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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Jack Reacher X Último Desafio: Cota feminina

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


O teste Bechdel é uma forma de medir a participação de personagens femininos no cinema. Para um filme passar no exame, é preciso ter uma cena em que duas mulheres tenham uma conversa que não seja sobre homens. Pode ser algo simples como: “Você vai comprar sapato?” “Vou, sim”. Mesmo assim, muitos filmes contemporâneos não conseguem cumprir esse requisito e dois deles chegam ao Brasil em breve.

Para Jack Reacher: O Último Tiro (Jack Reacher) passar no teste é quase impossível, pois há apenas uma personagem feminina de destaque. A advogada Helen (Rosamund Pike, de Fúria de Titãs 2) pede a ajudado investigador militar Jack Reacher (Tom Cruise, de Rock of Ages) para entender um massacre.

Helen é forte e determinada, de acordo com o que se espera de uma mulher moderna. No entanto, ela não tem chance de conversar com outra mulher. Parece que ela só entra em cena para exibir seus olhos azuis e ter algum flerte com o protagonista.


Já em O Último Desafio (The Last Stand) há pelo menos quatro mulheres com falas. Contudo, todas estão submissas a homens. O filme narra a fuga do criminoso Cortez (Eduardo Noriega, de Ponto de Vista), que quer cruzar a fronteira dos Estados Unidos com o México por uma pequena cidade. O que o vilão não sabe é que o local é protegido pelo xerife Ray Owens (Arnold Schwarzenegger, de Os Mercenários 2).

Na equipe de Ryan está a policial Torrance (Jaimie Alexander, de Thor), mas ela não tem uma amiga/colega/irmã/mãe para trocar um par de palavras. Na fuga de Cortez, ele sequestra a agente Richards (Genesis Rodriguez, de O Que Esperar Quando Você Está Esperando) e ela também é a única mulher de sua equipe. Há ainda uma policial no helicóptero que persegue o vilão, mas sua participação é pequena.

Fora do ambiente militar, ainda há a garçonete da lanchonete (Melissa Molinaro, de Comando Vermelho). Se ela servisse almoço para Torrance e perguntasse se ela quer bife mal passado, O Último Desafio passaria no teste Bachdel. Como as outras mulheres, o papel da jovem é enfeitar a tela.

Em tempos em que as mulheres do cinema, até as princesas da Disney, não são apenas donzelas em perigo; não é aceitável essa situação. É triste ver filmes nos quais as mulheres dependam tanto dos personagens masculinos.

Jack Reacher: O Último Tiro (Jack Reacher)
Roteiro e Direção: Christopher McQuarrie
Elenco: Tom Cruise, Rosamund Pike, Richard Jenkins, David Oyelowo, Werner Herzog
Duração: 130 minutos
País: EUA

Nota: 6

O Último Desafio (The Last Stand)
Direção: Jee-woon Kim
Roteiro: Andrew Knauer, Jeffrey Nachmanoff, George Nolfi
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Rodrigo Santoro, Genesis Rodriguez, Forest Whitaker, Jaimie Alexander, Johnny Knoxville, Luis Guzmán, Eduardo Noriega, Melissa Molinaro
Duração: 107 minutos
País: EUA

Nota: 5

quarta-feira, 7 de março de 2012

John Carter: Breve histórico do 3D

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Nos últimos anos a projeção em 3D foi vista pela indústria cinematográfica como uma tábua de salvação. John Carter – Entre Dois Mundos (John Carter) é um filme que resume as manobras tomadas por essa indústria nesse assunto.

O longa narra as aventuras de um veterano da Guerra Civil Americana (Taylor Kitsch, de X-Men Origens: Wolverine) que vai parar em Marte. Lá ele descobre um mundo em guerra e encontra uma princesa (Lynn Collins, de Número 23) que pedirá sua ajuda para apaziguar a situação.

O maior sucesso de bilheteria entre os filmes 3D também conta a história de um terráqueo com a missão de salvar um povo alienígena. Em Avatar, o protagonista entra em contato com um povo gigante e selvagem. Em John Carter, essa civilização tem a pele esverdeada. Coincidentemente ou não, em uma determinada cena o herói é banhado pelo sangue azulado de um inimigo. Nesse momento sua pele fica com a mesma tonalidade dos Na'Vis de Pandora.


John Carter apela nas semelhanças com Avatar para atrair público, já que suas próprias qualidades não passam do mediano. O filme é um típica atração da Sessão da Tarde e seria esquecido pelas pessoas no circuito de cinema, uma vez que não há rostos muito conhecidos na tela.

Nesse ponto entra a exploração de mais um recurso recorrente na indústria: histórias medianas ganham sobrevida por causa da projeção em estereoscopia. Os efeitos em 3D são banais e, em algumas cenas, praticamente imperceptíveis. No entanto, estão lá para encarecer o ingresso.

Se o plano da Disney é criar uma nova franquia, é necessário esforçar-se mais nas próximas empreitadas marcianas.


John Carter – Entre Dois Mundos (John Carter)
Direção: Andrew Stanton
Roteiro: Andrew Stanton, Mark Andrews, Michael Chabon
Elenco: Taylor Kitsch, Lynn Collins, Samantha Morton, Willem Dafoe, Thomas Haden Church, Mark Strong, Ciarán Hinds, Dominic West, James Purefoy, Bryan Cranston, Polly Walker, Daryl Sabara
Duração: 132 minutos
País: EUA

Nota: 5

domingo, 22 de janeiro de 2012

J. Edgar X A Dama de Ferro: Ícones destros

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Quem acompanha meus textos já deve ter percebido que minha visão política está mais alinhada com os princípios esquerdistas. Em um momento em que estão para ser lançadas no Brasil duas cinebiografias de grandes figuras da direita, assistir a esses filmes provou-se um exercício de neutralidade.

J. Edgar narra a vida do homem que transformou o FBI na instituição que é hoje. Hoover ficou a frente do Bureau por várias décadas e conviveu com oito presidentes dos Estados Unidos. O filme dirigido por Clint Eastwood (Além da Vida) não deixa de mostrar o lado mais sombrio de sua personalidade.


Hoover ficou conhecido por manter um arquivo secreto com documentos que, se fossem divulgados, desagradariam grandes nomes da história estadunidense do século XX. A posse desse conhecimento, muitas vezes obtido de forma irregular, garantia que Edgar tivesse poder de chantagem sobre os poderosos de Washington.

Mesmo com tantos defeitos de personalidade expostos, J. Edgar consegue envolver e até mesmo emocionar. O protagonista é apresentado como um homem amargurado e digno de pena, que nunca permitiu a si mesmo o direito de assumir sua homossexualidade.

Outra figura importante do pensamento de direita que teve sua vida retrata nas telas de cinema foi a ex-Primeira Ministra inglesa Margaret Thatcher. Em A Dama de Ferro (The Iron Lady), sua trajetória política é contada desde a juventude durante a Segunda Guerra Mundial até os dias de hoje, afastada das manchetes de jornal. A vida pessoal de Thatcher é deixada em segundo plano, o foco do filme está na relação dela com o poder. Nesse sentido, o filme usa táticas questionáveis para validar as atitudes polêmicas da protagonista.


Sempre que Margaret tem um enfrentamento verbal no Parlamento, seus opositores são retratados como selvagens. Eles berram e mostram os dentes de forma animalesca, enquanto Thatcher é mais pacífica. Os ângulos de câmera são escolhidos para acentuar as diferenças de postura.

Em questões polêmicas do mandato de Margaret, o filme também usa suas manobras. A Guerra das Malvinas é mostrada como um ato de nacionalismo, uma obrigação de Thatcher em esforçar-se para manter todos os territórios britânicos unidos. Na verdade, o combate salvou a aprovação dela junto ao povo e garantiu mais tempo no poder, da mesma maneira que aconteceu com George W. Bush e as guerras no Afeganistão e Iraque.

Em outros momentos, o filme prefere não se aprofundar. Um exemplo da economia de argumentos se dá quando Thatcher decreta uma taxa única e igual para todos os cidadãos, sejam eles miseráveis ou multibilionários.

Em J. Edgar a maquiagem usada para envelhecer Leonardo Di Caprio (A Origem) é muito superior à aplicada em outros atores do mesmo filme. No entanto, A Dama de Ferro tem um trabalho de maquiagem mais eficiente, seja no rosto de Meryl Streep (Simplesmente Complicado), seja nos assuntos delicados a serem tratados.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Amanhã Nunca Mais X Jardim das Folhas Sagradas: Exagerados

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Uma das falhas mais tristes que afligem cineastas estreantes é a vontade de abraçar o mundo em apenas um filme. Dois títulos nacionais que estreiam no final de 2011 exemplificam esse mal.

O mais triste é que os diretores de Amanhã Nunca Mais e Jardim das Folhas Sagradas não são totalmente inexperientes. Tadeu Jungle tem vivência no mercado publicitário e Pola Ribeiro tem uma longa carreira como curtametragista. Mesmo assim, ambos não conseguiram conter os ânimos em seus primeiros longas.


Jungle se empolgou demais na forma em detrimento ao conteúdo. Amanhã Nunca Mais conta a história de um anestesista em crise no casamento. Para mostrar seu valor, ele se voluntaria para pegar o bolo de aniversário de sua filha. A tarefa poderia ser simples, mas em seu caminho estão uma série de personagens insanos.

Os tipos loucos deveriam ser engraçados, mas são tão exagerados que só conseguem motivar a raiva do espectador. Se a história fosse mais simples, Jungle poderia ter entregue uma comédia despretensiosa e divertida. Os desfecho também exala o exagero do filme.

Pola Ribeiro, com Jardim das Folhas Sagradas, foca-se demais no conteúdo e se perde. Como o próprio cartaz mostra, o filme fala de questões ambientais, homossexualidade e preconceito de credo.


O filme protagonizado por um pai de santo que precisa fundar um terreiro tinha tudo para tratar apenas do último dos temas listados. O fato do personagem principal ser homossexual é totalmente inútil para o andamento da história.

Se os nossos cineastas exageram na mão e entregam filme desencontrados, a crítica especializada também precisa fazer sua parte. Quando uma produção despretensiosa como Cilada.com é lançada, não podemos nos empolgar e usar todo nosso armamento argumentativo contra o filme.

Se os críticos sempre exigem alto nível técnico e de conteúdo, uma das consequências é essa epidemia de pretensão e exageros.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Jogos Mortais – O Final



Sinopse: Depois de sobreviver a uma das armadilhas de Jigsaw, Bobby escreveu um livro de auto-ajuda sobre a experiência. Jill, viúva do assassino, está fugindo de Hoffman e decide entregá-lo à polícia em troca de proteção.


Ficha Técnica
Jogos Mortais – O Final (Saw 3D)
Direção: Kevin Greutert
Roteiro: Patrick Melton, Marcus Dunstan
Elenco: Tobin Bell, Costas Mandylor, Betsy Russell, Cary Elwes, Sean Patrick Flanery, Chad Donella
Duração: 90 minutos
País: Canadá, EUA


Mesma receita repetida
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: • • para quem não viu os filmes anteriores)

Há sete anos uma dupla de jovens realizadores trouxe uma produção de suspense psicológico instigante com Jogos Mortais. Depois do primeiro filmes, segui-se uma série de sequências anuais com o compromisso de manter uma grande reviravolta no final de cada episódio.

Após tanta mexida na trama, Jogos Mortais – O Final (Saw 3D) mostra sinais de uma franquia exaurida. Os dois primeiros filmes conseguem segurar-se, mas a série apelou para a sanguinolência muitas vezes gratuita a partir de Jogos Mortais 3. Daí em diante foi só ladeira abaixo.

• No quinto longa, fica tão difícil continuar surpreendente que os roteiros começam a remendar o começo da saga e a trazer novos fatos aos primeiros filmes. O que foi planejado para fazer o espectador ficar de queixo caído torna-se irritante. É preciso um limite de quanto se adultera certas coisas.

• Um exemplo ilustrativo: até o quarto filme, sabemos que Jigsaw começou seus assassinatos sozinho e só conseguiu uma parceira no crime a partir de Jogos Mortais 2. Eis que chega o quinto capítulo da saga e diz que, na verdade, John Kramer sempre teve a assistência de Hoffman. Este, por sua vez, assumiu o legado de seu mentor. Um pouco tarde demais para mudar algo tão primordial.

Os fãs da franquia certamente irão conferir como é o final (espera-se) da história. O problema é que, depois de tantos anos sendo enganado (no bom sentido) pelas mesmas artimanhas, fica mais fácil perceber onde estão as maracutaias do roteiro. Com isso, a grande surpresa final fica bem fraca, pois muitos espectadores já sabem onde a narrativa irá se apoiar para tentar o novo golpe dramatúrgico.

Uma novidade inegável na série é o fato de que Jogos Mortais – O Final é o primeiro filme de Jigsaw com projeção 3D. Os efeitos não são diferentes do que já se viu em outros terrores que exploram essa pirotecnia. É como se, no último filme, a produção usasse uma roupa nova por se tratar de uma ocasião especial.


sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Jovem Rainha Vitória




Sinopse: Aos 17 anos, Vitória vive cercada de cuidados para que possa assunir o trono inglês. Depois de coroada, ela terá de participar de um jogo de poder para tornar-se uma regente respeitada.



Ficha Técnica
A Jovem Rainha Vitória (The Young Victoria)
Direção: Jean-Marc Vallée
Roteiro: Julian Fellowes
Elenco: Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson, Mark Strong
Duração: 105 minutos
País: EUA, Reino Unido


Longa vida à Rainha!
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

A Era Vitoriana é lembrada como uma época de grande desenvolvimento na Inglaterra em vários aspectos: científico, social e cultural. Vitória goi a monarca feminina com o maior reinado na História. Eis algumas razões porque essa figura inspira tantas obras.

Contando como uma garota super-protegida tornou-se a mulher mais poderosa da Europa em sua época, A Jovem Rainha Vitória (The Young Victoria) consegue abordar os fatos que estão nos livros de História e ainda dar conta de mostrar a intimidade dessa figura histórica. Mesmo com algumas alterações em relação ao que realmente aconteceu, vale a pena a experiência de ver uma Vitória mais humana, que tem medos e se questiona.

Para interpretar esse difícil papel foi escalada uma atriz que tem alguns anos a mais do que o final da adolescência que se vê na tela. Emely Blunt (O Lobisomem), uma das maiores promessas entre as jovens atrizes, dá conta do recado. Emely usou trajes que são réplicas exatas aos usados pela verdadeira rainha e alguns dos figurinos estavam sob um seguro de milhares de libras cada peça! Não é à toa que o Oscar de Melhor Figurino foi entrege a essa obra.

O amor entre Vitória e Albert, o aspecto que parece mais forçado no roteiro, na verdade tem um bom tanto de autenticidade. Por registros em cartas e diários, percebe-se que havia um sentimento de afeição entre o casal. Tanto que, depois da morte de Albert, Vitória isolou-se por anos e passou a usar apenas trajes pretos até o fim da vida, décadas depois.

Todos os ingredientes para atrair fãs de filmes de época estão presentes em A Jovem Rainha Vitória. Relevância histórica, romance, figurinos elaborados e uma trilha musical engrandecedora certamente irão fisgar os apreciadores do gênero.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Jards Macalé – Um Morcego na Porta Principal




 

Sinopse: A trajetória do músico e compositor Jards Macalé, personagem controverso da cultura brasileira nas últimas quatro décadas.



Ficha Técnica
Jards Macalé – Um Morcego na Porta Principal
Roteiro e Direção: Marco Abujamra, João Pimentel
Elenco: -documentário-
Duração: 71 minutos
País: Brasil


Alinhado ao tema
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

Jards Macalé é um cantor e compositor conhecido por poucos: ele não é o autor de canções de sucesso ou de repercussão nas massas. Mesmo assim, sua importância na cultura brasileira pode ser mensurada pela magnitude dos parceiros que teve em sua carreira. Entre eles estão Maria Betânia, Paulinho da Viola e Moreira da Silva.

Portanto, uma figura dessa merece ser assunto de um dos vários documentários musicais que cineastas brasileiros estão produzindo, certo? Certo! Dessa forma, todos aqueles que não conhecem esse artista poderão ir ao cinema e ver Jards Macalé – Um Morcego na Porta Principal e saírem da sessão informados, certo? Errado!

Jards Macalé é um músico excêntrico e o documentário resolve adotar essa linha de raciocínio também. Ruim para quem quer vídeo-aula, mas bom para quem quer cinema com certa dose de ousadia.

A excentricidade do filme pode ser percebida em vinhetas que passam por cima de polêmicas causadas por Jards ou por movimentos artísticos como a Tropicália. Tais passagens não se preocupam em explicar aos não-iniciados os conceitos envolvidos, explorando apenas as possibilidades visuais.

Já a excentricidade do objeto de estudo pode ser apreciada logo na primeira cena, quando Macalé ameaça processar os realizadores do documentário se tudo não sair de acordo com seus próprios critérios.

Além de depoimentos de vários artistas e da mãe de Jards, o filme procura divertir com algumas histórias bem engraçadas e apresentações musicais.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Julie & Julia



Sinopse: Julie Powell odeia seu trabalho. Ela decide cozinhar todas as receitas do livro de receitas de Julia Child em um ano e postar a experiência diariamente em um blog. Julia Child vai morar na França por causa do trabalho de seu marido. Lá ela começa um curso de gastronomia.



Ficha Técnica
Julie & Julia
Roteiro e Direção: Nora Ephron
Elenco: Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina
Duração: 123 minutos



Bon apetit!
por Edu Fernandes


(Spoilerômetro: •)


O primeiro conselho a ser dado para quem quiser se deliciar com Julie & Julia é o de fazer uma boa refeição antes de entrar na sala de cinema. Caso contrário, é bem provável que o espectador saia de lá com um apetite descomunal, por causa das vistosas receitas preparada pelas protagonistas. O mesmo acontece com outros filmes em que muitas cenas acontecem na cozinha, como A Garçonete.

O roteiro é a adaptação de dois livros, cada um escrito por uma das personagens. Sinal dos tempos, é a primeira grande produção baseada em um blog – vale lembrar que o nacional Nome Próprio conta as experiências de uma blogueira, mas é um filme pequeno. Adaptando-se com a real estatura de Julia Child (1,85 m), alguns truques foram utilizados: adaptação nos cenários, figurino e ângulos de câmera.

Para viver essas duas mulheres reais, duas atrizes do maior talento foram convocadas. Para Julie, a simpatissíssima Amy Adams; e para Julia, Meryl Streep em uma atuação precisa, chegando quase a ser caricata, mas totalmente convincente.

Apesar de alguns pratos bem pesados serem servidos no decorrer das aventuras gastronômicas dessas adoráveis mulheres, a tônica do filme é levíssima, como claras em neve. Para combinar com o tom, a trilha musical composta por Alexandre Desplat (Benjamin Button) é empolgante e engraçadinha. Ainda nesse mérito, há uma hilária cena ao som de "Psico Killer", canção da banda Talking Heads.

Dude Fato: Antes de Julie & Julia, Meryl Streep já trabalhou em outros filmes com Amy Adams (Dúvida) e Stanley Tucci (O Diabo Veste Prada).

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Jean Charles





Sinopse: A história real de Jean Charles de Menezes, brasileiro imigrante ilegal em Londres que foi morto pela polícia em 2005, confundido com um terrorista.


Ficha Técnica
Jean Charles
Direção: Henrique Goldman
Roteiro: Henrique Goldman, Marcelo Starobinas
Elenco: Selton Mello, Vanessa Giácomo, Luis Miranda
Duração: 93 minutos


Fins ajustados pelo meio
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

Há três objetivos louváveis em Jean Charles. O primeiro deles é contar a vida desse brasileiro, do qual todos sabemos apenas a morte. Relatando seu jeito de ser e os macetes que ele tinha de bolar para apenas sobreviver na terra estrangeira, o filme escapa de ser um dramalhão barato para ser um retrato do típico imigrante que tenta a sorte em outras paragens.

O segundo compromisso da produção é com a autenticidade, tanto que os roteiristas tiveram acesso aos autos do inquérito para conseguir um alto grau de fidelidade nos pontos-chave da trama. É óbvio que há espaço para a romantização, possibilitando assim que a jornada do eletricista coubesse dentro de um formato mais cinematográfico.

Finalmente, Jean Charles quer servir de alerta para que esse assunto tenha uma resolução satisfatória, já que nenhum dos assassinos sofreu qualquer tipo de punição por seus atos inconsequentes. A denúncia dessa tragédia utiliza-se de muito bom gosto cinematográfico ao não mostrar a face dos policiais, seguindo o exemplo do pintor espanhol Francisco Goya, que também omitiu as feições dos atiradores em Os Fuzilamentos de 3 de maio de 1808 (abaixo).


Na ânsia pela autenticidade máxima, as pessoas que conviveram com Jean Charles foram convidados para reviver seus papéis. Os personagens menores são todos praticamente reatuados pelas pessoas reais. Apesar de conseguir algumas falas e feições com emoções sinceras, algumas atuações soam forçadas e destoam do trabalho dos atores profissionais em cena.

Por aliar boas intenções, qualidade técnica e um boa campanha de divulgação, Jean Charles é um ganho para a cinematografia nacional.