domingo, 9 de outubro de 2011

A Pele que Habito: Almodóvar na essência

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Em A Pele que Habito (La piel que habito), o diretor Pedro Almodóvar (Abraços Partidos) conta um tipo de história que, à primeira vista, difere do restante da sua cinematografia. No filme, Robert é um cirurgiào plástico que mantém Vera como refém.

A prisioneira é a cobaia em seus expetimentos na criação de uma pele mais resistente. Vera também é o pivô de um plano de vingança arquitetado por Robert, que perdeu sua esposa e filha de forma trágica.

Por Almodóvar explorar em seu últmo filme temas e elementos que lhe são estranhos, A Pele que Habito foi recebido por alguns de seus fãs como uma traição. No entanto, em sua essência o filme é uma obra almadovariana, da mesma maneira que tal indignação está na essência do comportamento do fã.

Não é saudável se esperar que, com mais de 60 anos, Pedro ainda faça o mesmo filme de décadas passadas. É mais proveitoso avaliar como ele evoluiu como cineasta e como ser humano. O amadurecimento se expressa na tela como uma fita mais fria e, por isso mesmo, mais malévola.

A frigidez se justifica, principalmente no protagonista. Se Robert tivesse a explosividade de outros personagens de Almodóvar, A Pele que Habito seria um curta metrtragem sangrento. Um homem que passou pelo que Robert passou só poderia segurar um longa com essa profundiade de temas sendo uma pessoa fria.


A Pele que Habito marca o retorno da parceria de Pedro Almodóvar com Antonio Bandeas (Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos) depois de um hiato de 20 anos – mais um elemento nesse cenário de evolução sem perder a essência.

Depois do final da sessão, pode se perceber que o filme é uma digressão feita por Almodóvar para voltar a alguns temas que lhe são mais íntimos – não me atrevo a listá-los para não estragar a experiência do público.




A Pele que Habito (La piel que habito)
Roteiro e Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Blanca Suárez, Jan Cornet, Marisa Paredes
Duração: 117 minutos
País: Espanha

sábado, 8 de outubro de 2011

Os Três Mosqueteiros: Vamos fazer uma franquia?

 por Edu Fernandes 

Spoilerômetro: • (?)


Longe da simplicidade de uma câmera na mão e uma ideia na cabeça, fazer uma franquia cinematográfica requer um maior planejamento. Uma aula de como fazer isso está em Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers).

Como um primeiro passo, seleciona-se uma história com a qual o público médio está um pouco familiarizada. O romance de Alexandres Dumas, sobre guerreiros que devem impedir a concretização de uma conspiração que ameaça o trono francês, serve como pretexto para se produzir um filme que claramente quer fisgar os fãs de Jack Sparrow, da série Piratas do Caribe.

A seguir, é necessário escalar atores conhecidos para ilustrar os pôsteres e atrair mais espectadores. Em Os Três Mosqueteiros, as maiores estrelas estão em papeis secundários, como Milla Jojovich (Dois Homens em Fúria), Orlando Bloom (Nova York, Eu Te Amo) e Christoph Waltz (Besouro Verde).



Para potencializar o lucro, é decidido que o filme será lançado em 3D. Com as recepções negativas de títulos convertidos para a estereoscopia em pós-produção (Fúria de Titãs e As Viagens de Gulliver), investe-se na captação de imagens em 3D. O diretor Paul W.S. Anderson já se mostrou capaz de de entregar bons efeitos tridimensionais em Residente Evil 4.

Com esse objetivo de transformar a aventura de Athos, Porthos, Aramis e D'Artagnan em uma franquia, o desfecho de Os Três Mosqueteiros deixa claros ganchos para uma continuação. Com personagens carismáticos e bem diferentes entre si, é possível acreditar que em um par de anos veremos a concretização desse plano.






Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers)
Direção: Paul W.S. Anderson
Roteiro: Alex Litvak, Andrew Davies
Elenco: Milla Jovovich, Logan Lerman, Ray Stevenson, Orlando Bloom, Matthew Macfadyen, Luke Evans, Christoph Waltz, Mads Mikkelsen
Duração: 110 minutos
País: Alemanha, França, Reino Unido, EUA