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terça-feira, 17 de julho de 2012

As Más Intenções: Psicologia infantil

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Em muitos aspectos, As Más Intenções (Las malas intenciones) se parece com O Labirinto do Fauno (2006). Em ambos há como protagonista uma menina imaginativa cuja mãe está grávida do padastro. O ambiente social hostil faz as garotas usarem a imaginação como válvula de escape.

As Más Intenções se passa no Peru de 1982, em meio a uma revolta socialista e clima de terrorismo. Cayetana (Fatima Buntinx) não reage muito bem à notícia de que sua mãe (Katerina D'Onofrio) está grávida e se convence de que morrerá quando seu irmão nascer. Movida pelo ciúmes, ela toma atitudes reprováveis, mas consegue garantir a simpatia do público por causa do talento da jovem atriz que a interpreta.


É correto afirmar que Cayetana é uma personagem mais complexa do que Ofelia, apesar de O Labirinto do Fauno ser um filme superior. A mistura de maturidade e inocência de Cayetana gera as melhores cenas e diálogos de As Más Intenções.

Enquanto Ofelia coleciona livros de contos de fada, Cayetana é mais interessada pela história da Améria do Sul. Por essa razão, seus delírios são com personagens históricos no lugar de criaturas mágicas. Por ser mais racional, suas fantasias são mais psicológica e questionadoras.

O filme abraça esse viés psicológico de sua protagonista com inteligência. Assim, muitas vezes a passagem entre cenas é abrupta e tem-se a impressão de que o foco narrativo se perdeu. No entanto, tal qual a fluidez do raciocínio humano, logo são construídas pontes entre elementos aparentemente desconexos e o filme avança em um ritmo único.


As Más Intenções (Las malas intenciones)
Roteiro e Direção: Rosario Garcia-Montero
Elenco: Fatima Buntinx, Katerina D'Onofrio, Melchor Gorrochátegui, Kani Hart, Jean-Paul Strauss, Paul Vega
Duração: 110 minutos
País: Peru, Argentina, Alemanha

Nota: 7

As Más Intenções foi visto no Festival Latino 2012.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Garoto que Mente: Ética e ambiente

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Há alguns tipos de comportamento que todos aprendem como errados desde a infância. A mentira é uma dessas atitudes que as crianças são desaconselhadas a tomar. O Garoto que Mente (El chico que miente) consegue mostrar que algumas situações extremas obrigam os jovens a fazer a coisa errada.

Um menino (Iker Fernández) viaja sozinho pelo interior da Venezuela. A todo momento, ele reinventa sua história de vida. Suas mentiras não são graves e é a forma como o protagonista encontrou para sobreviver. Há 10 anos um deslizamento de terra acabou com sua família, mas ele adapta algumas circunstâncias do conto de maneira a comover seu interlocutor.

A cronologia do filme é fragmentada, contando um pouco do passado e um pouco do presente do menino. Dessa forma descobre-se aos poucos o quanto de verdade há em seu discurso. O público é também enganado pelas mentiras.


O objetivo de O Garoto que Mente é mostrar a realidade da periferia venezuelana. Com uma latente crítica social, o filme traça paralelos e entre a situação sócio-econômica e a cultura do país. Por essa razão, a fé é tema de muitas de suas cenas.

Os encontros travados pelo protagonista em seu caminho servem para apresentar novos elementos que compõem um quadro mais complexo da periferia da Venezuela. Trata-se de um belo exemplo de narrativa que justifica sua existência além do drama.

A maioria das contravenções que se pode ver em O Garoto que Mente acontecem por causa da negligência das autoridades. Quem está mais errado: o poco que toma atitudes erradas por desespero ou um governo ausente?


O Garoto que Mente (El chico que miente)
Direção: Marité Ugas
Roteiro: Mariana Rondón, Marité Ugas
Elenco: Iker Fernández, Francisco Denis, María Fernanda Ferro
Duração: 100 minutos
País: Venezuela, Peru, Alemanha

Nota: 7

O Garoto que Mente foi visto no Festival Latino 2012.