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quarta-feira, 7 de março de 2012

W.E.: Elegância sem emoção

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Em O Discurso do Rei, a história de amor entre o príncipe Edward da Inglaterra e a americana Wallis Simpson foi um capítulo importante na vida do rei gago. O romance proibido recebe agora o tratamento de tema central em W.E. – O Romance do Século (W.E.). No novo filme, o casal é vivido por James D'Arcy (Reflexos da Inocência) e Andrea Riseborough (Não Me Abandone Jamais).

A direção desempenhada por Madonna usa de toda a elegância possível para narrar o amor entre os dois. O principal problema do filme é que, na busca desenfreada pelo elegante, se esquece da emoção inerente ao enredo.Por outro lado, os pontos positivos estão no figurino e na direção de arte.


Paralelamente à história de Wallis e Edward, o filme narra os conflitos contemporâneos de Wally (Abbie Cornish, de Sucker Punch), uma mulher que desistiu de sua carreira por causa do marido (Richard Coyle, Príncipe da Pérsia). Apesar da renúncia de Wally, William não dá o devido valor à sua esposa. Ele dedica todo seu tempo ao trabalho e ao adultério. Com isso, Wally se aproxima de Evgeni (Oscar Isaac, de Drive), segurança em um museu que exibe peças originais de Wallis Simpson.

O filme traça óbvios paralelos entre as duas tramas, mas às vezes força a barra. O resultado são cenas belas, mas insípidas. Um exemplo disso é a carência de cenas de sexo impactantes, que deem vazão à paixão dos personagens.

Para os fãs de Madonna, por tudo o que ela representa além do mundo da música, W.E. oferece um espetáculo visual (em momentos que lembram propaganda de perfume ou trechos de videoclipes). No entanto, para quem quer ver uma intensa história de amor, o filme não convence.


W.E. – O Romance do Século (W.E.)
Direção: Madonna
Roteiro: Madonna, Alek Keshishian
Elenco: Abbie Cornish, Andrea Riseborough, James D'Arcy, Oscar Isaac, Richard Coyle
Duração: 119 minutos
País: Reino Unido

Nota: 4

Dica: Para mais informações sobre a realeza inglesa no início do século XX, confira o livro O Discurso do Rei.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme



Sinopse: Armações feitas por executivos levam a empresa em que Jake trabalha à falência. Zabel, seu chefe e mentor, comete suicídio ao perceber que sua empresa afundou. Jake toma conselhos de Gordon Gekko, especulador e seu futuro sogro, para vingar a morte dele.


Ficha Técnica
Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street: Money Never Sleeps)
Direção: Oliver Stone
Roteiro: Allan Loeb, Stephen Schiff
Elenco: Michael Douglas, Shia LaBeouf, Josh Brolin, Carey Mulligan
Duração: 138 minutos
País: EUA


Um sonho diferente
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

Em 1987, Oliver Stone lançou Wall Street e fez um retrato da ambiciosa geração yuppie. No entanto, com a sequência Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (Wall Street: Money Never Sleeps) há um grande descompasso entre as atitudes do protagonista com o comportamento e objetivos dos espectadores da mesma faixa etária. Ao contrário dos yuppies, a chamada geração Y almeja mais qualidade de vida do que ganhos estritamente financeiros a qualquer custo.

Logo no começo do filme, Jake recebe um bônus de quase US$ 1,5 milhão. Nesse momento, pensei: "Ótimo! Já acabou o filme. O rapaz sai do mercado de ações e vai ganhar dinheiro com um trabalho de verdade." Não sei se é o caso do leitor, mas eu tenho essa bizarra crença de que é uma boa ideia tirar meu (parco) sustento do trabalho que eu executo. Ganhar a vida com apostas e especulações me parece tenso demais. A expressão "investimento de alto risco", não é uma hipérbole.

Para que Wall Street 2 não seja um curta-metragem, Jake continua a pôr dinheiro na bolsa de valores. Como se não bastasse sua teimosia e ganância, ele comete um erro juvenil: o rapaz gasta uma parcela enorme de seu bônus na compra de ações da empresa em que ele trabalha! Se a firma falir, ele perde o emprego e o investimento em uma rasteira só. Uma paçoca para quem adivinhar o que acontece depois! A empresa afunda, é lógico.

Com isso, o protagonista do filme perde todo o prestígio com o público logo no começo da projeção. Quem parece representar melhor a geração Y é Winnie, a namorada de Jake. Ela trabalha em um site sem fins lucrativos. O que ninguém me explica é como o The Frozen Truth consegue manter um belo escritório em Nova York apinhado de funcionários. Nos 4 anos em que mantive o finado site Homem Nerd, não tínhamos fundos nem para alugar um trailer.

Além da falta de verossimilhança, Winnie exemplifica outro defeito do roteiro. Quando ela está enfurecida com outro personagem, é facilmente convencida a mudar de postura com uma simples conversa. A fraqueza de espírito de Winnie está presente em mais de uma cena de Wall Street 2.

Para não dizerem que não falei da parte técnica, a edição se destaca por apresentar certa ousadia. Às vezes funciona e cria cortes interessantes. Às vezes não funciona e fica tão cafona que parece que é de brincadeira.