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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Estreias da semana

por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)

Angie

Uma artista abandona o Brasil e percorre os Estados Unidos. Ela leva uma vida nômade na tentativa de fugir do passado.

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Crítica do filme (BRCine)

O Carteiro

Victor é um carteiro curioso do interior do Rio Grande do Sul. Ele se apaixona pela nova moradora do vilarejo e decide violar suas correspondências. Seu objetivo é atrapalhar o namoro à distância da moça.

LEIA MAIS:
Crítica do filme (Cinequanon)


Chamada de Emergência

Uma telefonista (Halle Berry, de A Viagem) do 911 atende a ligação de uma adolescente (Abigail Breslin, de Noite de Ano Novo) que diz ter sido sequestrada. A atendente desconfia que o criminoso seja um serial killer.

A perseguição dá uma injeção de adrenalina nos dois primeiros terços do filme. Infelizmente, o roteiro se empolga demais e passa dos limites no final, que ganha ares de sadismo.

Chamada de Emergência (The Call)
Direção: Brad Anderson
Roteiro: Richard D'Ovidio
Elenco: Halle Berry, Abigail Breslin, Morris Chestnut, Michael Eklund, David Otunga, Michael Imperioli, Justina Machado, José Zúñiga
Duração: 94 minutos
País: EUA

Nota: 5

Juan e a Bailarina

Todos os anos, os moradores de um asilo temem pelas férias da enfermeira. Em sua ausência, um jovem toma seu posto e maltrata os idosos. Eles resolvem se unir para derrotar o vilão.

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Crítica: Microcosmo maduro


Oblivion

Jack (Tom Cruise, de Jack Reacher: O Último Tiro) e Victoria (Andrea Riseborough, de W.E. – O Romance do Século) são os únicos humanos na Terra. Sua missão é acompanhar a coleta de energia pela água do mar. Depois, se juntarão ao resto da humanidade em Titã, uma vez que o planeta foi devastado em uma guerra nuclear contra alienígenas.

Jack já desconfia que nem tudo é como lhe foi contado. A chegada de Julia (Olga Kurylenko, de Sete Psicopatas e um Shih Tzu), uma mulher que habita seus sonhos, fará com que suas suspeitas aumentem.

A construção do mistério é realmente instigante, conforme o espectador descobre fragmentos da verdade aos poucos. O problema é que, se houver atenção aos detalhes, alguns furos no roteiro ficam evidentes.

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Entrevista com atrizes (SaraivaConteúdo) – em breve

Oblivion
Direção: Joseph Kosinski
Roteiro: Joseph Kosinski, Karl Gajdusek, Michael Arndt
Elenco: Tom Cruise, Morgan Freeman, Olga Kurylenko, Andrea Riseborough, Nikolaj Coster-Waldau, Melissa Leo
Duração: 126 minutos
País: EUA

Nota: 5

Vocês Ainda não Viram Nada

Um dramaturgo morre e seus último pedido é que os atores de sua companhia teatral assistam a uma nova montagem de sua peça. Ao verem o espetáculo, eles relembram seus papéis.

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Crítica: A magia do palco

sexta-feira, 8 de março de 2013

Estreias da semana

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Amigos Inseparáveis

Val (Al Pacino, de As Duas Faces da Lei) sai da penitenciária depois de 30 anos e vai passar um dia com Doc (Christopher Walken, de Sete Psicopatas e um Shih Tzu). O amigo tem a missão de executar o ex-presidiário em menos de 24 horas.

O maior feito do filme está em mesclar bem momentos cômicos com outros dramáticos. O humor vem das tentativas dos sexagenários de se adaptarem ao mundo moderno, como a invasão de uma drogaria para furtar remédios. A emoção vem da amizade imutável e do dilema de Doc.

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Coluna: O dom de envelhecer (SaraivaConteúdo)

Amigos Inseparáveis (Stand Up Guys)
Direção: Fisher Stevens
Roteiro: Noah Haidle
Elenco: Al Pacino, Christopher Walken, Alan Arkin, Julianna Margulies, Mark Margolis, Lucy Punch, Addison Timlin, Vanessa Ferlito
Duração: 95 minutos
País: EUA

Nota: 6


Killer Joe

Uma família desajustada trama a morte da mãe para ficar com o dinheiro do seguro de vida. Eles contratam Joe (Matthew McConaughey, de Magic Mike) para dar cabo do serviço, mas o plano não sai totalmente dentro do esperado e a situação se complica.

Como um todo, o elenco entrega atuações inspiradas nesse thriller dinâmico. A forma como as bizarrices do texto são impressas na tela mostra que o diretor William Friedkin (Possuídos) ainda está em plena forma.

LEIA MAIS:
Perfil: Matthew McConaughey (SaraivaConteúdo) – em breve

Killer Joe – Matador de Aluguel (Killer Joe)
Direção: William Friedkin
Roteiro: Tracy Letts
Elenco: Matthew McConaughey, Emile Hirsch, Juno Temple, Thomas Haden Church, Gina Gershon, Marc Macaulay
Duração: 102 minutos
País: EUA

Nota: 8


Oz: Mágico e Poderoso

Antes de Dorothy e companhia trilharem a estrada de tijolos amarelos, o ilusionista Oscar (James Franco, de Planeta dos Macacos: A Origem) chegou à Terra de Oz em um balão. Ele se envolve na rixa entre as irmãs bruxas e o povo o considera um poderoso salvador, com poderes mágicos.

A produção abusa da computação gráfica, ao ponto de irritar alguns espectadores. A falta de carisma do protagonista prejudica a experiência, apesar de o roteiro contemplar aspectos da terra mágica que não estão na famosa adaptação de 1939. Há ainda uma teimosia estadunidense em dizer que Thomas Edson inventou o cinema. Em um cenário em que as bilheterias estrangeiras são mais importantes do que as domésticas, esse patriotismo cego é também uma grande estupidez.

LEIA MAIS:
Matéria: O secular fascínio da Terra de Oz (Saraiva Conteúdo)

Oz: Mágico e Poderoso (Oz the Great and Powerful)
Direção: Sam Raimi
Roteiro: Mitchell Kapner, David Lindsay-Abaire
Elenco: James Franco, Mila Kunis, Rachel Weisz, Michelle Williams, Zach Braff, Bill Cobbs, Joey King, Tony Cox
Duração: 130 minutos
País: EUA

Nota: 4

A Parte dos Anjos

Depois que virou pai, Robbie quer deixar para trás seu passado violento. Ele acha uma forma inusitada de realizar seu plano: organizar um roubo “inofensivo” com seus amigos.

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Crítica do filme: Lá e cá


O Quarteto

O asilo de músicos faz uma apresentação anual para coletar fundos que manterão a instituição em funcionamento. A chegada de Jean (Maggie Smith, de O Exótico Hotel Marigold) traz esperança de bons rendimentos, mas suas dívidas com o passado podem comprometer o espetáculo.

A dinâmica entre os personagens é equilibrada e mantém a atenção do público o tempo todo. Os conflitos mostram personagens falhos, mas que não deixam de ser simpáticos. A mensagem final é bela como a voz de um cantor lírico.

LEIA MAIS:
Coluna: O dom de envelhecer (SaraivaConteúdo)

O Quarteto (Quartet)
Direção: Dustin Hoffman
Roteiro: Ronald Harwood
Elenco: Maggie Smith, Tom Courtenay, Billy Connolly, Pauline Collins, Michael Gambon, Sheridan Smith
Duração: 98 minutos
País: Reino Unido

Nota: 7

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Origem dos Guardiões: Familiaridade

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Quando se tenta criar uma nova franquia cinematográfica, o objetivo dos realizadores é fazer o espectador ter a sensação de que já conhece o universo em que o filme se passa. Já falei sobre isso quando analisei Os Três Mosqueteiros, mas o assunto volta à tona com o lançamento de A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians) por causa das semelhanças de seus personagens com super-heróis.

Os tais guardiões são criaturas mágicas com a responsabilidade de proteger todas as crianças do mundo. Eles se unem para derrotar Breu (Jude Law, de Sherlock Holmes 2), o Bicho-Papão. O vilão voltou à ativa e ameaça amedrontar a criançada.

Jack Frost (Chris Pine, de Guerra é Guerra) é o espírito que traz as neves do inverno. No filme, ele tem um cajado que cria gelo. Assim, congela qualquer coisa e cria pistas deslizantes. Não fosse sua habilidade de voar levado pelo vento, seria idêntico ao Homem de Gelo, dos X-Men. Vale lembrar que esse tipo de personagem foi usado anteriormente pela Pixar, com Gelado de Os Incríveis (2004).

Norte (Alec Baldwin, de Rock of Ages) é o popular Papai Noel, só que no lugar da gordura ele tem músculos e tatuagens. Sua força bruta e seu modo de combater lembra Kratos, do jogo God of War.

Fada do Dente (Isla Fisher, de Os Delírios de Consumo de Becky Bloom) guarda as lembranças das crianças, contidas nos dentes-de-leite que recolhe. Com suas asas, ela voa como a Vespa, dos Vingadores. Não é mostrado muito bem no filme como a representante feminina do bando batalha.

Coelhão (Hugh Jackman, de Gigantes de Aço) usa suas tocas para viajar rapidamente ao redor do mundo. Com muita agilidade, ovos explosivos e bumerangues, sua movimentação lembra a de Gambit, dos X-Men.

Sandyman controla as areias dos sonhos e com elas molda qualquer tipo de objeto. Essa habilidade assemelha-se à do anel do Laterna Verde, da Liga da Justiça. Sandy, como é chamado carinhosamente pelos demais guardiões, é mudo e usa a areia também para comunicação.







Com uma história que prega a valorização das crenças infantis, A Origem dos Guardiões consegue um roteiro emocionante. Some isso ao grupo de heróis – quer dizer, criaturas mágicas – descrito acima e não estranhe se mais aventuras com os personagens chegarem às telas nos próximos anos.


A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians)
Direção: Peter Ramsey
Roteiro: David Lindsay-Abaire
Elenco: Chris Pine, Alec Baldwin, Jude Law, Isla Fisher, Hugh Jackman, Dakota Goyo
Duração: 97 minutos
País: EUA

Nota: 7

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Moacir X Oma: A ética e o objeto

por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Quando um documentário tem como objeto de estudo um ser humano, é preciso um cuidado especial na forma como tratar seu protagonista. Antes de se cogitar a imparcialidade, faz-se necessário refletir sobre a ética.

O cineasta argentino Tomás Lipgot conheceu o brasileiro Moacir durante o processo de realização do documentário Fortalezas (2010). Na ocasião, o imigrante estava internado em um hospital para doentes mentais. Tomás percebeu que a história de Moacir merecia m filme próprio.

O longa Moacir conta a vida e o sonho desse excêntrico cantor e compositor. Depois de terminado o tratamento mostrado no documentário anterior, o brasileiro vive sozinho em um minúsculo apartamento em Buenos Aires. Ele começa a se reunir com o produtor musical Sergio Pangaro para gravar seu primeiro CD, com canções clássicas e composições próprias.

 
Durante o processo, o espectador vê a personalidade do artista, com quem nem sempre é fácil de se conviver. Moacir faz questão de manter algum controle sobre o CD e até sobre o documentário.

O questionamento ético ocorre porque Moacir é mais um personagem curioso, a começar pelo figurino que inclui uma coleção de percas, do que um talento não-revelado. Ele se entrega ao filme, mas claramente não terá o sucesso e a fama plenos. Por outro lado, talvez esse gostinho do sonho que o documentário lhe proporciona seja mais benéfico do que prejudicial para o psicológico dele.


O curta-metragem Oma escancara a intimidade família de seu realizador, além de trazer a questão da fragilidade mental de sua protagonista. O diretor Michael Wahrmann (Avós) leva sua câmera toda vez que vai visitar sua avó no Uruguai. Ele registra os desencontros lingüísticos que trava com a idosa, uma vez que ela teima em falar alemão.

O filme é calcado na montagem e tem suas qualidades técnicas, mas abre-se a discussão de definir até que ponto a protagonista foi apenas explorada. No caso de Oma, tendo a ficar em cima do muro. Já com Moacir, acho mais fácil fazer a defesa ética do filme.

Moacir
Direção: Tomás Lipgot
Roteiro: Javier Zevallos
Elenco: Moacir Dos Santos, Sergio Pangaro
Duração: 75 minutos
País: Argentina

Nota: 8

Moacir foi visto no II Festival Internacional Lume de Cinema (São Luís, MA)
 
Oma
Roteiro e Direção: Michael Wahrmann
Elenco: Michael Wahrmann, Gerda Gruenwald Wahrmann, Tomas Wahrmann, Daniel Wahrmann
Duração: 22 minutos
País: Brasil

Nota: 7

Oma foi visto no Olhar de Cinema (Curitiba, PR)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Olho Mágico do Amor: Voyeurismo pré-realities

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Trinta anos antes dos reality shows e webcams entrarem na rotina das pessoas, o filme O Olho Mágico do Amor já debatia o voyeurismo. A história é sobre uma jovem secretária (Carla Camurati, de Lamarca) que descobre um furo na parede do escritório. Através dele, Vera consegue “dar uma espiadinha” no quarto onde uma prostituta (Tânia Alves, de Araguaia) recebe seus clientes.

O voyeurismo não está apenas na curiosidade da protagonista. O filme de 1981 abrilhanta quando se observa a reafirmação do tema nos detalhes.

A descoberta do tal furo se dá porque a secretária se sente incomodada com um quadro. A pintura traz um pássaro que Vera têm a impressão de a estar encarando. Quando ela remove o quadro, o furo na parede lhe é revelado.

O escritório onde Vera trabalha é a sede de uma associação que estuda pássaros e grande parte da ornitologia se dá pela observação dos espécimes. Mais adiante, a jovem flagra seu chefe (Sérgio Mamberti, de Bodas de Papel) no quarto de Penélope e a colcha da cama é coincidentemente estampada com pássaros.

O Olho Mágico do Amor foi realizado na Boca do Lixo sob encomenda. Segundo o diretor Ícaro Martins, uma das exigências do produtor foi a inserção de quinze cenas de sexo. Com isso em mente, os roteiristas estipularam que um dos personagens principais deveria ser uma prostituta. Assim, o enredo poderia acomodar tantas cenas de sexo de forma mais orgânica.

Portanto, O Olho Mágico do Amor deve ser visto como um exemplo positivo para o cinema nacional até hoje. O filme prova que é possível atender demandas de mercado sem a necessidade de perder de vista a qualidade cinematográfica.

O Olho Mágico do Amor
Roteiro e Direção: José Antonio Garcia, Ícaro Martins
Elenco: Tânia Alves, Arrigo Barnabé, Carla Camurati, Sérgio Mamberti, Enio Gonçalves
Duração: 85 minutos
País: Brasil

Nota: 6

O filme foi assistido no Cineclube Mube.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Operação Presente: Receita natalina

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Todos os anos, o mês de dezembro tem opções temáticas no circuito de cinema. Produções natalinas são normalmente direcionadas ao público infantil e o que se espera dos filmes do gênero é uma mistura balanceada entre bom humor e emoção.

Operação Presente (Arthur Christimas) é uma animação que funciona como um perfeito presente de natal: emociona e agrada na medida certa. Como outras histórias sazonais, a premissa é a perda e a recuperação do espírito natalino. A originalidade está na forma como sua história é contada.

Durante o mandato do Papai Noel atual, a população da Terra cresceu muito. Para dar conta de presentear tantas crianças, a equipe do Polo Norte conta com tecnologia de ponta. Durante a entrega dos presentes, equipes de elfos invadem as casas com os embrulhos em uma verdadeira operação de guerra. O contraste entre a tensa do trabalho dos elfos e a emotividade natalina cria a atmosfera cômica do filme.


Os personagens também têm responsabilidade pelo humor do filme. Um grupo estranho é formado para entregar um brinquedo esquecido por uma falha no sistema. Arthur, o protagonista, tem medo de tudo, mas é um grande entusiasta do Natal. Ele vai no trenó do Vovô Noel cumprir a missão ao lado do velhote, que insiste em levar sua rena de estimação. Completa o time Bryony, uma elfa especializada em embrulhos.

Nessa jornada, Arthur precisa superar seus medos e inseguranças. Assim, reafirma o espírito natalino que está em crise por conta da opressora participação da tecnologia no sistema de entrega de presentes.

A mensagem positiva que se pode tirar de Operação Presente é que o novo deve ser estimulado, mas não precisa renegar totalmente os valores originais e tradicionais. Quando o novo e o velho trabalham juntos, o avanço é positivo, como a magia do Natal.




Operação Presente (Arthur Christimas)
Direção: Sarah Smith
Roteiro: Peter Baynham, Sarah Smith
Elenco: James McAvoy, Hugh Laurie, Bill Nighy, Jim Broadbent, Imelda Staunton, Ashley Jensen
Duração: 97 minutos
País: EUA, Reino Unido

Nota: 8

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Ondine



Sinopse: O pescador Syracuse acha em sua rede de pesca uma mulher misteriosa. A filha dele acredita que Ondine seja uma selkie, uma espécie de sereia.


Ficha Técnica
Ondine
Roteiro e Direção: Neil Jordan
Elenco: Colin Farrell, Alicja Bachleda, Alison Barry
Duração: 111 minutos
País: Irlanda, EUA


Novidade no conto de fadas
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: • trailer)

O maior feito do filme Ondine é conseguir trazer frescor dentro do formato de conto de fadas. O gênero, que nasceu das histórias orais, passou pela literatura e depois espalhou-se pelos outros meios; é um dos mais engessados.

O roteiro do longa traz elementos marcantes desse tipo de narrativa. Ondine é um ser mágico que muda a vida das pessoas ao seu redor. As questões do verdadeiro amor e a concessão de pedidos mágicos também marcam presença. A novidade está na característica realista e atual do enredo. A ambiguidade é a aposta da trama para prender a atenção do público e conseguir aliar a previsibilidade dos contos de fadas com as surpresas de um filme de mistério.

A seleção do elenco foi muito feliz ao escalar a polonesa Alicja Bachleda para o papel-título. O diretor e roteirista Neil Jordan (Entrevista com o Vampiro) a escolheu porque queria uma rosto desconhecido para a personagem. Dessa forma, aumenta-se o mistério que rodeia o filme. Outro fator a ser considerado é a beleza da atriz: no nível que se espera de um ser mágico.

O ponto negativo fica para a direção de fotografia de Christopher Doyle (A Dama na Água). Nas cenas noturnas é difícil de compreender o que acontece tamanha a escuridão. Não é porque se tem mistério na receita que se pode deixar as coisas no escuro. Deixado esse problema de lado, quem gosta de mistura de gêneros curtirá Ondine.

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

A Origem



Sinopse: Em um mundo no qual há uma tecnologia que torna possível entrar no subconsciente de uma pessoa por meio dos seus sonhos, um ladrão altamente gabaritado tem a chance de limpar seu nome após fazer um último trabalho: uma inserção de uma ideia na mente de um alto executivo.


Ficha Técnica
A Origem (Inception)
Roteiro e Direção: Christopher Nolan
Elenco: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Ellen Page, Tom Hardy, Ken Watanabe, Dileep Rao, Cillian Murphy, Tom Berenger, Marion Cotillard, Michael Caine
Duração: 148 minutos
País: EUA, Reino Unido


 por Guilherme Kroll

(Spoilerômetro: •)

Você certamente tem algum amigo ou parente que tem dificuldades em entender plots complicados e fica te perguntando o tempo todo o que está acontecendo durante o filme. Se sim, deixe essas pessoas bem longe quando for ver A Origem (Inception). No filme de Christopher Nolan há tantos níveis de ação dentro dos sonhos que só quem pega rápido detalhes do roteiro não vai se perder na história.

E que história! Nolan e um elenco estelar (nada menos do que sete indicados ao Oscar) contam a trama do ladrão de informações escondidas em sonhos Cobb (Leonardo DiCaprio) que é contratado por um empresário japonês (Ken Watanabe) para plantar na mente de seu principal adversário a ideia de dividir o império de seu pai, deixando o caminho livre para o personagem de Watanabe. O projeto é ousado, mas o contratante oferece uma proposta irrecusável: a promessa de limpar o nome de Cobb, permitindo que ele possa re-encontrar seus filhos.

Para tanto, DiCaprio reúne um time de especialistas em navegar pelos sonhos, com destaque para a promissora arquiteta de labirintos interpretada por Ellen “Juno” Page, Ariadne – cujo nome é inspirado na heroína da mitologia grega que ajudou Teseu a derrotar o Minotauro em seu labirinto.

Desse conceito que vem o título original do filme, “Inception”, ou inserção em uma tradução livre. Por que a distribuidora brasileira optou por chamar o filme de A Origem é algo que está além da minha compreensão. Esse título brasileiro é ruim, não diz nada sobre o filme e não é esclarecido ao final. Em resumo, uma péssima escolha.

Mas ainda bem que é a única coisa ruim no filme, pois a direção de Nolan está excelente. O cineasta, que arrebata fãs desde Amnésia está em sua melhor forma, dosando boas cenas de ação com dramáticas excepcionais, sobretudo nas com participação da sempre ótima Marion Cotillard.

Lógico que o roteiro, original do próprio Nolan (mas com inspiração clara nos livros de Philip K. Dick), ajuda muito pois a narrativa é arrebatadora, porém tudo na produção funciona perfeitamente, como uma engrenagem de um relógio, resultando num filme preciso, redondo, impressionante e imperdível.


quinta-feira, 27 de maio de 2010

Olhos Azuis





Sinopse: Marshall vem para o Brasil à procura da filha de Nonato. A viagem do ex-policial estadunidense é para tentar reparar um erro trágico que ele cometeu.



Ficha Técnica
Olhos Azuis
Direção: José Joffily
Roteiro: Melanie Dimantas, Paulo Halm
Elenco: David Rasche, Cristina Lago, Irandhir Santos
Duração: 111 minutos
País: Brasil


Regional-clichê
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: • trailer)

Analisando a filmografia de José Joffily (Achados e Perdidos), percebe-se que ele consegue constuir a emoção do público como poucos no cinema brasileiro. Em Olhos Azuis ele deixa de lado a sensualidade latente em seus trabalhos anteriores e investe em uma pegada mais social.

O filme narra a jornada de um homem em busca de redenção por seus pecados do passado. Se a construção não-linear do roteiro pode ser elogiada, algumas falhas primárias precisam ser apontadas. O primeiro problema está na personagem Bia. De todas as mulheres que Marshall poderia encontrar no carnaval de Recife, ele acha uma prostituta com um vocabulário da língua inglesa de deixar no chinelo qualquer profissional do sexo de Cuba (aquelas com diploma universitário).

Depois, enquanto partem em busca da menina, o casal para em uma daquelas pequenas propriedades rurais do agreste nordestino que se vê em reportagens de TV. Nesse local reside um velhinho que tem falas que parecem tiradas de um livro. Se Olhos Azuis fosse um filme poético, fantasioso ou onírico, as falas do sujeito funcionariam perfeitamente. No entanto, o filme opta pelo realismo e sabe-se que um homem que mora nesse tipo de locação tem um sotaque tão arrastado que pessoas de outros lugares do Brasil precisam de legendas para entender o que se está dizendo.

A boa notícia é que Joffily continua sendo um talentoso cineasta. Espera-se que ele escolha um roteiro com um pouco mais de pesquisa em seu próximo trabalho.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Um Olhar do Paraíso




Sinopse: Susie Salmon é assassinada aos 14 anos e vai para um outro mundo, paralelo ao mundo físico. De lá ela observa sua família tentando se recuperar do luto e as investigações que não conseguem achar o criminoso que a matou.



Ficha Técnica
Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones)
Direção: Peter Jackson
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson
Elenco: Rachel Weisz, Mark Wahlberg, Saoirse Ronanm, Stanley Tucci, Susan Sarandon
Duração: 135 minutos


Investigação com pirotecnia
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: • trailer)

O grande atrativo de Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones) é o arrebatamento visual gerado pelos efeitos visuais no mundo além-túmulo onde a protagonista reside após seu assassinato. É inegável que imagens incríveis são geradas, mas muitas vezes elas são totalmente gratuitas, apesar de em outros momentos o cenário espelhar as emoções de Susie, meio como o que acontece em Amor Além da Vida (1998).

No entanto, o verdadeiro mérito visual do filme está no mundo físico, principalmente na reconstrução das cores da década de 1970. A maquiagem usada em Stanley Tucci (Julie & Julia) também merece elogios, dando ao ator inspiração para criar uma interpretação muito interessante como vilão. Ele usa a chance para criar um personagem marcante, quase exagerando nos maneirismos.

A longa duração é obtida com cenas inúteis e muita enrolação. A prova de que o filme poderia ser bem menor está no trailer, que conta toda a história em menos de 3 minutos. Além de estragar as surpresas da história, a peça publicitária dá uma falsa impressão de que Susie consegue interagir com seus entes queridos que ficaram no mundo físico. Entretanto, ela não passa de uma fantasma voyer que poderia ser eliminada e transformar Um Olhar do Paraíso em um filme bem aceitável de investigação criminal.

Dudeshop:

• Livro Uma Vida Interrompida, de Alice Sebold (Ed. Ediouro)


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Onde Vivem os Monstros





Sinopse: Depois de demonstrar mau comportamento para sua mãe, Max é colocado de castigo. Revoltado, ele foge de casa e vai parar em uma ilha habitada por monstros. Nesse local, o menino é coroado rei.


Ficha Técnica
Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are)
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze, Dave Eggers
Elenco: Max Records, Catherine Keener,James Gandolfini, Paul Dano, Catherine O'Hara, Forest , Chris Cooper, Lauren Ambrose
Duração: 101 minutos


O poder da imaginação
 por Edu Fernandes
(Spoilerômetro: •)

Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are) é mais um daqueles projetos de adaptação cinematográfica que se arrastou por anos pelos estúdios até conseguir chegar nas telonas. Assim como Harry Potter, a Disney propôs produzir uma animação a partir do texto, mas o cineasta Spike Jonze (Adaptação) achou que o impacto seria maior com uma criança de carne e osso interagindo com as criaturas. Como o diretor foi escolhido pelo próprio autor do livro original, a opinião dele tem algum crédito.

O projeto ainda passou pela Universal, antes de chegar até a Warner que chiou por não gostar da montagem original e pediu para que Jonze voltasse para a edição até obter um corte que agradasse à empresa e ao diretor. Some-se aí mais três meses de diferença entre o lançamento nos EUA e no Brasil e tem-se a ideia exata da demora por conseguir assistir ao filme.

Quando se espera tanto para ver um longa a expectativa pode frustrar a experiência final. Felizmente, temos uma das raras oportunidades em que se sai satisfeito da sala de cinema mesmo depois de toda essa lenga-lenga para o lançamento. A história é tocante e o espectador não precisa ter vergonha de chorar na sessão – tenha certeza de que será acompanhado nas lágrimas.

O livro original é para o público infantil, cheio de ilustrações e com pouco texto verbal. O roteiro foi supervisionado pelo autor Maurice Sendak, mas o resultado final parece muito mais orientado para os adultos, já que a levada do enredo é lenta e pode não se encaixar no ritmo das crianças.

A história narra o poder da imaginação e como essa ferramenta é altamente preciosa para enfrentar os conflitos da infância. Quando se tem tão pouca experiência de vida, a criação de um mundo paralelo é uma saída para que as crises sejam mais fáceis de serem superadas.

Para não dizer que a animação ficou totalmente de fora de Onde Vivem os Monstros, o rosto dos bonecos é composto por animação computadorizada. Com a tecnologia foi possível dar expressões faciais diferenciadas para os personagens fantásticos – algo de suma importância para transmitir toda a gama de emoções que a história transmite.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A Onda



Sinopse: O professor Rainer Wenger, adepto de pensamentos anarquistas, é encarregado de dar aulas sobre ditaduras. Então, entre os alunos, surge uma questão sobre o que leva as pessoas a apoiarem este tipo de governo. Partindo desta ideia, ele decide submeter os alunos a uma experiência pouco ortodoxa. Mas ela acaba saindo do controle. Baseado em fatos.


Ficha Técnica
A Onda (Die Welle)
Direção:
Dennis Gansel
Roteiro:
Dennis Gansel, Peter Thorwarth
Elenco:
Juergen Vogel, Jennifer Ulrich, Frederick Lau, Max Riemelt
Duração:
107 minutos

 por Eliezer Abrantes Rodrigues

(Spoilerômetro: •)

Em 1º de setembro de 2009 irá se completar 70 anos que o exército alemão invadiu a Polônia, desencadeando a Segunda Guerra Mundial, sendo contada e recontada à exaustão no cinema, tornado-se um quase certo sucesso de bilheteria.

Mais do que as questões militares e todo o imaginário construído sobre essa guerra, o que mais fascina as pessoas ao redor do mundo que tem o mínimo de noção de história são as atrocidades cometidas pelo nazi-fascismo sempre seguida pela pergunta: “como isso pode acontecer?” Não é uma pergunta com uma reposta simples, ou com apenas uma resposta, mas o filme A Onda (Die Welle) faz uma reflexão sobre o assunto de forma interessante.

Baseado em uma experiência desenvolvida por um professor de história de Cubberley High School, em Palo Alto, Califórnia, no ano de 1967, este relato foi transformado em livro e em filme para TV americana nos anos 1980. Agora, às vésperas dos 70 anos da ofensiva alemã contra a Polônia, o caso é transportado para a Alemanha do século XXI que dá atualidade ao tema.

O ponto positivo dessa produção alemã, além do excelente elenco, é a busca de não demonizar explicitamente o nazismo, mas levar o expectador a pensar sobre o porquê de muitas ditaduras serem referendadas pela população.

A primeira impressão que algum desavisado pode ter seria de que este tipo de governo pode trazer alguma solução aparentemente imediata, mas vale ressaltar que o filme ao demonstrar os discursos vazios, as palavras de ordem e os símbolos possuem a função de manipular as pessoas para que um determinado grupo tenha o Poder.

Outra coisa legal do filme é a trilha sonora: logo no começo o diretor Dennis Gansel opta por fazer uma interessante ironia enquanto filma a seqüência de Jürgen Vogel se encaminhando à escola ao som de "Rock ‘n’ Roll High School", dos Ramones.

A Onda, mais do que um exercício sobre a história é também uma reflexão bastante coerente com o que tem ocorrido em nossa época, no qual fatos como os plebiscitos de Hugo Chaves, o Patriot Act nos Estados Unidos, o golpe militar em Honduras leva a outra questão: até que ponto apenas um homem ou um pequeno grupo se mantém no poder se não tiver o aval alienado da população?

terça-feira, 23 de junho de 2009

Onde Andará Dulce Veiga?




Sinopse: Caio acaba de acabar um relacionamento e começa um novo emprego: ele será repórter em um jornal. Sua primeira missão é descobrir onde está Dulce Veiga – uma cantora que fez muito sucesso no passado e desapareceu repentinamente.


Ficha Técnica
Onde Andará Dulce Veiga?
Roteiro e Direção:
Guilherme de Almeida Prado
Elenco:
Carmo Dalla Vecchia, Carolina Dieckmann, Eriberto Leão, Júlia Lemmertz, Oscar Magrini, Nuno Leal Maia, Matilde Mastrangi, Maitê Proença, Cacá Rosset, Christiane Torloni
Duração:
135 minutos


A ousadia corta para os dois lados
  por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: • segundo parágrafo)

O cartaz de Onde Andará Dulce Veiga? não condiz com o conteúdo do filme. Olhando para a figura ao lado, qualquer um poderá supor que se trata de uma comédia (por causa do fundo branco e da menina sorridente no canto superior esquerdo), com um toque de aventura (pelo protagonista com arma em punho no centro). Na verdade a fita é uma mistura de filme noir com musical, algo no mínimo inusitado.

Do noir, a produção nacional herdou a atmosfera de mistério e a narração do protagonista que leva o espectador para dentro da investigação. Como a busca é por uma cantora, há várias canções no decorrer do enredo. A música "Estou tão só" funciona muito bem tanto na versão “original” de Dulce Veiga, quanto na releitura em rock feita pela filha dela. As cenas musicais até que se seguem bem, mas o último momento de cantoria é tão ruim que consegue destruir qualquer simpatia que havia sido conquistada.

O forte do filme é o visual. Desde as primeiras cenas há ousadias na construção da imagem, com direito a grafismos eletrônicos e croma-key. A loucura do texto é o elemento que concede espaço para as bem-vindas experimentações visuais. O mistério envolvente no começo do filme e a falta de coesão para que a surpresa do fim seja aceita lembram as mesmas falhas cometidas por Número 23.

A lição que deve ser aprendida pelo diretor Guilherme de Almeida Prado é convidar um segundo roteirista para escrever uma segunda versão da adaptação do livro. Alguns pequenos ajustes poderiam fazer o filme dar certo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Orquestra dos Meninos







Sinopse: Mozart sempre foi um amante da música lírica. Ele decide criar uma orquestra formada por crianças da cidade onde mora, mas a comoção por ele gerada causará a inveja de políticos locais.


Ficha Técnica
Orquestra dos Meninos
Roteiro e Direção: Paulo Thiago
Elenco: Murilo Rosa, Priscila Fantin, Othon Bastos
Duração: 106 minutos


Famigerado
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

Assistindo ao trailer de Orquestra dos Meninos é possível se esperar por um filme com fortes emoções. Baseado em uma história real, a luta de Mozart para dar uma oportunidade para os jovens é uma jornada notável. No final do trailer, quem conseguir associar o nome do diretor Paulo Thiago (O Vestido) a suas obras anteriores começará a ficar temeroso.

Pois bem, Paulo reafirma sua fama de estragar todo e qualquer tipo de história. Com uma direção preguiçosa, ele parece apoiar-se demais na história para tentar emocionar. Some o desempenho do cineasta a um roteiro mal-escrito e já se pode ter idéia do teor do longa.

A dramaturgia falha pela falta de foco. Tentando dar conta de todos os aspectos do enredo, o roteiro fica insípido. A sujeita da política brasileira, as desigualdades sociais, a história de amor entre os protagonistas... nada disso é bem explicado. Não é possível precisar, por exemplo, quando Mozart e Creuza começam seu relacionamento amoroso.

Outro deslize gritante é a falta de preocupação de ambientação cronológica. As cenas se passam no decorrer de três décadas e, entre os anos 80 e 90, não há qualquer mudança nas feições dos personagens. As crianças não crescem e Mozart exibe a mesmíssima barba no passar de dez anos!

Elogios são merecidos para a atuação de Murilo Rosa (Desejo Proibido) que expressa muito bem seu comprometimento com o papel. Por outro lado, Priscila Fantin (Sete Pecados) tem uma interpretação regular, mas sua figura – com cabelos meticulosamente desgrenhados, bronzeamento artificial e vestida com figurino “agreste chique” – destoa totalmente do restante da orquestra, composta por não-atores da região.

Por causa do tema, é imprescindível decorrer sobre a música. Esse é o aspecto mais próximo de tocar o coração da platéia. O objetivo só é alcançado se o espectador não se importar de se emocionar com clichês musicais, como "Jesus Alegria dos Homens" e "Trem Caipira".

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Onde os Fracos não Têm Vez



Sinopse: Llewelyn encontra uma mala cheia de dinheiro junto a traficantes de drogas mortos no deserto. Para ficar com a fortuna, ele deve fugir de um misterioso e perturbado assassino.


Ficha Técnica
Onde os Fracos não Têm Vez (No Country for Old Men)
Roteiro e Direção: Ethan Coen, Joel Coen
Elenco: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin
Duração: 122 minutos


Expectativas infundadas
 por Edu Fernandes

(Spoilierômetro: •)

Há grande expectativa em torno de Onde os Fracos não Têm Vez (No Country for Old Men) devido ao enorme número de premiações concedidas ao filme, mas todo o frisson não está à altura do resultado final. O enredo poderia render um agitado thriller na mão de um diretor mais comercial, mas soa estranho sob a tutela dos respeitados irmãos Cohen (Fargo).

Com certeza há méritos para o título, como a atuação memorável de Javier Bardem (Sombras de Goya). O ator espanhol está usando um penteado bizarro – como ele próprio pôde constatar –, mas que combina com seu personagem. Ele testa a todo o momento o limite do caricato e explora todo o espaço que o matador psicótico pode lhe oferecer.

O ritmo do filme é bem lento, chegando a ser tedioso em várias partes e a falta de trilha musical só acentua o andamento arrastado da ação. Os diretores merecem congratulações por conseguirem criar uma atmosfera bem tensa e fazer o coração do espectador bater mais forte em tal cenário.

Os diálogos são bem estranhos, quase como uma tentativa fracassada de copiar Tarantino. Há furos no roteiro, já que há várias oportunidades onde o caçador sabe magicamente onde está sua caça, durante a perseguição que ocupa a maior parte do enredo. Se fosse adotado o viés comercial, as falhas seriam perdoadas em nome da ação; mas como se trata de um "filme sério", não há espaço para concessões.

Igualmente estranho é o desfecho. A impressão que se tem é que o filme acaba uns 20 minutos antes de realmente aparecerem os créditos finais. O roteiro quis ser bem fiel ao livro que o originou, com diálogos e cenas remontadas iguais às escritas no romance, palavra por palavra. O resultado é uma tortura injustificada que só frustra ainda mais a plateia.