terça-feira, 2 de novembro de 2010

Scott Pilgrim contra o Mundo



Sinopse: Scott Pilgrim é um jovem de 22 anos, que namora uma colegial. Apesar de ser um namoro inocente, isso chama atenção de seus amigos, sobretudo porque ele ainda não superou sua ex. Mas eis que surge Ramona, uma bela jovem que vive em seus sonhos e mudará sua vida para sempre.


Ficha Técnica
Scott Pilgrim contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. the World)
Direção: Edgar Wright
Roteiro: Edgar Wright, Michael Bacall
Elenco: Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Alison Pill, Mark Webber, Johnny Simmons, Ellen Wong, Kieran Culkin, Brie Larson, Anna Kendrick, Aubrey Plaza
Duração: 112 minutos
País: EUA, Reino Unido, Canadá


 por Guilherme Kroll

(Spoilerômetro: •)

Baseado na HQ homônima, lançada no Brasil pela Companhia das Letras, Scott Pilgrim contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. the World) é um filme, e um conceito, baseado na chamada “Geração Y”, uma turma de pessoas que são jovens adultos hoje em dia, nascidos entre o fim dos anos 70 e início dos 90, e se criou com internet, hardcore em mp3, computadores, quadrinhos (especialmente mangás) e videogames.

A proposta fica clara na apresentação da produtora Universal, nos primeiros segundos da produção. O logo da empresa aparece com pixels, como um game dos anos 90, e a vinheta introdutória é tocada como se fosse um áudio de um jogo da mesma época.

Pilgrim faz parte de uma geração politicamente correta, sem grandes motivações políticas ou anseios filosóficos, que quer curtir a vida, e superar o trauma de seu último namoro. Mas também, trata-se de um personagem egoísta, enquanto chora pelo sofrimento que recebe de garotas, causa dor em muitas outras, num círculo vicioso de relacionamentos que não dão certo.

E relacionamentos são a tônica do filme, pois logo Pilgrim abandona sua namorada colegial Knives para ficar com Ramona, garota que surge em seus sonhos e, depois, em uma festa. Só que Ramona tem algo de seu passado que pode atrapalhar: a Liga dos 7 Ex-Namorados do Mal, que aparecem em um show da banda de Scott, os Sex Bob-Omb.

A partir daí, Scott precisa derrotar os sete rivais para conseguir ficar com Ramona. Sobram referências musicais, cinematográficas, quadrinhistícas, piadas com vegetarianos, e games, muitíssimas menções a games. Há tantas coisas visuais que as legendas não dão conta de traduzir tudo.

O roteiro é bizarro, pra dizer o mínimo. É impossível saber se alguém vai gostar do filme antes de indicá-lo. Mesmo porque as pessoas que podem vir a gostar desse longa tem uma tendência a baixar filmes na internet. Talvez por isso tenha sido um fracasso fora do Brasil e aqui só será lançado em pouquíssimos lugares e com muito atraso.

Não custa dizer que o filme tem uma produção competente, sobretudo no que se refere ao som e figurino. As atuações são medianas. Michael Cera deu um caráter mais ameno e menos sacana para o protagonista Pilgrim, diferente do que vemos na HQ. Inclusive, o filme é uma boa adaptação, conseguindo condensar bem a longa história dos gibis em pouco mais de uma hora e meia.

Quem gostou do gibi, pode ver o filme sem medo. Quem não gostou, nem entende referências de games, muito menos essa geração que mandará no mundo, passe longe.

Cyrus



Sinopse: John, um homem solitário, decide voltar a paquerar e conhece a mulher dos seus sonhos. O problema é que ela tem um filho de 21 anos problemático, Cyrus, e John tem que lidar com os dois e seu relacionamento complexo.


Ficha Técnica
Cyrus
Roteiro e Direção: Jay Duplass, Mark Duplass
Elenco: Jonah Hill, John C. Reilly, Marisa Tomeu, Catherine Keener
Duração: 91 minutos
País: EUA


 por Flávia Yacubian

(Spoilerômetro: •)

Cyrus é um desses filmes que pode te enganar de jeito. Com Jonah Hill, Catherine Keener e John C. Reilly no elenco, logo lembramos das comédias à la Judd Apatow (Ligeiramente Grávidos) que eles costumam protagonizar. A primeira cena também engana, com uma certa bizarrice cômica.

Mas não é nada disso. Cyrus se encaixa no que costumam chamar de filme indie. Um roteiro que ressalta um acontecimento cotidiano, perfeitamente plausível, porém não menos bizarro. Usa câmeras digitais e enquadres diferenciados. Também se pauta por diálogos bem construídos, cheio de frases sagazes. Se essa descrição está muito parecida com vários filmes por aí, é que o gênero indie deixou há um tempinho de ser algo alternativo e muitos filmes mainstream seguem as mesmas regras.

Por exemplo, o enquadramento de câmera em Cyrus lembra mais a série The Office do que qualquer filme que tenha subertido regras de filmagem. Isso está cada vez mais comum nas produções da Fox Searchlight, que antes era sinal de uma produçãodiferenciada, hoje lança filmes extremamente parecidos entre si.

No entanto, Cyrus, mesmo abusando de recursos já pasteurizados, se destaca pela atuação do elenco. Catherine Keener, Marisa Tomei, e John C. Reilly já vimos em dramas interessantes, sempre com boas atuações. Já Jonah é uma novidade. O nome do filme mostra que o personagem principal da trama é o de Jonah. E o ator surpreende em uma atuação forte de um personagem extremamente complexo. John
funciona como um espelho desse personagem e, como um reflexo, mantém sua atuação distanciada porém compatível com a de Hill.

O roteiro torna a relação dos dois bastante aflitiva, e o filme não é recomendado para quem não gosta de observar problemas emocionais com difícil resolução. Claro que com esses nomes no elenco, não temos um drama tradicional, mas uma história muito real, com pitadas de comédia, às vezes não intencional, porém divertida.

Cyrus não vai agradar a maioria, mas quem der uma chance, sabendo que não verá uma comédia tradicional, pode se surpreender.