieu Amalric, François Damiens, Hafsia Herzi, Karina Testa, Mohamed Fellag, Eric Elmosnino, Daniel Cohen, Joann Sfar
Duração: 100 minutos
País: França, Áustria

Nota: 7

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Garoto que Mente: Ética e ambiente

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Há alguns tipos de comportamento que todos aprendem como errados desde a infância. A mentira é uma dessas atitudes que as crianças são desaconselhadas a tomar. O Garoto que Mente (El chico que miente) consegue mostrar que algumas situações extremas obrigam os jovens a fazer a coisa errada.

Um menino (Iker Fernández) viaja sozinho pelo interior da Venezuela. A todo momento, ele reinventa sua história de vida. Suas mentiras não são graves e é a forma como o protagonista encontrou para sobreviver. Há 10 anos um deslizamento de terra acabou com sua família, mas ele adapta algumas circunstâncias do conto de maneira a comover seu interlocutor.

A cronologia do filme é fragmentada, contando um pouco do passado e um pouco do presente do menino. Dessa forma descobre-se aos poucos o quanto de verdade há em seu discurso. O público é também enganado pelas mentiras.


O objetivo de O Garoto que Mente é mostrar a realidade da periferia venezuelana. Com uma latente crítica social, o filme traça paralelos e entre a situação sócio-econômica e a cultura do país. Por essa razão, a fé é tema de muitas de suas cenas.

Os encontros travados pelo protagonista em seu caminho servem para apresentar novos elementos que compõem um quadro mais complexo da periferia da Venezuela. Trata-se de um belo exemplo de narrativa que justifica sua existência além do drama.

A maioria das contravenções que se pode ver em O Garoto que Mente acontecem por causa da negligência das autoridades. Quem está mais errado: o poco que toma atitudes erradas por desespero ou um governo ausente?


O Garoto que Mente (El chico que miente)
Direção: Marité Ugas
Roteiro: Mariana Rondón, Marité Ugas
Elenco: Iker Fernández, Francisco Denis, María Fernanda Ferro
Duração: 100 minutos
País: Venezuela, Peru, Alemanha

Nota: 7

O Garoto que Mente foi visto no Festival Latino 2012.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A Guerra dos Botões: Verdade infantil

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Quase cinquenta anos depois da primeira adaptação cinematográfica do romance de Louis Pergaud, uma nova versão de A Guerra dos Botões (La guerre des boutons) chega aos cinemas. Agora a produção ganha mais ares de filme de época e prima por mostrar às claras como era infância no final dos anos 50.

A inocência das crianças fica evidente nas frequentes brigas entre garotos de vilarejos rivais no interior da França. Eles trocam sopapos, pensam em armadilhas e artimanhas para prejudicar os inimigos (na verdade, mais adversários do que inimigos), mas ninguém se machuca.

Se esse ar saudosista pode soar romântico, ao relembrar as brincadeiras ao ar livre em uma era anterior aos videogames e à internet; o filme não perde a realidade de vista. Além dos deveres dados pelo professor Merlim (Eric Elmosnino, de Gainsboug - O Homem que Amava as Mulheres), os garotos precisam se preocupar com as possíveis surras dos pais. Hoje em dia, tal “prática pedagógica” é vista com maus olhos e raramente é tema de produções dedicadas ao público infantil.


Lebrac (Vincent Bres), o protagonista de A Guerra dos Botões, também tem em mente as responsabilidades domésticas que adquiriu depois da morte de seu pai. O garoto ordenha o gado, ajuda na limpeza da casa e cuida das irmãs mais novas. Ele é o líder da gangue de meninos do seu vilarejo.

A emoção da fita é transmitida porque os atores mirins dão conta do recado. Por causa de filmes como este (além de O Pequeno Nicolau e Tomboy, por exemplo) pode-se dizer que o cinema francês tem um belo trabalho na direção de crianças-atores (e jovens também, como em Entre os Muros da Escola).

Infelizmente o mesmo não se pode dizer dos filmes brasileiros. Talvez seja o momento de sermos menos tolerantes com os selecionadores e e diretores que lidam com elencos jovens.


A Guerra dos Botões (La guerre des boutons)
Roteiro e Direção: Yann Samuell
Elenco: Eric Elmosnino, Mathilde Seigner, Fred Testot, Alain Chabat, Vincent Bres, Salomé Lemire, Théo Bertrand, Tristan Vichard, Tom Terrail, Louis Lefèbvre, Victor Le Blond, Arthur Garnier, June Maître
Duração: 109 minutos
País: França

Nota: 8

segunda-feira, 19 de março de 2012

Fogo na Bomba: Guerra É Guerra X Amizade Colorida: Moralismo de gênero

A seção Fogo na Bomba é destinada a discutir os finais de filmes. Portanto, só prossiga se não tiver problemas em sabê-lo...

Spoilerômetro: • (?)


Nos últimos anos a comédia romântica, um dos gêneros mais tradicionais do cinema estadunidense, tenta se reformular para ficar mais alinhada com o comportamento contemporâneo. Guerra É Guerra (This Means War) está nessa frente, mas falha no último momento.

Lauren (Reese Witherspoon, de Água para Elefantes) está dividida entre dois amores, FDR (Chris Pine, de Incontrolável) e Tuck (Tom Hardy, de O Espião que Sabia Demais). O que ela não sabe é que os dois são grandes amigos e trabalham juntos como agentes da CIA. Em sua indecisão, Lauren mantém encontros românticos com ambos.


Como em outros filmes atuais, o primeiro beijo não é a grande cena. Lauren troca carícias com os dois pretendentes e o que interessa é por qual deles ela irá se apaixonar. Toda essa modernidade aparente cai por terra quando, no final, a mocinha termina com o único com o qual teve uma relação sexual.

Em outras comédias recentes, a protagonista não perde tempo em ir para a cama. Em Sexo sem Compromisso e O Amor e Outras Drogas é isso o que acontece, mas o exemplo que mais se opõe ao puritanismo de Guerra É Guerra está em Amizade Colorida (Friends with Benefits).


Nele, a personagem vivida por Mila Kunis (Cisne Negro) mantém um relacionamento puramente sexual com o personagem de Justin Timberlake (A Rede Social). Em dado momento, a moça decide engrenar em um namoro mais tradicional com outro sujeito. Ela vai para a cama com ele e depois sofre uma desilusão.

Amizade Colorida não teve medo de mostrar uma mulher segura o suficiente para ter relações sexuais com mais de um homem. Por outro lado, o roteiro de Guerra É Guerra foi bem mais medroso e deu um jeito bobo de deixar claro que a pseudo-modernete Lauren foi às vias de fato com apenas um de seus candidatos a namorado.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A Guerra Está Declarada: Fora de compasso

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


A participação dos verdadeiros personagens em filmes baseados em histórias reais garante a emoção real, mas a influência dessas figuras também pode ter efeitos colaterais. O Último Dançarino de Mao já provou essa tendência e A Guerra Está Declarada (La guerre est déclarée) a leva ao extremo.

O candidato francês ao Oscar 2012 conta a história de um casal cujo filho é diagnosticado com câncer antes de completar dois anos de idade. O tal casal assina o roteiro e interpreta a si mesmo no filme, que é dirigido por um deles (a mãe).


Como é de se esperar o resultado é um filme irregular em vários sentidos. A título de simplificação, vou usar apenas a irregularidade na área musical. As canções selecionadas merecem elogios pelo ecletismo. Com certeza não há clichês nesse assunto. No entanto, a musicalidade do filme não escapa de deslizes.

Muitas cenas de A Guerra Está Declarada ganham qualidade graças às canções que as acompanham. Por outro lado, outras cenas não casam com a música que se ouve.

O exemplo máximo de uma péssima ideia que não encontra freios desde sua concepção no roteiro até ser impressa em celuloide é uma cena musical. O casal de protagonistas está viajando um ao encontro do outro quando uma balada romântica começa a tocar. No momento em que o espectador está a ponto de se emocionar, os personagens começam a cantar em um dueto DDD (em que um canta o verso e completa o outro, apesar de estarem em lugares diferentes). Isso resume bem os erros do filme.




A Guerra Está Declarada (La guerre est déclarée)
Direção: Valérie Donzelli
Roteiro: Jérémie Elkaïm, Valérie Donzelli
Elenco: Valérie Donzelli, Jérémie Elkaïm, César Desseix, Gabriel Elkaïm, Brigitte Sy, Elina Löwensohn, Michèle Moretti, Philippe Laudenbach, Bastien Bouillon
Duração: 100 minutos
País: França

Nota: 4

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Gato de Botas: De olho no lucro

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Em 2004, a melhor aquisição para o elenco de Shrek 2 em comparação ao filme original foi a participação do Gato de Botas, com voz de Antonio Banderas (A Pele que Habito). O personagem fez tanto sucesso que o felino ganhou um filme próprio.

O projeto nasceu pensado para ser lançado diretamente em DVD, mas a Dreamworks decidiu apostar no carisma do bichano. Gato de Botas (Puss in Boots) foi replanejado para um grande lançamento em cinemas, com direito a efeitos 3D de alta qualidade.

Para contar as origens de seu personagem principal, o roteiro não se priva de usar outros exemplos de sucesso. Assim como o Gato, Jack Sparrow surgiu como coadjuvante de Piratas do Caribe, roubou a cena e depois foi elevado ao posto de protagonista de filmes bilionários. Por também ser um mulherengo com grande talento para entrar em encrencas, não é muito difícil aproximar o pirata do felino. Principalmente se os realizadores da animação estiverem de olho no baú do tesouro das bilheterias.


Assim, Gato de Botas traz uma mistura equilibrada de aventura, romance e comédia. Nesse último quesito, a animação mantém-se na mesma linha de humor dos filmes de Shrek. Portanto, o espectador pode esperar algumas piadas mais ásperas, boas referências à cultura pop e uma dose de pastelão.

Já na parte de romance e aventura, Jack Sparrow volta a ser um exemplo a ser seguido, Como no último filme do pirata, Gato tem interesse romântico por uma latina com o mesmo estilo de vida dele e um temperamento volátil. Kitty recebe a voz de Salma Hayek (Gente Grande) e vive uma relação de amor e ódio pelo protagonista durante todo o enredo – da mesma maneira que Angelica faz com Sparrow.

Com tantas inspirações em outras produções, Gato de Botas segue a fórmula perfeita para agradar. A única exigência é que não se espere muita originalidade no roteiro e a diversão é garantida.


Gato de Botas (Puss in Boots)
Direção: Chris Miller
Roteiro: Will Davies, Brian Lynch, David H. Steinberg, Tom Wheeler, Jon Zack
Elenco: Antonio Banderas, Salma Hayek, Zach Galifianakis, Billy Bob Thornton , Amy Sedaris, Constance Marie
Duração: 90 minutos
País: EUA

Nota: 6

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Guerra dos Sexos: Forma e conteúdo

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


A proposta de multiplots temáticos* é criar um panorama amplo sobre um determinado assunto. Guerra dos Sexos (Maschi contro femmine) fala sobre as diferentes aspirações de homens e mulheres quando o assunto é sexo e amor. Em sua empreitada, o filme conta histórias clichês e outras com questões um pouco mais complexas.

Entre as tramas convencionais pode-se usar de exemplo o caso de Diego (Alessandro Preziosi, de O Primeiro que Disse), um garanhão que percebe que precisa mudar seu estilo de vida depois de ser recusado por sua vizinha Chiara (Paola Cortellesi). Já nas história com temas mais profundos, há espaço para discutir diversidade sexual e adultério.

O que a princípio parece um descompasso é que todos esses enredos são contados de forma simples e até inocente. Os diálogos e as piadas são primários e a câmera não faz movimentos ousados.


Esse aparente desequilíbrio entre forma e conteúdo pode ser considerado algo positivo. Com uma estética e narrativa simples, Guerra dos Sexos é um filme acessível ao espectador mais iniciante. Com isso, pessoas que não estão habituadas a esses temas serão expostas a questões que, de outra maneira, provavelmente não fariam parte de suas conversas.

Portanto, o filme dificilmente passará despercebido por quem assisti-lo. Os cinéfilos mais exigentes podem até torcer o nariz diante à simplicidade de Guerra dos Sexos, mas a produção fomentará discussões praticamente inéditas em espectadores mais ligados às convenções estéticas e narrativas.



Guerra dos Sexos (Maschi contro femmine)
Direção: Fausto Brizzi
Roteiro: Fausto Brizzi, Massimiliano Bruno, Valeria Di Napoli, Marco Martani
Elenco: Paola Cortellesi, Fabio De Luigi, Lucia Ocone, Francesco Pannofino, Alessandro Preziosi, Paolo Ruffini, Carla Signoris, Nicolas Vaporidis, Giorgia Wurth, Claudio Bisio, Nancy Brilli, Giuseppe Cederna
Duração: 113 minutos
País: Itália

Nota: 6

* Multiplots temáticos são filmes que usam uma série de tramas paralelas com o mesmo tema.

sábado, 12 de novembro de 2011

O Garoto de Bicicleta: Cachorro abandonado

por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?) - penúltimo parágrafo


Por causa da pouca experiência de vida, as crianças encaram seus problemas de forma diferente dos adultos. O protagonista de Onde Vivem os Monstros usa a imaginação, enquanto o personagem principal de O Garoto de Bicicleta (Le gamin au vélo) também adota um comportamento selvagem, mas sem criar um mundo fantástico para isso.

Cyril (o estreante Thomas Doret) mora em um internato e não está conseguindo entrar em contato com seu pai. Parece que o homem mudou de casa e não avisou o filho.

Cyril liga repetidas vezes para um número desativado de telefone e não aceita a situação. Quando confrontado por um dos educadores da instituição, o menino lhe morde o braço. A partir daí está estabelecido que as atitudes de Cyril são as mesmas de um cachorro. A postura fiel a seu pai é uma das pistas.

Em seguida, Cyril consegue ir ao prédio onde seu pai morava. Lá ele percebe que realmente ele se mudou. Aí uma segunda preocupação aparece: onde está a bicicleta do garoto?

Samantha (Cécile De France, de Além da Vida), uma mulher que Cyril encontra quando vai ao prédio onde seu pai morava, consegue recuperar a bicicleta. Quando monta nela, o menino parece um cão que, depois confinado, é solto em um quintal: faz percursos circulares sem se preocupar com o carro que manobra próximo a ele.


Depois desse contato, Samantha passa a ser a guardiã do garoto nos fins de semana. Aí ele parece um cachorro que ganha um novo dono, quer proteger e agradar, mas parece agrecivo se acuado. Os traumas do abandono continuam por ali.

• Não por acaso, Cyril sempre usa camiseta ou agasalho vermelhos. Trata-se da sua pelagem canina. Em uma cena mais para o final do filme, o protagonista precisa ser homem. Nesse momento, ele está de azul. Na cena seguinte, quando as atitudes caninas são permitidas, a camiseta vermelha volta.

A relação entre Samantha e Cyril é bem parecia com a dos personagens principais do longa nacional O Contador de Histórias. A mulher adulta não desiste do garoto rebelde e traumatizado, na esperança de que o amor repare suas feridas psicológicas. Essa é a mensagem positiva deixada por ambos os filmes.





O Garoto de Bicicleta (Le gamin au velo)
Roteiro e Direção: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
Elenco: Thomas Doret, Cécile De France. Jérémie Renier. Egon Di Mateo
Duração: 87 minutos
País: Bélgica, França, Itália

Nota: 8

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O Guarda X Na Mira do Chefe: Iguais, mas diferentes

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Antes que os leitores achem que eu enlouqueci, expliquemos o título do texto. A comédia britânica O Guarda (The Guard) é protagonizado por Brendan Gleeson, que faz um papel semelhante ao que desempenhou na comédia britânico Na Mira do Chefe (In Bruges).

Não é só o gênero e o ator que aproximam os dois filmes. Ambas produções mesclam o humor tipicamente britânico com clima de perseguição policial. O Guarda conta a história de um policial nada convencional que investiga um assassinato. Já em Na Mira do Chefe, Gleeson está do outro lado da lei, já que interpreta um gangster nada convencional designado a levar um colega de trabalho para a cidade de Bruges e matá-lo.

Os roteiros dos dois filmes parece simplórios, mas ganham riqueza ao inserirem elementos surpreendentes e por vezes tresloucados. Nesse sentido, Na Mira do Chefe é mais ousado.


Os vilões das duas produções também partilham similaridades. Em O Guarda, um dos antagonistas é vivido por Mark Strong (Lanterna Verde), que partilha dos mesmos mau-humor e aura sombria de Ralph Fiennes (da série Harry Potter) no outro filme.

Se as semelhanças ainda não forem suficientes, eis mais uma: o diretor de um é irmão do diretor do outro.
Portanto, se o leitor gostou de Na Mira do Chefe, também deve gostar de O Guarda. E se o leitor gosta de humor britânico, provavelmente vai gostar dos dois.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Gigantes de Aço: Estilo saco de Doritos

 por Vanessa Santos

Spoilerômetro: • (?)


Dirigido por Shawn Levy (Uma Noite no Museu), o longa Gigantes de Aço (Real Steel) nos apresenta a Charlie (Hugh Jackman), um ex-boxeador em um mundo onde ninguém mais liga para lutas entre humanos. Sua carreira controlando robôs lutadores está indo de mal a pior. Após a morte da ex-namorada, ele se vê obrigado a passar alguns meses com seu filho, Max (Dakota Goyo). Acidentalmente, os dois descobrem em uma sucata um robô velho, Atom. O desacreditado maquinário pode ser a chave de Charlie para o topo e, de quebra, ajudá-lo a se conectar com o garoto.

"Os filmes pipocas foram feitos para passar o tempo e desligar o cerebro". Fato: Definitivamente essa afirmativa não se aplica à mim. Minha mente não tem um botão on e off onde posso ligar e desligar a qualquer momento que queira. Ainda mais em um filme como esse.

Não é de todo mal. É divertido, não ofende a inteligencia de ninguém e com certeza é um futuro classico da sessão da tarde homenageando grandes momentos do cinema como Rock Balboa, Karate Kid e Falcão (do primeiro exemplo, até os dialogos são semelhantes).


O grande problema é querer se garantir somente nos efeitos especiais e no carisma de Hugh Jackman como o pai canalha. Daí se esquece de oferecer uma profundidade maior ao roteiro. Um exemplo disso está em uma cena com o robo Atom estático se olhando no espelho dando a entender que estava adquirindo consciencia, mas não há continuidade a isso. Se perde na história.

Outro problema está na relação do personagem de Jackman com seu filho: o garoto perdeu a mãe e é obrigado a passar o verão com o pai que nunca vira pois este é "vendido" pelo padrasto. Ainda assim não há uma situação de estranheza, rancor ou mágoa entre os dois.

Posso estar pedindo muito para um filme-entretenimento-família, mas ao menos uma abordagem nesse sentido o tornaria menos medíocre. Se os efeitos especiais são um prato fundo cheio, o roteiro sobre a relação dos dois possui a profundidade de um pires. Mas ainda assim se você é daqueles que consegue desligar o cerebro é uma boa pedida para se divertir.




Gigantes de Aço (Real Steel)
Direção: Shawn Levy
Roteiro: John Gatins
Elenco: Hugh Jackman, Dakota Goyo, Evangeline Lilly, Anthony Mackie, Kevin Durand
Duração: 127 minutos
País: Estados Unidos, Índia


* Explicação do título do texto: Mesmo que haja mais ar do que conteúdo, vale a pena comprar.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Garoto de Liverpool



Sinopse: John Lennon é um jovem estudante que mora com seus tios. Depois da morte do tio, ele começa a entrar em contato com sua mãe, que abandonou John quando ele era criança. Ela o ensina a tocar bandolim e ele resolve montar uma banda de rock.


Ficha Técnica
O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy)
Direção: Sam Taylor-Wood
Roteiro: Matt Greenhalgh
Elenco: Aaron Johnson, Kristin Scott Thomas, David Threlfall, Ophelia Lovibond, Anne-Marie Duff, Thomas Brodie-Sangster, Sam Bell
Duração: 98 minutos
País: Reino Unido, Canadá


The Beatles Begins
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy) conta a história da adolescência de John Lennon, antes de formar os Beatles. Por essa razão, os fãs da banda não poderão ouvir as famosas canções do quarteto britânico para acompanhar o enredo. Mesmo assim, há algumas referências a elas nas falas.

Apesar de o trailer mostrar o envolvimento de John com uma colega de escola, o foco do filme está na formação do homem que seria o ídolo do rock. A conturbada relação dele com a mãe é o principal conflito da fita.

A cinebiografia chega a exagerar na ênfase do assunto e distorce algumas das composições de Lennon, como se fossem dedicadas a sua mãe. A falta materna foi realmente sentida por ele, o que explica a forma como ele viria a se relacionar com Yoko anos depois. O lado bom é com esse enfoque o cinema ganha um belo drama.

No entanto, não é só a formação psicológica de John Lennon que o filme trata. Suas vastas influências musicais são abordadas pela produção e nesse ponto os fãs mais dedicados do músico poderão se deleitar.

O Garoto de Liverpool não se dedica muito ao assunto Beatles, mas quando o faz é com muita sinceridade. A amizade entre os jovens Paul e John, que renderia em uma frutífera parceria musical, é mostrada de forma tocante. O roteiro é fiel ao mostrar que Lennon era um grande piadista e que McCartney era quem realmente estudava música e era a mente criativa na banda.

George aparece muito pouco e, como o filme só chega ao começo de carreira dos Beatles, Ringo não é citado. Essa ausência chega a ser engraçada, já que o baterista é o beatle menos favorito da maioria dos fãs e é conhecido como “o sortudo de Liverpool que sabia batucar”.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Gente Grande



Sinopse: Cinco amigos de infância se reúnem após 30 anos, durante o funeral do antigo treinador de basquete deles. Cada um tomou um rumo diferente na vida, e agora vão passar um feriado prolongado juntos e com suas famílias.


Ficha Técnica
Gente Grande (Grown Ups)
Direção: Dennis Dugan
Roteiro: Adam Sandler, Fred Wolf
Elenco: Adam Sandler, Chris Rock, David Spade, Rob Schneider, Kevin James, Salma Hayek
Duração: 102 minutos
País: EUA



 por Flávia Yacubian

(Spoilerômetro: • trailer)

Adam Sandler é o nome principal deste filme. Só faltou dirigi-lo. Então, o que temos em vista só pode ser um filme típico de Sandler: piadas escatológicas alternadas com momentos fofinhos. Para quem não gosta do estilo, nem adianta arriscar.

A diferença é que ele está envelhecendo e decidiu retratar esse momento de sua vida. Em seus últimos filmes, Sandler tem se mostrado um pouco melancólico, mas neste temos menos filosofias e mais a celebração da vida, das amizades, da família e tudo que vem junto.

Para isso chamou alguns colegas de outros tempos e divide a tela com Chris Rock, David Spade, Rob Schneider e Kevin James. E, por incrível que pareça, nenhum se destaca (isso é um elogio!). Todos têm suas boas deixas. Os melhores momentos, na verdade, acontecem quando estão em conjunto, praticamente criando um ambiente de “improv” no set e se alternando entre as piadas. Se cada um não te lembrar de algum amigo de infância, você teve poucos amigos.

Quem for muito fã de um dos comediantes em ação, pode sentir falta de maior destaque sobre a atuação individual, mas achei que desse modo o humor ficou na medida certa. Inclusive, alguns coadjuvantes têm mais aparições do que deveriam, o que pode ficar repetitivo.

O único problema mais grave do filme foi a elaboração da amizade deles, que deixou a desejar. Poderíamos ver mais cenas de infância ou recordações, talvez. Quem sabe uma possível continuação de conta disso. E acho que podemos contar com uma, pois apesar de estar sendo execrado pela crítica, Gente Grande está atraindo muita gente para o cinema e provavelmente será o maior sucesso de Sandler, desbancando seu maior hit, outro filme “família”, O Paizão.