quarta-feira, 31 de março de 2010

Chico Xavier



Sinopse: A vida de Chico Xavier, ícone do Espiritismo no Brasil. As dificuldades da infância, quandoo julgavam louco, a falta de aceitação de pessoas de outras crenças e a fama conseguida com seus livros psicografados.


Ficha Técnica
Chico Xavier
Direção: Daniel Filho
Roteiro: Marcos Bernstein
Elenco: Nelson Xavier, Ângelo Antônio, Matheus Costa, Tony Ramos, Christiane Torloni, Giulia Gam, Letícia Sabatella, Luís Melo, Pedro Paulo Rangel, Giovanna Antonelli, André Dias, Paulo Goulart
Duração: 124 minutos
País: Brasil


Fatores de sucesso
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )


Analisando o histórico das bilheterias de filmes nacionais desde a Retomada, os especialistas apontam algumas características frequentes entre os campeões de bilheteria. O filme Chico Xavier contempla vários desses conhecidos aspectos, e aponta para a consolidação de um novo tema nas histórias que os cineastas brasileiros contam nas telas.

A participação da Globo Filmes na produção normalmente garante alguma ajuda no número de ingressos vendidos. O grupo de comunicação domina muitas mídias e assegura a divulgação de mensagens publicitárias sobre a fita. Também se percebe que produções de outras empresas são deliberadamente esquecidas por esses mesmos meios de comunicação em uma atitude questionável.

Outro ponto que atrai público é o elenco, com estrelas que já são conhecidos pelos noveleiros. No quesito qualidade, vale ressaltar que as atuações dos intérpretes do protagonista estão convincentes. De forma geral, Chico Xavier tem um compromisso com a realidade, remontando cenas reais que podem ser comparadas com imagens de arquivo durante os créditos finais.

Com o sucesso surpreendente de Bezerra de Menezes, o resultado desse filme e de Novo Lar (a ser lançado em alguns meses) podem estabelercer uma nova temática no cinema brasileiro: as produções espíritas. Nesse campo, o roteiro toma cuidado para não tentar converter ou ofender os espectadores de outras religiões. O filme foca-se na pureza de coração do medium e constroi uma bonita história sobre a fé, independente de qual doutrina é seguida.




Dudeshop:
• Livro Chico Xavier: O Livro do Filme de Daniel Filho, de Marcel Souto Maior (Ed. Leya)

Atraídos pelo Crime



Sinopse: As histórias de três policiais de Brooklyn. Eddie está a uma semana de se aposentar. Tango está infiltrado em uma gangue de traficantes de drogas. Sal está preocupado em arrumar dinheiro para comprar uma casa mais confortável para sua família, nem que precise aceitar dinheiro sujo.


Ficha Técnica
Atraídos pelo Crime (Brooklyn's Finest)
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: Michael C. Martin
Elenco: Richard Gere, Don Cheadle, Ethan Hawke, Wesley Snipes
Duração: 132 minutos
País: EUA


Atire primeiro, pergunte depois
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: trailer)

Atraídos pelo Crime (Brooklyn's Finest) pode ser avaliado como uma junção de várias ideias que já funcionaram em outros filmes policiais. Se isso garante a satisfação dos amantes do gênero, a certeza de um ar de repetição incomoda quem procura por um pouco de novidade. Para mostrar as semelhanças com títulos do passado, vamos analisar os três personagens principais separadamente.

Eddie é um policial amargurado pela vida que está literalmente contando os dias para sua aposentadoria. Máquina Mortífera (1987) já mostrou uma trama semelhante, apeser de ter uma pegada de mais humor. O problema de aceitar Eddie é que ele não se esforça para facilitar a convivência com ele e há vários momentos em que o espectador pode querer dar um tapa na cara do sujeito.

Tango luta para manter seu disfarce enquanto está infiltrado entre traficantes de drogas. Infiltrados é a referência mais clara quando esse assunto está na tela, mas também é possível comparação com O Traidor, outro filme estrelado por Don Cheadle. Essa segunda similaridade acontece por ambos mostrarem razões mais profundas para que ódio entre dois grupos exista. Sejam os traficante e policiais, ou os terroristas e os EUA. Esse é o personagem mais carismático nesse mar de figuras complicadas.

Já Sal está com grandes problemas porque seu salário não consegue dar conforto o suficiente para sua família. É possível contar pelo menos cinco filhos de Sal, mais os gêmeos que sua esposa espera. O mais incrível é que em momento algum é cogitada a solução do planejamento familiar. Dá a impressão que ele está nessa situação complicada simplesmente porque não calculou as consequências de suas escolhas. É difícil compactuar com isso.


Os EUA x John Lennon







Sinopse: Um documentário sobre a transformação de John Lennon de músico em um ativista pacifista.


Ficha Técnica
Os EUA x John Lennon (U.S. vs. John Lennon)
Roteiro e Direção: David Leaf, John Scheinfeld
Elenco: -documentário-
Duração: 99 minutos
País: EUA


Verdadeiro ativista
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Quando se fala em John Lennon, sempre devemos considerar dois enfoques: a história do rock e o ativismo político e social. O documentário Os EUA x John Lennon (U.S. vs. John Lennon) trabalha com a segunda possibilidade. Para isso o filme conta com depoimentos de Yoko Ono e outros nos dias atuais, além de muitas imagens de arquivo.

Por se passar na década de 70, as principais questões nas quais o músico se envolveu foram a Guerra do Vietnã e o Macartismo. Suas manifestações, de passeatas de rua até ficar horas em uma cama dando entrevistas pacifistas a jornalistas preenchem boa parte da duração. Com essas imagens fica bem claro que estamos diante de um verdadeiro agitador social, que se envolvia pessoalmente com as causas.

Lennon foi deportado dos EUA como ameaça ao governo Nixon e o telefone de sua casa foi grampeado. Tais fatos levam à reflexão de como são infelizes as comparações que se fazem entre o ex-Beatle e outros músicos no quesito participação em movimentos sociais. Fazer um show com ingressos caríssimos e dedicar poucos minutos para comentar como é chato que pessoas passem fome na África mal pode ser considerado um esforço pelo bem-estar da humanidade.

O único problema está no atraso desse lançamento no circuito brasileiro de cinema. O ano de produção de Os EUA x John Lennon é 2006 e tal demora se reflete em alguns depoimentos, que comparam a postura de Nixon com a de George W. Bush, presidente na época em que os relatos foram gravados. Tais críticas parecem fora de lugar, uma vez que a Casa Branca tem um novo morador há mais de um ano.

Mesmo atrasado, vale muito a pena assistir ao documentário, principalmente pelo aspecto histórico que retrata a sociedade paranoica dos anos 70.

terça-feira, 30 de março de 2010

Top Bilheterias

Confira o ranking nacional das bilheterias

1. Como Treinar o Seu Dragão
2. O Livro de Eli
3. Um Sonho Possível
4. Ilha do Medo
5. Simplesmente Complicado
6. Lembranças
7. Percy Jackson e o Ladrão de Raios
8. Cadê os Morgans?
9. A Caixa
10. Idas e Vindas do Amor

 # estreias

Seguindo a tendência do circuito dos EUA, e de acordo com as previsões, Como Treinar o Seu Dragão assumiu a liderança do ranking. Na próxima semana, Chico Xavier deve ser a estreia mais atraente, mas a posição da animação não deve ser ameaçada.

É uma pena que Os Homens que Encaravam Cabras não conseguiu aparecer na lista...

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Grande Durião

Filme exibido na mostra Faça Você Mesmo.


Sinopse: Documentário com partes dramatizadas, realizado com poucos recursos por um jovem diretor malaio disposto a contar um caso que abalou a sociedade de seu país em 1987.



Ficha Técnica
O Grande Durião (The Big Durian)
Direção:
Amir Muhammad
Roteiro:
Mike Thompson, Brandon Camp
Elenco:
Ghafir Akbar, Soo Boon Tat, Amir Muhammad
Duração:
73 minutos
País:
Malásia


 por Marcelo Rafael

(Spoilerômetro: )

Alguns acontecimentos, por diferentes razões, causam impacto na sociedade, ganham repercussão nacional e entram para a história particular de um povo. É o caso dos fatos analisados em O Grande Durião (The Big Durian), de Amir Muhammad, que integra uma mostra de cinema malaio contemporâneo no CineCesc, em São Paulo, e fez parte da seleção do Festival de Sundance, nos EUA.

Por meio de entrevistas reais e outras encenadas pelos amigos do próprio diretor, o semi-documentário tenta reconstruir os fatos que ocorreram em 27 de outubro de 1987, em Kuala Lumpur, capital da Malásia. O caso gerou pânico na população e teve desdobramentos políticos que ficaram conhecidos como Operação Lalang. 

O incidente de outubro de 1987 pode ser resumido pela palavra local “amok”, que seria algo como “ataque de fúria”, em português. Naquele dia, um soldado de etnia malaia dirigiu ensandecido por um bairro de maioria chinesa e começou a atirar. Apesar de ser um fato isolado, o medo tomou conta da cidade fechando escolas, serviços públicos e outros estabelecimentos por dias. A população temia que os distúrbios sectários de maio de 1969, quando chineses e malaios entraram em confronto, resultando em centenas de mortes, estivessem prestes a acontecer novamente.

Seria, em termos brasileiros, como se o pânico e a tensão do seqüestro da linha de ônibus 174, em 2000, no Rio de Janeiro, e os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), no Dia das Mães de 2006, em São Paulo, fossem narrados por pessoas que viveram o medo e o terror daquelas situações e tivessem o contexto social destrinchado pela figura de um narrador.

E aí reside o mérito do diretor, que mesmo com poucos recursos e uma edição não muito primorosa, tenta inserir o espectador no contexto da tensão étnico-religiosa e na delicada política interna da Malásia. Como em algum dos livros da historiadora Mary del Priore (O Príncipe Maldito, A Condessa de Barral), que biografa algum personagem histórico, ao mesmo tempo que fornece um panorama da sociedade e política da época, o documentário utiliza o incidente do soldado enfurecido para ir, aos poucos, contando uma parte da História local. Pessoas simples vão argumentando sobre a complicada forma de governo do país, uma monarquia eletiva democrático-parlamentar, e sobre a difícil convivência entre as maiores etnias locais: chineses, indianos e os próprios malaios. E o filme vai prendendo a atenção de quem se interessa por História ou por política internacional.

Para quem não gosta de cinema independente nem de História, o filme pode soar complicado. Ainda mais pelo fato de tratar de algo tão distante da realidade brasileira como lutas políticas, motivadas por religião e etnia, e um governo que ainda impõe facilmente sua vontade sobre o povo.

Por sua temática, dois dos documentários de Amir Muhammad, que também é escritor, foram proibidos de ser veiculados em seu país.

domingo, 28 de março de 2010

Sede de Sangue




Sinopse: Um padre se voluntária para um experimento com um vírus mortal. Depois de chegar perto da morte ele se cura, mas as sequelas as doença o transformam em um tipo de vampiro.



Ficha Técnica
Sede de Sangue (Bakjwi)
Direção: Chan-wook Park
Roteiro: Chan-wook Park, Seo-Gyeong Jeong
Elenco: Kang-ho Song, Ok-bin Kim, Hae-sook Kim, Ha-kyun Shin
Duração: 133 minutos
País: Coreia do Sul, EUA


Refletindo com o vampiro
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: trailer)

Nos últimos anos, a produção cultural sofreu uma invasão vampiresca que parece não ter um final tão próximo. Quando se analisa os livros, filmes, seriados e tudo o que é lançado na atualidade sobre vampiros; a grande maioria dos títulos não traz frescor para a temática.

Felizmente também podemos encontrar realizadores que fazem uso dessa onda para contar uma história interessante e original. Saindo dos EUA, é possível apontar dois desses exemplos positivos. Deixa Ela Entrar, da Suécia, traz uma história de amor entre pré-adolescentes que mescla alguns momentos de ternura com outros bem sangrentos. Enquanto isso, na Coreia do Sul, Sede de Sangue (Bakjwi) explora os desejos e tentações mais primitivas dos seres humanos.

Ter um padre como protagonista dessa produção oriental é um elemento inteligente do enredo. Além de ele convenientemente já trajar vestes escuras, a diferença de postura que se espera de um sacerdote e de um vampiro cria uma antítese que intensifica os conflitos.

O roteiro é muito bem escrito, como de costume na filmografia de Chan-wook Park (Lady Vingança). A dramaturgia explora questionamentos que surgem com a anormalidade da situação e convida a reflexões em algumas falas.

Outra característica desse cineasta está na ousadia. Por essa razão, Sede de Sangue não é um filme recomendável para espectadores iniciantes. As aberrações somam-se conforme a trama avança em níveis perturbadores, o que pode gerar risos em alguns momentos, mas também cria estranhamentos. Por outro lado, para quem procura por um ponto de vista diferenciado dos vampiros, esse é um filme imperativo.




Dudeshop:
• Livro Thérese Raquin, de Emile Zola (Ed. Estação Liberdade)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Estreias da Semana



Amelia — Visionária, amante, sonhadora, batalhadora, lenda, ícone.

Cadê os Morgans? (Did You Hear About the Morgans?) — Não estamos mais em Manhattan

X A Caixa (The Box) — Você é o experimento.

Como Treinar o Seu Dragão (How to Train Your Dragon) — Ele tem um bichinho um pouco diferente...

X Diário Perdido (Mères et filles) — Um punhado de papel é o único elo entre elas.

H2: Halloween 2 (Halloween II) — Eles sobreviveram ao terror, mas não podem escapar do destino.

Os Homens que Encaravam Cabras (The Men Who Stare At Goats) — Sem cabras, sem glória.


X O filme não foi exibido para a imprensa. Nunca um bom sinal.
X Estreia apenas em São Paulo e Porto Alegre. O filme será avaliado após sua estreia.

Amelia




Sinopse: A vida da aviadora Amelia Earhart desde seu primeiro voo sobre o Atlântico, como passageira. Ela teve sua chance no ramo graças a George Putman, com quem depois se casou.


Ficha Técnica
Amelia
Direção: Mira Nair
Roteiro: Ron Bass, Anna Hamilton Phelan
Elenco: Hilary Swank, Richard Gere, Ewan McGregor, Christopher Eccleston
Duração: 111 minutos
País: EUA, Canada


A Aviadora
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Quando o assunto não é a Grande Depressão, o período entre-guerras normalmente é retratado no cinema com muita elegância. Em Amelia, a situação não é diferente tanto no figurino quanto na fotografia. Especial atenção deve ser reservada para as cenas em que se mostra como a imagem dela era usada para vender produtos. Nessas passagens, há um belo colorido preenchendo a tela.

Assim como em Coco antes de Chanel, o filme gira em torno de uma importante figura feminina do século XX. Diferente da produção francesa, a cinebiografia da piloto foca-se no que interessa: os aviões e longos voos da protagonista.

Se não há amarras para mostrar tudo que há de bonito e tudo que há de condenável nos primórdios da aviação, há um certo melindre nas cenas em que a viada privada de Earhart é colocada na berlinda.

Um exemplo disso está na relação íntima de Amelia e George. Há um primeiro beijo, mas algumas sequências anteriores sugerem que eles já tinham encontros amorosos antes. Amelia tinha ideias bem liberais no campo dos relacionamentos amorosos e um pouco mais de precisão poderia ser aplicada nessa questão.

Quando um filme traz personagens reais, o maior desafio é tornar uma história pública e conhecida em um roteiro animador. Quebrando a linha do tempo, Amelia ganha unidade e ainda consegue criar um bom clímax no desfecho.

Dudefato: Há pouco tempo, Amy Adams já interpretou Amelia Earhart no filme Uma Noite no Museu 2.

quinta-feira, 25 de março de 2010

H2: Halloween 2





Sinopse: Mesmo depois de passado tanto tempo, Laurie ainda tem pesadelos com o assassino serial Michael Myers. Enquanto isso, o Dr. Loomis ganha uma pequena fortuna com os livros que escreve sobre o assunto.


Ficha Técnica
H2: Halloween 2 (Halloween II)
Roteiro e Direção: Rob Zombie
Elenco: Sheri Moon Zombie, Chase Wright Vane, Scout Taylor-Compton, Brad Dourif, Malcolm McDowell
Duração: 105 minutos
País: EUA


Entre mortos e feridos
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: trailer e último parágrafo)

A saga de Michael Myers foi reiniciada sob a direção de Rob Zombie, mas a intenção do diretor era ficar em apenas um filme. Com o anúncio da continuação, ele fez questão de se envolver na produção para que sua visão não fosse arruinada por outro profissional. No novo filme ele continua usando a mesma fórmula das grandes franquias de terror dos anos 70 e 80: personagens dados como mortos reaparecem e os vilões são aparentemente invencíveis.

O que não está de acordo com a referência original em H2: Halloween 2 (Halloween II) é a trilha musical. A clássica respiração e as notas tão conhecidas dos fãs foram deixadas de lado e a música só é usada em uma releitura durante os créditos finais.

O que há de novo são alusões a filmes mudos, época em que assustar o público já era comum no escurinho do cinema. Em pequenos detalhes ou em cenas inteiras é possível perceber o visual dos primeiros filmes de vanguarda.

A boa notícia é que dessa vez os espectadores não são mais reféns da distribuidora, que tinha feitos cortes com a delicadeza de um açougueiro no filme anterior. H2 é exibido em solo brasileiro em sua forma integral.

Por outro lado, a produção usa uma muleta dos roteiros de terror do passado. Para que o enredo se desenvolva, é preciso apoiar-se na burrice da protagonista.

Imagine a situação: você é um dos poucos sobreviventes de um serial killer que deveria estar morto, mas cujo corpo nunca foi encontrado. Conforme o aniversário dos ataques se aproxima, pesadelos atormentam suas noites. Aí na exata noite em que o vilão deve voltar, você descobre bons motivos para que o assassino continue na sua cola. Ao invés de fugir para o México, a mocinha toma uma decisão mais esperta e resolve tomar um porre e ficar mais vulnerável! A ideia de um filme de terror não é fazer a plateia torcer pela morte sangrenta da protagonista...


Cadê os Morgans?




Sinopse: Paul e Meryl Morgan estão se divorciando, apesar de ele querer a reconciliação. Em uma noite, ambos testemunham um assassinato e precisar ficar juntos em uma pequena cidade até que o criminoso seja preso.


Ficha Técnica
Cadê os Morgans? (Did You Hear About the Morgans?)
Roteiro e Direção: Marc Lawrence
Elenco: Hugh Grant, Sarah Jessica Parker, Sam Elliott, Mary Steenburgen
Duração: 103 minutos
País: EUA


Cadê a graça?
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Em 2007, o cineasta Marc Lawrence fez um certo sucesso com a comédia romântica Letra e Música. Ele resolveu repetir a parceria com Hugh Grant e leva para as telas Cadê os Morgans? (Did You Hear About the Morgans?). No entanto, a comicidade em seu filme anterior era maior com a decadência de um astro pop dos anos 80 e performances musicais hilariantes.

Dessa vez a aposta recai sobre pessoas urbanas que são obrigadas a ficar em um ambiente rural e se adequarem a ele. Os valores mais humanos associados a esse cenário conquista o coração dos personagens, depois de uma série de situações cômicas, e o enredo acaba tendo uma levada bem óbvia. A fórmula que ficou fofa em Carros não consegue o mesmo efeito na nova comédia.

O casal de protagonista repete as atuações que já foram vistas em trabalhos passados e há uma séria carência de piadas fortes. A atenção e o carisma acabam recaindo sobre os assistentes do casal, que constroem uma relação incendiária e engraçada.

Falar dos assistentes é na verdade um grave sintoma da situação geral de Cadê os Morgans?. Quando o mais interessante de um filme são um par de personagens secundários que aparecem em cenas contáveis nos dedos de uma mão, algo deu errado.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Alice no País das Maravilhas






Sinopse: Treze anos depois de sua primeira visita, Alice volta para o País das Maravilhas. Sua missão é acabar com o reinado cruel da Rainha Vermelha.


Ficha Técnica
Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland)
Direção: Tim Burton
Roteiro: Linda Woolverton
Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Crispin Glover
Duração: 108 minutos
País: EUA



Releitura e homenagem
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Apenas pela idade da pouco conhecida atriz Mia Wasikowska fica claro que Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland) não é uma adaptação totalmente fiel do livro homônimo. Na verdade, elementos desse e de Através do Espelho foram usados no roteiro do filme.

Originalmente as aventuras de Alice eram apenas passeios pontilhados por encontros com criaturas absurdas que não tinha necessariamente relação entre si. O roteiro de Linda Woolverton (O Rei Leão) tenta dar mais unidade para o universo criado por Lewis Carroll, com personagens que antes estavam separados em capítulos diferentes interagindo e até colaborando uns aos outros. Com isso, a relação entre Alice e o Chapeleiro ficou mais parecida com a de Dorothy e Espantalho em O Mágico de Oz.

Essa é a sétima vez que o diretor Tim Burton trabalha com Johnny Depp e a sexta com sua esposa, Helena Bonham Carter (todos estavam juntos em Sweeney Todd). O visual sombrio não chega a ser novidade para os fãs do cineasta, já apreciado desde Os Fantasmas se Divertem (1988). A fantasia também se faz presente na filmografia de Burton, com especial destaque para Peixe Grande (2003). Colocando tudo isso em consideração, não há novidades em Alice.

Para não dizer que o novo filme é apenas uma repetição sem fim, trata-se da primeira vez que Tim Burton usa a tecnologia de captação em 3D. Esse talvez seja uma dos maiores ganhos da produção, com efeitos interessantes e a integração dos elementos reais com os criados por computação gráfica em harmonia perfeita.

Vale a pena assistir a Alice no País das Maravilhas por se tratar de uma história nova e pelos efeitos bem posicionados. As vozes de atores talentosos nos personagens animados é mais um atrativo que merece ser reparado.




Dudeshop:
• Livro Alice no País das Maravilhas + Através do Espelho – Edição Comentada, de Lewis Carroll (Ed. Jorge Zahar)
• Livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll (Ed. Loyola)
• Livro Alice no País do Espelho, de Lewis Carroll (Ed. L&PM)

terça-feira, 23 de março de 2010

Como Treinar Seu o Dragão






Sinopse: Soluço não consegue se destacar em sua tribo de vikings. Sua chance de mudar a péssima imagem que tem aparece quando ele encontra um dragão ferido.


Ficha Técnica
Como Treinar o Seu Dragão (How to Train Your Dragon)
Roteiro e Direção: Dean DeBlois, Chris Sanders
Elenco: Jay Baruchel, Gerard Butler, Craig Ferguson, America Ferrera
Duração: 98 minutos
País: EUA


"Try a little tenderness"
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Desde o lançamento de Shrek (2001), a DreamWorks tenta implacar uma nova franquia de animação. Nessa ânsia de criar um hit, os roteiros acabavam ficando deficientes exatamente por forçrem a criação de sequências. Entre os títulos da casa, apenas Madagascar (2005) teve continuação, impulsionada pelo sucesso da canção "I like to move it".

Quando os enredos preocupam-se em ser apenas uma história interessante, os resultados são melhores – vide a diversão que é Por Agua Abaixo. Em Como Treinar Seu o Dragão (How to Train Your Dragon), a dramaturgia da DreamWorks dá um passo adiante, com uma trama fechada em si mesma e que ainda traz uma mensagem positiva.

A moral de que devemos ser nós mesmos e não nos importar que os outros nos achem diferentes já é pregada pelas animações da Disney há decadas. O adicional dessa nova produção está em mostrar que é mais sadio resolver os conflitos no jeito e com inteligência ao invés de desbancar para a força bruta.

Na técnica de animação, a fita prima pelos detalhes. As vestimentas vikings, cheias de peles de animais, são impressionantes. O visual dos vários tipos de dragão também é bacana. Um aviso: qualquer semelhança entre Bangela, o dragão de Soluço, e Stitch, o alienígena amigo de Lilo, não é mera coincidência. Ambos têm uma personalidade selvagem e impulsiva e foram desenvolvidos por Chris Sanders. Ele achou que seria válido espelhar nas feições as similaridades de temperamento.

Como Treinar o Seu Dragão é oferecido no circuito de salas 3D, mas o espectador não precisa pagar os altos preços dos ingressos desse tipo de projeção. Há poucas cenas em que os efeitos realmente empolgam. Com uma oferta tão farta de filmes 3D, é melhor enconomizar para outras oportunidades.




Dudeshop:
• Livro Como Treinar o Seu Dragão: Por Soluço Spantosicus Strondus, de Cressida Cowell (Ed. Intrínsica)

Os Homens que Encaravam Cabras



Sinopse: Bob Wilton é um jornalista frustrado com a vida depois de ser abandonado pela esposa. Ele tem a oportunidade de mostrar seu valor ao entrar em contato com um homem que diz ter participado de uma divisão paranormal do Exército dos EUA.

Ficha Técnica
Os Homens que Encaravam Cabras (The Men Who Stare at Goats
Direção: Grant Heslov
Roteiro: Peter Straughan
Elenco: George Clooney, Ewan McGregor, Jeff Bridges, Kevin Spacey, Stephen Lang
Duração: 94 minutos
País: EUA, Reino Unido


Explorando o absurdo
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Unânime definitivamente não é um termo que pode classificar a comédia Os Homens que Encaravam Cabras (The Men Who Stare at Goats). Para ter alguma ideia se a recepção será positiva ou negativa, é aconselhável que cada leitor assista ao trailer e perceba se consegue se conectar ao tipo esquisito de humor que o filme oferece. Se a ligação acontece, a diversão é garantida.

O maior mérito do elenco está na habilidade que cada um desses atores têm de não se levar tão a sério de vez em quando. Isso não quer dizer falta de talento, uma vez que entre todos os rostos estampados no cartaz, apenas Ewan McGregor (Anjos e Demônios) ainda não levou para casa um Oscar – atenção especial para o "ainda", já que uma indicação ao Globo de Ouro já se concretizou.

Todo o roteiro se baseia em acontecimentos e situações absurdas, mas o mais legal é que não é difícil de acreditar que tais absurdos fossem levados a cabo na época da Guerra Fria. Espionagem e guerra, por mais estranho que possa parecer em um primeiro momento, podem ser um prato cheio para comédias por causa das situações extremas que podem ser criadas. Agente 86 aposta mais no pastelão, enquanto Os Homens que Encaram Cabras segue mais a linha ousada de personagens excêntricos que se encaixam em cenários bizarros.

O filme é, portanto, indicado para quem gosta de explorar tipos raros de comédias.


Top Bilheterias

Confira o ranking nacional das bilheterias.

1. O Livro de Eli
2. Ilha do Medo
3. Um Sonho Possível
4. Avatar
5. Simplesmente Complicado
6. Percy Jackson e o Ladrão de Raios
7. Lembranças
8. Idas e Vindas do Amor
9. Toy Story 2
10. O Amor Acontece

# Estreias

A briga entre Denzel e Sandra foi boa e até superou DiCaprio! Pena que não sobrou vaga para Soul Kitchen...

Na próxima semana, a briga fica entre Como Treinar seu Dragão e Cadê os Morgans? A vantagem fica para a animação, que deve assumir a liderança.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Icons Amog Us

Filme exibido no In-Edit Brasil 2010.


Sinopse: O jazz foi sem dúvida a música mais viva, criativa e revolucionária do século 20. Neste documentário, a nova geração de músicos reflete a importância do gênero na música atual e os novos caminhos de um estilo nascido para evoluir.


Ficha Técnica
Icons Amog Us
Direção: Lars Larson, Michael Rivoira, Peter J. Vogt
Roteiro: Kristian R. Hill, Michael Rivoira, Peter J. Vogt
Elenco: -documentário-
Duração: 93 minutos
País: EUA


Jam session
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Às vezes é extremamente perigoso tentar resumir um filme em apenas uma frase, mas se pode dizer sem pestanejar que Icons Amog Us abraça toda a complexidade do jazz, seu objeto de estudo. Já no começo o documentário mostra que os limites desse gênero musical são muito leves, sendo impossível dizer que tal artista está distante demais do que seria o jazz puro.

Outra prova de como o filme se assemelha ao jazz é ambos são uma obra coletiva. É claro que a esmagadora maioria da produção cinematográfica não é feita com uma pessoa só, mas nesse filme há uma peculiaridade: três diretores e três roteiristas.

Há com certeza uma riqueza de depoimentos e apresentações musicais que muitas vezes servem de fundo para os relatos. Artistas de vários estilos, gerações e origens dão suas opiniões. O problema é que muitos deles viajam demais em suas ideias e fica difícil seguir a linha de raciocínio. Parece que estamos falando com pessoas conectadas em outra sintonia e o diálogo não se estabelece.

Assim como o jazz não vive sem improvisações, Icons Amog Us também faz suas digressões. O lado social e cultural da música, a concepção das obras, o sustento dos instrumentistas e muitos outras questões são abordadas. Muitas vezes o foco se perde e até esquecemos qual o objetivo principal do filme.

No entanto, a maior chateação desse documentário está em algumas performances altamente virtuosas. Sabe aquelas partes dos shows musicais em que o espectador tem a impressão que apenas os músicos estão se divertindo com seus solos intermináveis? Então, tem vários desses no decorrer do filme...

domingo, 21 de março de 2010

1° Festival de Cinema de Ribeirão Pires


O 1° Festival de Cinema de Ribeirão Pires Um Novo Olhar acontece entre os dias 21 de março e 08 de maio de 2010. Na programação teremos mais de 160 curtas na mostra competitiva.  A Programação ainda conta horários totalmente destinados a escola pública local, é o cinema na escola um projeto especial do festival de cinema de Ribeirão Pires.

Essa nova festividade é didivida em três partes. No começo filmes de longa metragem nacionais são exibidos em sessões populares e escolares. Depois oficinas são oferecidas em fotografia, produção e trilha musical. Finalmente, em maio há a competição de curtas. O Cine Dude espera poder estar presente na cidade nessa época para conferir essa grande iniciativa!

Por enquanto, fiquem com os filmes de longa-metragem que foram avaliados anteriormente:

Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito — Ele dedicou sua vida para iluminar muitas outras.

Garoto Cósmico — Uma viagem de fantasia, circo e muita música.

Manhã Transfigurada — Ela faria tudo para salvar a família.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Agenda RJ: Diálogos na Tela


A Caixa Cultural Rio de Janeiro apresenta a partir de 20 de março, com curadoria de Andreas Valentin, o ciclo de filmes e palestras Diálogos na Tela, uma breve história da arte e da cultura, do despertar da criatividade humana até o final do século XX, com a exibição de obras cinematográficas de impacto visual e estético.

Serão exibidos 16 filmes: 2001 - Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick (seguido de palestra sobre a aurora da criatividade humana); Desprezo, de Jean-Luc Godard (Grécia: arte de deuses e homens); O Gladiador, de Ridley Scott (Roma: a arte monumental); Irmão Sol, Irmã Lua, de Franco Zefirelli (Idade Média e a arte da fé); Agonia e Êxtase, de Carol Reed (Renascimento e a (re) invenção das artes); Caravaggio, de Derek Jarman (O barroco católico: razão e emoção); Moça com Brinco de Pérola, de Peter Weber (O barroco protestante: a representação do cotidiano); Ligações Perigosas, de Stephen Frears (Rococó e a arte do absolutismo); Sombras de Goya, de Milos Forman (Neoclassicismo, romantismo de modernidade); Sonhos, de Akira Kurosawa (Impressionismo e pós-impressionismo: a pintura e o visível); Amores de Picasso, de James Ivory (Vanguardas históricas: criatividade e expressão no século XX); Blow Up – Depois daquele Beijo, de Michelangelo Antonioni (Fotografia: documentação e criação); Basquiat, de Julian Schnabel (Pós-modernismo, cultura de massas e arte); A Pele, de Steven Shainberg (Fotografia: o olhar autoral); Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade (Brasil: modernismo e vanguarda) e Verdade e Mentiras, de Orson Welles (Obra de arte: original ou cópia?). As exibições formam um amplo painel para formação e discussão das escolas e movimentos históricos e artísticos análogos, que despertam encantamento e a curiosidade na sociedade.

O evento é gratuito e acontecerá todos os sábados, às 10 h. Os participantes que obtiverem até 75% de presença terão um certificado emitido pela Universidade Candido Mendes.

Mostra Diálogos na Tela - Cinema e Arte
Onde? CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinemas 2
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro, Rio de Janeiro-RJ (Metrô: Estação Carioca)
Telefones: (21) 2544 4080
Quando? a partir de 20 de março
Horários: sessões aos sábados, às 10h.
Quanto? Entrada gratuita
Classificação: 14 anos
Acesso para portadores de necessidades especiais.
Programação completa: www.caixa.gov.br/caixacultural

Hunger


Filme exibido na Mostra Zona Livre (SP). 

Sinopse: Na década de 1980, os pioneiros do IRA eram considerados presos comuns na Irlanda do Norte. Querendo o status de presos políticos, os revolucionários fizeram greve de fome e de banho.


Ficha Técnica
Hunger
Direção: Steve McQueen
Roteiro: Steve McQueen, Edna Walsh
Elenco: Stuart Graham, Brian Milligan, Liam McMahon, Michael Fassbender
Duração: 96 minutos
País: Reino Unido, Irlanda


Teje preso!
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Uma das características mais interessantes do cinema é fazer o espectador vivenciar uma experiência que nunca teve. Praticamente toda a ação de Hunger se passa dentro de um presídio e o ritmo lento consegue fazer com que se sinta a sensação de prisão e impotência que uma penitenciária impõe sobre o sujeito.

Há enquadramentos bonitos e se usa mudanças de foco com bom-gosto. Além de plástico, em algumas oportunidades eles traçam paralelos entre a situação dos prisioneiros e dos carcereiros.

O roteiro não segue uma linha tradicional e não é possível seguir do começo ao fim a jornada de um personagem. Começa-se com um policial, segue para um par de companheiros de cela e termina no líder entre os presos. Uma ferramenta interessante para que o ritmo arrastado, tão importante para causar a impressão de encarceramento, não prejudique o filme como um todo.

No entanto, no terço final da produção, essa mesma desaceleração narrativa acaba soando como preguiça cinematográfica. Há duas cenas em seqüência que deixam bem claro essa impressão. Um prisioneiro dialoga com um padre por longo tempo e há uma tomada de mais de 16 minutos, em que a câmera fica totalmente estática. Todo o trabalho do diretor nesse momento foi conferir se os atores acertavam suas falas e só. O mesmo trabalho de um espectador de teatro! Logo em seguida, um guarda limpa um corredor de celas e se mostra todo o processo. Cadê a síntese?

É uma pena que essas falhas fiquem clara no final. Perdendo o interesse pelo movimento dos presos, é difícil se envolver com o desfecho.

Dudenet: Para ver como o conflito Inglaterra-Irlanda do Norte já acontece há muito tempo, confira Ventos da Liberdade.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Estreias da Semana


Criação (Creation) — A forma como ele via o mundo, mundou tudo para sempre.

X Um Homem Sério (A Serious Man) — Há lugares demais para perguntas existencialistas...

O Livro de Eli (The Book of Eli) — Alguns matarão para tê-lo. Ele matará para protegê-lo.

Soul Kitchen — Vida é o que acontece com você, enquanto você perde tempo fazendo outros planos.

Um Sonho Possível (The Blind Side) — Eles abriram seu lar e seus corações.

X Reestreia no Rio de Janeiro.

O Livro de Eli






Sinopse: Em um futuro distópico, um andarilho luta para proteger um livro que tem os segredos para salvar a humanidade.



Ficha Técnica
O Livro de Eli (The Book of Eli)
Direção: Albert Hughes, Allen Hughes
Roteiro: Gary Whitta
Elenco: Denzel Washington, Gary Oldman, Mila Kunis, Ray Stevenson
Duração: 118 minutos
País: EUA


Emocionante não quer dizer convincente
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: último parágrafo)

Quando Denzel Washington (O Sequestro do Metrô) está no elenco de um filme já podemos deduzir muito de sua sinopse. Ele interpretará um sujeito muito determinado que passará por cima de tudo e de todos para alcançar seu objetivo. Pois bem, O Livro de Eli (The Book of Eli) não foge disso. Por outro lado, Gary Oldman, como o vilão, mostra exatamente o oposto: o sujeito consegue ser Comissário Gordon (Batman) e Serius Black de forma camaleônica.

Mesmo com esse ar de repetição, o frescor da produção está no cenário distópico e nas cenas de ação muito bem concebidas e dirigidas. O próprio Denzel desempenhou as façanhas físicas de seu personagem, dispensando dublês. Visualmente, a fotografia é meio suja e escura, combinando com a obscuridade do contexto.

No começo o roteiro atrai pela excentricidade desse futuro pós-apocalíptico, depois o espectador é agarrado pela rivalidade criada entre o protagonista e o vilão, e mais para o final há uma grande surpresa que fará alguns quererem assistir novamente ao filme.

Há alguns problemas na dramaturgia. O primeiro é acreditar que a Bíblia, o livro mais vendido no mundo, algum dia será um artigo raro. Como é possível que não se ache sequer um único exemplar dos escritos que estão nas gavetas de criado-mudo de muitos quartos de hotel? Outro ponto é o poder superestimado do livro. Não era possível criar uma seita com qualquer outra escritura? Toda essa mobilização ao redor da Blíblia pode ofender os ateus e agnósticos.

Deixando essas questões de lado, é legal saber que a Bíblia foi o primeiro livro impresso por Gutemberg e o filme recria esse momento em suas cenas finais.


Soul Kitchen



Sinopse: Zinos é o dono do restaurante Soul Kitchen e sua namorada acaba de se mudar para a China. Ele não terá tempo de sentir saudades com a avalanche de problemas que está enfrentando. Entre eles, um irmão em regime semi-aberto e uma dor crônica nas costas.


Ficha Técnica
Soul Kitchen
Direção: Fatih Akin
Roteiro: Fatih Akin, Adam Bousdoukos
Elenco: Adam Bousdoukos, Moritz Bleibtreu, Birol Ünel, Anna Bederke
Duração: 99 minutos
País: Alemanha


Receita de sucesso
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: trailer)

O povo alemão não é conhecido pelo seu requebrado e sua colinária tem pratos pesados como joelho de porco, desaconselháveis para estômagos fracos. Soul Kitchen é um filme alemão que se passa dentro de um restaurante e consegue ter uma ginga e uma leveza impressionantes.

Na trilha, como o título sugere, muito soul e funk das antigas, de uma época em que o gênero musical era bem diferentes dos batidões. No entanto, a cozinha do restaurante começa o filme servindo pratos nada sofisticados e demora um bom tempo até que se tenha cenas de dar água na boca.

Soul Kitchen é uma comédia e sua graça está na série quase interminável de problemas que o protagonista enfrenta. O humor físico fica por conta do mal-jeito nas costas de Zinos, que o faz ter um andar esquisito. Personagens fortes também garantem outro tanto de comicidade, com destaque para o inquilino do restaurante e para o temperamental novo cozinheiro.

Dirigido por Fatih Akin (O Som de Istambul), não se trata de uma comédia daquelas que só preenchem duas horas vagas de nossas vidas. Alguns enquadramentos são estilosos sem que a atenção do espectador se dissipe da história e há uma linguagem visual bem moderna que combina com a atmosfera que o restaurante Soul Kitchen adquire conforme o enredo se desenvolve.


quarta-feira, 17 de março de 2010

In-Edit Brasil 2010


Está de volta o In-Edit Brasil, Festival Internacional do Documentário Musical. Uma iniciativa que começou em Barcelona há 8 anos e já dá volta ao mundo.

O Festval acontece de 18 a 28 março em São Paulo – no MIS, Cine Olido, CineSESC, HSBC Belas Artes, Matilha Cultural, Auditório Ibirapuera e Instituto Cervantes – e de 2 a 8 de abril no Rio de Janeiro. Os preços dos ingressos variam de R$ 1 a R$12 (inteira) e R$ 0,50 a R$ 6 (meia), com mais de 20% das sessões inteiramente gratuitas.

No Panorama Brasileiro, o festival reúne um total de 46 títulos nacionais, entre longas, médias e curtas, além de promover debates, encontros e apresentações musicais.
 
Para mais informações, visite o site oficial do In-Edit Brasil.
 
 
Filmes avaliados
 
Beyond Ipanema – Ondas Brasileiras na Música Global (Beyond Ipanema – Brazilian Waves in Global Music) — Porque nós somos mais do que samba e bossa nova.
 
Hebert de Perto — Um retrato do líder dOs Paralamas do Sucesso.

Icons Among Us — Se o jazz nunca morre, quem o está mantendo vivo?
  
Mamonas para Sempre – O Doc — A história do maior e mais engraçado fenômeno da música brasileira.
 
Musicagen — A música pode ser uma grande brincadeira.
 
Simonal: Ninguém Sabe o Duro que Dei — Nem vem que não tem...
 
Mais filmes serão incluídos conforme forem avaliados.

Mamonas para Sempre – O Doc


Filme exibido no In-Edit Brasil 2010.




Sinopse: Documentário sobre a carreira meteórica da banda Mamonas Assassinas. A formação do grupo, o sucesso, a exposição, os fãs e a morte dos roqueiros descontraídos.



Ficha Técnica
Mamonas para Sempre – O Doc
Roteiro e Direção: Claudio Kahns
Elenco: -documentário-
Duração: 90 minutos
País: Brasil


Os cinco garotos de Guarulhos
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Os Mamonas Assassinas foram uma das bandas mais engraçadas que já apareceu no cenário brasileiro. Para combinar com a personalidade de seus integrantes o documentário Mamonas para Sempre – O Doc também segue uma linha cômica, com pequenas animações e algumas piadinhas inseridas no fundo enquanto uma entrevista acontece em primeiro plano.

A produção consegue ultrapassar sua obrigação: ser um registro do fenômeno Mamonas para que os fãs relembrem as músicas. Indo além disso, o documentário nos lembra que antes de tudo Mamonas Assassinas era uma banda de rock. O papel e o talento de cada integrante são analisados e também há detalhes técnicos até que bem específicos sobre a mixagem do álbum, por exemplo.

Parace que nenhuma questão fica de fora, a começar pelos óbvios assuntos da super-exposição na mídia e da rapidez com que eles chegaram ao topo das paradas. Felizmente os temas mais delicados e menos comentados não foram deixados de fora. Os interesses financeiros por trás do sucesso e as relações pessoais entre eles, com namoradas e famílias são desdobramentos que em um primeiro momento não são discutidos em outros meios, mas não foram esquecidos por Mamonas para Sempre.

Um defeito é o mal uso das canções. Mesmo tendo apenas um disco gravado, precisava repetir tanto "Cabeça de Bagre II" e nem relar a ponta dos dedos em outras faixas, como "Mundo Animal"?

terça-feira, 16 de março de 2010

Top Bilheterias

Confira o ranking nacional das bilheterias:

1. Ilha do Medo
2. Avatar
3. Simplesmente Complicado
4. Lembranças
5. Percy Jackson e o Ladrão de Raios
6. Idas e Vindas do Amor
7. Toy Story 2 – 3D
8. O Amor Acontece
9. O Lobisomem
10. O Segredo de Seus Olhos

# estreias

Totalmente certas nossas previsões da semana passada e o reinado da Fox Filmes que começou no Natal finalmente chega ao fim. Na próxima semana, a briga será braba entre Sandra Bullock e Denzel Washington pela estreia mais lucrativa, mas a liderança não deve mudar.

Vale destacar que o Oscar fez muito bem ao filme argentino, que voltou à lista depois da premiação.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Tudo Pode Dar Certo

Filme exibido no 6º Festival de Verão do RS de Cinema Internacional.



Sinopse: Boris é um professor universtirário aposentado que adora falar da insignificância da vida. Um dia ele abriga a jovem Melodie e sua visão impressiona a moça. Entre eles nasce uma improvável amizade.


Ficha Técnica
Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works)
Roteiro e Direção: Woody Allen
Elenco: Larry David, Evan Rachel Wood, Patricia Clarkson, Ed Begley Jr.
Duração: 92 minutos
País: EUA, França


Woody Allen à moda antiga
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: trailer)

O cineasta Woody Allen equilibra sua obra entre dois tipos de filme, alguns mais voltados para o grande público (guardadas as devidas proporções) e outros um pouco mais ousados. Para quem gosta dessa segunda parte, Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works) volta para Nova York depois das empreitadas europeias e pode fazer os cinéfilos matarem saudades da produção mais antiga do diretor.

A razão disso está na data do roteiro, escrito na década de 70. O texto estava engavetado desde então e, com a ameaça de greves de atores em 2008, foi resgatado já que não havia tempo para construir um roteiro do nada. Com isso, o que se ganha é a agilidade dos diálogos que Allen parecia ter deixado de lado em seus últimos filmes.

A maior prova da ousadia presente em Tudo Pode Dar Certo está no fato de que em diversas oportunidades o protagonista para a ação dramática para falar diretamente com a plateia. Todos os outros personagens acham tal atitude muito estranha e até comentam o absurdo que está diante de seus olhos.

A atual musa Scarlett Johansson foi deixada de lado para dar espaço para outra loura, a mais talentosa dramaticamente Evan Rachel Wood (O Lutador) – interpretando a inocente Melodie. Outra boa notícia é que Allen resumiu sua participação para atrás das câmeras, deixando o papel que seria dele para Larry David (Curb Your Enthusiasm).

Por tudo isso, quem estava com saudades de Woody Allen em sua melhor forma no gênero cômico ficará bem satisfeito com a produção. E poderá até se emocionar.


Sonhos Roubados

Filme exibido no 6º Festival de Verão do RS de Cinema Internacional.


Sinopse: Jessica, Sabrina e Daiane tem sonhos, como todas as garotas. Por morarem em uma favela carioca, encontram na prostituição uma forma de obter dinheiro para satisfazes seus desejos de consumo.


Ficha Técnica
Sonhos Roubados
Direção: Sandra Werneck
Roteiro: Eliane Trindade
Elenco: Nanda Costa, Amanda Diniz, Kika Farias
Duração: 85 minutos
País: Brasil


“O Rio de Janeiro continua sendo...”
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Muitas pessoas se dizem cansadas de ver tantos filmes nacionais que falam da pobreza nordestina ou das favelas. Considerando que esse é exatamente o tema de Sonhos Roubados, é preciso achar qualidades que justifiquem mais uma produção com esse assunto.

O novo trabalho de Sandra Werneck (Cazuza) reúne algumas características que podem ser percebidas em outros filmes nacionais. O bom uso de não-atores é uma delas, com destaque para Nanda Costa que levou o prêmio de Melhor Atriz no Festival do Rio 2009. Essa tendência foi muito bem apresentada por Cidade de Deus (2002) e traz resultados bem verdadeiros, quando esses novatos são bem dirigidos.

Além dos jovens, há espaço para a estreia de MV Bill como ator. Claro que resultados semelhantes ao de Paulo Miklos em O Invasor (2002) são extremamente raros, mas Bill convence em cenas bem difíceis para um estreante.

Finalmente, Sonhos Roubados pode ser considerado uma versão carioca de Linha de Passe, embora tenha mais esperança em seu conteúdo. Enquanto os paulistas usaram uma família para retratar vários aspectos da periferia, agora se vê em três amigas traços da juventude marginalizada do Rio de Janeiro.

Sandra Werneck mostra novamente seu maior mérito: fazer filmes sólidos e de qualidade que conseguem dialogar com o grande público. Mais cineastas desse tipo são necessários em nosso país.


sábado, 13 de março de 2010

Gran Torino






Sinopse: Depois que seu carro sofre uma tentativa de roubo, Walter resolve orientar seu jovem vizinho para o caminho certo.


Ficha Técnica
Gran Torino
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Nick Schenk
Elenco: Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her
Duração: 116 minutos


Repensando o estigma
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: último parágrafo)

Clint Eastwood já foi alvo de piadas em mesas de bar por causa da repetição dos personagens que interpretava em inúmeras produções, sempre sendo o forasteiro solitário e misterioso que acabava trazendo justiça. Em Gran Torino não poderia ser muito diferente, só que dessa vez ele é um estranho em sua própria vizinhança.

Com a imigração massiva de orientais para o bairro onde o conservador Walter viveu toda a sua vida, ele acabou ficando para trás. A bolha de isolamento do veterano de guerra estoura quando a delinqüência juvenil bate à porta de sua garagem. Nesse ponto ele é convocado a fazer o que fez por toda sua carreira: justiça.

O Dirty Harry que emocionava as massas em salas de cinema de décadas passadas envelheceu. Não só Clint, com quase 80 anos, mas o conceito por trás desse tipo de herói não faz mais sentido. Para driblar a passagem de tempo, a ferramenta escolhida é o humor. Por vezes, um mero murmúrio de Walter desaprovando as vestimentas da nova geração é suficiente para arrancar risadas da platéia. A figura do padre é outro ponto cômico bem utilizado e os fãs de Dr. House com certeza simpatizarão com Walter.

As piadas que permeiam o roteiro deixam o filme muito mais leve. Para quem acha que as direções de Clint Eastwood (Cartas de Iwo Jima) são muito arrastadas e nada empolgantes para ver repetidas vezes, Gran Torino será um sopro de ar fresco.

Quem acompanhou as diversas aventuras dos personagens interpretados por Clint Eastwood já está acostumado aos tiroteios. Agora ele segue um caminho muito diferente, só dá um tiro, com quase duas horas de filme – e acidentalmente. Em seu papel de despedida como ator, Clint parece procurar redenção no final de Gran Torino. Além de se oferecer para o sacrifício, ele utiliza a violência que existe dentro de seus inimigos para resolver o conflito de uma forma inteligente e emocionante.

Criação



Sinopse: Charles Darwin está conduzindo as pesquisas e experimentos para escrever A Origem das Espécies. Seu dilema é balancear as idéias de vanguarda com a fé religiosa de sua esposa.


Ficha Técnica
Criação (Creation)
Direção: Jon Amiel
Roteiro: John Collee
Elenco: Paul Bettany, Jennifer Connelly, Jeremy Northam, Martha West
Duração: 108 minutos
País: Reino Unido


Drama X Ciência
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Com A Origem das Espécies, o naturalista inglês Charles Darwin trouxe ao mundo uma ideia revolucionária. A prova do alcance do darwinismo está nos campos em que seus escritos geram discussões. Além da biologia, Darwin é assunto de teologia, sociologia e filosofia. Por essa razão, não é um absurdo esperar que o filme que narre a confecção de um livro dessa importância abra espaço para discussões desse nível de complexidade. No entanto, Criação (Creation) não passa de um drama familiar muito mediano.

Um bom exemplo de uma fita sobre a escrita de um livro que relaciona o conteúdo literário com o gênero cinematográfico é Zodíaco. Falando da caçada a um serial killer, a produção dirigida por David Fincher é um thriller policial.

Criação procura emoção onde não é sua jurisdição. Ao invés de investir no impacto que os escritos de Darwin teriam na sociedade da época, o foco recai na morte de Annie, a filha mais velha da família. A tragédia realmente afetou a vida do cientista e há muita fidelidade com os acontecimentos reais, mas a ciência não poderia ser deixada de lado.

Se todos os sonhos fantasiosos e os diálogos imaginários entre Charles e Annie fossem substituídos por passagens reais, quem conhece um pouco a história ficaria mais contente. A famosa viagem do Beagle às Ilha Galápagos, por exemplo, é resumida a poucos flashbacks aqui e ali.

Criação peca por não cumprir sua primeira obrigação: dialogar com os conhecedores da obra de seu personagem principal. Provavelmente só quem for arrastado ao cinema por um darwinista é que poderá aproveitar o filme.




Dudeshop:
• Livro A Origem da Espécie, de Charles Darwin (Ed. Larousse do Brasil)
• Livro Aventuras e Descobertas de Darwin a Bordo do Beagle: 1832-1836, de Richard Keynes (Ed. Jorge Zahar)

Agenda SP: Viagem pela Francofonia


Dia 20 de março é comemorado o Dia da Francofonia, celebrando todos os países e povosque falam o idioma francês. Para marcar a data, o Reserva Cultural (Av. Paulista, 900) resolveu mostrar filmes e pratos dessas localidades no dia 14.

O ingresso para cada sessão (com degutação-surpresa) custa R$5,00. Mais informações poder ser obtidas no site oficial.



Programação

Sessão Suíça: Home (9h)

Sessão Canadá: A Grande Sedução (11h)

Sessão Bélgica: O Silêncio de Lorna (13h)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Estreias da semana

X Aproximação (Disengagement) — Você nunca se separa de seu passado.

Histórias de Amor Duram apenas 90 Minutos — O desejo dura até aparecer um novo desejo.

Ilha do Medo (Shutter Island) — Alguns lugares nunca te deixam sair.

Lembranças (Remember Me) — Viva cada momento.
 
 
X Estreia apenas em Rio de Janeiro e São Paulo.

Histórias de Amor Duram apenas 90 Minutos






Sinopse: Zeca é um jovem e frustrado escritor casado com Júlia, uma mulher independente e bem resolvida. Entre o casal chega a dançarina Carol, para desestabilizar o relacionamento.


Ficha Técnica
Histórias de Amor Duram apenas 90 Minutos
Roteiro e Direção: Paulo Halm
Elenco: Caio Blat, Maria Ribeiro, Luz Cipriota, Daniel Dantas
Duração: 93 minutos
País: Brasil


Mistura sem conclusão
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Em Histórias de Amor Duram apenas 90 Minutos, o roteirista Paulo Halm (Casa da Mãe Joana) faz sua estreia como diretor. A história mescla momentos de romance, sedução, reflexão e comédia de forma bem balanceada.

A parte cômica fica muito mais por conta da narração feita pelo protagonista, embora algumas situações engraçadas sejam criadas. As melhores piadas estão no texto, um vício comum de roteiristas-diretores.

Já a parte sensual do filme é a mais forte. A atriz argentina Luz Cipriota (Déficit) interpreta um dos piores tipos de mulher que um homem pode encontrar. Além de ser estonteantemente bela, ela tem a exata noção do que seus dotes físicos podem causar nos homens. Sua sensualidade mostra como são fracos os homens que se deixam levar pelas curvas de uma mulher.

Conforme a trama se desenvolve o público começa a pensar que a situação na qual o protagonista está se metendo parece ser sem saída. Some-se a isso uma crise dos 30 anos que faz ele ter atitudes infantis que podem acabar com a simpatia inicial conquistada pelo personagem. Para piorar, as histórias de amor podem até ter um final depois de 90 minutos, mas esse filme verdadeiramente carece de uma resolução aceitável.


quinta-feira, 11 de março de 2010

Ilha do Medo






Sinopse: Em 1954, o agente federal Teddy Daniels está investigando o desaparecimento de uma interna de uma unidade prisional para doentes mentais. No entanto, parece que a Ilha Shutter esconde mais segredos.


Ficha Técnica
Ilha do Medo (Shutter Island)
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Laeta Kalogridis
Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Michelle Williams
Duração: 138 minutos
País: EUA


Tudo na cabeça
 por Edu Fernandes

(Spoilerômetro: )

Quem assiste ao trailer abaixo logo pensa que Ilha do Medo (Shutter Island) é um filme de terror. Levando em conta Cabo do Medo (1991), já se sabe como Martin Scorsese consegue incutir tensão em um filme. No entanto, seu novo trabalho não é para assustar. Portanto, o primeiro passo é não acreditar no trailer.

A classificação mais honesta seria um thriller psicológico – e dos bons. Não há qualquer aura sobrenatural e sim um pouco de mistério e sentimento de conspiração das brabas. Nesse sentido, podemos comparar essa produção com Um Corpo que Cai (1958), do mestre Hitchcock.

Os segredos são aos poucos revelados e algumas dicas deixam fácil para que o espectador já tenha ideias do que está acontecendo no presídio. Mesmo assim, não é preciso desanimar já que a trama é muito bem amarrada e cheias de detalhes. Certamente haverá alguma surpresa no final.

Aliás, é nesse momento em que Ilha do Medo peca. As revelações finais são alongadas mais do que o desejado. Algumas ferramentas de edição e síntese poderiam sem empregadas para agilizar o desfecho e até ganhar mais impacto. É claro que a relativa vagarosidade do filme não se compara ao teste de paciência que são os mistérios de uma certa ilha de um seriado televisivo.

A loucura dos detentos se mistura aos segredos por trás da locação e os sonhos do protagonista. As mentes perturbadas dos prisioneiros se misturam aos próprios traumas do investigador e a plateia é convidada para uma irresistível viagem psicológica. Bom proveito e boa sorte no retorno.




Dudeshop:
• Livro Ilha do Medo, de Dennis Lehane (Companhia das Letras)