Mostrando postagens com marcador Sueco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sueco. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Com Amor, Carolyn: Nós que aqui estamos

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


A exaltação de heróis jovens que vivem no limite é uma constante na cultura pop. O estilo de vida despreocupado e inconsequente é mostrado em livros, filmes e outros meios como uma forma de ir contra o sistema. O que essas obras normalmente se esquecem de discutir são as consequências que esses heróis românticos trazem às pessoas que os cercam.

O documentário Com Amor, Carolyn (Love Always, Carolyn) nada contra a maré tresloucada e apresenta Carolyn Cassady, esposa de Neal Cassady e amante de Jack Kerouac. Carolyn merece um documentário porque o herói do livro Pé na Estrada, escrito por Jack, é baseado na personalidade de Neal. Para “inspirar” o autor, Neal abandonou sua mulher com os filhos pequenos e partiu em uma viagem sem rumo. A jornada de Cassady é considerada um marco para a geração beat.

Tanto o escritor quanto o viajante cumpriram a sina dos heróis inconsequentes. Ambos morreram jovens, com menos de 50 anos, depois de muito abuso de drogas. As diretoras explicam que o objetivo do filme é “aprender os efeitos colaterais da fabricação de um herói e a condição fugaz da fama”.

Hoje, com quase 90 anos de idade, Carolyn vive graças a renda por seu livro Off The Road, onde narra sua vivência com Neal e Jack, e participações em eventos que homenageiam seu marido. Com recursos limitados, ela amarga a solidão de seus últimos dias.

A família tenta achar maneiras de tirar proveito da memória de Neal. Algumas ideias, como a de lançar um vinho com a foto dele no rótulo, parecem absurdas. No entanto, não há espaço para julgamentos. Essas decisões questionáveis são apenas uma forma de reparação pela vida sofrida, causada pelo abandono de Neal.

Depois de assistir a Com Amor, Carolyn, tira-se a conclusão de que, para ser um ícone, Neal se esqueceu de se dedicar a ser pai e marido.


Com Amor, Carolyn (Love Always, Carolyn)
Roteiro e Direção: Malin Korkeasalo, Maria Ramström
Elenco: Carolyn Cassady, John Allen Cassady, Cathy Cassady Sylvia, Jami Cassady Ratto, Neal Cassady, Jack Kerouac
Duração: 70 minutos
País: Suécia

Nota: 5

Com Amor, Carolyn foi assistido no É Tudo Verdade 2012.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Mulher de Preto: Medo inanimado

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Da mesma forma que acontece com O Despertar, o filme A Mulher de Preto (The Woman in Black) tem uma história banal, dessas que se conta em fogueiras de acampamento. Todavia, ao contrário da produção estrelada por Rebecca Hall, o filme protagonizado por Daniel Radcliffe (Harry Potter e as Relíquias da Morte) consegue manter alguma personalidade para que se diferencie entre outros títulos do gênero.

Radcliffe interpreta Arthur, um advogado viúvo que deve arrumar a documentação de um casarão para que o imóvel possa ser vendido. A aldeia próxima à tal mansão é habitada por pessoas desconfiadas que parecem fazer de tudo para encurtar a estadia de Arthur.

O advogado não arreda pé do local porque seu emprego está em risco. Em sua insistência, Arthur descobre que muitas crianças da vila têm mortes trágicas e o povo local responsabiliza um espírito que assombra a mansão pelos terríveis acontecimentos.


Eis a premissa que não esbanja originalidade. O diferencial de A Mulher de Preto está principalmente na direção de arte, que escolheu brinquedos antigos e macabros para “enfeitar” o casarão fantasmagórico. A opção faz sentido porque grande parte das cenas de tensão acontecem quando o protagonista está sozinho. Assim, aposta-se em objetos assustadores.

O que impressiona é o fato de que os brinquedos são autênticas peças de antiquário e não réplicas exageradas produzidas especialmente para o filme. As peças foram cedidas por um colecionador.

Outro ponto positivo em A Mulher de Preto é a escolha de enquadramentos feita pelo diretor James Watkins (Sem Saída). Desde a cena inicial, vislumbra-se momentos em que a câmera cria imagens bonitas para contar uma história sombria.


A Mulher de Preto (The Woman in Black)
Direção: James Watkins
Roteiro: Jane Goldman
Elenco: Daniel Radcliffe, Janet McTeer, Ciarán Hinds
Duração: 95 minutos
País: Reino Unido, Canadá, Suécia

Nota: 6

sexta-feira, 11 de março de 2011

Em um Mundo Melhor



Sinopse: Em crise matrimonial, Anton é um médico que divide seu tempo atendendo em um país miserável da África e com sua família na Dinamarca. Seu filho sofre bullying na escola até ser defendido por um novo amigo, um garoto recém-chegado de Londres.


Ficha Técnica
Em um Mundo Melhor (Hævnen)
Direção: Susanne Bier
Roteiro: Anders Thomas Jensen
Elenco: Mikael Persbrandt, Trine Dyrholm, Ulrich Thomsen, William Jøhnk Nielsen, Markus Rygaard
Duração: 119 minutos
País: Dinamarca, Suécia


Unidos pela covardia
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

Principalmente depois de Amores Brutos, o cinema latino oferece uma numerosa safra de multiplots temáticos. Para alguns (inclusive eu) a fórmula – que muitas vezes inclui um final apoteótico que conecta as tramas paralelas – foi usada à exaustão e merece um descanso.

Com o dinamarquês Em um Mundo Melhor (Hævnen), os nórdicos trazem uma forma diferente de contar histórias variadas com um mesmo tema. Todas as tramas são ligadas desde o começo do filme e o tema é um pouco mais sutil.

A produção discute a covardia humana em várias situações. Seja no bullying dos corredores escolares, no preconceito contra imigrantes, ou no domínio armado de guerrilheiros que oprimem a população miserável. Não importa se a covardia acontece em uma nação conhecida por sua civilidade ou em um país em que o povo passa fome.

Em um Mundo Melhor é dirigido por Susanne Bier e as marcas de sua cinematografia estão presentes. A cineasta contar histórias emotivas e usa um andamento um pouco mais lento do que a média. É interessante que uma das realizadoras nórdicas mais importantes do momento fuja tanto da famosa frigidez do seu povo.

Seu novo filme prova que a incursão em Hollywood (Coisas que Perdemos pelo Caminho) não lhe tiraram a personalidade cinematográfica. Bom para seus fãs.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Os Homens que não Amavam as Mulheres




Sinopse: A misteriosa hacker Lisbeth e o jornalista Mikael unem-se para desvendar um assassinato ocorrido há 40 anos, durante uma reunião da família Vanger. O clã é dono de um império industrial e a suspeita é de que o assassino seja parente da vítima.


Ficha Técnica
Os Homens que não Amavam as Mulheres (Män som hatar kvinnor)
Direção: Niels Arden Oplev
Roteiro: Nikolaj Arcel, Rasmus Heisterberg
Elenco: Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Peter Haber, Sven-Bertil Taube
Duração: 152 minutos
País: Suécia. Dinamarca, Alemanha, Noruega


O início de uma série madura
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

Na última década o mercado editorial assistiu a um fenômeno que o fez repensar seus princípios mais básicos. Séries de livros dedicados inicialmente ao público juvenil fazem grande sucesso entre os leitores adultos e, com isso, as editoras investiram suas verbas para achar esses hits literários.

Por outro lado, um autor sueco mostrou ao mundo que ainda há espaço para livros de entretenimento para um público com mais de 20 anos: a série Millenium tem seus três volumes expostos nas prateleiras de livrarias ao redor do mundo.

Como aconteceu com Harry Potter, Crepúsculo e os livros de Dan Brown; adaptações cinematográficas são produzidas para capitalizar mais lucros. A diferença é que Os Homens que não Amavam as Mulheres (Män som hatar kvinnor) é sueco, embora um remake hollywoodiano já esteja planejado.

Por ser o começo de uma franquia, o filme precisa dedicar algum tempo para apresentar seus personagens. O problema é que Lisbeth é muito mais complexa do que Harry Potter, Bella Swan ou Robert Langdon jamais sonhariam em ser. Por isso, demora para que ela efetivamente participe da história.

Depois desse atraso inicial, Lisbeth conhece Mikael e a química entre os dois funciona para desenvolver o enredo. Mesmo assim, a duração de 2,5 horas do filme poderá ser percebida pela plateia.

O cenário do crime (casa isolada com família de elite cheia de segredos) parece saído de um dos romances de Agatha Christie e deverá ser suficiente para conquistar os fãs da autora inglesa. Quem já tem familiaridade com esse tipo de trama provavelmente conseguirá matar parte do mistério da história. Essa mescla de acertos e surpresas é muito positiva, uma vez que espectador desvenda parte do enigma e ainda é surpreendido.


Dudenet: Leia a resenha do livro que inspirou o roteiro clicando aqui.


Dudeshop:
• Livro Os Homens que não Amavam as Mulheres: Coleção Millenium – Volume 1, de Stieg Larsson (Ed. Companhia das Letras)
• Livro A Menina que Brincava com Fogo: Coleção Millenium – Volume 2, de Stieg Larsson (Ed. Companhia das Letras)
• Livro A Rainha do Castelo de Ar: Coleção Millenium – Volume 3, de Stieg Larsson (Ed. Companhia das Letras)