quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Moscou





Sinopse: Os ensaios e os exercícios que os atores do Grupo Galpão executam enquanto preparam a peça As Três Irmãs, de Tchekhov.


Ficha Técnica
Moscou
Direção:
Eduardo Coutinho
Roteiro:
Eduardo Coutinho, Anton Chekhov
Elenco:
Enrique Diaz, Grupo Galpão
Duração:
80 minutos


Vou-me embora para Moscou
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

Há um princípio básico do teatro chamado quarta parede, que explica como acontece a realização de um espetáculo: a platéia assiste ao que acontece no palco como se uma das paredes – a quarta – fosse transparente. Seguindo esse princípio, a tal parede seria intransponível, mas as peças contemporâneas teimam em quebrá-la a todo o momento, como se fosse um pré-requisito para a ousadia no tablado.

Se o leitor se sente incomodado ou invadido quando os atores abandonam suas posições tradicionais para conversar ou incitar os espectadores, com certeza o filme Moscou não será uma boa pedida para você. Logo no começo, três atrizes apresentam uma das cenas da peça As Três Irmãs olhado diretamente para a câmera, como se quem estivesse sentado na poltrona do cinema fosse um outro personagem.

Por outro lado, se o processo teatral lhe fascina de alguma maneira, o documentário será um deleite. Além das cenas da própria peça, o documentarista Eduardo Coutinho exibe outros eventos que sucedem antes de uma peça chegar ao palco: as reuniões de leitura, os ensaios, os exercícios,...

Depois de Jogo de Cena, Coutinho parece agora ainda mais interessado pelas artes dramáticas. Sem entrevistas ou depoimentos diretos, ele testa os limites do gênero documental e permite que o público participe desse processo junto ao grupo teatral mineiro. Assistindo aos preparativos é possível apreender um pouco da vida dos atores e da jornada do Galpão.

A relação que cada um tem com o teatro; portanto, será muito determinante para estipular como será a reação diante o filme.

domingo, 2 de agosto de 2009

À Deriva





Sinopse: Passado nos anos 1980, o casal Matias e Clarice está em vias de se separar e, durante uma viagem ao litoral, enquanto os ânimos entre os dois se exaltam, a filha mais velha do casal, Filipa, está descobrindo sua vida sexual.


Ficha Técnica
À Deriva
Roteiro e Direção: Heitor Dhalia
Elenco: Vincent Cassel, Débora Bloch, Laura Neiva, Camilla Belle, Cauã Reymond
Duração: 97 minutos


 por Guilherme Kroll Domingues

(Spoilerômetro: •)

À Deriva é o mais novo filme de Heitor Dhalia, que dirigiu, anteriormente, Nina e o ótimo O Cheiro do Ralo. O filme chega ao Brasil depois de ser selecionado para a mostra “Um Certo Olhar”, do maior festival de cinema do mundo, o de Cannes.

E o filme tem uma certa ligação com o cinema francês, começando pelo título, cuja sonoridade remete às obras cinematográficas desse país. Além disso, a estrela primeira da produção é o astro Vicent Cassel, conhecido de filmes como Doze Homens e Outro Segredo, Irreversível e Pacto dos Lobos.

Cassel fala protuguês fluentemente e encarna o papel de Matias, pai atencioso e marido machista, cujo casamento com Clarice (Débora Bloch, em grande forma) está indo por água abaixo. No meio disso, os três filhos. O destaque fica para a mais velha, Filipa, que tem de lidar com a destruição de seu lar ao mesmo tempo que se encontra com as primeiras experiências sexuais. O filme todo é narrado pelo ponto de vista da menina, que descobre um caso do pai com a americana Angela, interpretada por outra atriz internacional, Camilla Belle, e isso a afasta do pai.

A narrativa de À Deriva, então, é permeada por metáforas, muitas que justificam o título do longa. Cada um dos acontecimentos, por menor que seja, tem um singificado intrínseco e simbólico, abrilhantado pela ótima fotografia da película.

Mesmo com isso, o grande charme são os personagens e a interação entre eles. Cada uma das situações e comportamentos das pessoas envolvidas na histórias são palpáveis, verrossímeis, reais. De tal maneira que chega ser possível sentir o "cheiro" dos acontecimentos na sala de cinema. As interpretações são excelentes. Vicent Cassel continua sendo um ótimo ator mesmo usando outro idioma. Débora Bloch não fica devendo em nada. Laura Neiva, estreando no papel de Filipa está regular, mas mantém o nível que uma atuação juvenil necessita. Infelizmente, os outros jovens e crianças do filme não conseguem ser tão convincentes.

Outro destaque do filme fica por conta dos figurinos dos anos 1980. Tudo é sutil e nada fica forçado. Talvez a grande crítica que fique para a À Deriva é o fato de o filme ser um tanto moroso e cansativo. A trilha sonora repetitiva contribui para isso, deixando a cerca de 1h30 de filme com uma duração aparente de três horas.