sábado, 2 de junho de 2012

White Mercenary X Além das Montanhas: Relatos pessoais

por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)


Está cada vez mais em voga entre os documentários transformar experiências pessoais em filmes, como fez recentemente Lucia Murat com Uma Longa Viagem. No Olhar de Cinema há pelo menos dois exemplos dessa tendência intimista.

Em I Am White Mercenary ("Eu Sou Mercenário Branco", em tradução literal), Saied Jaf defende-se das acusações de que ele teria participado do genocídio de Anfal, no Iraque. Ele percorre várias localidades atrás de pessoas cujas vidas ele salvou na época do massacre.

O problema do documentário é que ele é repetitivo demais. Os relatos são muito parecidos e não há informações novas sendo entregues com constância. Por outro lado, há uma grande consciência cinematográfica, com enquadramentos interessantes e uma direção de fotografia elogiável.


Apesar de contar uma história aparentemente menor, Para Além das Montanhas (Yama No Anata) tem um roteiro mais equilibrado. Aya Koretzky conta sua experiência de imigrante japonesa em Portugal. Grande parte do filme é composta por arquivos de vídeo de seus pais e por cartas trocadas com o Japão.

Assim como Tokiori, o filme não consegue discutir algumas contradições dos imigrantes japoneses. Os pais de Aya nunca falam sobre a possibilidade de voltar ao Japão e mesmo assim ela é matriculada em uma escola japonesa. Uma atitude que não colabora para a adaptação da menina no novo país.

Espera-se que essa discussão necessária possa ser travada em breve no cinema.

I Am White Mercenary (Man Yek Mozdore Sefid Hastam)
Roteiro e Direção: Taha Karimi
Elenco: Saied Jaf
Duração: 63 minutos
País: Iraque

Nota: 5

Para Além das Montanhas (Yama No Anata)
Roteiro e Direção: Aya Koretzky
Elenco: Aya Koretzky
Duração: 59 minutos
País: Portugal

Nota: 6

I Am White Mercenary e Para Além das Montanhas foram assistidos no Olhar de Cinema (Curitiba, PR)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Olhar de Cinema: Curtas Internacionais

 por Edu Fernandes

Spoilerômetro: • (?)

Os curtas foram exibidos sem um nome oficial em português. Quando possível, uma tradução literal é colocada entre parêntesis. Confira a cobertura completa do evento aqui.


Mezanin (Mezanino)

A protagonista do curta é uma mulher desempregada (Leona Paraminski) que aparentemente já se acostumou com sua rotina de visitas a escritórios para ser entrevistada. Apesar de tudo o que presencia, ela permanece apática.

A apatia da personagem se encaixa com a proposta fria da direção. O problema é que, com isso, o espectador também fica apático.

Roteiro e Direção: Dalibor Matanic
Elenco: Leona Paraminski, Jagoda Kralj, Alen Liveric
Duração: 14 minutos
País: Croácia

Nota: 4


Juku

Por ser um documentário, o filme não tem controle sobre os diálogos, que são seu ponto fraco. É difícil acompanhar a conversa dos mineiros bolivianos.

Por ter cenas construídas com uma boa direção, fica a vontade de que a situação da mina de Posokoni tivesse inspirado uma ficção. A escuridão do cenário com uma iluminação clautrofóbica cria belos recortes na tela.

Direção: Kiro Russo
Roteiro: Gilmar Gonzales, Kiro Russo
Elenco: Efraín Garzón, Fábrica Humberto, Renè Mamani
Duração: 18 minutos
País: Bolívia, Argentina

Nota: 5


Beast (Fera)

O filme começa com István (Szabolcs Thuróczy) na delegacia. Ele reclama de roubos que aconteceram em sua fazenda. Esse é o único momento no curta em que se tem alguma simpatia pelo protagonista.

A partir desse ponto, vê-se a dominação que ele exerce sobre a família e até um escravo. As atrocidades cometidas por ele parecem não ter limites. Com isso, o curta atinge o objetivo de enervar o público.

Beast (Csicska)
Roteiro e Direção: Attila Till
Elenco: Szabolcs Thuróczy, Balázs Szitás, Mónika Balsai
Duração: 20 minutos
País: Hugria

Nota: 6


Narcocorrido

A peça mais dinâmica da seleção do Olhar de Cinema até agora, o curta apresenta uma situação em que o bem e o mal não são tão claros. Uma policial (Nicki Micheaux, de Lincoln Heights) tem o plano de pegar o dinheiro do narcotráfico. Naija sofre algum tipo de doença e mostra insegurança sobre seus atos, o que pode indicar o desespero das circunstâncias que a levaram a tal comportamento.

Por outro lado, o motorista do caminhão (Raúl Castillo) abordado por Naija leva a carga ilegal, mas se mostra preocupado com sua família. Temos então uma amostra de ação e suspense que traz em si alguma profundidade, o que é raro no gênero.

Roteiro e Direção: Ryan Prows
Elenco: Nicki Micheaux, Raúl Castillo, Michael Finn, Emilio Rivera
Duração: 24 minutos
País: EUA

Nota: 6