quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Árvore



Sinopse: Dawn perde seu marido repentinamente, por causa de um ataque cardíaco, e tem de cuidar sozinha dos filhos. Simone, a única menina na família, acredita que o espírito do pai agora habita a árvore que fica na frente da casa deles.


Ficha Técnica
A Árvore (The Tree)
Direção: Julie Bertucelli
Roteiro: Julie Bertucelli, Elizabeth J. Mars
Elenco: Charlotte Gainsbourg, Morgana Davies, Marton Csokas, Christian Byers, Tom Russel, Gabriel Gotting, Aden Young
Duração: 100 minutos
País: França, Austrália


Fantasia na tragédia
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: •)

A produção franco-australiana A Árvore (The Tree) tinha tudo para passar despercebida pelos olhos do público, mas dois fatores concederam ao filme certo destaque. A presença de Charlotte Gainsbourg (Anticristo) encabeçando o elenco por si só já é um atrativo, mas o longa também foi muito bem cotado durante sua passagem pela Mostra de Cinema de São Paulo.

Todo esse alarde em torno do título pareceu, pelo menos para esse crítico, descabido. O filme realmente tem suas qualidades, mas é mediano, em geral. É esperado que uma produção que ganha tanta falação positiva durante um dos festivais de cinema mais conceituados do Brasil seja realmente uma obra singular – o que não é o caso.

A Árvore merece elogios pela forma como sua história é conduzida, como somos convidados a ver a dinâmica de uma família que tem de mudar muito de sua rotina por causa de uma tragédia repentina. Entretanto, o enredo desenvolve-se e termina sem grandes sobressaltos, sem emoção à flor da pele.

Outro ponto positivo do filme está na ambiguidade que permeia a questão central de sua história. Se a árvore realmente abriga o espírito do finado esposo/pai não parece importar, mas não há como negar que indícios de que isso tenha acontecido não faltam. O que é mais interessante nesse sentido é a forma como esse aspecto mágico consegue encaixar-se com perfeição em um roteiro que, no demais, é bem realista.


Fora da Lei



Sinopse: Expulsos de suas terras na Argélia, três irmãos e sua mãe veem-se obrigados a se separar. Messaoud se alista na Indochina. Em Paris, Abdelkader se põe à frente do movimento pela independência da Argélia e Said faz fortuna nos cassinos e nos clubes de boxe de Pigalle. Seu destino, selado em torno do amor de uma mãe, se mesclará com o de uma nação que luta pela sua liberdade.


Ficha Técnica
Fora da Lei (Hors-la-loi)
Roteiro e Direção: Rachid Bouchareb
Elenco: Jamel Debbouze, Roschdy Zem, Sami Bouajila, Samir Guesmi, Bernard Blancan, Jean-Pierre Lorit, Corentin Lobet, Régis Romele, Chafia Boudraa, Stéphane Temkine, Ahmed Benaissa, Mourad Khen, Larbi Zekkal
Duração: 138 minutos
País: França, Argélia, Bélgica


 por Daniel Kroll

(Spoilerômetro: •)

Essa película nos ajuda a compreender o problema dos imigrantes na França e a um pouco da independência da Argélia, sendo cada um dos irmão um tipo de imigrante em solo frnacês. Não só isso, o filme se aprofunda nos personagens e suas diferenças, fazendo deles representações de uma classe e ao mesmo tempo indivíduos únicos fugindo de um estereótipo.

A narrativa multifocal é bem explorada pelo diretor dando um espaço bem estruturado para cada um dos personagens centrando eles ao redor da mãe, sendo ela o ponto mais forte de ligação dos personagens assim como a Argélia era um ponto de ligação para os imigrantes argelinos na França durante aquela época.

A fotografia não surpreende muito, mas tem certos momentos quando temos uma iluminação quase noir que é realmente muito boa. O jogo de luz acentua o clima de suspense e de repressão aos argelinos. A direção de arte foi outra área que deixou a desejar, apesar de boa, não soube aproveitar muito bem as características de um filme de época.

No Brasil temos uma visão muito afastada dos problema dos imigrantes árabes das ex-colônias francesas, mas nada nos impede de refletir e se emocionar com o filme, pois não trata só da independência da Argélia mas sim dos diversos meios que as pessoas encontram para conseguir seus direitos.