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quarta-feira, 17 de abril de 2013

O Acordo: Péssimas boas ideias

por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


O tráfico de drogas é uma das mazelas do mundo. E se aumentássemos as penas para esse crime? Assim, obrigamos os capturados a delatar seus parceiros em troca de menos tempo de prisão. Parece uma boa ideia, mas vemos em O Acordo (Snitch) suas consequências cruéis.

Jason (Rafi Gavron, de Fuga Implacável) concorda em receber um pacote de pílulas ilegais, mas a entrega era uma armadilha para prendê-lo. Agora ele deve entregar algum colega de tráfico, mas ele não conhece ninguém, apenas quem o delatou. O jovem não concorda em armar algum jeito de incriminar outra pessoa e pode ter de enfrentar dez anos atrás das grades.


Seu pai (Dwayne Johnson, de G.I. Joe: Retaliação) entra em acordo com uma promotora (Susan Sarandon, de A Viagem) para diminuir a pena do filho. John adentra em um mundo que lhe é estranho e arrisca sua vida só para se utilizar de uma lei infeliz.

O filme segue como um título de ação padrão, com doses de suspense e perseguições automobilísticas. O contexto relevante é o que lhe dá alguma personalidade, mas as questões poderiam ser aprofundadas.

É visível que a guerra contra as drogas, como é travada hoje é cara e sangrenta. Muitos documentários dão sugestões alternativas, porém tais propostas não são tão populares nas eleições. Por isso, seguimos vivendo nessa atmosfera de medo.


O Acordo (Snitch)
Direção: Ric Roman Waugh
Roteiro: Justin Haythe, Ric Roman Waugh
Elenco: Dwayne Johnson, Barry Pepper, Jon Bernthal, Susan Sarandon, Michael K. Williams, Rafi Gavron, Melina Kanakaredes, Nadine Velazquez, Benjamin Bratt
Duração: 112 minutos
País: EUA, Emirados Árabes Unidos

Nota: 6

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Histórias Cruzadas: Várias faces do racismo

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


A discriminação é um assunto complexo e o filme Histórias Cruzadas (The Help) dá conta de vislumbrar várias frentes deste tema nas histórias de cada personagem. O racismo é o principal tipo de discriminação abordado no roteiro, mas há outros.

Skeeter (Emma Stone, de Amor a Toda Prova) é uma mulher independente no sul dos Estados Unidos no começo da década de 60, por isso também é alvo de olhares condenadores. Ela não vê a necessidade de casar, apesar da pressão de sua família.

A jovem sonha em ser escritora e tem uma ideia bombástica para um livro: contar a história das criadas negras, que criam as crianças brancas de famílias mais ricas sem poder usar o mesmo banheiro que os patrões. Nos contos sofridos dessas mulheres é que se vê parte do racismo denunciado pelo filme.


As outras jovens da cidade mostram outras formas desse tipo de preconceito. Seja aquela que é pressionada pelas amigas a discriminar a empregada, seja a que pensa que não é racista, apesar de considerar os negros seres inferiores que necessitam dos cuidados e amparo dos brancos.

O medo dos ataques da Ku Klux Klan está presente, mas não é o foco. A fita tem como objetivo mostrar a discriminação que encontramos mais facilmente, porém identificamos com mais dificuldade.

Entre as empregadas entrevistadas por Skeeter está Minny (Octavia Spencer, de Assalto em Dose Dupla), uma mulher que usa a discriminação como escudo. Ela é altamente desconfiada dos brancos. Seu preconceito nasce do trauma.

Finalmente há a história de Celia Foote (Jessica Chastain, de A Árvore da Vida), a patroa de Minny. Ela é uma mulher branca, rica e muito bem casada. Celia poderia ser muito feliz, mas não é isso o que acontece. Fofocas mancham sua reputação e ela se isola na mansão. Seu marido é tudo o que tem, por isso ela morre de medo de perdê-lo. Por isso, é capaz de esconder certas coisas dele, como suas inaptidões domésticas.

Com atuações impressionantes, Histórias Cruzadas passa sua mensagem e nos faz reparar em sutis discriminações que ainda residem em nossa sociedade.


Histórias Cruzadas (The Help)
Roteiro e Direção: Tate Taylor
Elenco: Emma Stone, Viola Davis, Bryce Dallas Howard, Octavia Spencer, Jessica Chastain, Ahna O'Reilly, Allison Janney
Duração: 146 minutos
País: EUA, Índia, Emirados Árabes Unidos

Nota: 8

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Contágio: Uma espécie doente

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)



Pelos relatos de alguns veículos de imprensa na época parecia que a gripe suína era uma doença que ameaçava a humanidade. Passado o pânico, percebeu-se que a taxa de mortalidade dessa variação da doença era igual a das outras gripes.

Todo esse cenário de medo e paranoia é explorado por Contágio (Contagion), com outra patologia. O filme conta as complicações de uma pandemia, sejam tais consequências de cunho médico ou não. Em um sólo fértil para o nascimento de teorias da conspiração, saques a comércio e outros mates, o filme consegue equilibrar várias tramas paralelas.

Uma delas é encabeçada por Matt Damon que, coincidentemente ou não, participa mais uma vez de um filme cuja premissa surge para criticar os exageros da mídia – Zona Verde mostrava como o sensacionalismo cego colaborou para o início da Guerra do Iraque.

Nas cenas de Contágio em que as situações-limite afloram o pior do ser humano, muitos se lembrarão da adaptação cinematográfica de Ensaio sobre a Cegueira. Assim como o filme de Fernando Meirelles, a nova produção usa a direção de fotografia a favor da narrativa.


Com luzes claras estouradas, Ensaio sobre a Cegueira pretende deixar que seu espectador prove a cegueira branca narrada nas páginas de Saramago. Em Contágio, a luz deixa os personagens pálidos ou corados, dependendo do teor das cenas e da relação deles com a epidemia.

A doença ficcional retratada no filme é transmitida muito facilmente de pessoa para pessoa. Por essa razão, e pelos closes dados em objetos do dia a dia que podem carregar o vírus, quem tem mania de limpeza e sanitarismo pode sair da sala de cinema paranoico.





Contágio (Contagion)
Direção: Steven Soderbergh
Roteiro: Scott Z. Burns
Elenco: Matt Damon, Kate Winslet, Jude Law, Gwyneth Paltrow, Laurence Fishburne, John Hawkes, Marion Cotillard
Duração: 106 minutos
País: EUA, Emirados Árabes Unidos

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A Epidemia



Sinopse: Uma misteriosa doença assola uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos. As pessoas infectadas ficam apáticas e violentas. O Xerife David Dutten tenta salvar a si mesmo e a sua esposa grávida, médica da cidade.


Ficha Técnica
A Epidemia (The Crazies)
Direção: Breck Eisner
Roteiro: Scott Kosar, Ray Wright
Elenco: Timothy Olyphant, Radha Mitchell, Joe Anderson, Danielle Panabaker
Duração: 101 minutos
País: EUA, Emirados Árabes Unidos


Renovando o medo
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: • trailer)

Os filmes com zumbis renasceram com muita força nos últimos anos. Nas produções que usam as mais variadas formas do monstro contagioso, os roteiros têm objetivos igualmente diversos. A Epidemia (The Crazies) explora a situação para criar cenas de tensão.

Mesmo com tanto zumbi à solta, o filme aproxima-se mais de um título cujos vilões são vampiros – outra criatura da moda. Com o xerife e a esposa tentando salvar uma pequena comunidade isolada, 30 Dias de Noite é uma boa base de comparação. A tensão e a raiva pelos monstros são iguais nas duas fitas. Os testes de princípios humanos em situações-limite estão mais presentes na adaptação da graphic novel vampiresca, mas A Epidemia também traz momentos com essa pegada.

Trata-se de um remake de O Exército do Extermínio (1973) e essa nova produção homenageia seu antecessor em pequenos detalhes. O roteiro passou por uma atualização bem-vinda que alia o enredo a questões mais contemporâneas.

A prova final da qualidade está na atuação de Timothy Olyphant (Hitman), que costuma estragar alguns filmes em que participa. A química entre o xerife interpretado por ele e seu assistente – papel de Joe Anderson (Amelia) – traz à tona emoções intensas para o público.