terça-feira, 28 de abril de 2009
Divã
Sinopse: Mercedes é uma mulher madura e muito bem casada. Depois de começar a fazer terapia, começa a se questionar sobre a validade de seu matrimônio e se divorcia. Ela terá então de redescobrir sua sexualidade.
Ficha Técnica
Divã
Direção: José Alvarenga Jr.
Roteiro: Marcelo Saback
Elenco: Lília Cabral, Reynaldo Gianecchini, José Mayer, Cauã Reymond
Duração: 90 minutos
De bem com a vida
por Edu Fernandes
(Spoilerômetro: •)
No começo da década de 1960, com a invenção da pílula anticoncepcional, as mulheres encontraram o espaço para afirmarem seus direitos como ser imbuído de desejos. A Revolução Sexual foi abraçada pelo movimento hippie e parecia uma viagem sem volta. Na década de 1980, o freio de mão foi puxado por causa da AIDS e tudo ficou mais retraído.
Passados muitos anos, foi constatado que, tomando os cuidados necessários, o HIV não era um perigo e atualmente as mulheres voltaram a reivindicar seus direitos entre quatro paredes. Nessa onda meio Sex & the City, chega o filme nacional Divã.
Baseado em uma peça de teatro, o longa é um raro exemplo de drama cômico na cinematografia brasileira. Embora por vezes o humor e as emoções parecem muito bem misturados, o saldo final é positivo e a jornada de Mercedes é bem simpática. O sucesso da empreitada está muito calcado no carisma inegável de Lilia Cabral (A Favorita). A adaptação dos palcos para a tela foi muito bem feita, com várias locações exploradas para mostrar as confusões e reviravoltas na vida da protagonista.
As piadas são bem formuladas e não desmerecem o bom-gosto de quem for assistir a Divã. Algumas cenas irão arrancar gargalhadas sinceras explorando vários tipo de humor. Em alguns momentos, as piadas são mais físicas (como quando Mercedes tenta dançar) e outras são originadas em personagens interessantes (o cabeleireiro, por exemplo) e há ainda um texto ágil com diálogos engraçados.
Divã é feito sobre medida para mulheres que estão – ou querem ficar – de bem com a vida.
segunda-feira, 16 de março de 2009
O Menino da Porteira
Sinopse: Diogo é um peão que leva a boiada da fazenda Ouro Fino até o frigorífico. Quando um grupo de pequenos pecuaristas o contrata, o latifundiário dono da Ouro Fino pressiona Diogo para não aceitar o trabalho.
Ficha Técnica
O Menino da Porteira
Direção: Jeremias Moreira Filho
Roteiro: Jeremias Moreira Filho e Carlos Nascimbeni
Elenco: Rosi Campos, João Pedro Carvalho, Edu Chagas, Daniel, José de Abreu
Duração: 95 minutos
Eu venho lá do sertão
por Edu Fernandes
(Spoilerômetro: •)
Como o próprio título e trailer deixam claros, o filme O Menino da Porteira é baseado na clássica canção sertaneja homônima. O público-alvo principal da produção é exatamente os apreciadores desse tipo de música. A história passa-se na década de 1950, mas a trilha musical tira uma licença poética para utilizar obras que só seriam compostas décadas mais tarde, como “Disparada" e "Índia”. Os créditos iniciais são embalados por “Tocando em Frente”, de Renato Teixeira, e já abre o filme presenteando os ouvidos dos fãs de boa música interiorana.
O roteiro é bem inocente e quem for um pouco mais exigente por realismo pode considerar a narrativa simples demais. Na verdade, é preciso saber que a razão por trás de tal escolha é resgatar o romantismo e a pureza que são relacionados a histórias que se passam nas zonas rurais. Além do enredo simplório, alguns enquadramentos e cenas remeterão o espectador a outro tipo de clássico, dessa vez não musical, mas cinematográfico. O faroeste também serviu de fonte inspiradora e só acrescenta valores positivos ao filme.
As referências que podem ser percebidas não param por aí. A direção de fotografia de Pedro Farkas (Não por Acaso) e a direção de arte tomam emprestadas as paletas de cores de Almeida Júnior formando imagens realmente bonitas.
Um dos primeiros receios que algumas pessoas podem sentir é a atuação do cantor Daniel. Ele passou por laboratórios de atuação e, como resultado, consegue expressar todas as emoções que seu personagem demanda. É óbvio que não é a melhor atuação do cinema nacional, mas com certeza ele não compromete. Tendo por base que ele contracena com o talentoso José de Abreu (Podecrer!) e não destoa, elogios são merecidos a ele – por mostrar o comprometimento ao projeto – e à equipe que o preparou para essa nova experiência.
As previsões para a carreira de O Menino da Porteira tem todas as razões para serem otimistas. É comum que produções de boa qualidade não tenham a performance que merecem nas bilheterias, mas esse não parece ser o caso. A campanha de divulgação bem planejada – desde o cartaz chamativo até a veiculação da canção-título em estações de rádio populares – dará os resultados que o cinema brasileiro precisa, principalmente em um filme que mostre alguns valores nacionais que por vezes parecem esquecidos.
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